{"id":4223,"date":"2021-06-11T06:15:44","date_gmt":"2021-06-11T05:15:44","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=4223"},"modified":"2021-06-11T06:15:46","modified_gmt":"2021-06-11T05:15:46","slug":"cientistas-identificam-uma-rara-helice-magnetica-num-sistema-binario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2021\/06\/11\/cientistas-identificam-uma-rara-helice-magnetica-num-sistema-binario\/","title":{"rendered":"Cientistas identificam uma rara &#8220;h\u00e9lice&#8221; magn\u00e9tica num sistema bin\u00e1rio"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com investiga\u00e7\u00f5es que ser\u00e3o publicadas na revista The Astrophysical Journal, investigadores da Universidade de Notre Dame identificaram a primeira h\u00e9lice magn\u00e9tica eclipsante num sistema estelar vari\u00e1vel catacl\u00edsmico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O sistema estelar, conhecido como J0240, \u00e9 apenas o segundo do seu tipo j\u00e1 registado. Foi identificado em 2020 como uma vari\u00e1vel catacl\u00edsmica invulgar &#8211; um sistema bin\u00e1rio que consiste de uma estrela an\u00e3 branca e uma estrela vermelha dadora de massa. Normalmente, a estrela an\u00e3 branca compacta recolhe o g\u00e1s doado e cresce em massa. No entanto, em J0240 a an\u00e3 branca magn\u00e9tica e de r\u00e1pida rota\u00e7\u00e3o rejeita a doa\u00e7\u00e3o de g\u00e1s e impulsiona-o para fora do sistema bin\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"369\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/jXPR2aJm_o.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4224\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/jXPR2aJm_o.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/jXPR2aJm_o-244x300.jpg 244w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption>Uma ilustra\u00e7\u00e3o de uma an\u00e3 branca magn\u00e9tica e de r\u00e1pida rota\u00e7\u00e3o a rejeitar g\u00e1s doado numa vari\u00e1vel catacl\u00edsmica conhecida como J0240.<br>Cr\u00e9dito: Dr. Mark Garlick<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;\u00c9 necess\u00e1ria uma an\u00e3 em r\u00e1pida rota\u00e7\u00e3o com um campo magn\u00e9tico forte para criar uma h\u00e9lice,&#8221; disse Peter Garnavich, professor de astrof\u00edsica e cosmologia f\u00edsica e chefe do Departamento de F\u00edsica de Notre Dame, autor principal do estudo que apresentou evid\u00eancias do sistema de h\u00e9lice. &#8220;Normalmente, o g\u00e1s que sai da estrela dadora vai pousar na an\u00e3 branca. Isto \u00e9 t\u00e3o comum quanto areia numa praia. Mas numa h\u00e9lice magn\u00e9tica, o g\u00e1s \u00e9 ejetado do bin\u00e1rio num amplo padr\u00e3o de espiral &#8211; como um aspersor que rega um quintal.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As an\u00e3s brancas s\u00e3o os remanescentes densos de estrelas de baixa massa como o nosso Sol, que os cientistas dizem que ir\u00e1 evoluir para uma an\u00e3 branca daqui a aproximadamente cinco mil milh\u00f5es de anos. No entanto, sem uma estrela companheira, o Sol nunca far\u00e1 parte de um sistema vari\u00e1vel catacl\u00edsmico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A \u00fanica outra vari\u00e1vel catacl\u00edsmica semelhante a J0240 \u00e9 AE Aquarii, um sistema estelar bin\u00e1rio conhecido desde a d\u00e9cada de 1950 e que se pensa ser tamb\u00e9m um sistema de h\u00e9lice magn\u00e9tica. Por outro lado, observa-se que J0240 est\u00e1 perto do plano orbital bin\u00e1rio, o que significa que o g\u00e1s ejetado do sistema \u00e9 visto em silhueta contra a luz estelar. Esta \u00e9 a primeira evid\u00eancia direta de que uma h\u00e9lice magn\u00e9tica ejeta o g\u00e1s doado pela estrela vermelha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O que \u00e9 \u00fanico neste sistema \u00e9 que realmente podemos ver bolhas de g\u00e1s conforme s\u00e3o ejetadas pela h\u00e9lice,&#8221; disse Garnavich. &#8220;Esse g\u00e1s est\u00e1 a bloquear parte da luz de ambas as estrelas e podemos ver essa absor\u00e7\u00e3o diretamente nos nossos dados.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa de Garnavich come\u00e7ou observa\u00e7\u00f5es no LBT (Large Binocular Telescope) em Safford, no estado norte-americano do Arizona, onde os investigadores conseguiram registar a ocorr\u00eancia de proemin\u00eancias e eclipses que ilustravam a r\u00e1pida rota\u00e7\u00e3o da an\u00e3 branca, e a atra\u00e7\u00e3o do campo magn\u00e9tico &#8211; que expele influxos gasosos que de outra forma seriam adicionados \u00e0 estrela, criando assim uma espiral de g\u00e1s que se expande para longe das duas estrelas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Quanto mais observ\u00e1vamos a estrela, mais empolgante ela parecia,&#8221; disse Garnavich. A equipa recolheu observa\u00e7\u00f5es em setembro, outubro e novembro de 2020. Os dados obtidos em setembro capturaram a primeira metade da \u00f3rbita de J0240. Em outubro, a equipa capturou a segunda metade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;As proemin\u00eancias que vemos s\u00e3o miniexplos\u00f5es que libertam g\u00e1s a 1% da velocidade da luz,&#8221; explicou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As erup\u00e7\u00f5es desaparecem quando a companheira vermelha fica no caminho durante um eclipse. A partir do &#8220;timing&#8221; dos eclipses, a equipa foi capaz de identificar a localiza\u00e7\u00e3o das proemin\u00eancias. &#8220;As erup\u00e7\u00f5es v\u00eam de muito perto da companheira compacta, provavelmente da &#8216;pancada&#8217; de g\u00e1s que recebe ao aproximar-se do campo magn\u00e9tico que gira rapidamente,&#8221; disse Garnavich.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Garnavich espera aprender muito mais com o bin\u00e1rio J0240 a partir de observa\u00e7\u00f5es futuras. Uma das grandes inc\u00f3gnitas \u00e9 o per\u00edodo de rota\u00e7\u00e3o da an\u00e3 branca, que a equipa n\u00e3o conseguiu determinar. &#8220;A energia da h\u00e9lice vem da an\u00e3 branca girat\u00f3ria, portanto, esperamos que a rota\u00e7\u00e3o diminua com o tempo. Quando acabar, a h\u00e9lice ir\u00e1 parar e o sistema parecer\u00e1 uma vari\u00e1vel catacl\u00edsmica comum,&#8221; disse Garnavich.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A grande quest\u00e3o \u00e9 exatamente como entramos neste estado,&#8221; disse. &#8220;\u00c9 uma fase muito curta em que temos uma an\u00e3 branca magn\u00e9tica que gira t\u00e3o depressa quanto \u00e9 poss\u00edvel sem realmente se autodestruir. Uma rota\u00e7\u00e3o t\u00e3o elevada, com um campo magn\u00e9tico forte &#8211; parece que n\u00e3o pode ser apenas coincid\u00eancia.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/news.nd.edu\/news\/scientists-identify-a-rare-magnetic-propeller-in-a-binary-star-system\/\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Notre Dame (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2102.08377\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Vari\u00e1vel catacl\u00edsmica:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/archive.stsci.edu\/prepds\/cvcat\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Cataclysmic_variable_star\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>LBT (Large Binocular Telescope):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.lbto.org\/index.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">LBTO<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Large_Binocular_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De acordo com investiga\u00e7\u00f5es que ser\u00e3o publicadas na revista The Astrophysical Journal, investigadores da Universidade de Notre Dame identificaram a primeira h\u00e9lice magn\u00e9tica eclipsante num sistema estelar vari\u00e1vel catacl\u00edsmico. 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