{"id":4398,"date":"2021-08-20T06:20:42","date_gmt":"2021-08-20T05:20:42","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=4398"},"modified":"2021-08-20T06:20:44","modified_gmt":"2021-08-20T05:20:44","slug":"saturno-levanta-ondas-nos-seus-proprios-aneis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2021\/08\/20\/saturno-levanta-ondas-nos-seus-proprios-aneis\/","title":{"rendered":"Saturno levanta &#8220;ondas&#8221; nos seus pr\u00f3prios an\u00e9is"},"content":{"rendered":"\n<p>Da mesma forma que os sismos fazem o nosso planeta tremer, as oscila\u00e7\u00f5es no interior de Saturno fazem o gigante gasoso agitar-se levemente. Estes movimentos, por sua vez, provocam ondula\u00e7\u00f5es nos an\u00e9is de Saturno.<\/p>\n\n\n\n<p>Num novo estudo aceite para publica\u00e7\u00e3o na revista Nature Astronomy, dois astr\u00f3nomos do Caltech analisaram estes an\u00e9is ondulantes para revelar novas informa\u00e7\u00f5es sobre o n\u00facleo de Saturno. Para o seu estudo, usaram dados mais antigos obtidos pela Cassini da NASA, uma sonda que orbitou o gigante gasoso durante 13 anos antes de mergulhar na sua atmosfera e de desintegrar em 2017.<\/p>\n\n\n\n<p>Os achados sugerem que o n\u00facleo do planeta n\u00e3o \u00e9 uma bola dura de rocha, como algumas teorias anteriores haviam proposto, mas uma sopa difusa de gelo, rocha e flu\u00eddos met\u00e1licos &#8211; ou o que os cientistas chamam de n\u00facleo &#8220;difuso&#8221;. A an\u00e1lise tamb\u00e9m revela que o n\u00facleo se estende por 60% do di\u00e2metro do planeta, o que o torna substancialmente maior do que o estimado anteriormente.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Jim_Fuller-Saturn-core-wobble-labeled.max-1400x800-1-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4399\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Jim_Fuller-Saturn-core-wobble-labeled.max-1400x800-1-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Jim_Fuller-Saturn-core-wobble-labeled.max-1400x800-1-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Jim_Fuller-Saturn-core-wobble-labeled.max-1400x800-1-768x432.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Jim_Fuller-Saturn-core-wobble-labeled.max-1400x800-1.jpg 1400w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Ilustra\u00e7\u00e3o de Saturno e do seu n\u00facleo &#8220;difuso&#8221;.<br>Cr\u00e9dito: Caltech\/R. Hurt (IPAC)<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00f3s us\u00e1mos os an\u00e9is de Saturno como um sism\u00f3grafo gigante para medir as oscila\u00e7\u00f5es dentro do planeta,&#8221; diz o coautor Jim Fuller, professor assistente de astrof\u00edsica te\u00f3rica no Caltech. &#8220;Esta \u00e9 a primeira vez que podemos sondar sismicamente a estrutura de um planeta gigante gasoso, e os resultados foram bastante surpreendentes.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A an\u00e1lise detalhada dos an\u00e9is ondulantes de Saturno \u00e9 uma forma muito elegante de sismologia para inferir as caracter\u00edsticas do n\u00facleo de Saturno,&#8221; diz Jennifer Jackson, professora de F\u00edsica Mineral no Laborat\u00f3rio Sismol\u00f3gico do Caltech, que n\u00e3o esteve envolvida no estudo, mas usa diferentes tipos de observa\u00e7\u00f5es s\u00edsmicas para entender a composi\u00e7\u00e3o do n\u00facleo da Terra e para potencialmente detetar eventos s\u00edsmicos em V\u00e9nus no futuro.<\/p>\n\n\n\n<p>O autor principal do estudo \u00e9 Christopher Mankovich, investigador p\u00f3s-doutorado em ci\u00eancias planet\u00e1rias que trabalha no grupo de Fuller.<\/p>\n\n\n\n<p>As descobertas fornecem as melhores evid\u00eancias, at\u00e9 \u00e0 data, do n\u00facleo difuso de Saturno e alinham-se com evid\u00eancias recentes da miss\u00e3o Juno da NASA, que indica que o gigante gasoso J\u00fapiter tamb\u00e9m pode ter um n\u00facleo difuso similar.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Os n\u00facleos difusos s\u00e3o como lama,&#8221; explica Mankovich. &#8220;O hidrog\u00e9nio e o h\u00e9lio no planeta misturam-se gradualmente com mais e mais gelo e rocha conforme nos movemos para o centro do planeta. \u00c9 um pouco como partes dos oceanos da Terra, onde a salinidade aumenta conforme atingimos n\u00edveis cada vez mais profundos, criando uma configura\u00e7\u00e3o est\u00e1vel.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>A ideia de que as oscila\u00e7\u00f5es de Saturno podiam fazer &#8220;ondas&#8221; nos seus an\u00e9is e que os an\u00e9is podiam, portanto, ser usados como um sism\u00f3grafo para estudar o interior de Saturno, surgiu pela primeira vez em estudos no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990 por Mark Marley e Carolyn Porco, que mais tarde se tornou a l\u00edder da equipa de imagem da Cassini. A primeira observa\u00e7\u00e3o deste fen\u00f3meno foi feita por Matt Hedman e P.D. Nicholson em 2013, que analisaram dados da Cassini. Os astr\u00f3nomos descobriram que o anel C de Saturno continha v\u00e1rios padr\u00f5es espirais impulsionados por flutua\u00e7\u00f5es no campo gravitacional de Saturno e que estes padr\u00f5es eram distintos de outras ondas nos an\u00e9is provocadas por intera\u00e7\u00f5es gravitacionais com as luas do planeta.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, Mankovich e Fuller analisaram o padr\u00e3o das ondas nos an\u00e9is para construir novos modelos do interior de Saturno.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Saturno est\u00e1 sempre a tremer, mas \u00e9 subtil,&#8221; diz Mankovich. &#8220;A superf\u00edcie do planeta move-se cerca de um metro a cada uma ou duas horas, como um lago com ondula\u00e7\u00f5es lentas. E como um sism\u00f3grafo, os an\u00e9is captam as perturba\u00e7\u00f5es de gravidade e as part\u00edculas dos an\u00e9is come\u00e7am a agitar-se,&#8221; acrescentou.<\/p>\n\n\n\n<p>Os cientistas dizem que as ondula\u00e7\u00f5es gravitacionais observadas indicam que o interior profundo de Saturno, apesar de agitar-se como um todo, \u00e9 composto de camadas est\u00e1veis que se formaram depois que materiais mais pesados afundaram at\u00e9 ao meio do planeta e pararam de se misturar com materiais mais leves acima deles.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Para que o campo gravitacional do planeta oscile com estas frequ\u00eancias espec\u00edficas, o interior deve ser est\u00e1vel, e isso s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel se a fra\u00e7\u00e3o de gelo e rocha aumentar gradualmente \u00e0 medida que nos dirigimos para o centro do planeta,&#8221; diz Fuller.<\/p>\n\n\n\n<p>Os seus resultados tamb\u00e9m indicam que o n\u00facleo de Saturno tem 55 vezes a massa da Terra, com 17 massas terrestres sendo gelo e rocha e o resto um flu\u00eddo de hidrog\u00e9nio e h\u00e9lio.<\/p>\n\n\n\n<p>Hedman, que n\u00e3o faz parte do estudo atual, diz: &#8220;Christopher e Jim foram capazes de mostrar que uma caracter\u00edstica particular do anel forneceu fortes evid\u00eancias de que o n\u00facleo de Saturno \u00e9 extremamente difuso. Fico empolgado ao pensar sobre o que todas as outras caracter\u00edsticas dos an\u00e9is geradas por Saturno nos podem ser capazes de dizer sobre esse planeta.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disto, as descobertas representam desafios para os modelos atuais da forma\u00e7\u00e3o de planetas gigantes gasosos, que sustentam que os n\u00facleos rochosos se formam primeiro e depois atraem grandes inv\u00f3lucros de g\u00e1s. Se os n\u00facleos dos planetas forem efetivamente difusos, como indica o estudo, os planetas podem, ao inv\u00e9s, incorporar g\u00e1s no in\u00edcio do processo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Saturn Makes Waves in its Own Rings\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/lO27OL1bVR0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.caltech.edu\/about\/news\/saturn-makes-waves-in-its-own-rings\" target=\"_blank\">\/\/ Caltech (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41550-021-01448-3\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature Astronomy)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2104.13385\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/skyandtelescope.org\/astronomy-news\/saturn-fuzzy-core\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Sky &amp; Telescope<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.space.com\/saturn-rings-study-reveals-soupy-core\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SPACE.com<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.technologyreview.com\/2021\/08\/16\/1031996\/saturn-core-insides-sloshing-rings-cassini\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">MIT Technology Review<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.smithsonianmag.com\/smart-news\/saturns-seismic-activity-makes-waves-its-own-rings-180978459\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Smithsonian Magazine<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.sciencealert.com\/patterns-in-saturn-s-rings-reveal-a-giant-fuzzy-core-hidden-beneath-the-surface\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">science alert<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2021-08-saturn.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.popsci.com\/space\/saturn-slushy-core\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Popular Science<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.com\/science\/article\/ripples-in-saturns-rings-reveal-the-planets-giant-slushy-core\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">National Geographic<\/a><br><a href=\"https:\/\/arstechnica.com\/science\/2021\/08\/saturns-core-is-a-big-diffuse-rocky-slushball\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Ars Technica<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cassini:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/saturn.jpl.nasa.gov\/home\/index.cfm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Cassini-Huygens\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Saturno:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.solarviews.com\/eng\/saturn.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Solarviews<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Saturn_%28planet%29\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Rings_of_Saturn\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">An\u00e9is de Saturno (Wikipedia)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Da mesma forma que os sismos fazem o nosso planeta tremer, as oscila\u00e7\u00f5es no interior de Saturno fazem o gigante gasoso agitar-se levemente. 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