{"id":4395,"date":"2021-08-20T06:18:24","date_gmt":"2021-08-20T05:18:24","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=4395"},"modified":"2021-08-20T06:18:26","modified_gmt":"2021-08-20T05:18:26","slug":"regiao-de-formacao-estelar-proxima-fornece-pistas-sobre-a-formacao-do-nosso-sistema-solar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2021\/08\/20\/regiao-de-formacao-estelar-proxima-fornece-pistas-sobre-a-formacao-do-nosso-sistema-solar\/","title":{"rendered":"Regi\u00e3o de forma\u00e7\u00e3o estelar pr\u00f3xima fornece pistas sobre a forma\u00e7\u00e3o do nosso Sistema Solar"},"content":{"rendered":"\n<p>Uma regi\u00e3o de forma\u00e7\u00e3o estelar na dire\u00e7\u00e3o da constela\u00e7\u00e3o de Ofi\u00faco est\u00e1 a dar aos astr\u00f3nomos novas informa\u00e7\u00f5es sobre as condi\u00e7\u00f5es em que o nosso pr\u00f3prio Sistema Solar nasceu. Em particular, um novo estudo do complexo de forma\u00e7\u00e3o estelar de Ofi\u00faco mostra como o nosso Sistema Solar pode ter sido enriquecido com elementos radioativos de vida curta.<\/p>\n\n\n\n<p>A evid\u00eancia deste enriquecimento existe desde a d\u00e9cada de 1970, quando cientistas que estudavam certas inclus\u00f5es minerais em meteoritos conclu\u00edram que eram remanescentes pristinos do Sistema Solar jovem e continham os produtos de decaimento de radionucl\u00eddeos de vida curta. Estes elementos radioativos podem ter sido lan\u00e7ados para o Sistema Solar nascente por uma explos\u00e3o estelar (uma supernova) ou pelos fortes ventos estelares de um tipo de estrela massiva conhecida como estrela Wolf-Rayet.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"450\" height=\"611\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/WAGYk3Xn_o.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4396\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/WAGYk3Xn_o.jpg 450w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/WAGYk3Xn_o-221x300.jpg 221w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><figcaption>Observa\u00e7\u00f5es a v\u00e1rios comprimentos de onda da regi\u00e3o de forma\u00e7\u00e3o estelar de Ofi\u00faco revelam intera\u00e7\u00f5es entre nuvens de g\u00e1s, formadoras de estrelas, e radionucl\u00eddeos produzidos num enxame estelar vizinho. A imagem do topo (a) mostra a distribui\u00e7\u00e3o de alum\u00ednio-26 a vermelho, tra\u00e7ada por emiss\u00f5es de raios-gama. A caixa central representa a \u00e1rea coberta na imagem em baixo e \u00e0 esquerda (b), que mostra a distribui\u00e7\u00e3o de protoestrelas nas nuvens de Ofi\u00faco como pontos vermelhos. A \u00e1rea na caixa pode ser vista em baixo \u00e0 direita (c), uma composi\u00e7\u00e3o profunda no infravermelho pr\u00f3ximo da nuvem L1688, contendo muitos bem conhecidos n\u00facleos pr\u00e9-estelares densos com discos e protoestrelas.<br>Cr\u00e9dito: Forbes et al., Nature Astronomy 2021<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Os autores do novo estudo, publicado no dia 16 de agosto na revista Nature Astronomy, usaram observa\u00e7\u00f5es em v\u00e1rios comprimentos de onda da regi\u00e3o de forma\u00e7\u00e3o estelar de Ofi\u00faco, incluindo novos e espetaculares dados infravermelhos, para revelar as intera\u00e7\u00f5es entre as nuvens de g\u00e1s, formadoras de estrelas, e os is\u00f3topos radioativos produzidos nas proximidades de um jovem enxame estelar. Os seus achados indicam que as supernovas no enxame estelar s\u00e3o a fonte mais prov\u00e1vel de radionucl\u00eddeos de vida curta nas nuvens de forma\u00e7\u00e3o estelar.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O nosso Sistema Solar foi provavelmente formado numa nuvem molecular gigante juntamente com um jovem enxame estelar, e um ou mais eventos de supernova de algumas estrelas massivas neste enxame contaminaram o g\u00e1s que se transformou no Sol e no seu sistema planet\u00e1rio,&#8221; disse o coautor Douglas N. C. Lin, professor em\u00e9rito de astronomia e astrof\u00edsica na Universidade da Calif\u00f3rnia em Santa Cruz. &#8220;Embora este cen\u00e1rio tenha sido sugerido no passado, a for\u00e7a deste artigo cient\u00edfico est\u00e1 em usar observa\u00e7\u00f5es de v\u00e1rios comprimentos de onda e uma an\u00e1lise estat\u00edstica sofisticada para deduzir uma medi\u00e7\u00e3o quantitativa da probabilidade do modelo.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro autor, John Forbes do Centro para Astrof\u00edsica Computacional do Instituto Flatiron , disse que os dados de telesc\u00f3pios espaciais de raios-gama permitem a dete\u00e7\u00e3o de raios-gama emitidos pelo is\u00f3topo radioativo alum\u00ednio-26. &#8220;Estas s\u00e3o observa\u00e7\u00f5es complexas. S\u00f3 podemos detet\u00e1-lo de forma convincente em duas regi\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o estelar, e os melhores dados s\u00e3o do complexo de Ofi\u00faco,&#8221; explicou.<\/p>\n\n\n\n<p>O complexo de nuvens de Ofi\u00faco cont\u00e9m muitos n\u00facleos protoestelares densos em v\u00e1rios est\u00e1gios de forma\u00e7\u00e3o e o desenvolvimento de discos protoplanet\u00e1rios, representando os primeiros est\u00e1gios na forma\u00e7\u00e3o de um sistema planet\u00e1rio. Ao combinar dados que v\u00e3o desde os comprimentos de onda milim\u00e9tricos at\u00e9 aos raios-gama, os investigadores foram capazes de visualizar um fluxo de alum\u00ednio-26 do enxame de estrelas pr\u00f3ximo em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 regi\u00e3o de forma\u00e7\u00e3o estelar de Ofi\u00faco.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O processo de enriquecimento que estamos a ver em Ofi\u00faco \u00e9 consistente com o que aconteceu durante a forma\u00e7\u00e3o do Sistema Solar h\u00e1 5 mil milh\u00f5es de anos,&#8221; disse Forbes. &#8220;Assim que vimos este belo exemplo de como o processo pode ocorrer, come\u00e7\u00e1mos a tentar modelar o enxame estelar pr\u00f3ximo que produziu os radionucl\u00eddeos que vemos hoje em raios-gama.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/c2\/62\/O5hmUP31_o.jpg\" alt=\"\"\/><figcaption>Composi\u00e7\u00e3o profunda e infravermelha da nuvem L1688 no complexo de forma\u00e7\u00e3o estelar de Ofi\u00faco obtido pelo levantamento VISIONS do ESO, onde o azul, verde e vermelho est\u00e3o mapeados para as bandas do infravermelho pr\u00f3ximo J (1,2 \u03bcm), H (1,6 \u03bcm) e KS (2,2 \u03bcm), respetivamente.<br>Cr\u00e9dito: Jo\u00e3o Alves\/VISIONS do ESO<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Forbes desenvolveu um modelo que tem em conta cada estrela massiva que pode ter existido nesta regi\u00e3o, incluindo a sua massa, idade e probabilidade de explodir como supernova, e incorpora os rendimentos potenciais de alum\u00ednio-26 a partir de ventos estelares e supernovas. O modelo permitiu-lhe determinar as probabilidades de diferentes cen\u00e1rios para a produ\u00e7\u00e3o do alum\u00ednio-26 observado hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Agora temos informa\u00e7\u00f5es suficientes para dizer que h\u00e1 uma probabilidade de 59% de ser devido a supernovas e 68% de hip\u00f3tese de ser de v\u00e1rias fontes, n\u00e3o apenas de uma supernova,&#8221; disse Forbes.<\/p>\n\n\n\n<p>Este tipo de an\u00e1lise estat\u00edstica atribui probabilidades a cen\u00e1rios que os astr\u00f3nomos t\u00eam debatido nos \u00faltimos 50 anos, observou Lin. &#8220;Esta \u00e9 a nova dire\u00e7\u00e3o para a astronomia, quantificar a probabilidade,&#8221; disse.<\/p>\n\n\n\n<p>Os novos achados tamb\u00e9m mostram que a quantidade de radionucl\u00eddeos de vida curta incorporados em sistemas estelares rec\u00e9m-formados pode variar amplamente. &#8220;Muitos novos sistemas estelares nascer\u00e3o com abund\u00e2ncias de alum\u00ednio-26 em linha com o nosso Sistema Solar, mas a varia\u00e7\u00e3o \u00e9 enorme &#8211; v\u00e1rias ordens de magnitude,&#8221; disse Forbes. &#8220;Isto \u00e9 importante para a evolu\u00e7\u00e3o inicial dos sistemas planet\u00e1rios, uma vez que o alum\u00ednio-26 \u00e9 a principal fonte de aquecimento inicial. Mais alum\u00ednio-26 provavelmente significa planetas mais secos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados infravermelhos, que permitiram \u00e0 equipa observar atrav\u00e9s de nuvens poeirentas o cora\u00e7\u00e3o do complexo de forma\u00e7\u00e3o estelar, foram obtidos pelo coautor Jo\u00e3o Alves da Universidade de Viena como parte do levantamento VISION do ESO de ber\u00e7\u00e1rios estelares pr\u00f3ximos usando o telesc\u00f3pio VISTA no Chile.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ofi\u00faco n\u00e3o \u00e9 uma regi\u00e3o de forma\u00e7\u00e3o estelar especial,&#8221; disse Alves. &#8220;\u00c9 apenas uma configura\u00e7\u00e3o t\u00edpica de g\u00e1s e estrelas massivas jovens, de modo que os nossos resultados devem ser representativos do enriquecimento de elementos radioativos de vida curta na forma\u00e7\u00e3o de estrelas e planetas na Via L\u00e1ctea.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/news.ucsc.edu\/2021\/08\/star-formation.html\" target=\"_blank\">\/\/ UC Santa Cruz (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41550-021-01442-9\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature Astronomy)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Forma\u00e7\u00e3o estelar:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Star_formation\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nuvem molecular de Ofi\u00faco:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Rho_Ophiuchi_cloud_complex\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>VISTA:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/paranal-observatory\/surveytelescopes\/vista\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESO<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/VISTA_(telescope)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma regi\u00e3o de forma\u00e7\u00e3o estelar na dire\u00e7\u00e3o da constela\u00e7\u00e3o de Ofi\u00faco est\u00e1 a dar aos astr\u00f3nomos novas informa\u00e7\u00f5es sobre as condi\u00e7\u00f5es em que o nosso pr\u00f3prio Sistema Solar nasceu. 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