{"id":4313,"date":"2021-07-16T06:25:17","date_gmt":"2021-07-16T05:25:17","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=4313"},"modified":"2021-07-16T06:25:19","modified_gmt":"2021-07-16T05:25:19","slug":"primeira-medicao-de-isotopos-na-atmosfera-de-um-exoplaneta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2021\/07\/16\/primeira-medicao-de-isotopos-na-atmosfera-de-um-exoplaneta\/","title":{"rendered":"Primeira medi\u00e7\u00e3o de is\u00f3topos na atmosfera de um exoplaneta"},"content":{"rendered":"\n<p>Uma equipa internacional de astr\u00f3nomos tornou-se na primeira do mundo a detetar is\u00f3topos na atmosfera de um exoplaneta. Diz respeito a diferentes formas de carbono no planeta gigante gasoso TYC 8998-760-1 b. A investiga\u00e7\u00e3o foi publicada na revista cient\u00edfica Nature.<\/p>\n\n\n\n<p>O planeta est\u00e1 a 300 anos-luz da Terra na dire\u00e7\u00e3o da constela\u00e7\u00e3o de Mosca. O sinal fraco foi medido com o VLT (Very Large Telescope) do ESO no Chile e parece indicar que o planeta \u00e9 relativamente rico em carbono-13. Os astr\u00f3nomos especulam que assim \u00e9 porque o planeta se formou a uma grande dist\u00e2ncia da sua estrela-m\u00e3e.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/b7\/d6\/uDmNMOLk_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"698\" height=\"393\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/uDmNMOLk_o.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4314\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/uDmNMOLk_o.jpg 698w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/uDmNMOLk_o-300x169.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 698px) 100vw, 698px\" \/><\/a><figcaption>Cartoon que se foca na descoberta de carbono-13 na atmosfera de um exoplaneta. Na realidade, os astr\u00f3nomos estavam sentados em frente \u00e0s suas secret\u00e1rias analisando o espectro do exoplaneta TYC-8998 b obtido pelo VLT do ESO no Chile.<br>Cr\u00e9dito: Dani\u00eblle Futselaar (Artsource)<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Doen\u00e7as, mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e data\u00e7\u00e3o por carbono<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os is\u00f3topos s\u00e3o formas diferentes do mesmo \u00e1tomo, mas com um n\u00famero vari\u00e1vel de neutr\u00f5es no n\u00facleo. Por exemplo, o carbono com seis prot\u00f5es normalmente tem seis neutr\u00f5es (carbono-12), mas ocasionalmente sete (carbono-13) ou oito (carbono-14). Isto n\u00e3o muda muito as propriedades qu\u00edmicas do carbono, mas os is\u00f3topos s\u00e3o formados de maneiras diferentes e reagem frequentemente de maneira ligeiramente diferente \u00e0s condi\u00e7\u00f5es dominantes. Os is\u00f3topos s\u00e3o, portanto, usados numa ampla gama de campos de pesquisa: desde a dete\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as cardiovasculares ou cancro at\u00e9 ao estudo das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e \u00e0 determina\u00e7\u00e3o da idade de f\u00f3sseis e rochas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Medi\u00e7\u00e3o especial<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os astr\u00f3nomos foram capazes de distinguir o carbono-13 do carbono-12 porque absorve radia\u00e7\u00e3o em cores ligeiramente diferentes. &#8220;\u00c9 realmente muito especial medir isto numa atmosfera exoplanet\u00e1ria,&#8221; a uma dist\u00e2ncia t\u00e3o grande,&#8221; disse Yapeng Zhang, candidata a doutoramento na Universidade de Leiden, autora principal do artigo.<\/p>\n\n\n\n<p>Os astr\u00f3nomos esperavam detetar cerca de um \u00e1tomo de carbono-13 por cada 70 de carbono mas, para este planeta, parece ser o dobro. A ideia \u00e9 que a mais alta concentra\u00e7\u00e3o de carbono-13 est\u00e1 de alguma forma ligada \u00e0 forma\u00e7\u00e3o do exoplaneta.<\/p>\n\n\n\n<p>O coautor Paul Molli\u00e8re, ex-p\u00f3s-doutorado em Leiden e agora investigador do Instituto Max Planck para Astronomia, na Alemanha, explica: &#8220;O planeta est\u00e1 mais de 150 vezes mais longe da sua estrela-m\u00e3e do que a Terra est\u00e1 do nosso Sol. A uma dist\u00e2ncia t\u00e3o grande, os gelos possivelmente formaram-se com mais carbono-13, levando hoje a uma maior fra\u00e7\u00e3o deste is\u00f3topo na atmosfera do planeta.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/d2\/6d\/7f3Ykw7b_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/d2\/6d\/7f3Ykw7b_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>Ilustra\u00e7\u00e3o dos ambientes natais num disco protoplanet\u00e1rio que se formou em torno de uma jovem estrela. Os dois planetas dentro da linha de neve do CO denotam J\u00fapiter e Neptuno nas suas posi\u00e7\u00f5es atuais, enquanto TYC 8998 b foi formado bem para l\u00e1 desta fronteira. A uma dist\u00e2ncia t\u00e3o grande da sua estrela, espera-se que a maioria do carbono esteja &#8220;fechado&#8221; em mon\u00f3xido de carbono gelado e tenha constru\u00eddo o reservat\u00f3rio principal de carbono do planeta. Consequentemente, o gelo era rico em carbono-13, resultando no r\u00e1cio isot\u00f3pico observado na atmosfera do planeta.<br>Cr\u00e9dito: Yapeng Zhang (Observat\u00f3rio de Leiden)\/departamento gr\u00e1fico do Instituto Max Planck para Astronomia<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Novo planeta<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O planeta propriamente dito, TYC 8998-760-1 b, foi descoberto h\u00e1 dois anos pelo candidato a doutoramento na Universidade de Leiden, Alexander Bohn, coautor do presente artigo. &#8220;\u00c9 incr\u00edvel que esta descoberta tenha sido feita perto do &#8216;meu&#8217; planeta. Provavelmente ser\u00e1 a primeira de muitas.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Ignas Snellen, professor em Leiden e durante muitos anos a for\u00e7a por tr\u00e1s deste campo, est\u00e1 orgulhoso. &#8220;A expetativa \u00e9 que, no futuro, os is\u00f3topos ajudem ainda mais a entender exatamente como, onde e quando os planetas se formam. Isto \u00e9 apenas o come\u00e7o.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Isotopes In Exoplanets Explained\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ZUx9F_wely4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.universiteitleiden.nl\/en\/news\/2021\/07\/first-measurement-of-isotopes-in-atmosphere-of-exoplanet\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Leiden (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.mpia.de\/news\/science\/2021-10-carbon13?c=2285\" target=\"_blank\">\/\/ Instituto Max Planck para Astronomia (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41586-021-03616-x\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.astronomie.nl\/upload\/files\/2021\/Zhang-Snellen-Nature-2021.pdf\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (PDF)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p><strong>Carbono-13:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Carbon-13\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>TYC 8998-760-1 b:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/exoplanets.nasa.gov\/exoplanet-catalog\/7608\/tyc-8998-760-1-b\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/exoplanetarchive.ipac.caltech.edu\/overview\/TYC%208998-760-1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA (IPAC)<\/a><br><a href=\"http:\/\/exoplanet.eu\/catalog\/tyc_8998-760-1_b\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Exoplanet.eu<\/a><br><a href=\"http:\/\/simbad.u-strasbg.fr\/simbad\/sim-id?Ident=TYC+8998-760-1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Simbad<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/TYC_8998-760-1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">TYC 8998-760-1 (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Exoplanetas:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Extrasolar_planet\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de planetas (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_potential_habitable_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de exoplanetas potencialmente habit\u00e1veis (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_extrasolar_planet_extremes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de extremos (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.openexoplanetcatalogue.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Open Exoplanet Catalogue<\/a><br><a href=\"https:\/\/exoplanets.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.exoplanet.eu\/index.php\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Enciclop\u00e9dia dos Planetas Extrasolares<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma equipa internacional de astr\u00f3nomos tornou-se na primeira do mundo a detetar is\u00f3topos na atmosfera de um exoplaneta. Diz respeito a diferentes formas de carbono no planeta gigante gasoso TYC 8998-760-1 b. A investiga\u00e7\u00e3o foi publicada na revista cient\u00edfica Nature. O planeta est\u00e1 a 300 anos-luz da Terra na dire\u00e7\u00e3o da constela\u00e7\u00e3o de Mosca. 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