{"id":4307,"date":"2021-07-16T06:20:05","date_gmt":"2021-07-16T05:20:05","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=4307"},"modified":"2021-07-16T06:20:15","modified_gmt":"2021-07-16T05:20:15","slug":"estrela-em-forma-de-lagrima-aponta-para-supernova-futura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2021\/07\/16\/estrela-em-forma-de-lagrima-aponta-para-supernova-futura\/","title":{"rendered":"Estrela em forma de l\u00e1grima aponta para supernova futura"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os astr\u00f3nomos fizeram uma rara observa\u00e7\u00e3o de duas estrelas que espiralam para a sua destrui\u00e7\u00e3o, avistando sinais reveladores de uma estrela em forma de l\u00e1grima.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A forma tr\u00e1gica \u00e9 provocada por uma massiva an\u00e3 branca pr\u00f3xima, que distorce a estrela com a sua intensa gravidade, que tamb\u00e9m ser\u00e1 o catalisador para uma eventual supernova que consumir\u00e1 ambas. Descoberto por uma equipa internacional de astr\u00f3nomos e astrof\u00edsicos liderados pela Universidade de Warwick, \u00e9 um dos poucos sistemas estelares descobertos que um dia ver\u00e1 uma an\u00e3 branca reacender o seu n\u00facleo.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/warwick.ac.uk\/services\/communications\/medialibrary\/images\/july_2021\/progenitor.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"671\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/progenitor-1024x671.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4308\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/progenitor-1024x671.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/progenitor-300x197.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/progenitor-768x504.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/progenitor.jpg 1220w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>Impress\u00e3o de artista do sistema HD265435 daqui a aproximadamente 30 milh\u00f5es de anos, com a mais pequena an\u00e3 branca distorcendo a sub-an\u00e3 quente numa distinta forma de l\u00e1grima.<br>Cr\u00e9dito: Universidade de Warwick\/Mark Garlick<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma nova investiga\u00e7\u00e3o publicada pela equipa no passado dia 12 de julho na revista Nature Astronomy confirma que as duas estrelas est\u00e3o nos est\u00e1gios iniciais de uma espiral que provavelmente terminar\u00e1 numa supernova do Tipo Ia, um tipo que ajuda os astr\u00f3nomos a determinar o ritmo a que o Universo se est\u00e1 a expandir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">HD265435 est\u00e1 localizado a cerca de 1500 anos-luz de dist\u00e2ncia e consiste de uma sub-an\u00e3 quente e de uma an\u00e3 branca que se orbita uma \u00e0 outra a um ritmo de mais ou menos 100 minutos. As an\u00e3s brancas s\u00e3o estrelas &#8220;mortas&#8221; que queimaram todo o seu combust\u00edvel e que entraram em colapso, tornando-as pequenas mas extremamente densas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma supernova do Tipo Ia geralmente ocorre quando o n\u00facleo de uma an\u00e3 branca reacende-se, levando a uma explos\u00e3o termonuclear. Existem dois cen\u00e1rios em que isto pode acontecer. No primeiro, a an\u00e3 branca ganha massa suficiente para atingir 1,4 vezes a massa do nosso Sol, conhecido como limite de Chandrasekhar. HD265435 encaixa-se no segundo cen\u00e1rio, no qual a massa total de um sistema estelar constitu\u00eddo por v\u00e1rias estrelas est\u00e1 pr\u00f3ximo ou acima deste limite. Sabemos apenas de um punhado de outros sistemas estelares que v\u00e3o atingir este limite e resultar numa supernova do Tipo Ia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A autora principal, Dra. Ingrid Pelisoli, do Departamento de F\u00edsica da Universidade de Warwick, e anteriormente afiliada \u00e0 Universidade de Potsdam, explica: &#8220;N\u00e3o sabemos exatamente como \u00e9 que estas supernovas explodem, mas sabemos que tem que acontecer porque vemos isso a acontecer noutras partes do Universo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Uma maneira \u00e9 se a an\u00e3 branca acumular massa suficiente da sub-an\u00e3 quente, de modo que \u00e0 medida que as duas se orbitam uma \u00e0 outra e se aproximam, a mat\u00e9ria come\u00e7ar\u00e1 a escapar da sub-an\u00e3 quente e a cair sobre a an\u00e3 branca. Outra forma \u00e9 que, por estarem a perder energia para as emiss\u00f5es de ondas gravitacionais, aproximam-se at\u00e9 se fundirem. Assim que a an\u00e3 branca ganhar massa suficiente com qualquer um dos m\u00e9todos, tornar-se-\u00e1 uma supernova.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Usando dados do TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA, a equipa foi capaz de observar a sub-an\u00e3 quente, mas n\u00e3o a an\u00e3 branca j\u00e1 que a primeira \u00e9 muito mais brilhante. No entanto, esse brilho varia ao longo do tempo, o que sugere que a estrela estava a ser distorcida em forma de l\u00e1grima por um objeto massivo pr\u00f3ximo. Usando medi\u00e7\u00f5es de velocidade radial e de velocidade de rota\u00e7\u00e3o pelo Observat\u00f3rio Palomar e pelo Observat\u00f3rio W. M. Keck, e modelando o efeito do objeto massivo sobre a sub-an\u00e3 quente, os astr\u00f3nomos puderam confirmar que a an\u00e3 branca oculta \u00e9 t\u00e3o massiva quanto o Sol, mas apenas ligeiramente mais pequena que o raio da Terra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Combinada com a massa da sub-an\u00e3 quente, que tem pouco mais de 0,6 vezes a massa do nosso Sol, ambas as estrelas t\u00eam a massa necess\u00e1ria para desencadear uma supernova do Tipo Ia. Dado que as duas estrelas j\u00e1 est\u00e3o pr\u00f3ximas o suficiente para come\u00e7arem a espiralar uma em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 outra, inevitavelmente a an\u00e3 branca tornar-se-\u00e1 supernova daqui a cerca de 70 milh\u00f5es de anos. Os modelos te\u00f3ricos produzidos especificamente para este estudo tamb\u00e9m preveem que a sub-an\u00e3 quente vai contrair-se para se tornar numa an\u00e3 branca antes de se fundir com a sua companheira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As supernovas do Tipo Ia s\u00e3o importantes para a cosmologia como &#8220;velas padr\u00e3o&#8221;. O seu brilho \u00e9 constante e de um tipo espec\u00edfico de luz, o que significa que os astr\u00f3nomos podem comparar a luminosidade que deveriam ter com o que observamos na Terra, e a partir da\u00ed calcular a que dist\u00e2ncia est\u00e3o com um bom grau de precis\u00e3o. Ao observar supernovas em gal\u00e1xias distantes, os astr\u00f3nomos combinam o que sabem de qu\u00e3o depressa essa gal\u00e1xia se move com a dist\u00e2ncia da supernova e calculam a expans\u00e3o do Universo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Dra. Pelisoli acrescenta: &#8220;Quanto mais entendermos como as supernovas funcionam, melhor podemos calibrar as nossas &#8216;velas padr\u00e3o&#8217;. Isto \u00e9 muito importante de momento porque h\u00e1 uma discrep\u00e2ncia entre o que obtemos com este tipo de vela padr\u00e3o e o que obtemos por meio de outros m\u00e9todos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Quanto mais entendermos o modo como as supernovas se formam, melhor podemos entender se esta discrep\u00e2ncia que estamos a ver \u00e9 por causa de uma nova f\u00edsica que desconhecemos e n\u00e3o levamos em considera\u00e7\u00e3o, ou simplesmente porque estamos a subestimar as incertezas nessas dist\u00e2ncias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;H\u00e1 outra discrep\u00e2ncia entre a taxa estimada e observada de supernovas gal\u00e1cticas e o n\u00famero de progenitoras que vemos. Podemos estimar quantas supernovas existir\u00e3o na nossa Gal\u00e1xia atrav\u00e9s da observa\u00e7\u00e3o de muitas gal\u00e1xias, ou atrav\u00e9s do que sabemos da evolu\u00e7\u00e3o estelar, e este n\u00famero \u00e9 consistente. Mas se procurarmos por objetos que se podem tornar supernovas, n\u00e3o temos o suficiente. Esta descoberta foi muito \u00fatil para estimar a contribui\u00e7\u00e3o de um bin\u00e1rio constitu\u00eddo por uma sub-an\u00e3 quente e por uma an\u00e3 branca. Ainda n\u00e3o parece ser muito, nenhum dos canais que observamos parece ser suficiente.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/warwick.ac.uk\/newsandevents\/pressreleases\/teardrop_star_reveals\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Warwick (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41550-021-01413-0\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature Astronomy)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>HD265435:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/simbad.u-strasbg.fr\/simbad\/sim-id?Ident=HD265435\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Simbad<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>An\u00e3s brancas:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/White_dwarf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Sub-an\u00e3s quentes:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Subdwarf#Hot_subdwarfs\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Supernovas:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Supernova\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Type_Ia_supernova\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Tipo Ia (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/tess-transiting-exoplanet-survey-satellite\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/tess.gsfc.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA\/Goddard<\/a><br><a href=\"https:\/\/heasarc.gsfc.nasa.gov\/docs\/tess\/proposing-investigations.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Programa de Investigadores do TESS (HEASARC da NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/archive.stsci.edu\/tess\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">MAST (Arquivo Mikulski para Telesc\u00f3pios Espaciais)<\/a><br><a href=\"https:\/\/exoplanetarchive.ipac.caltech.edu\/cgi-bin\/TblView\/nph-tblView?app=ExoTbls&amp;config=planets&amp;constraint=pl_facility+like+%27%TESS%%27\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Exoplanetas descobertos pelo TESS (NASA Exoplanet Archive)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Transiting_Exoplanet_Survey_Satellite\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Observat\u00f3rio W. M. Keck:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.keckobservatory.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Keck_telescopes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Observat\u00f3rio Palomar:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.astro.caltech.edu\/palomar\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Palomar_Observatory\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os astr\u00f3nomos fizeram uma rara observa\u00e7\u00e3o de duas estrelas que espiralam para a sua destrui\u00e7\u00e3o, avistando sinais reveladores de uma estrela em forma de l\u00e1grima. 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