{"id":4120,"date":"2021-05-04T05:18:41","date_gmt":"2021-05-04T05:18:41","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=4120"},"modified":"2021-05-04T05:18:52","modified_gmt":"2021-05-04T05:18:52","slug":"hubble-observa-como-um-planeta-gigante-cresce","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2021\/05\/04\/hubble-observa-como-um-planeta-gigante-cresce\/","title":{"rendered":"Hubble observa como um planeta gigante cresce"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Telesc\u00f3pio Espacial Hubble da NASA est\u00e1 a dar aos astr\u00f3nomos uma rara vis\u00e3o de um planeta do tamanho de J\u00fapiter, ainda em forma\u00e7\u00e3o, que se alimenta do material em torno de uma jovem estrela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;N\u00f3s simplesmente n\u00e3o sabemos muito sobre como os planetas gigantes crescem,&#8221; disse Brendan Bowler, da Universidade do Texas em Austin. &#8220;Este sistema planet\u00e1rio d\u00e1-nos a primeira oportunidade de testemunhar o material caindo num planeta. Os nossos resultados abrem uma nova \u00e1rea para esta pesquisa.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/1_36.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"985\" height=\"554\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/1-36.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4121\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/1-36.jpg 985w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/1-36-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/1-36-768x432.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 985px) 100vw, 985px\" \/><\/a><figcaption>Esta ilustra\u00e7\u00e3o do exoplaneta, ainda em forma\u00e7\u00e3o, PDS 70b mostra como o material pode estar a cair no mundo gigante \u00e0 medida que ganha massa. Ao utilizar a sensibilidade ultravioleta (UV) do Hubble, os investigadores obtiveram um olhar \u00fanico \u00e0 radia\u00e7\u00e3o do g\u00e1s extremamente quente que cai no planeta, permitindo-lhes medir diretamente e pela primeira vez o ritmo de crescimento do planeta. O planeta PDS 70b est\u00e1 rodeado pelo seu pr\u00f3prio disco de g\u00e1s e poeira que est\u00e1 a sugar material do muito maior disco circunstelar. Os cientistas levantam a hip\u00f3tese de que as linhas do campo magn\u00e9tico estendem-se do seu disco circumplanet\u00e1rio at\u00e9 \u00e0 atmosfera do exoplaneta e est\u00e3o a canalizar material para a superf\u00edcie do planeta. A ilustra\u00e7\u00e3o mostra uma poss\u00edvel configura\u00e7\u00e3o de acre\u00e7\u00e3o magnetosf\u00e9rica, mas a geometria detalhada do campo magn\u00e9tico requer trabalho futuro. O mundo remoto j\u00e1 atingiu at\u00e9 cinco vezes a massa de J\u00fapiter ao longo de um per\u00edodo de aproximadamente cinco milh\u00f5es de anos, mas pensa-se que esteja no final do seu processo de forma\u00e7\u00e3o. PDS 70b orbita a estrela an\u00e3 laranja PDS 70, a aproximadamente 370 anos-luz da Terra na dire\u00e7\u00e3o da constela\u00e7\u00e3o de Centauro.<br>Cr\u00e9dito: NASA, ESA, STScI, Joseph Olmsted (STScI)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora j\u00e1 tenham sido catalogados at\u00e9 agora mais de 4000 exoplanetas, apenas cerca de 15 foram fotografados diretamente por telesc\u00f3pios. E os planetas est\u00e3o t\u00e3o distantes e s\u00e3o t\u00e3o pequenos, que s\u00e3o simplesmente pontos nas melhores fotos. A nova t\u00e9cnica da equipa para usar o Hubble para obter imagens diretas deste planeta pavimenta um novo percurso para futuras pesquisas sobre exoplanetas, especialmente durante os anos de forma\u00e7\u00e3o de um planeta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este enorme exoplaneta, designado PDS 70b, orbita a estrela an\u00e3 laranja PDS 70, que j\u00e1 \u00e9 conhecida por ter dois planetas em forma\u00e7\u00e3o ativa dentro de um disco enorme de poeira e g\u00e1s que a rodeia. O sistema est\u00e1 localizado a 370 anos-luz da Terra na dire\u00e7\u00e3o da constela\u00e7\u00e3o de Centauro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Este sistema \u00e9 t\u00e3o excitante porque podemos testemunhar a forma\u00e7\u00e3o de um planeta,&#8221; disse Yifan Zhou, tamb\u00e9m da Universidade do Texas em Austin. &#8220;Este \u00e9 o planeta genuinamente mais jovem que o Hubble j\u00e1 fotografou diretamente.&#8221; Com uns meros cinco milh\u00f5es de anos, o planeta ainda est\u00e1 a reunir material e a acumular massa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A sensibilidade do Hubble \u00e0 luz ultravioleta (UV) fornece uma vis\u00e3o \u00fanica da radia\u00e7\u00e3o do g\u00e1s extremamente quente que cai para o planeta. &#8220;As observa\u00e7\u00f5es do Hubble permitiram-nos estimar a velocidade com que o planeta ganha massa,&#8221; acrescentou Zhou.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2_5.png\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.postimg.cc\/HxG0kYXQ\/2-5.png\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>O VLT (Very Large Telescope) do ESO obteve a primeira imagem clara de um planeta em forma\u00e7\u00e3o, PDS 70b, em torno de uma estrela an\u00e3 em 2018. O planeta sobressai como um ponto brilhante para a direita do centro da imagem, centro este bloqueado pela m\u00e1scara do coron\u00f3grafo usado para bloquear a luz da estrela central.<br>Cr\u00e9dito: ESO, VLT, Andr\u00e9 B. M\u00fcller (ESO)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As observa\u00e7\u00f5es UV, que acrescentam ao corpo de investiga\u00e7\u00f5es sobre este planeta, permitiram que a equipa medisse diretamente e pela primeira vez o ritmo de crescimento em massa do planeta. O mundo remoto j\u00e1 atingiu at\u00e9 cinco vezes a massa de J\u00fapiter ao longo de um per\u00edodo de aproximadamente cinco milh\u00f5es de anos. A taxa de acre\u00e7\u00e3o medida atualmente indica que se esta permanecesse est\u00e1vel por mais outro milh\u00e3o de anos, o planeta aumentaria apenas cerca de 1\/100 da massa de J\u00fapiter.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Zhou e Bowler enfatizam que estas observa\u00e7\u00f5es s\u00e3o um \u00fanico instant\u00e2neo no tempo &#8211; s\u00e3o necess\u00e1rios mais dados para determinar se o ritmo no qual o planeta ganha massa est\u00e1 a aumentar ou a diminuir. &#8220;As nossas medi\u00e7\u00f5es sugerem que o planeta est\u00e1 no final do seu processo de forma\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O jovem sistema PDS 70 tem um disco primordial de g\u00e1s e poeira que fornece combust\u00edvel para o crescimento de planetas por todo o sistema. O planeta PDS 70b est\u00e1 rodeado pelo seu pr\u00f3prio disco de g\u00e1s e poeira que est\u00e1 a sugar material do muito maior disco circunstelar. Os cientistas levantam a hip\u00f3tese de que as linhas do campo magn\u00e9tico estendem-se do seu disco circumplanet\u00e1rio at\u00e9 \u00e0 atmosfera do exoplaneta e est\u00e3o a canalizar material para a superf\u00edcie do planeta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Se este material seguir colunas do disco para o planeta, provocaria manchas quentes,&#8221; explicou Zhou. &#8220;Estas manchas quentes podem ser pelo menos 10 vezes mais quentes do que a temperatura do planeta.&#8221; Estas manchas quentes brilham intensamente no ultravioleta.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/3_4.png\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.postimg.cc\/J4yhPb9z\/3-4.png\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>Estas observa\u00e7\u00f5es do Hubble real\u00e7am o planeta PDS 70b. Um coron\u00f3grafo na c\u00e2mara do Hubble bloqueia o brilho da estrela central para o planeta poder ser observado diretamente. Embora j\u00e1 tenham sido catalogados at\u00e9 agora mais de 4000 exoplanetas, apenas cerca de 15 foram fotografados diretamente por telesc\u00f3pios. A nova t\u00e9cnica da equipa para usar o Hubble para fotografar diretamente este planeta pavimenta um novo percurso para futuras pesquisas sobre exoplanetas, especialmente durante os anos de forma\u00e7\u00e3o de um planeta.<br>Cr\u00e9dito: Joseph DePasquale (STScI)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estas observa\u00e7\u00f5es fornecem informa\u00e7\u00f5es sobre como os planetas gigantes se formaram em torno do nosso Sol h\u00e1 4,6 mil milh\u00f5es de anos. J\u00fapiter pode ter crescido a partir de um disco circundante de material em queda. As suas principais luas tamb\u00e9m teriam sido formadas a partir de &#8220;sobras&#8221; desse disco.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Superar o brilho da estrela-m\u00e3e foi um desafio para a equipa. PDS 70b orbita aproximadamente \u00e0 mesma dist\u00e2ncia que \u00darano do Sol, mas a sua estrela \u00e9 mais de 3000 vezes mais brilhante do que o planeta nos comprimentos de onda ultravioletas. \u00c0 medida que Zhou processava as imagens, ele removeu com muito cuidado o brilho estelar para deixar para tr\u00e1s apenas a luz emitida pelo planeta. Ao faz\u00ea-lo, melhorou o limite de qu\u00e3o perto um planeta pode estar da sua estrela, nas observa\u00e7\u00f5es do Hubble, por um fator de cinco.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Trinta e um anos ap\u00f3s o lan\u00e7amento, ainda estamos a encontrar novas maneiras de usar o Hubble,&#8221; salientou Bowler. &#8220;A estrat\u00e9gia de observa\u00e7\u00e3o e a t\u00e9cnica de p\u00f3s-processamento de Yifan abrir\u00e1 novas janelas para o estudo de sistemas semelhantes, ou at\u00e9 mesmo este sistema novamente, repetidamente com o Hubble. Com observa\u00e7\u00f5es futuras, poder\u00edamos potencialmente descobrir quando a maioria do g\u00e1s e poeira cai sobre os seus planetas e se ocorre a um ritmo constante.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os resultados dos investigadores foram publicados em abril de 2021 na revista The Astronomical Journal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/feature\/goddard\/2021\/hubble-watches-how-a-giant-planet-grows\" target=\"_blank\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/hubblesite.org\/contents\/news-releases\/2021\/news-2021-021\" target=\"_blank\">\/\/ Hubblesite (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/news.utexas.edu\/2021\/04\/29\/exoplanet-is-gobbling-up-gas-and-dust-as-it-continues-to-build-mass\/\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade do Texas em Austin (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-3881\/abeb7a\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astronomical Journal)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2104.13934\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>PDS 70:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/PDS_70\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PDS 70 (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/exoplanet.eu\/catalog\/pds_70_b\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PDS 70 b (Exoplanet.eu)<\/a><br><a href=\"http:\/\/exoplanet.eu\/catalog\/pds_70_c\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PDS 70 c (Exoplanet.eu)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Exoplanetas:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Extrasolar_planet\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de planetas (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_potential_habitable_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de exoplanetas potencialmente habit\u00e1veis (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_extrasolar_planet_extremes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de extremos (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.openexoplanetcatalogue.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Open Exoplanet Catalogue<\/a><br><a href=\"https:\/\/exoplanets.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.exoplanet.eu\/index.php\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Enciclop\u00e9dia dos Planetas Extrasolares<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Hubble:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/hubble\/main\/#.VJ02FAj0\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hubble, NASA<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/esaSC\/SEM106WO4HD_index_0_m.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/hubblesite.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hubblesite<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.stsci.edu\/hst\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"http:\/\/spacetelescope.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SpaceTelescope.org<\/a><br><a href=\"http:\/\/archive.stsci.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Base de dados do Arquivo Mikulski para Telesc\u00f3pios Espaciais<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Telesc\u00f3pio Espacial Hubble da NASA est\u00e1 a dar aos astr\u00f3nomos uma rara vis\u00e3o de um planeta do tamanho de J\u00fapiter, ainda em forma\u00e7\u00e3o, que se alimenta do material em torno de uma jovem estrela. &#8220;N\u00f3s simplesmente n\u00e3o sabemos muito sobre como os planetas gigantes crescem,&#8221; 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