{"id":4410,"date":"2021-08-24T06:26:59","date_gmt":"2021-08-24T05:26:59","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=4410"},"modified":"2021-08-24T06:27:01","modified_gmt":"2021-08-24T05:27:01","slug":"cometa-atlas-pode-ter-sido-uma-explosao-do-passado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2021\/08\/24\/cometa-atlas-pode-ter-sido-uma-explosao-do-passado\/","title":{"rendered":"Cometa ATLAS pode ter sido uma &#8220;explos\u00e3o do passado&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Suspeita-se que h\u00e1 cerca de 5000 anos um cometa passou a 37 milh\u00f5es de quil\u00f3metros do Sol, mais perto do que o planeta Merc\u00fario. O cometa pode ter sido uma vis\u00e3o espetacular para as civiliza\u00e7\u00f5es da Eur\u00e1sia e do Norte de \u00c1frica no final da Idade da Pedra ou in\u00edcio da Idade do Bronze.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, este visitante espacial sem nome n\u00e3o est\u00e1 registado em qualquer relato hist\u00f3rico conhecido. Ent\u00e3o, como \u00e9 que os astr\u00f3nomos sabem que existiu tal intruso interplanet\u00e1rio?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 aqui que entra o cometa ATLAS (C\/2019 Y4), que apareceu pela primeira vez no in\u00edcio de 2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O cometa ATLAS, detetado pela primeira vez pelo ATLAS (Asteroid Terrestrial-impact Last Alert System), operado pela Universidade do Hawaii, rapidamente encontrou uma morte prematura em meados de 2020, quando se desintegrou numa cascata de pequenos peda\u00e7os de gelo.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/stsci-01fcrmpqkh2bgh2whx2rr9g6rh.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"985\" height=\"290\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/H2VIa5ri_o.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-4411\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/H2VIa5ri_o.png 985w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/H2VIa5ri_o-300x88.png 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/H2VIa5ri_o-768x226.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 985px) 100vw, 985px\" \/><\/a><figcaption>Este par de imagens do cometa C\/2019 Y4 (ATLAS) pelo Telesc\u00f3pio Espacial Hubble, obtidas dia 20 e 23 de abril de 2020, revelam a fragmenta\u00e7\u00e3o do n\u00facleo s\u00f3lido do cometa. As fotos do Hubble identificam at\u00e9 30 fragmentos separados. O cometa estava aproximadamente a 146 milh\u00f5es de quil\u00f3metros da Terra quando as imagens foram capturadas. O cometa pode ter sido um peda\u00e7o que se separou de um cometa maior, cometa este que passou pelo Sol h\u00e1 5000 anos. O cometa foi colorido artificialmente nas imagens para melhorar os detalhes para an\u00e1lise.<br>Cr\u00e9dito: ci\u00eancia &#8211; NASA, ESA, Quanzhi Ye (UMD); processamento &#8211; Alyssa Pagan (STScI)<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Num novo estudo usando observa\u00e7\u00f5es do Telesc\u00f3pio Espacial Hubble da NASA, o astr\u00f3nomo Quanzhi Ye da Universidade de Maryland em College Park, EUA, relata que o ATLAS \u00e9 um peda\u00e7o que se separou desse antigo visitante de h\u00e1 5000 anos atr\u00e1s. Porqu\u00ea? Porque o ATLAS segue a mesma &#8220;linha f\u00e9rrea&#8221; de um cometa visto em 1844. Isto significa que os dois cometas s\u00e3o provavelmente irm\u00e3os de um cometa original que se fragmentou muitos s\u00e9culos antes. A liga\u00e7\u00e3o entre os dois cometas foi observada pela primeira vez pelo astr\u00f3nomo amador Maik Meyer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estas fam\u00edlias de cometas s\u00e3o comuns. O exemplo visual mais dram\u00e1tico foi em 1994, quando o cometa condenado Shoemaker-Levy 9 (SL9) foi puxado numa cadeia de fragmentos pela atra\u00e7\u00e3o gravitacional de J\u00fapiter. Este &#8220;comboio de cometas&#8221; teve vida curta. Peda\u00e7o a peda\u00e7o, caiu em J\u00fapiter em julho de 1994.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas o cometa ATLAS \u00e9 simplesmente &#8220;estranho&#8221;, diz Ye, que o observou com o Hubble por volta da fragmenta\u00e7\u00e3o. Ao contr\u00e1rio do seu hipot\u00e9tico cometa parente, o ATLAS desintegrou-se enquanto estava mais longe do Sol do que a Terra, a uma dist\u00e2ncia superior a 160 milh\u00f5es de quil\u00f3metros. Este valor fica muito acima da dist\u00e2ncia em que o seu pai passou pelo Sol. &#8220;Isto enfatiza a sua estranheza,&#8221; disse Ye.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Se se separou assim t\u00e3o longe do Sol, como \u00e9 que sobreviveu \u00e0 \u00faltima passagem pelo Sol h\u00e1 5000 anos? Esta \u00e9 a grande quest\u00e3o,&#8221; disse Ye. &#8220;\u00c9 muito invulgar porque n\u00e3o seria de esperar. Esta \u00e9 a primeira vez que um membro da fam\u00edlia de um cometa de longo per\u00edodo foi visto a separar-se antes de passar perto do Sol.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A observa\u00e7\u00e3o da fragmenta\u00e7\u00e3o fornece pistas de como o cometa original se formou. A sabedoria convencional diz-nos que os cometas s\u00e3o aglomera\u00e7\u00f5es fr\u00e1geis de poeira e gelo. E podem ser irregulares, como pudim de passas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Num novo artigo publicado na revista The Astronomical Journal, ap\u00f3s um ano de an\u00e1lise, Ye e coinvestigadores relatam que um fragmento do ATLAS se desintegrou em quest\u00e3o de dias, enquanto outro durou semanas. &#8220;Isto diz-nos que parte do n\u00facleo era mais forte do que a outra,&#8221; explicou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma possibilidade \u00e9 que correntes de material ejetado podem ter feito o cometa girar t\u00e3o depressa que as for\u00e7as centr\u00edfugas o rasgaram. Uma explica\u00e7\u00e3o alternativa \u00e9 que tem os denominados gelos supervol\u00e1teis que simplesmente explodiram o cometa como fogo de artif\u00edcio. &#8220;\u00c9 complicado porque come\u00e7amos a ver estas hierarquias e a evolu\u00e7\u00e3o da fragmenta\u00e7\u00e3o do cometa. O comportamento do cometa ATLAS \u00e9 interessante, mas dif\u00edcil de explicar.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O irm\u00e3o sobrevivente do cometa ATLAS s\u00f3 regressar\u00e1 no s\u00e9culo L (50).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/feature\/goddard\/2021\/comet-atlas-may-have-been-a-blast-from-the-past\" target=\"_blank\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-3881\/abfec3\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astronomical Journal)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2105.02269\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Cometa C\/2019 Y4 (ATLAS):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/C\/2019_Y4_(ATLAS)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Hubble:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/hubble\/main\/#.VJ02FAj0\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hubble, NASA<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/esaSC\/SEM106WO4HD_index_0_m.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/hubblesite.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hubblesite<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.stsci.edu\/hst\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"http:\/\/spacetelescope.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SpaceTelescope.org<\/a><br><a href=\"http:\/\/archive.stsci.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Base de dados do Arquivo Mikulski para Telesc\u00f3pios Espaciais<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Sistema de alertas ATLAS:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.fallingstar.com\/home.php\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Asteroid_Terrestrial-impact_Last_Alert_System\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Suspeita-se que h\u00e1 cerca de 5000 anos um cometa passou a 37 milh\u00f5es de quil\u00f3metros do Sol, mais perto do que o planeta Merc\u00fario. O cometa pode ter sido uma vis\u00e3o espetacular para as civiliza\u00e7\u00f5es da Eur\u00e1sia e do Norte de \u00c1frica no final da Idade da Pedra ou in\u00edcio da Idade do Bronze. No &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4411,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,16,1],"tags":[403,764,150],"class_list":["post-4410","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-sistema-solar","category-sondas-missoes-espaciais","category-telescopios-profissionais","tag-atlas","tag-cometa-c-2019-y4-atlas","tag-hubble"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4410","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4410"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4410\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4412,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4410\/revisions\/4412"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4411"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4410"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4410"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4410"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}