{"id":4096,"date":"2021-04-27T05:16:17","date_gmt":"2021-04-27T05:16:17","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=4096"},"modified":"2021-04-27T05:16:19","modified_gmt":"2021-04-27T05:16:19","slug":"hubble-celebra-31-anos-com-estrela-gigante-a-beira-da-destruicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2021\/04\/27\/hubble-celebra-31-anos-com-estrela-gigante-a-beira-da-destruicao\/","title":{"rendered":"Hubble celebra 31 anos com estrela gigante \u00e0 beira da destrui\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em celebra\u00e7\u00e3o ao 31.\u00ba anivers\u00e1rio do lan\u00e7amento do Telesc\u00f3pio Espacial Hubble da NASA\/ESA, os astr\u00f3nomos apontaram o observat\u00f3rio para uma das estrelas mais brilhantes j\u00e1 vistas na nossa Gal\u00e1xia a fim de capturar a sua beleza.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A estrela gigante apresentada nesta \u00faltima imagem de anivers\u00e1rio do Telesc\u00f3pio Espacial Hubble est\u00e1 a travar um jogo da corda entre a gravidade e a radia\u00e7\u00e3o para evitar a autodestrui\u00e7\u00e3o. A estrela, de nome AG Carinae, \u00e9 cercada por uma camada em expans\u00e3o de g\u00e1s e poeira &#8211; uma nebulosa &#8211; que \u00e9 moldada pelos poderosos ventos da estrela. A nebulosa tem cerca de cinco anos-luz de di\u00e2metro, pouco mais do que a dist\u00e2ncia at\u00e9 \u00e0 estrela Alpha Centauri.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/cdn.spacetelescope.org\/archives\/images\/large\/heic2105a.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"432\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/heic2105a.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4097\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/heic2105a.jpg 700w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/heic2105a-300x185.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/a><figcaption>Em celebra\u00e7\u00e3o ao 31.\u00ba anivers\u00e1rio do lan\u00e7amento do Telesc\u00f3pio Espacial Hubble da NASA\/ESA, os astr\u00f3nomos apontaram o famoso observat\u00f3rio para uma das estrelas mais &#8220;c\u00e9lebres&#8221; j\u00e1 vistas na nossa Gal\u00e1xia, rodeada por um halo brilhante de g\u00e1s e poeira.<br>Cr\u00e9dito: NASA, ESA, STScI<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A enorme estrutura foi criada a partir de uma ou mais erup\u00e7\u00f5es gigantes h\u00e1 v\u00e1rios milhares de anos. As camadas externas da estrela foram lan\u00e7adas para o espa\u00e7o, o material expelido totalizando cerca de 10 vezes a massa do nosso Sol. Estes surtos s\u00e3o t\u00edpicos na vida de uma classe estelar rara chamada LBV (Luminous Blue Variable, em portugu\u00eas Vari\u00e1vel Azul Luminosa), uma breve e inst\u00e1vel fase na curta vida de uma estrela ultrabrilhante e glamorosa que vive r\u00e1pido e morre jovem. Estas estrelas est\u00e3o entre as mais massivas e brilhantes conhecidas. Vivem apenas alguns milh\u00f5es de anos, em compara\u00e7\u00e3o com a vida de aproximadamente 10 mil milh\u00f5es de anos do nosso pr\u00f3prio Sol. AG Carinae tem alguns milh\u00f5es de anos e reside a 20.000 anos-luz de dist\u00e2ncia. A vida \u00fatil esperada da estrela \u00e9 entre 5 e 6 milh\u00f5es de anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As LBVs t\u00eam dupla personalidade. Parecem passar anos numa esp\u00e9cie de leve repouso e depois irrompem em surtos petulantes, durante os quais a sua luminosidade aumenta &#8211; \u00e0s vezes v\u00e1rias ordens de magnitude. Estas gigantes s\u00e3o estrelas extremas, muito diferentes de estrelas normais como o nosso Sol. Na verdade, estima-se que AG Carinae tenha at\u00e9 70 vezes mais massa do que o nosso Sol e que tenha um brilho equivalente a 1 milh\u00e3o de s\u00f3is.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As grandes explos\u00f5es, como a que produziu a nebulosa apresentada na imagem, ocorrem algumas vezes durante a vida de uma LBV. Uma estrela LBV apenas lan\u00e7a material quando est\u00e1 em perigo de autodestrui\u00e7\u00e3o. Por causa das suas formas massivas e temperaturas superquentes, as estrelas vari\u00e1veis azuis luminosas como AG Carinae est\u00e3o numa batalha constante para manter a estabilidade. \u00c9 uma contenda entre a press\u00e3o da radia\u00e7\u00e3o de dentro da estrela que empurra para fora e a gravidade que pressiona para dentro. Esta competi\u00e7\u00e3o de bra\u00e7o de ferro resulta na expans\u00e3o e contra\u00e7\u00e3o da estrela. A press\u00e3o externa ocasionalmente vence a batalha, e a estrela expande-se a um tamanho t\u00e3o grande que &#8220;sopra&#8221; as suas camadas exteriores, como um vulc\u00e3o em erup\u00e7\u00e3o. Mas este surto s\u00f3 acontece quando a estrela est\u00e1 prestes a desintegrar-se. Depois da estrela ejetar o material, contrai ao seu tamanho normal (grande), assenta e torna-se est\u00e1vel novamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As estrelas LBV s\u00e3o raras: conhecem-se menos de 50 entre o nosso Grupo Local de gal\u00e1xias vizinhas. Estas estrelas passam dezenas de milhares de anos nesta fase, um piscar de olhos no tempo c\u00f3smico. Espera-se que algumas terminem as suas vidas em tit\u00e2nicas explos\u00f5es de supernova, que enriquecem o Universo com os elementos mais pesados para l\u00e1 do ferro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tal como muitas outras LBVs, AG Carinae permanece inst\u00e1vel. J\u00e1 passou por v\u00e1rias erup\u00e7\u00f5es mais pequenas que n\u00e3o foram t\u00e3o poderosas quanto aquela que criou a presente nebulosa. Embora AG Carinae esteja agora semiquiescente, a sua radia\u00e7\u00e3o escaldante e o seu poderoso vento estelar (fluxo de part\u00edculas carregadas) t\u00eam moldado a nebulosa antiga, esculpindo estruturas intricadas enquanto o g\u00e1s em fuga colide com a nebulosa externa mais lenta. O vento est\u00e1 a viajar a at\u00e9 1 milh\u00e3o de quil\u00f3metros por hora, cerca de 10 vezes mais depressa do que a nebulosa em expans\u00e3o. Com o tempo, o vento quente alcan\u00e7a o material expelido mais frio, penetra-o e empurra-o para longe da estrela. Este efeito &#8220;limpa-neves&#8221; limpou uma cavidade em torno da estrela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O material avermelhado \u00e9 o g\u00e1s hidrog\u00e9nio misturado com o g\u00e1s azoto. O material vermelho difuso no canto superior esquerdo aponta onde o vento quebrou uma regi\u00e3o t\u00e9nue de material e o varreu para o espa\u00e7o. As caracter\u00edsticas mais proeminentes, destacadas a azul, s\u00e3o estruturas filamentares em forma de girinos e bolhas assim\u00e9tricas. Estas estruturas s\u00e3o aglomerados de poeira iluminados pela luz da estrela. As caracter\u00edsticas em forma de girino, mais proeminentes \u00e0 esquerda e na parte inferior, s\u00e3o aglomerados mais densos de poeira que foram esculpidos pelo vento estelar. A vis\u00e3o n\u00edtida do Hubble revela estas estruturas de apar\u00eancia delicada em grande detalhe.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A imagem foi obtida no vis\u00edvel e no ultravioleta. O Hubble \u00e9 ideal para observa\u00e7\u00f5es no ultravioleta porque esta gama de comprimentos de onda s\u00f3 pode ser vista do espa\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"31st Anniversary Image from the Hubble Space Telescope - Space Sparks Episode 3\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/SQLkGQEWZRQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/esahubble.org\/news\/heic2105\/\" target=\"_blank\">\/\/ ESA\/Hubble (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.esa.int\/ESA_Multimedia\/Images\/2021\/04\/Hubble_celebrates_31st_birthday_with_giant_star_on_the_edge_of_destruction\" target=\"_blank\">\/\/ ESA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/feature\/goddard\/2021\/hubble-captures-giant-star-on-the-edge-of-destruction\" target=\"_blank\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/hubblesite.org\/contents\/news-releases\/2021\/news-2021-017\" target=\"_blank\">\/\/ Hubblesite (comunicado de imprensa)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.eurekalert.org\/pub_releases\/2021-04\/eic-hc3042321.php\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">EurekAlert!<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.space.com\/hubble-photograph-fast-burning-star-nebula\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SPACE.com<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2021-04-hubble-captures-giant-star-edge.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.spacedaily.com\/reports\/Hubble_captures_giant_star_on_the_edge_of_destruction_999.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Space Daily<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.forbes.com\/sites\/jamiecartereurope\/2021\/04\/23\/in-photos-hubble-celebrates-its-birthday-by-capturing-one-of-the-most-dazzling-yet-doomed-stars-in-our-galaxy\/?sh=34b169be3593\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Forbes<\/a><br><a href=\"https:\/\/gizmodo.com\/expanding-cloud-from-volcanic-star-revealed-in-mesmer-1846750103\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Gizmodo<\/a><br><a href=\"https:\/\/sicnoticias.pt\/mundo\/2021-04-23-Hubble-celebra-31-anos-e-um-europeu-parte-para-comandar-a-ISS-as-melhores-imagens-da-semana-a-partir-do-espaco-e6e6b708\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SIC Not\u00edcias<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>AG Carinae:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/AG_Carinae\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Estrelas LBV:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Luminous_blue_variable\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Hubble:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/hubble\/main\/#.VJ02FAj0\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hubble, NASA<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/esaSC\/SEM106WO4HD_index_0_m.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/hubblesite.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hubblesite<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.stsci.edu\/resources\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"http:\/\/spacetelescope.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SpaceTelescope.org<\/a><br><a href=\"http:\/\/archive.stsci.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Base de dados do Arquivo Mikulski para Telesc\u00f3pios Espaciais<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em celebra\u00e7\u00e3o ao 31.\u00ba anivers\u00e1rio do lan\u00e7amento do Telesc\u00f3pio Espacial Hubble da NASA\/ESA, os astr\u00f3nomos apontaram o observat\u00f3rio para uma das estrelas mais brilhantes j\u00e1 vistas na nossa Gal\u00e1xia a fim de capturar a sua beleza. 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