{"id":4355,"date":"2021-08-03T06:23:10","date_gmt":"2021-08-03T05:23:10","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=4355"},"modified":"2021-08-03T06:23:11","modified_gmt":"2021-08-03T05:23:11","slug":"um-jupiter-quente-e-seco-spirou-revela-a-atmosfera-do-exoplaneta-tau-bootis-b","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2021\/08\/03\/um-jupiter-quente-e-seco-spirou-revela-a-atmosfera-do-exoplaneta-tau-bootis-b\/","title":{"rendered":"Um J\u00fapiter quente e seco: SPIRou revela a atmosfera do exoplaneta Tau Bo\u00f6tis b"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Usando o espectropolar\u00edmetro SPIRou montado no CFHT (Canada\u2013France\u2013Hawaii Telescope) no Hawaii, uma equipa liderada por Stefan Pelletier, estudante de doutoramento no iREX (Institute for Research on Exoplanets) da Universidade de Montreal, estudou a atmosfera do exoplaneta gigante gasoso Tau Bo\u00f6tis b, um mundo escaldante que demora apenas tr\u00eas dias para completar uma \u00f3rbita em torno da sua estrela hospedeira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A sua an\u00e1lise detalhada, apresentada a semana passada num artigo publicado na revista The Astronomical Journal, mostra que a atmosfera do planeta gasoso cont\u00e9m mon\u00f3xido de carbono, como esperado, mas surpreendentemente quase nenhuma \u00e1gua, uma mol\u00e9cula que se pensava ser prevalente e que deveria ter sido facilmente detet\u00e1vel com o SPIRou.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/cdn.eso.org\/images\/large\/eso1227a.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"438\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Ym10KuCW_o.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4356\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Ym10KuCW_o.jpg 700w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Ym10KuCW_o-300x188.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/a><figcaption>Esta impress\u00e3o art\u00edstica mostra o exoplaneta Tau Bo\u00f6tis b. Este foi um dos primeiros exoplanetas a ser descoberto em 1996 e continua a ser um dos sistemas planet\u00e1rios mais pr\u00f3ximos que se conhece.<br>Cr\u00e9dito: ESO\/L. Cal\u00e7ada<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tau Bo\u00f6tis b \u00e9 um planeta 6,24 vezes mais massivo do que J\u00fapiter e que est\u00e1 oito vezes mais perto da sua estrela-m\u00e3e do que Merc\u00fario est\u00e1 do Sol. Localizado a apenas 51 anos-luz da Terra e 40% mais massiva do que o Sol, a sua estrela, Tau Bo\u00f6tis, \u00e9 uma das estrelas mais brilhantes que se sabe possuir planetas, e \u00e9 vis\u00edvel a olho nu na dire\u00e7\u00e3o da constela\u00e7\u00e3o de Boieiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tau Bo\u00f6tis b foi um dos primeiros exoplanetas descobertos, em 1996, gra\u00e7as ao m\u00e9todo de velocidade radial, que deteta o leve movimento oscilat\u00f3rio de uma estrela gerado pela atra\u00e7\u00e3o gravitacional do seu planeta. A sua atmosfera j\u00e1 havia sido estudada v\u00e1rias vezes antes, mas nunca com um instrumento t\u00e3o poderoso como o SPIRou para assim revelar o seu conte\u00fado molecular.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>\u00c0 procura de \u00e1gua<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Supondo que Tau Bo\u00f6tis b se formou num disco protoplanet\u00e1rio com uma composi\u00e7\u00e3o semelhante \u00e0 do nosso Sistema Solar, os modelos mostram que o vapor de \u00e1gua deve estar presente em grandes quantidades na sua atmosfera. Portanto, deveria ser f\u00e1cil de detetar com um instrumento como o SPIRou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Esper\u00e1vamos uma forte dete\u00e7\u00e3o de \u00e1gua, talvez com um pouco de mon\u00f3xido de carbono,&#8221; explicou Pelletier. &#8220;Fic\u00e1mos, no entanto, surpreendidos ao descobrir o oposto: mon\u00f3xido de carbono, mas sem \u00e1gua.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa trabalhou arduamente para garantir que os resultados n\u00e3o pudessem ser atribu\u00eddos a problemas com o instrumento ou com a an\u00e1lise de dados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Assim que nos convencemos de que o conte\u00fado de \u00e1gua era, de fato, muito menor do que o esperado em Tau Bo\u00f6tis b, pudemos come\u00e7ar a procurar mecanismos de forma\u00e7\u00e3o que pudessem explicar isto,&#8221; disse Pelletier.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Estudando J\u00fapiteres quentes para melhor compreender J\u00fapiter e Saturno<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;J\u00fapiteres quentes como Tau Bo\u00f6tis b fornecem uma oportunidade sem precedentes para sondar a forma\u00e7\u00e3o de planetas gigantes,&#8221; disse o coautor Bj\u00f6rn Benneke, professor de astrof\u00edsica e orientador de doutoramento de Pelletier na Universidade de Montreal. &#8220;A composi\u00e7\u00e3o do planeta d\u00e1 pistas de onde e como este planeta gigante se formou.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A chave para revelar o local e o mecanismo de forma\u00e7\u00e3o de planetas gigantes est\u00e1 impressa na sua composi\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica molecular. A temperatura extrema dos J\u00fapiteres quentes permite que a maioria das mol\u00e9culas na sua atmosfera esteja na forma gasosa e, portanto, detet\u00e1vel com instrumentos atuais. Os astr\u00f3nomos podem, portanto, medir com precis\u00e3o o conte\u00fado das suas atmosferas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;No nosso Sistema Solar, J\u00fapiter e Saturno s\u00e3o muito frios,&#8221; disse Benneke. &#8220;Algumas mol\u00e9culas, como a \u00e1gua, est\u00e3o congeladas e escondidas nas profundezas da sua atmosfera; assim sendo, temos um conhecimento muito pobre da sua abund\u00e2ncia. O estudo de J\u00fapiteres quentes fornece uma maneira de melhor entender os nossos pr\u00f3prios planetas gigantes. A baixa quantidade de \u00e1gua em Tau Bo\u00f6tis b pode significar que o nosso pr\u00f3prio J\u00fapiter tamb\u00e9m \u00e9 mais seco do que pens\u00e1vamos anteriormente.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>SPIRou: um instrumento \u00fanico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tau Bo\u00f6tis b \u00e9 um dos primeiros planetas estudados com o novo instrumento SPIRou desde que foi recentemente colocado em servi\u00e7o no CFHT. Este instrumento foi desenvolvido por pesquisadores de v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es cient\u00edficas, incluindo a Universidade de Montreal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Este espectropolar\u00edmetro pode analisar a luz t\u00e9rmica do planeta &#8211; a luz emitida pelo pr\u00f3prio planeta &#8211; numa gama de cores sem precedentes e com uma resolu\u00e7\u00e3o que permite a identifica\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias mol\u00e9culas ao mesmo tempo: \u00e1gua, mon\u00f3xido de carbono, metano, etc.&#8221; disse o coautor e investigador no iREx Neil Cook, especialista no instrumento SPIRou.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/c0\/b0\/IyEpl9gE_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/c0\/b0\/IyEpl9gE_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>O CFHT, que alberga o instrumento SPIRou, permitiu com que Pelletier e a sua equipa analizassem o exoplaneta Tau Bo\u00f6tis b.<br>Cr\u00e9dito: CFHT<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa passou 20 horas a observar o exoplaneta com o SPIRou entre abril de 2019 e junho de 2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Medimos a abund\u00e2ncia de todas as principais mol\u00e9culas que cont\u00eam carbono ou oxig\u00e9nio,&#8221; disse Pelletier. &#8220;Como s\u00e3o os dois elementos mais abundantes no Universo, depois do hidrog\u00e9nio e do h\u00e9lio, isso d\u00e1-nos uma imagem muito completa do conte\u00fado da atmosfera.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao contr\u00e1rio da maioria dos planetas conhecidos, Tau Bo\u00f6tis b n\u00e3o passa em frente da sua estrela \u00e0 medida que a orbita, do ponto de vista da Terra. No entanto, o estudo das atmosferas exoplanet\u00e1rias tem-se limitado principalmente a planetas em &#8220;tr\u00e2nsito&#8221; &#8211; aqueles que provocam quedas peri\u00f3dicas no brilho estelar quando obscurecem parte da sua luz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;\u00c9 a primeira vez que obtemos medi\u00e7\u00f5es precisas da composi\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica de um exoplaneta que n\u00e3o transita,&#8221; disse a estudante de doutoramento Caroline Piaulet, coautor do estudo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Este trabalho abre a porta para estudar em detalhe as atmosferas de um grande n\u00famero de exoplanetas, mesmo aqueles que n\u00e3o transitam a sua estrela.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Uma composi\u00e7\u00e3o semelhante a J\u00fapiter<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por meio da sua an\u00e1lise, Pelletier e colegas foram capazes de concluir que a composi\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica de Tau Bo\u00f6tis b tem cerca de cinco vezes mais carbono do que o Sol, percentagens estas semelhantes \u00e0s medidas em J\u00fapiter.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isto pode ser uma sugest\u00e3o de que os J\u00fapiteres quentes formam-se muito mais longe da sua estrela hospedeira, a dist\u00e2ncias semelhantes \u00e0s dos planetas gigantes no nosso Sistema Solar, e simplesmente evolu\u00edram de modo diferente, incluindo uma migra\u00e7\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 estrela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;De acordo com o que descobrimos para Tau Bo\u00f6tis b, parece que, pelo menos em termos de composi\u00e7\u00e3o, os J\u00fapiteres quentes podem afinal n\u00e3o ser t\u00e3o diferentes dos nossos planetas gigantes do Sistema Solar,&#8221; conclui Pelletier.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/nouvelles.umontreal.ca\/en\/article\/2021\/07\/28\/a-hot-and-dry-jupiter-spirou-reveals-the-atmosphere-of-the-exoplanet-tau-booetis-b\/\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Montreal (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-3881\/ac0428\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astronomical Journal)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2105.10513\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Tau Bo\u00f6tis b:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/exoplanets.nasa.gov\/exoplanet-catalog\/7055\/tau-bootis-b\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/exoplanet.eu\/catalog\/tau_boo_a_b\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Exoplanet.eu<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.exoplanetkyoto.org\/exohtml\/tau_Boo_A_b.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universidade de Quioto<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Tau_Bo%C3%B6tis_b\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Exoplanetas:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Extrasolar_planet\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de planetas (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_potential_habitable_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de exoplanetas potencialmente habit\u00e1veis (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_extrasolar_planet_extremes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de extremos (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.openexoplanetcatalogue.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Open Exoplanet Catalogue<\/a><br><a href=\"https:\/\/exoplanets.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.exoplanet.eu\/index.php\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Enciclop\u00e9dia dos Planetas Extrasolares<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>CFHT (Canada-France-Hawaii Telescope):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.cfht.hawaii.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Canada%E2%80%93France%E2%80%93Hawaii_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>SPIRou:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/spirou.irap.omp.eu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Usando o 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