{"id":4393,"date":"2021-08-17T06:25:48","date_gmt":"2021-08-17T05:25:48","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=4393"},"modified":"2021-08-17T06:25:49","modified_gmt":"2021-08-17T05:25:49","slug":"tamanho-dos-buracos-negros-revelado-pelos-seus-padroes-de-alimentacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2021\/08\/17\/tamanho-dos-buracos-negros-revelado-pelos-seus-padroes-de-alimentacao\/","title":{"rendered":"Tamanho dos buracos negros revelado pelos seus padr\u00f5es de alimenta\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Investigadores relatam que os padr\u00f5es de alimenta\u00e7\u00e3o dos buracos negros fornecem informa\u00e7\u00f5es sobre o seu tamanho. Um novo estudo revelou que a oscila\u00e7\u00e3o no brilho, observada em buracos negros supermassivos que se alimentam ativamente, est\u00e1 relacionada com a sua massa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os buracos negros supermassivos s\u00e3o milh\u00f5es a milhares de milh\u00f5es de vezes mais massivos do que o Sol e geralmente residem no centro de gal\u00e1xias massivas. Quando est\u00e3o dormentes, isto \u00e9, quando n\u00e3o est\u00e3o a alimentar-se de g\u00e1s e estrelas em seu redor, essa regi\u00e3o emite muito pouca luz; a \u00fanica maneira que os astr\u00f3nomos podem detet\u00e1-los \u00e9 por meio das suas influ\u00eancias gravitacionais nas estrelas e no g\u00e1s na sua vizinhan\u00e7a. No entanto, no in\u00edcio do Universo, quando os buracos negros supermassivos cresciam rapidamente, alimentavam-se ativamente &#8211; ou acretavam &#8211; materiais a ritmos intensos e a emitiam uma enorme quantidade de radia\u00e7\u00e3o &#8211; \u00e0s vezes ofuscando toda a gal\u00e1xia onde residiam.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O novo estudo, liderado pelo estudante Colin Burke e pelo professor Yue Shen, ambos da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign, descobriu uma rela\u00e7\u00e3o definitiva entre a massa dos buracos negros supermassivos que se alimentam ativamente e a escala de tempo caracter\u00edstica no padr\u00e3o oscilante de luz. Os achados foram publicados na revista Science.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/i.postimg.cc\/m2K79cY2\/d41586-021-02202-5-19561372.gif\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.postimg.cc\/m2K79cY2\/d41586-021-02202-5-19561372.gif\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>Anima\u00e7\u00e3o de um disco de acre\u00e7\u00e3o em torno de um buraco negro supermassivo. O processo de acre\u00e7\u00e3o produz flutua\u00e7\u00f5es aleat\u00f3rias de luminosidade ao longo do tempo, um padr\u00e3o que se descobriu estar relacionado com a massa do buraco negro.<br>Cr\u00e9dito: Mark A. Garlick\/Funda\u00e7\u00e3o Simons<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A luz observada de um buraco negro supermassivo em acre\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 constante. Devido a processos f\u00edsicos que ainda n\u00e3o s\u00e3o compreendidos, exibe uma oscila\u00e7\u00e3o ub\u00edqua a escalas de tempo que variam de horas a d\u00e9cadas. &#8220;Muitos estudos exploraram poss\u00edveis rela\u00e7\u00f5es entre a cintila\u00e7\u00e3o observada e a massa dos buracos negros supermassivos, mas os resultados foram inconclusivos e \u00e0s vezes controversos,&#8221; disse Burke.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa compilou um grande conjunto de dados de buracos negros supermassivos em alimenta\u00e7\u00e3o ativa para estudar o padr\u00e3o de variabilidade de cintila\u00e7\u00e3o. Eles identificaram uma escala de tempo caracter\u00edstica, ao longo do qual o padr\u00e3o muda, que est\u00e1 correlacionado intimamente com a massa do buraco negro supermassivo. Os cientistas ent\u00e3o compararam os resultados com an\u00e3s brancas em acre\u00e7\u00e3o, os remanescentes de estrelas como o nosso Sol, e descobriram que a mesma rela\u00e7\u00e3o escala de tempo-massa se mant\u00e9m, embora as an\u00e3s brancas sejam milh\u00f5es a milhares de milh\u00f5es de vezes menos massivas do que os buracos negros supermassivos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As oscila\u00e7\u00f5es de luz s\u00e3o flutua\u00e7\u00f5es aleat\u00f3rias no processo de alimenta\u00e7\u00e3o de um buraco negro, disseram os investigadores. Os astr\u00f3nomos podem quantificar este padr\u00e3o de oscila\u00e7\u00e3o medindo o poder da variabilidade em fun\u00e7\u00e3o das escalas de tempo. Para buracos negros supermassivos em acre\u00e7\u00e3o, o padr\u00e3o de variabilidade muda de escalas de tempo curtas para escalas de tempo longas. Esta transi\u00e7\u00e3o do padr\u00e3o de variabilidade acontece numa escala de tempo caracter\u00edstica que \u00e9 mais longa para buracos negros mais massivos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa comparou a alimenta\u00e7\u00e3o de um buraco negro com o nosso comer e beber, equiparando esta transi\u00e7\u00e3o a um arroto humano. Os beb\u00e9s arrotam frequentemente enquanto bebem leite, e os adultos podem &#8220;segurar&#8221; o arroto por mais tempo. Os buracos negros fazem a mesma coisa enquanto se alimentam, disseram.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Estes resultados sugerem que os processos que conduzem a cintila\u00e7\u00e3o durante a acre\u00e7\u00e3o s\u00e3o universais, seja o objeto central um buraco negro supermassivo ou uma an\u00e3 branca muito mais leve,&#8221; disse Shen.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O estabelecimento firme de uma liga\u00e7\u00e3o entre a oscila\u00e7\u00e3o na luz observada e as propriedades fundamentais do acretor v\u00e3o certamente ajudar-nos a melhor entender os processos de acre\u00e7\u00e3o,&#8221; disse Yan-Fei Jiang, investigador no Instituto Flatiron e coautor do estudo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os buracos negros t\u00eam uma ampla gama de tamanhos e massas. Entre a popula\u00e7\u00e3o de buracos negros de massa estelar, com menos de v\u00e1rias dezenas de vezes a massa do Sol, e os buracos negros supermassivos, existe uma popula\u00e7\u00e3o de buracos negros de massa interm\u00e9dia com cerca de 100 e 100.000 vezes a massa do Sol.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pensa-se que os buracos negros de massa interm\u00e9dia se formem em grande n\u00famero e ao longo da hist\u00f3ria do Universo, e que possam fornecer as sementes necess\u00e1rias para se transformarem mais tarde em buracos negros supermassivos. No entanto, observacionalmente, esta popula\u00e7\u00e3o de buracos negros de massa interm\u00e9dia \u00e9 surpreendentemente elusiva. Existe apenas um buraco negro de massa interm\u00e9dia indiscutivelmente confirmado, com mais ou menos 150 vezes a massa do Sol. Mas esse buraco negro de massa interm\u00e9dia foi descoberto por acaso gra\u00e7as \u00e0 dete\u00e7\u00e3o de ondas gravitacionais da fus\u00e3o de dois buracos negros menos massivos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Agora que h\u00e1 uma correla\u00e7\u00e3o entre o padr\u00e3o de oscila\u00e7\u00e3o e a massa do objeto central em acre\u00e7\u00e3o, podemos us\u00e1-la para prever como pode ser o sinal de oscila\u00e7\u00e3o de um buraco negro de massa interm\u00e9dia,&#8221; disse Burke.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os astr\u00f3nomos de todo o mundo est\u00e3o \u00e0 espera do in\u00edcio oficial de uma nova era de levantamentos gigantescos com o objetivo de monitorizar o c\u00e9u din\u00e2mico e vari\u00e1vel. O LSST (Legacy Survey of Space and Time) no Observat\u00f3rio Vera C. Rubbin, no Chile, far\u00e1 um levantamento de todo o c\u00e9u ao longo de uma d\u00e9cada e ir\u00e1 recolher dados da oscila\u00e7\u00e3o da luz para milhares de milh\u00f5es de objetos, come\u00e7ando no final de 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A minera\u00e7\u00e3o do conjunto de dados LSST para procurar padr\u00f5es de cintila\u00e7\u00e3o que sejam consistentes com a acre\u00e7\u00e3o de buracos negros de massa interm\u00e9dia tem o potencial de descobrir e compreender totalmente esta misteriosa popula\u00e7\u00e3o, h\u00e1 muito procurada, de buracos negros,&#8221; disse o coautor Xin Liu, professor de astronomia na Universidade de Illinois.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/news.illinois.edu\/view\/6367\/765220534\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Illinois em Urbana-Champaign (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/science.sciencemag.org\/content\/373\/6556\/789\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Science)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2108.05389\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/d41586-021-02202-5\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Nature<\/a><br><a href=\"https:\/\/skyandtelescope.org\/astronomy-news\/how-black-holes-eat-reveals-their-mass\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Sky &amp; Telescope<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.space.com\/black-hole-feeding-pattern-mass-size\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SPACE.com<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2021-08-black-hole-size-revealed-pattern.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.popsci.com\/space\/weigh-black-hole\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Popular Science<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.upi.com\/Science_News\/2021\/08\/12\/supermassive-black-hole-mass\/5471628793059\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">UPI<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Buracos negros:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Black_hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Disco de acre\u00e7\u00e3o:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Accretion_disk\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Observat\u00f3rio Vera C. Rubin:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.vro.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Vera_C._Rubin_Observatory\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.lsst.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">LSST (p\u00e1gina principal)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Investigadores relatam que os padr\u00f5es de alimenta\u00e7\u00e3o dos buracos negros fornecem informa\u00e7\u00f5es sobre o seu tamanho. Um novo estudo revelou que a oscila\u00e7\u00e3o no brilho, observada em buracos negros supermassivos que se alimentam ativamente, est\u00e1 relacionada com a sua massa. 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