{"id":4375,"date":"2021-08-10T06:26:21","date_gmt":"2021-08-10T05:26:21","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=4375"},"modified":"2021-08-10T06:26:35","modified_gmt":"2021-08-10T05:26:35","slug":"as-estrelas-estao-a-explodir-em-galaxias-empoeiradas-simplesmente-nem-sempre-as-vemos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2021\/08\/10\/as-estrelas-estao-a-explodir-em-galaxias-empoeiradas-simplesmente-nem-sempre-as-vemos\/","title":{"rendered":"As estrelas est\u00e3o a explodir em gal\u00e1xias empoeiradas. Simplesmente nem sempre as vemos"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Seria de pensar que as supernovas &#8211; a morte agonizante de estrelas massivas, das explos\u00f5es mais brilhantes e poderosas do Universo &#8211; s\u00e3o dif\u00edceis de perder. No entanto, o n\u00famero observado destas explos\u00f5es, nas partes distantes do Universo, est\u00e1 muito aqu\u00e9m das previs\u00f5es dos astrof\u00edsicos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um novo estudo usando dados do rec\u00e9m-aposentado Telesc\u00f3pio Espacial Spitzer da NASA relata a dete\u00e7\u00e3o de cinco supernovas que, n\u00e3o detetadas no vis\u00edvel, nunca tinham sido vistas antes. O Spitzer viu o Universo no infravermelho, que atravessa nuvens de poeira que bloqueiam a luz vis\u00edvel &#8211; o tipo de luz que os nossos olhos veem e que as supernovas n\u00e3o obscurecidas irradiam com mais intensidade.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/1-pia24575-spitzer-hidden-supernova.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"985\" height=\"554\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/u09eIU2F_o.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4376\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/u09eIU2F_o.jpg 985w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/u09eIU2F_o-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/u09eIU2F_o-768x432.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 985px) 100vw, 985px\" \/><\/a><figcaption>A imagem mostra a gal\u00e1xia Arp 148, capturada pelos telesc\u00f3pios espaciais Spitzer e Hubble da NASA. Dados do Spitzer, especialmente processados, podem ser vistos dentro do c\u00edrculo branco, revelando luz infravermelha de uma supernova escondida por poeira. Esta \u00e9 uma das cinco supernovas escondidas documentada pela primeira vez num recente artigo cient\u00edfico.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para procurar supernovas escondidas, os investigadores analisaram observa\u00e7\u00f5es de 40 gal\u00e1xias empoeiradas pelo Spitzer (no espa\u00e7o, a poeira refere-se a part\u00edculas semelhantes a gr\u00e3os com consist\u00eancia semelhante a fumo). Com base no n\u00famero encontrado nestas gal\u00e1xias, o estudo confirma que as supernovas realmente ocorrem com a frequ\u00eancia esperada pelos cientistas. Esta expetativa \u00e9 baseada na compreens\u00e3o atual dos cientistas de como as estrelas evoluem. Estudos como este s\u00e3o necess\u00e1rios para melhorar esta compreens\u00e3o, seja refor\u00e7ando ou desafiando certos aspetos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Estes resultados, com o Spitzer, mostram que os levantamentos \u00f3ticos nos quais confiamos h\u00e1 muito tempo para detetar supernovas perdem at\u00e9 metade das explos\u00f5es estelares que ocorrem no Universo,&#8221; disse Ori Fox, cientista do STScI (Space Telescope Science Institute) em Baltimore, no estado norte-americano de Maryland, autor principal do novo estudo publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. &#8220;\u00c9 uma not\u00edcia muito boa que o n\u00famero de supernovas que estamos a ver com o Spitzer seja estatisticamente consistente com as previs\u00f5es te\u00f3ricas.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A &#8220;discrep\u00e2ncia de supernovas&#8221; &#8211; isto \u00e9, a consist\u00eancia entre o n\u00famero de supernovas previstas e o n\u00famero observado por telesc\u00f3pios \u00f3ticos &#8211; n\u00e3o \u00e9 um problema no Universo pr\u00f3ximo. Aqui, as gal\u00e1xias diminu\u00edram o seu ritmo de forma\u00e7\u00e3o estelar e geralmente t\u00eam menos poeira. Nas regi\u00f5es mais distantes do Universo, por\u00e9m, as gal\u00e1xias parecem mais jovens, produzem estrelas em taxas mais altas e tendem a ter maiores quantidades de poeira. Esta poeira absorve e espalha a luz \u00f3tica e ultravioleta, impedindo-as de alcan\u00e7ar os telesc\u00f3pios. De modo que os investigadores h\u00e1 muito raciocinam que as supernovas perdidas devem existir mas s\u00e3o simplesmente invis\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Tendo em conta que o Universo local acalmou um pouco desde os seus primeiros anos de forma\u00e7\u00e3o estelar, vemos os n\u00fameros esperados de supernovas com levantamentos \u00f3ticos t\u00edpicos&#8221;, disse Fox. &#8220;A percentagem de supernovas detetadas, no entanto, diminui conforme nos afastamos e regressamos \u00e0s \u00e9pocas c\u00f3smicas, onde as gal\u00e1xias mais empoeiradas dominavam.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A dete\u00e7\u00e3o de supernovas a estas grandes dist\u00e2ncias pode ser um desafio. Para realizar uma busca por supernovas escondidas em reinos gal\u00e1cticos mais sombrios, mas a dist\u00e2ncias menos extremas, a equipa de Fox selecionou um conjunto local de 40 gal\u00e1xias sufocadas por poeira, conhecidas como LIRGs e ULIRGs (&#8220;luminous and ultra-luminous infrared galaxies&#8221;, em portugu\u00eas gal\u00e1xias infravermelhas luminosas e ultraluminosas). A poeira nas LIRGs e ULIRGs absorve luz \u00f3tica de objetos como supernovas, mas permite que a luz infravermelha destes mesmos objetos passe sem obstru\u00e7\u00e3o para ser detetada por telesc\u00f3pios como o Spitzer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O palpite dos investigadores mostrou-se correto quando as cinco supernovas nunca antes vistas chegaram via luz infravermelha. &#8220;\u00c9 uma prova do potencial de descoberta do Spitzer, o telesc\u00f3pio ter sido capaz de captar o sinal de supernovas escondidas nestas gal\u00e1xias empoeiradas,&#8221; disse Fox.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Foi especialmente divertido para v\u00e1rios dos nossos estudantes contribuir de forma significativa para esta investiga\u00e7\u00e3o empolgante,&#8221; acrescentou o coautor Alex Filippenko, professor de astronomia na Universidade da Calif\u00f3rnia, em Berkeley. &#8220;Eles ajudaram a responder \u00e0 pergunta: &#8216;Para onde foram todas as supernovas?'&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As supernovas detetadas pelo Spitzer s\u00e3o conhecidas como &#8220;supernovas de colapso do n\u00facleo&#8221;, envolvendo estrelas gigantes com pelo menos oito vezes a massa do Sol. \u00c0 medida que envelhecem e os seus n\u00facleos se enchem de ferro, as grandes estrelas n\u00e3o conseguem mais produzir energia suficiente para suportar a sua pr\u00f3pria gravidade e os seus n\u00facleos colapsam, repentina e catastroficamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As press\u00f5es e temperaturas intensas produzidas durante o r\u00e1pido desmoronamento formam novos elementos qu\u00edmicos por meio da fus\u00e3o nuclear. As estrelas em colapso acabam por ressaltar dos seus n\u00facleos ultradensos, explodindo e espalhando estes elementos pelo espa\u00e7o. As supernovas produzem elementos &#8220;pesados&#8221;, como a maioria dos metais. Estes elementos s\u00e3o necess\u00e1rios para a constru\u00e7\u00e3o de planetas rochosos, como a Terra, bem como para seres biol\u00f3gicos. No geral, as taxas de supernovas servem como uma verifica\u00e7\u00e3o importante dos modelos de forma\u00e7\u00e3o estelar e da cria\u00e7\u00e3o de elementos pesados no Universo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Se soubermos quantas estrelas se est\u00e3o a formar, podemos prever quantas estrelas v\u00e3o explodir,&#8221; explicou Fox. &#8220;Ou, vice-versa, se soubermos quantas estrelas est\u00e3o a explodir, podemos prever quantas estrelas se est\u00e3o a formar. A compreens\u00e3o desta rela\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental para muitas \u00e1reas de estudo na astrof\u00edsica.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os telesc\u00f3pios de pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o, incluindo o RST (Nancy Grace Roman Space Telescope) e o JWST (James Webb Space Telescope) da NASA, v\u00e3o detetar luz infravermelha como o Spitzer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O nosso estudo mostrou que os modelos de forma\u00e7\u00e3o estelar s\u00e3o mais consistentes com as taxas de supernovas do que se pensava,&#8221; disse Fox. &#8220;E ao revelar estas supernovas ocultas, o Spitzer preparou o terreno para novos tipos de descobertas com os telesc\u00f3pios espaciais Webb e Roman.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/feature\/jpl\/stars-are-exploding-in-dusty-galaxies-we-just-can-t-always-see-them\" target=\"_blank\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/academic.oup.com\/mnras\/article-abstract\/506\/3\/4199\/6307030\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2106.09733\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Supernovas:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Supernova\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Type_II_supernova\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Supernova do Tipo II (colapso do n\u00facleo) (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Spitzer:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/www.spitzer.caltech.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Caltech<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/spitzer\/main\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/ssc.spitzer.caltech.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Centro Cient\u00edfico Spitzer<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Spitzer_Space_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>JWST (Telesc\u00f3pio Espacial James Webb):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.jwst.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.stsci.edu\/jwst\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"https:\/\/webbtelescope.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI (website para o p\u00fablico)<\/a><br><a href=\"http:\/\/sci.esa.int\/science-e\/www\/area\/index.cfm?fareaid=29\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/JWST\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/NASAWebb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Facebook<\/a><br><a href=\"https:\/\/twitter.com\/NASAWebb\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Twitter<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/nasawebb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instagram<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>RST ([Nancy Grace] Roman Space Telescope, anteriormente WFIRST):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/roman.gsfc.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Nancy_Grace_Roman_Space_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/NASARoman\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Facebook<\/a><br><a href=\"https:\/\/twitter.com\/NASARoman\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Twitter<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Seria de pensar que as supernovas &#8211; a morte agonizante de estrelas massivas, das explos\u00f5es mais brilhantes e poderosas do Universo &#8211; s\u00e3o dif\u00edceis de perder. 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