{"id":4214,"date":"2021-06-08T06:21:50","date_gmt":"2021-06-08T05:21:50","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=4214"},"modified":"2021-06-08T06:22:26","modified_gmt":"2021-06-08T05:22:26","slug":"nova-missao-para-discernir-se-a-nossa-contagem-de-estrelas-deve-aumentar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2021\/06\/08\/nova-missao-para-discernir-se-a-nossa-contagem-de-estrelas-deve-aumentar\/","title":{"rendered":"Nova miss\u00e3o para discernir se a nossa contagem de estrelas deve aumentar"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Universo cont\u00e9m um n\u00famero impressionante de estrelas &#8211; mas as melhores estimativas dos cientistas podem pecar por defeito. Um foguete de sondagem financiado pela NASA, que tem um instrumento aprimorado a bordo, vai procurar evid\u00eancias de estrelas extra que podem ter ficado perdidas na contagem estelar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A miss\u00e3o CIBER-2 (Cosmic Infrared Background Experiment-2) \u00e9 a \u00faltima de uma s\u00e9rie de lan\u00e7amentos de foguetes que tiveram in\u00edcio em 2009. Liderada por Michael Zemcov, professor assistente de f\u00edsica e astronomia no Instituto de Tecnologia de Rochester em Nova Iorque, a janela de lan\u00e7amento da CIBER-2 abriu dia 6 de junho.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/sites\/default\/files\/ciber_launch_0.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/lo3jwACq_o-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4215\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/lo3jwACq_o-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/lo3jwACq_o-300x200.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/lo3jwACq_o-768x512.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/lo3jwACq_o-1536x1025.jpg 1536w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/lo3jwACq_o.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>Fotografia &#8220;time-lapse&#8221; do foguete com o CIBER (Cosmic Infrared Background Experiment) a bordo, a partir do Complexo de Voo Wallops da NASA, no estado norte-americano de Virginia, em 2013. A imagem \u00e9 do \u00faltimo de quatro lan\u00e7amentos.<br>Cr\u00e9dito: Universidade de T\u00f3quio\/T. Arai<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se o leitor j\u00e1 teve o prazer de ver um c\u00e9u aberto numa noite clara e escura, provavelmente ficou impressionado com o grande n\u00famero de estrelas. Talvez at\u00e9 tenha tentado cont\u00e1-las (se n\u00e3o, uma dica: existem cerca de 5000 estrelas vis\u00edveis a olho nu a partir da Terra). Mas a verdadeira maravilha \u00e9 que o nosso c\u00e9u noturno representa apenas a amostra mais pequena do que realmente existe l\u00e1 fora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para obter uma estimativa aproximada do n\u00famero total de estrelas no Universo, os cientistas calcularam o n\u00famero m\u00e9dio de estrelas numa gal\u00e1xia &#8211; algumas estimativas dizem cerca de 100 milh\u00f5es, embora possa ser 10 vezes mais &#8211; e multiplicaram-no pelo n\u00famero de gal\u00e1xias, estimado em cerca de 2 bili\u00f5es (tamb\u00e9m muito provis\u00f3rio). Os cientistas chegaram a um valor estimado de 1&#215;10^21 estrelas. Isto corresponde a mais de 10 estrelas por cada gr\u00e3o de areia na Terra (estimado em cerca de 7,5 trili\u00f5es de gr\u00e3os de areia).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas at\u00e9 esse n\u00famero astronomicamente grande pode estar subestimado. Esse c\u00e1lculo assume que todas, ou pelo menos a maioria das estrelas est\u00e3o dentro de gal\u00e1xias. Com base em descobertas recentes, isso pode n\u00e3o ser totalmente verdade &#8211; e \u00e9 o que a miss\u00e3o CIBER-2 vai tentar descobrir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O instrumento CIBER-2, tal como o instrumento anterior no qual se baseia, CIBER, viaja para o espa\u00e7o a bordo de um foguete de sondagem &#8211; um pequeno foguete suborbital que transporta instrumentos cient\u00edficos em breves viagens ao espa\u00e7o antes de cair de volta \u00e0 Terra para ser recuperado. Uma vez acima da atmosfera da Terra, o CIBER-2 investiga uma \u00e1rea do c\u00e9u de pelo menos 4 graus quadrados &#8211; para refer\u00eancia, a Lua Cheia ocupa cerca de meio grau &#8211; que inclui dezenas de enxames gal\u00e1cticos. N\u00e3o vai contar estrelas, mas detetar o brilho difuso que preenche o cosmos conhecido como luz extragal\u00e1ctica de fundo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Este brilho de fundo \u00e9 a luz total produzida ao longo da hist\u00f3ria c\u00f3smica&#8221;, disse Jamie Bock, professor de f\u00edsica no Caltech em Pasadena, no estado norte-americano da Calif\u00f3rnia, e investigador dos primeiros quatro voos do CIBER. Essa luz de fundo abrange uma variedade de comprimentos de onda, mas o CIBER-2 concentra-se numa pequena por\u00e7\u00e3o chamada fundo infravermelho c\u00f3smico. Pensa-se que muito deste fundo infravermelho venha das an\u00e3s M e K, os tipos estelares mais comuns do Universo, embora n\u00e3o sejam as \u00fanicas contribuintes. &#8220;O nosso m\u00e9todo mede a luz total, incluindo fontes que ainda n\u00e3o identific\u00e1mos,&#8221; disse Bock.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/stsci-h-p2006a-f.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/b9\/ed\/EvRuR1gf_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>Esta infografia compara as caracter\u00edsticas de tr\u00eas classes de estrelas na nossa Gal\u00e1xia: estrelas parecidas com o Sol s\u00e3o classificadas como estrelas G; estrelas menos massivas e mais frias do que o Sol s\u00e3o an\u00e3s K; e estrelas ainda mais fracas e frias s\u00e3o as an\u00e3s vermelhas M. O gr\u00e1fico compara as estrelas em termos das suas zonas habit\u00e1veis, longevidade e abund\u00e2ncia relativa.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/ESA\/STScI\/Z. Levy<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando n\u00e3o podemos contar estrelas individuais numa gal\u00e1xia, este brilho infravermelho deve fornecer uma boa estimativa de quantas an\u00e3s M e K existem. E se todas essas estrelas estiverem dentro da gal\u00e1xia, essa luz deve ser mais brilhante em dire\u00e7\u00e3o ao seu centro. Em 2007, os cientistas usaram o Telesc\u00f3pio Espacial Spitzer da NASA para observar enxames de gal\u00e1xias e para fazer este tipo de medi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas o Spitzer observou mais luz do que o esperado para popula\u00e7\u00f5es gal\u00e1cticas conhecidas &#8211; as flutua\u00e7\u00f5es no brilho do fundo infravermelho c\u00f3smico indicavam que estava algo em falta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Bock e Zemcov &#8211; na altura um investigador p\u00f3s-doutoral, mas agora o investigador principal do CIBER-2 &#8211; voaram a primeira miss\u00e3o CIBER para verificar estes resultados com um telesc\u00f3pio melhor otimizado para a tarefa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Fizemos essa medi\u00e7\u00e3o e cheg\u00e1mos a uma resposta desconfort\u00e1vel,&#8221; disse Zemcov. &#8220;Haviam muito mais flutua\u00e7\u00f5es do que esper\u00e1vamos &#8211; uma explica\u00e7\u00e3o \u00e9 que h\u00e1 mais luz vinda de fora das gal\u00e1xias do que pens\u00e1vamos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A luz extra, pensam, pode ser do brilho de estrelas an\u00e3s perdidas. Estas estrelas podem ter sido lan\u00e7adas para fora da sua gal\u00e1xia hospedeira quando se fundiu com outra. Sabemos que estas estrelas rodeiam a Via L\u00e1ctea, embora as contagens atuais sugiram que n\u00e3o h\u00e1 suficientes para produzir o sinal medido pelo CIBER.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Cada vez mais as investiga\u00e7\u00f5es sugerem que existe um n\u00famero significativo de estrelas deste tipo fora das gal\u00e1xias,&#8221; acrescentou Zemcov.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas surgiram hip\u00f3teses alternativas para este excesso de luz. &#8220;Sabemos que parte dessa luz vem de gal\u00e1xias e de algumas das primeiras estrelas, embora j\u00e1 tenham desaparecido h\u00e1 muito,&#8221; disse Bock. Alguma da luz da nossa pr\u00f3pria Gal\u00e1xia pode at\u00e9 poluir as medi\u00e7\u00f5es, embora a equipa do CIBER tenha feito o poss\u00edvel para a filtrar. Existem tamb\u00e9m possibilidades mais ex\u00f3ticas, como buracos negros em colapso direto do Universo primitivo &#8211; nuvens massivas de g\u00e1s que colapsaram em buracos negros sem se tornarem primeiro em estrelas &#8211; cuja luz ultravioleta teria sido estendida atrav\u00e9s do espa\u00e7o em expans\u00e3o para os mais longos comprimentos de onda infravermelhos que vemos hoje. O CIBER-2 foi constru\u00eddo para ajudar a resolver a quest\u00e3o, distinguindo estas possibilidades.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A luz das an\u00e3s M e K extragal\u00e1ticas deve &#8220;transbordar&#8221; para a gama vis\u00edvel, de modo que o CIBER-2 foi projetado para observar uma faixa estendida de comprimentos de onda &#8211; desde o infravermelho pr\u00f3ximo \u00e0 luz vis\u00edvel verde &#8211; e ver se est\u00e1 l\u00e1. O CIBER-2 tamb\u00e9m pode distinguir a luz das primeiras gal\u00e1xias e estrelas ou dos primeiros buracos negros em colapso direto: ambos devem ter, ausente, uma parte caracter\u00edstica da sua luz total, a parte absorvida pela espessa neblina de hidrog\u00e9nio intergal\u00e1ctico no Universo primordial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por agora, todas as possibilidades permanecem em cima da mesa. Mas os resultados do CIBER-2 podem dizer-nos se a contagem de estrelas dever\u00e1 realmente aumentar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;H\u00e1 ind\u00edcios de que n\u00e3o estamos a captar definitivamente todas as coisas no Universo. E quanto mais observarmos, mais vemos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/feature\/goddard\/2021\/rocket-team-to-discern-if-our-star-count-should-go-way-up\" target=\"_blank\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>CIBER-2:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/ciberrocket.github.io\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Colabora\u00e7\u00e3o CIBER<\/a><br><a href=\"https:\/\/cosmology.caltech.edu\/projects\/CIBER2\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Caltech<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Fundo infravermelho c\u00f3smico:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Cosmic_infrared_background\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Universo cont\u00e9m um n\u00famero impressionante de estrelas &#8211; mas as melhores estimativas dos cientistas podem pecar por defeito. 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