{"id":4358,"date":"2021-08-03T06:26:20","date_gmt":"2021-08-03T05:26:20","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=4358"},"modified":"2021-08-03T06:26:21","modified_gmt":"2021-08-03T05:26:21","slug":"primeiras-medicoes-da-duracao-do-dia-nos-exoplanetas-de-hr-8799","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2021\/08\/03\/primeiras-medicoes-da-duracao-do-dia-nos-exoplanetas-de-hr-8799\/","title":{"rendered":"Primeiras medi\u00e7\u00f5es da dura\u00e7\u00e3o do dia nos exoplanetas de HR 8799"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Astr\u00f3nomos capturaram as primeiras medi\u00e7\u00f5es da rota\u00e7\u00e3o de HR 8799, o famoso sistema que fez hist\u00f3ria como o primeiro sistema exoplanet\u00e1rio a ser fotografado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Descoberto em 2008 por dois observat\u00f3rios no Hawaii &#8211; o Observat\u00f3rio W. M. Keck e o Observat\u00f3rio Gemini, um programa do NOIRLab da NSF &#8211; o sistema estelar HR 8799 est\u00e1 localizado a 129 anos-luz de dist\u00e2ncia e tem quatro planetas mais massivos que J\u00fapiter, ou super-J\u00fapiteres &#8211; os planetas HR 8799 b, c, d e e. Nenhum dos seus per\u00edodos de rota\u00e7\u00e3o tinha sido medido, at\u00e9 agora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A descoberta foi poss\u00edvel gra\u00e7as a uma equipa de ci\u00eancia e de engenharia do Caltech e do Observat\u00f3rio Keck que desenvolveu um instrumento capaz de observar exoplanetas conhecidos e j\u00e1 fotografados a resolu\u00e7\u00f5es espectrais detalhadas o suficiente para permitir que os astr\u00f3nomos decifrem a velocidade com que os planetas giram.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/i.imgur.com\/4kUWm3z.gif\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/4kUWm3z.gif\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>Visualiza\u00e7\u00e3o art\u00edstica da rota\u00e7\u00e3o dos planetas HR 8799 quando vistos no infravermelho. As manchas mais brilhantes correspondem a buracos nas nuvens onde os instrumentos podem detetar profundidades mais quentes nas atmosferas dos planetas. Cada planeta est\u00e1 legendado em cima e \u00e0 esquerda. Dado que as orienta\u00e7\u00f5es dos seus eixos de rota\u00e7\u00e3o s\u00e3o desconhecidas, esta \u00e9 apenas uma maneira plaus\u00edvel de como os planetas podem ser vistos da Terra.<br>Cr\u00e9dito: Observat\u00f3rio W. M. Keck\/Adam Makarenko<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Usando o KPIC (Keck Planet Imager and Characterizer) de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o no telesc\u00f3pio Keck II no topo do Maunakea, Hawaii, os astr\u00f3nomos descobriram que as velocidades m\u00ednimas de rota\u00e7\u00e3o dos planetas HR 8799 d e e eram de 10,1 km\/s e 15 km\/s, respetivamente. Isto traduz-se numa dura\u00e7\u00e3o do dia que pode ser t\u00e3o curta quanto tr\u00eas horas ou t\u00e3o longa quanto 24 horas, como a Terra, dependendo das inclina\u00e7\u00f5es axiais dos planetas HR 8799, que atualmente s\u00e3o indeterminadas. Para contextualizar, um dia em J\u00fapiter dura quase 10 horas; a sua velocidade de rota\u00e7\u00e3o \u00e9 de cerca de 12,7 km\/s.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto \u00e0 rota\u00e7\u00e3o dos outros dois planetas, a equipa foi capaz de restringir a rota\u00e7\u00e3o de HR 8799 c a um limite superior de menos de 14 km\/s; a medi\u00e7\u00e3o da rota\u00e7\u00e3o do planeta b foi inconclusiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As descobertas s\u00e3o os primeiros resultados cient\u00edficos do KPIC, que foram aceites para publica\u00e7\u00e3o na revista The Astronomical Journal; o estudo est\u00e1 dispon\u00edvel em formato pr\u00e9-impresso no site arXiv.org.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Com o KPIC, fomos capazes de obter as observa\u00e7\u00f5es de resolu\u00e7\u00e3o espectral mais alta j\u00e1 realizadas dos exoplanetas HR 8799,&#8221; diz Jason Wang, astr\u00f3nomo do Caltech e autor principal do estudo. &#8220;Isto permite-nos estud\u00e1-los com granularidade mais fina do que nunca e d\u00e1-nos a chave para obter uma compreens\u00e3o mais profunda n\u00e3o apenas de como estes quatro planetas se formaram, mas de como os gigantes gasosos em geral se desenvolvem por todo o Universo.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Dados vertiginosos desvendam o passado dos planetas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A rapidez com que um planeta gira d\u00e1 uma ideia da sua hist\u00f3ria de forma\u00e7\u00e3o. Criados a partir de g\u00e1s e poeira levantados por uma estrela rec\u00e9m-nascida, os planetas beb\u00e9s come\u00e7am a girar mais depressa \u00e0 medida que acumulam mais material e crescem &#8211; um processo chamado de acre\u00e7\u00e3o de n\u00facleo. Pensa-se que os campos magn\u00e9ticos planet\u00e1rios diminuem e limitam a sua velocidade de rota\u00e7\u00e3o. Depois do planeta totalmente formado terminar a sua acre\u00e7\u00e3o e arrefecer, volta a girar mais depressa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;As rota\u00e7\u00f5es dos planetas HR 8799 d e e s\u00e3o consistentes com a teoria de que os campos magn\u00e9ticos dos planetas travam as suas rota\u00e7\u00f5es nos seus anos natais,&#8221; diz Wang. &#8220;As medi\u00e7\u00f5es de rota\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m sugerem a no\u00e7\u00e3o de que planetas de massa inferior giram mais depressa porque s\u00e3o menos afetados pela travagem magn\u00e9tica, o que nos pode dizer algo importante sobre como se formam. Acho isso tantalizante.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Wang enfatiza que esta poss\u00edvel tend\u00eancia n\u00e3o foi confirmada; para valid\u00e1-la s\u00e3o necess\u00e1rias mais medi\u00e7\u00f5es de rota\u00e7\u00e3o, pelo KPIC, de companheiros de massa inferior. O objetivo da equipa \u00e9 encontrar uma liga\u00e7\u00e3o entre os per\u00edodos de rota\u00e7\u00e3o dos planetas HR 8799, os planetas gigantes no nosso pr\u00f3prio Sistema Solar, J\u00fapiter e Saturno, e outros super-J\u00fapiteres e an\u00e3s castanhas conhecidas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Com medi\u00e7\u00f5es suficientes, seremos capazes de identificar tend\u00eancias que revelariam como os processos f\u00edsicos que conduzem a forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria funcionam,&#8221; diz o coautor Jean-Baptiste Ruffio, investigador no Caltech. &#8220;Isto \u00e9 algo que as pessoas j\u00e1 come\u00e7aram a fazer, mas o KPIC permite-nos faz\u00ea-lo para os mundos alien\u00edgenas mais pequenos, fracos e mais pr\u00f3ximos j\u00e1 fotografados.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/i.imgur.com\/FoIQhgA.gif\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/FoIQhgA.gif\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>Esta anima\u00e7\u00e3o de HR 8799, criada em 2017, inclui sete imagens diretas capturadas pelo Observat\u00f3rio W. M. Keck ao longo de um per\u00edodo de sete anos. Mostra o movimento orbital dos quatro planetas no sistema.<br>Cr\u00e9dito: J. Wang\/C. Marois, NRC-HIA<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O primeiro sucesso do KPIC<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Comissionado entre 2018 e 2020, a especialidade do KPIC \u00e9 detetar exoplanetas e an\u00e3s castanhas que orbitam t\u00e3o perto das suas estrelas hospedeiras que o brilho estelar torna dif\u00edcil &#8220;ver&#8221; estes corpos celestes da Terra. O instrumento filtra a indesejada luz das estrelas por meio de uma unidade inovadora de inje\u00e7\u00e3o de fibra que direciona a luz do sistema de \u00f3ticas adaptativas do telesc\u00f3pio Keck II para o NIRSPEC (Near-Infrared Spectrograph) do Observat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os primeiros resultados do KPIC est\u00e3o descritos num artigo t\u00e9cnico que foi aceite para publica\u00e7\u00e3o na revista JATIS (Journal of Astronomical Telescopes, Instruments, and Systems) e est\u00e1 dispon\u00edvel em formato pr\u00e9-impresso no site arXiv.org.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O KPIC \u00e9 um avan\u00e7o no campo da caracteriza\u00e7\u00e3o exoplanet\u00e1ria,&#8221; diz Dimitri Mawet, investigador principal do KPIC, professor de astronomia no Caltech. &#8220;Permite-nos medir a dura\u00e7\u00e3o do dia de um planeta, a \u00f3rbita e a composi\u00e7\u00e3o molecular da sua atmosfera.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O KPIC fez fortes dete\u00e7\u00f5es de \u00e1gua e mon\u00f3xido de carbono, mas nenhum metano, em tr\u00eas dos quatro planetas HR 8799 &#8211; c, d e e &#8211; o que \u00e9 consistente com o que \u00e9 conhecido das atmosferas dos planetas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;\u00c9 empolgante ver a manifesta\u00e7\u00e3o dos superpoderes do KPIC,&#8221; diz Jacques Delorme, cientista\/engenheiro do sistema de \u00f3ticas adaptativas do Observat\u00f3rio Keck, autor principal do artigo na JATIS. &#8220;Por ser a primeira tecnologia do seu g\u00e9nero, n\u00e3o sab\u00edamos se o KPIC funcionaria t\u00e3o bem. Agora que demonstr\u00e1mos com sucesso as suas capacidades, podemos passar para a Fase 2 do projeto e melhorar ainda mais o desempenho geral do instrumento.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Ainda temos que desvendar todo o potencial cient\u00edfico do KPIC,&#8221; diz Nemanja Jovanovic do Caltech, coautor do artigo t\u00e9cnico. &#8220;Por meio de mais atualiza\u00e7\u00f5es do instrumento, esperamos observar exoplanetas num futuro pr\u00f3ximo com um t\u00e3o alto grau de detalhe, que seremos capazes de estudar fen\u00f3menos clim\u00e1ticos e mapear nuvens de planetas gigantes gasosos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Fase 2 das atualiza\u00e7\u00f5es do KPIC est\u00e1 planeada para este inverno. Se tudo correr bem, a comunidade cient\u00edfica do Observat\u00f3rio Keck pode come\u00e7ar a usar a tecnologia na segunda metade de 2022.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/keckobservatory.org\/kpic\" target=\"_blank\">\/\/ Observat\u00f3rio W. M. Keck (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.caltech.edu\/about\/news\/new-spin-on-unraveling-planet-formation-mysteries\" target=\"_blank\">\/\/ Caltech (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2107.06949v1\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2107.12556\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo t\u00e9cnico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Sistema HR 8799:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/exoplanet.eu\/catalog\/hr_8799_b\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Planeta b (Exoplanet.eu)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/HR_8799_b\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Planeta b (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/exoplanet.eu\/catalog\/hr_8799_c\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Planeta c (Exoplanet.eu)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/HR_8799_c\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Planeta c (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/exoplanet.eu\/catalog\/hr_8799_d\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Planeta d (Exoplanet.eu)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/HR_8799_d\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Planeta d (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/exoplanet.eu\/catalog\/hr_8799_e\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Planeta e (Exoplanet.eu)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/HR_8799_e\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Planeta e (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/HR_8799\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Observat\u00f3rio W. M. Keck:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.keckobservatory.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Keck_telescopes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Astr\u00f3nomos capturaram as primeiras medi\u00e7\u00f5es da rota\u00e7\u00e3o de HR 8799, o famoso sistema que fez hist\u00f3ria como o primeiro sistema exoplanet\u00e1rio a ser fotografado. Descoberto em 2008 por dois observat\u00f3rios no Hawaii &#8211; o Observat\u00f3rio W. M. 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