{"id":4381,"date":"2021-08-13T06:22:06","date_gmt":"2021-08-13T05:22:06","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=4381"},"modified":"2021-08-13T06:22:07","modified_gmt":"2021-08-13T05:22:07","slug":"geologos-descobrem-que-rover-curiosity-tem-explorado-sedimentos-superficiais-nao-depositos-de-lago","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2021\/08\/13\/geologos-descobrem-que-rover-curiosity-tem-explorado-sedimentos-superficiais-nao-depositos-de-lago\/","title":{"rendered":"Ge\u00f3logos descobrem que rover Curiosity tem explorado sedimentos superficiais, n\u00e3o dep\u00f3sitos de lago"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2012, a NASA pousou o rover Curiosity na Cratera Gale em Marte porque esta tem sido considerada por muitos cientistas como o local de um antigo lago que a\u00ed existiu h\u00e1 mais de 3 mil milh\u00f5es de anos. Desde ent\u00e3o, o rover tem navegado e realizado an\u00e1lises geol\u00f3gicas com o seu conjunto de instrumentos por mais de 3190 sols (dias marcianos, o equivalente a 3278 dias terrestres). Depois de analisarem dados, investigadores do Departamento de Ci\u00eancias da Terra, da Faculdade de Ci\u00eancias da Universidade de Hong Kong, propuseram que os sedimentos medidos pelo rover durante a maior parte da sua miss\u00e3o n\u00e3o se formaram num lago.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/HQcY25V-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3691\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/HQcY25V-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/HQcY25V-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/HQcY25V-768x432.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/HQcY25V.jpg 1140w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Esta composi\u00e7\u00e3o a cores falsas do Monte Sharp dentro da Cratera Gale em Marte mostra aos ge\u00f3logos um ambiente planet\u00e1rio em mudan\u00e7a. Em Marte, o c\u00e9u n\u00e3o \u00e9 azul, mas a imagem foi modificada para parecer ser da Terra para que os cientistas pudessem distinguir entre as camadas de estratifica\u00e7\u00e3o.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa de cientistas sugere que o grande monte de rochas sedimentares exploradas e analisadas ao longo dos \u00faltimos oito anos representa na verdade areia e silte depositados por queda atrav\u00e9s da atmosfera e &#8220;retrabalhados&#8221; pelo vento. A altera\u00e7\u00e3o dos minerais formados pela intera\u00e7\u00e3o entre a \u00e1gua e a areia n\u00e3o ocorreu na configura\u00e7\u00e3o de um lago. O ambiente &#8220;h\u00famido&#8221;, prop\u00f5em, na verdade representa um intemperismo semelhante \u00e0 forma\u00e7\u00e3o do solo sob chuva numa atmosfera antiga que era muito diferente da atual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A descoberta foi publicada recentemente na revista Science Advances num artigo liderado pelo estudante Jiacheng Liu, pelo seu orientador o professor Dr. Joe Michalski e pelo coautor professor Mei Fu Zhou. Os investigadores usaram medi\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas e medi\u00e7\u00f5es de difra\u00e7\u00e3o de raios-X, al\u00e9m de imagens de texturas de rochas, para revelar como as tend\u00eancias composicionais nas rochas se relacionam com os processos geol\u00f3gicos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Jiacheng demonstrou alguns padr\u00f5es qu\u00edmicos muito importantes nas rochas, que n\u00e3o podem ser explicados num contexto de um ambiente de lago,&#8221; disse o Dr. Michalski. &#8220;O ponto chave \u00e9 que alguns elementos s\u00e3o m\u00f3veis, ou f\u00e1ceis de dissolver em \u00e1gua, e alguns elementos s\u00e3o im\u00f3veis, ou sejam, ficam nas rochas. Se um elemento \u00e9 m\u00f3vel ou im\u00f3vel depende n\u00e3o apenas do tipo de elemento, mas tamb\u00e9m das propriedades do fluido. Tenha o fluido sido \u00e1cido, salino, oxidante, etc. Os resultados de Jiacheng mostram que os elementos im\u00f3veis est\u00e3o correlacionados uns com os outros, e fortemente enriquecidos a altitudes mais elevadas no perfil da rocha. Isto aponta para o desgaste de cima para baixo, como se v\u00ea nos solos. Al\u00e9m disso, mostra que o ferro se esgota \u00e0 medida que o desgaste aumenta, o que significa que a atmosfera \u00e0 \u00e9poca estava a reduzir-se, n\u00e3o a oxidar-se como no planeta &#8216;enferrujado&#8217; dos dias modernos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/bc\/ef\/Bh92mC7O_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/bc\/ef\/Bh92mC7O_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>Estas imagens mostram a Cratera Gale em imagens da HRSC (High Resolution Stereo Camera) da Mars Express. A imagem da esquerda mostra o modelo padr\u00e3o onde se assume a Cratera Gale como um grande lago (inundada at\u00e9 uma eleva\u00e7\u00e3o de pelo menos ~4000 m). A imagem \u00e0 direita \u00e9 o modelo proposto por Liu et al., no qual existiram apenas lagos muitos rasos e pequenos no ch\u00e3o da Cratera Gale (com o ch\u00e3o inundado at\u00e9 uma eleva\u00e7\u00e3o de aproximadamente ~4500 m). A maioria dos sedimentos foram depositados da atmosfera como dep\u00f3sitos em queda e mais tarde sofreram intemperismo de precipita\u00e7\u00e3o ou derretimento de gelos. A estrela assinala o local de aterragem do rover.<br>Cr\u00e9dito: ESA\/HRSC\/DLR<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Compreender como a atmosfera marciana e o ambiente da superf\u00edcie como um todo evolu\u00edram \u00e9 importante para a explora\u00e7\u00e3o de poss\u00edvel vida em Marte, bem como para a nossa compreens\u00e3o de como a Terra pode ter mudado durante a sua hist\u00f3ria inicial. &#8220;Obviamente, o estudo de Marte \u00e9 extremamente dif\u00edcil e \u00e9 necess\u00e1ria a integra\u00e7\u00e3o de metodologias criativas e tecnologicamente avan\u00e7adas. Liu e coautores fizeram observa\u00e7\u00f5es intrigantes por meio da utiliza\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicas de sensoriamento remoto para entender a composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica de sedimentos antigos que informam o seu desenvolvimento inicial. Os seus dados colocam desafios \u00e0s hip\u00f3teses atuais para o ambiente de deposi\u00e7\u00e3o destas forma\u00e7\u00f5es rochosas \u00fanicas e para as condi\u00e7\u00f5es atmosf\u00e9ricas sob as quais se formaram &#8211; especificamente, os autores mostram evid\u00eancias de processos de intemperismo sob uma atmosfera redutora num ambiente subareal semelhante a um deserto, ao inv\u00e9s de forma\u00e7\u00e3o num ambiente aquoso de lago. De facto, este trabalho ir\u00e1 inspirar dire\u00e7\u00f5es novas e estimulantes para investiga\u00e7\u00f5es futuras&#8221;, acrescentou o Dr Ryan McKenzie, professor assistente do mesmo Departamento da Universidade de Hong Kong.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A China pousou com sucesso o seu primeiro m\u00f3dulo, Zhurong, em Marte no passado m\u00eas de maio. O Zhurong est\u00e1 atualmente a percorrer as plan\u00edcies de Utopia Planitia, explorando pistas mineral\u00f3gicas e qu\u00edmicas de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas recentes. A China tamb\u00e9m est\u00e1 a planear uma miss\u00e3o de recolha e envio de amostras, que provavelmente ocorrer\u00e1 no final desta d\u00e9cada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/hku.hk\/press\/news_detail_23093.html\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Hong Kong (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/advances.sciencemag.org\/content\/7\/32\/eabh2687\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Science Advances)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Cratera Gale:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gale_(crater)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mount_Sharp\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Monte Sharp (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Marte:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mars_%28planet%29\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a>\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Rover Curiosity (MSL):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/msl\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/mars.jpl.nasa.gov\/msl\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA &#8211; 2<\/a>&nbsp;<br><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/MarsCuriosity\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Facebook<\/a><br><a href=\"https:\/\/twitter.com\/marscuriosity\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Twitter<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mars_Science_Laboratory\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Tianwen-1 e rover Zhurong:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Tianwen-1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2012, a NASA pousou o rover Curiosity na Cratera Gale em Marte porque esta tem sido considerada por muitos cientistas como o local de um antigo lago que a\u00ed existiu h\u00e1 mais de 3 mil milh\u00f5es de anos. 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