{"id":4401,"date":"2021-08-20T06:23:40","date_gmt":"2021-08-20T05:23:40","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=4401"},"modified":"2021-08-20T06:23:41","modified_gmt":"2021-08-20T05:23:41","slug":"um-dos-bracos-espirais-da-via-lactea-esta-partido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2021\/08\/20\/um-dos-bracos-espirais-da-via-lactea-esta-partido\/","title":{"rendered":"Um dos bra\u00e7os espirais da Via L\u00e1ctea est\u00e1 &#8220;partido&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os cientistas detetaram uma caracter\u00edstica at\u00e9 agora desconhecida da nossa Gal\u00e1xia, a Via L\u00e1ctea: um contingente de estrelas jovens e nuvens de g\u00e1s, formadoras de estrelas, est\u00e1 a &#8220;sair&#8221; de um dos bra\u00e7os espirais da Via L\u00e1ctea como uma lasca a sair de uma t\u00e1bua de madeira. Esticando-se cerca de 3000 anos-luz, esta \u00e9 a primeira grande estrutura identificada com uma orienta\u00e7\u00e3o t\u00e3o dramaticamente diferente da dos bra\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os astr\u00f3nomos t\u00eam uma ideia aproximada do tamanho e forma dos bra\u00e7os da Via L\u00e1ctea, mas muito permanece desconhecido: n\u00e3o conseguem ver a estrutura completa da nossa Gal\u00e1xia porque a Terra est\u00e1 dentro dela. \u00c9 semelhante a estar na baixa e tentar desenhar um mapa da cidade. Ser\u00e1 que seria poss\u00edvel medir dist\u00e2ncias com precis\u00e3o suficiente para saber se dois edif\u00edcios estavam no mesmo quarteir\u00e3o ou separados por algumas ruas? E como poder\u00edamos ver at\u00e9 ao limite da cidade com tantos edif\u00edcios no caminho?<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/1-milky-way-map-16.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/d2\/fc\/vQm3V9ZO_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>Esta ilustra\u00e7\u00e3o mostra a compreens\u00e3o atual dos astr\u00f3nomos da estrutura a grande escala da Via L\u00e1ctea. As estrelas e regi\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o estelar est\u00e3o amplamente agrupadas em bra\u00e7os espirais. A medi\u00e7\u00e3o da forma, tamanho e n\u00famero dos bra\u00e7os espirais \u00e9 um desafio porque a Terra est\u00e1 localizada dentro da Gal\u00e1xia.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para saber mais, os autores do novo estudo concentraram-se numa por\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima de um dos bra\u00e7os da Gal\u00e1xia, chamado Bra\u00e7o de Sagit\u00e1rio. Usando o Telesc\u00f3pio Espacial Spitzer da NASA antes deste se reformar em janeiro de 2020, procuraram estrelas rec\u00e9m-nascidas, aninhadas nas nuvens de g\u00e1s e poeira (chamadas nebulosas) onde se formam. O Spitzer deteta luz infravermelha que pode penetrar essas nuvens, enquanto a luz vis\u00edvel (do tipo que o olho humano pode ver) \u00e9 bloqueada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pensa-se que as estrelas jovens e as nebulosas se alinham intimamente com a forma dos bra\u00e7os onde residem. Para obter uma vis\u00e3o 3D do segmento do bra\u00e7o, os cientistas usaram o cat\u00e1logo mais recente de dados da miss\u00e3o Gaia da ESA a fim de medir as dist\u00e2ncias precisas at\u00e9 \u00e0s estrelas. Os dados combinados revelaram que a estrutura longa e fina associada ao Bra\u00e7o de Sagit\u00e1rio \u00e9 composta por estrelas jovens que se movem quase \u00e0 mesma velocidade e na mesma dire\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do espa\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Uma propriedade chave dos bra\u00e7os espirais \u00e9 o qu\u00e3o apertados est\u00e3o \u00e0 volta de uma gal\u00e1xia,&#8221; disse Michael Kuhn, astrof\u00edsico do Caltech e autor principal do novo artigo. Esta caracter\u00edstica \u00e9 medida pelo \u00e2ngulo de inclina\u00e7\u00e3o do bra\u00e7o. Um c\u00edrculo tem um \u00e2ngulo de inclina\u00e7\u00e3o de zero graus e, \u00e0 medida que a espiral se torna mais aberta, o \u00e2ngulo de inclina\u00e7\u00e3o aumenta. &#8220;A maioria dos modelos da Via L\u00e1ctea sugere que o Bra\u00e7o de Sagit\u00e1rio forma uma espiral que tem um \u00e2ngulo de inclina\u00e7\u00e3o de aproximadamente 12 graus, mas a estrutura que examin\u00e1mos destaca-se num \u00e2ngulo de quase 60 graus.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estruturas semelhantes &#8211; por vezes chamadas &#8220;esporas&#8221; ou &#8220;penas&#8221; &#8211; s\u00e3o normalmente encontradas a cortar os bra\u00e7os de outras gal\u00e1xias espirais. Durante d\u00e9cadas os cientistas perguntaram-se se os bra\u00e7os espirais da nossa Via L\u00e1ctea tamb\u00e9m continham estas estruturas ou se eram relativamente regulares.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2-pia24576-milky-way-break-callout-16.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"985\" height=\"554\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/wrJIdGlm_o.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4402\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/wrJIdGlm_o.jpg 985w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/wrJIdGlm_o-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/wrJIdGlm_o-768x432.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 985px) 100vw, 985px\" \/><\/a><figcaption>Foi encontrado um contingente de estrelas e nuvens de forma\u00e7\u00e3o estelar projetado para fora do Bra\u00e7o de Sagit\u00e1rio da Via L\u00e1ctea. A inser\u00e7\u00e3o mostra o tamanho da estrutura e a dist\u00e2ncia ao Sol. Cada forma de estrela laranja indica regi\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o estelar que podem conter dezenas a milhares de estrelas.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Medindo a Via L\u00e1ctea<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A caracter\u00edstica rec\u00e9m-descoberta cont\u00e9m quatro nebulosas conhecidas pela sua beleza de tirar o f\u00f4lego: a Nebulosa da \u00c1guia (que cont\u00e9m os famosos &#8220;Pilares da Cria\u00e7\u00e3o&#8221;), a Nebulosa \u00d3mega, a Nebulosa Tr\u00edfida e a Nebulosa da Lagoa. Na d\u00e9cada de 1950, uma equipa de astr\u00f3nomos fez medi\u00e7\u00f5es aproximadas das dist\u00e2ncias de algumas das estrelas nestas nebulosas e foi capaz de inferir a exist\u00eancia do Bra\u00e7o de Sagit\u00e1rio. O seu trabalho forneceu algumas das primeiras evid\u00eancias da estrutura espiral da nossa Gal\u00e1xia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;As dist\u00e2ncias est\u00e3o entre as coisas mais dif\u00edceis de medir na astronomia,&#8221; disse o coautor Alberto Krone-Martins, astrof\u00edsico e conferencista de inform\u00e1tica na Universidade da Calif\u00f3rnia, Irvine e membro do DPAC (Data Processing and Analysis Consortium) do Gaia. &#8220;S\u00e3o apenas as recentes medi\u00e7\u00f5es diretas de dist\u00e2ncia do Gaia que tornam a geometria desta nova estrutura t\u00e3o aparente.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No novo estudo, os investigadores tamb\u00e9m confiaram num cat\u00e1logo com mais de cem mil estrelas rec\u00e9m-nascidas descobertas pelo Spitzer num levantamento chamado GLIMPSE (Galactic Legacy Infrared Mid-Plane Survey Extraordinaire).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Quando juntamos os dados do Gaia e do Spitzer e finalmente vemos este mapa tridimensional detalhado, podemos ver que h\u00e1 alguma complexidade nesta regi\u00e3o que simplesmente n\u00e3o era aparente antes,&#8221; disse Kuhn.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/e2-pia24577-four-nebulas-16.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/e9\/99\/KeOOyISD_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>Aqui (da esquerda para a direita) temos imagens das nebulosas da \u00c1guia, \u00d3mega, Tr\u00edfida, e da Lagoa, obtidas pelo telesc\u00f3pio espacial Spitzer da NASA. Estas nebulosas fazem parte de uma estrutura dentro do Bra\u00e7o de Sagit\u00e1rio da Via L\u00e1ctea que &#8220;sai para fora&#8221; num \u00e2ngulo dram\u00e1tico.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os astr\u00f3nomos ainda n\u00e3o entendem completamente a raz\u00e3o pela qual se formam bra\u00e7os espirais em gal\u00e1xias como a nossa. Mesmo que n\u00e3o possamos ver a estrutura completa da Via L\u00e1ctea, a capacidade de medir o movimento de estrelas individuais \u00e9 \u00fatil para a compreens\u00e3o deste fen\u00f3meno: as estrelas na estrutura rec\u00e9m-descoberta provavelmente formaram-se na mesma \u00e9poca, na mesma \u00e1rea global e foram influenciadas particularmente pelas for\u00e7as que atuam dentro da gal\u00e1xia, incluindo a gravidade e o cisalhamento devido \u00e0 rota\u00e7\u00e3o da Gal\u00e1xia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Em \u00faltima an\u00e1lise, relembra-nos que existem muitas incertezas sobre a estrutura em grande escala da Via L\u00e1ctea, e que precisamos de olhar para os detalhes se quisermos entender essa maior imagem,&#8221; disse um dos coautores do artigo, Robert Benjamin, astrof\u00edsico na Universidade de Wisconsin-Whitewater e investigador principal do levantamento GLIMPSE. &#8220;Esta estrutura \u00e9 um peda\u00e7o pequeno da Via L\u00e1ctea, mas pode dizer-nos algo importante sobre a Gal\u00e1xia como um todo.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/feature\/jpl\/astronomers-find-a-break-in-one-of-the-milky-way-s-spiral-arms\" target=\"_blank\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.aanda.org\/articles\/aa\/full_html\/2021\/07\/aa41198-21\/aa41198-21.html\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Astronomy &amp; Astrophysics)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2107.05643\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Via L\u00e1ctea:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Milky_Way\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/messier.seds.org\/more\/mw.html\" target=\"_blank\">SEDS<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Carina%E2%80%93Sagittarius_Arm\" target=\"_blank\">Bra\u00e7o de Sagit\u00e1rio (Wikipedia)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Eagle_Nebula\" target=\"_blank\">Nebulosa da \u00c1guia (Wikipedia)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Omega_Nebula\" target=\"_blank\">Nebulosa \u00d3mega (Wikipedia)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Trifid_Nebula\" target=\"_blank\">Nebulosa Tr\u00edfida (Wikipedia)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Lagoon_Nebula\" target=\"_blank\">Nebulosa da Lagoa (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Spitzer:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/www.spitzer.caltech.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Caltech<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/spitzer\/main\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/ssc.spitzer.caltech.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Centro Cient\u00edfico Spitzer<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Spitzer_Space_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Gaia:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/sci.esa.int\/gaia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/Our_Activities\/Space_Science\/Gaia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA &#8211; 2<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/gaia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Gaia\/ESA<\/a><br><a href=\"http:\/\/gsaweb.ast.cam.ac.uk\/alerts\/home\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Programa Alertas de Ci\u00eancia Fotom\u00e9trica do Gaia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/gaia\/early-data-release-3\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">EDR3 do Gaia<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.spaceflight101.com\/gaia-spacecraft-overview.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SPACEFLIGHT101<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gaia_(spacecraft)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os cientistas detetaram uma caracter\u00edstica at\u00e9 agora desconhecida da nossa Gal\u00e1xia, a Via L\u00e1ctea: um contingente de estrelas jovens e nuvens de g\u00e1s, formadoras de estrelas, est\u00e1 a &#8220;sair&#8221; de um dos bra\u00e7os espirais da Via L\u00e1ctea como uma lasca a sair de uma t\u00e1bua de madeira. 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