{"id":4069,"date":"2021-04-16T05:22:21","date_gmt":"2021-04-16T05:22:21","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=4069"},"modified":"2021-04-16T05:22:32","modified_gmt":"2021-04-16T05:22:32","slug":"estudo-alerta-para-falsos-positivos-de-oxigenio-na-busca-por-sinais-de-vida-noutros-planetas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2021\/04\/16\/estudo-alerta-para-falsos-positivos-de-oxigenio-na-busca-por-sinais-de-vida-noutros-planetas\/","title":{"rendered":"Estudo alerta para &#8220;falsos positivos de oxig\u00e9nio&#8221; na busca por sinais de vida noutros planetas"},"content":{"rendered":"\n<p>Na busca por vida noutros planetas, a presen\u00e7a de oxig\u00e9nio na atmosfera de um planeta \u00e9 um potencial sinal de atividade biol\u00f3gica que pode ser detetado por futuros telesc\u00f3pios. No entanto, um novo estudo descreve v\u00e1rios cen\u00e1rios nos quais um planeta rochoso sem vida e em torno de uma estrela parecida com o Sol pode evoluir para ter oxig\u00e9nio na sua atmosfera.<\/p>\n\n\n\n<p>Os novos achados, publicados dia 13 de abril na revista AGU Advances, destacam a necessidade de telesc\u00f3pios de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o capazes de caracterizar ambientes planet\u00e1rios e procurar m\u00faltiplas linhas de evid\u00eancia de vida, al\u00e9m da dete\u00e7\u00e3o de oxig\u00e9nio.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/news.ucsc.edu\/2021\/04\/images\/exoplanet-atmospheres-900.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"500\" height=\"375\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/exoplanet-atmospheres-500.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4070\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/exoplanet-atmospheres-500.jpg 500w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/exoplanet-atmospheres-500-300x225.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><figcaption>Ao variar o invent\u00e1rio inicial de elementos vol\u00e1teis num modelo da evolu\u00e7\u00e3o geoqu\u00edmica de planetas rochosos, os investigadores obtiveram uma ampla gama de resultados, incluindo v\u00e1rios cen\u00e1rios onde um planeta rochoso sem vida em torno de uma estrela parecida com o Sol pode evoluir para ter oxig\u00e9nio na sua atmosfera.\nCr\u00e9dito: J. Krissansen-Totton<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>&#8220;Isto \u00e9 \u00fatil porque mostra que existem maneiras de ter oxig\u00e9nio na atmosfera sem recorrer \u00e0 vida, mas existem outras observa\u00e7\u00f5es que podemos fazer para ajudar a distinguir estes falsos positivos da verdadeira presen\u00e7a de vida,&#8221; disse o autor principal Joshua Krissansen-Totton, do Departamento de Astronomia e Astrof\u00edsica da Universidade da Calif\u00f3rnia em Santa Cruz, EUA. &#8220;Para cada cen\u00e1rio, tentamos dizer o que o telesc\u00f3pio precisa ser capaz de fazer para distinguir o oxig\u00e9nio n\u00e3o biol\u00f3gico do oxig\u00e9nio biol\u00f3gico.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas, talvez no final da d\u00e9cada de 2030, os astr\u00f3nomos esperam ter um telesc\u00f3pio capaz de capturar imagens e espectros de planetas potencialmente semelhantes \u00e0 Terra em torno de estrelas semelhantes ao Sol. O coautor Jonathan Fortney, professor de astronomia e astrof\u00edsica e diretor do Laborat\u00f3rio Outros Mundos da UCSC, disse que a ideia seria ter como alvos planetas semelhantes o suficiente \u00e0 Terra para que a vida pudesse ter surgido neles e depois caracterizar as suas atmosferas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Tem havido muita discuss\u00e3o sobre se a dete\u00e7\u00e3o de oxig\u00e9nio \u00e9 um sinal &#8216;suficiente&#8217; de vida,&#8221; disse. &#8220;Este trabalho realmente defende a necessidade de saber o contexto da sua dete\u00e7\u00e3o. Que outras mol\u00e9culas s\u00e3o encontradas al\u00e9m do oxig\u00e9nio, ou n\u00e3o encontradas, e o que isso nos diz sobre a evolu\u00e7\u00e3o do planeta?&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Isto significa que os astr\u00f3nomos v\u00e3o querer um telesc\u00f3pio que seja sens\u00edvel a uma ampla gama de comprimentos de onda a fim de detetar diferentes tipos de mol\u00e9culas na atmosfera de um planeta.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Evolu\u00e7\u00e3o de planetas rochosos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os investigadores basearam as suas descobertas num modelo computacional detalhado da evolu\u00e7\u00e3o de planetas rochosos, come\u00e7ando nas suas origens derretidas e estendendo-se por milhares de milh\u00f5es de anos de arrefecimento e ciclos geoqu\u00edmicos. Ao variar o invent\u00e1rio inicial de elementos vol\u00e1teis nos seus modelos planet\u00e1rios, os cientistas obtiveram uma gama surpreendentemente ampla de resultados.<\/p>\n\n\n\n<p>O oxig\u00e9nio pode come\u00e7ar a acumular-se na atmosfera de um planeta quando a luz ultravioleta altamente energ\u00e9tica divide as mol\u00e9culas de \u00e1gua na atmosfera superior em hidrog\u00e9nio e oxig\u00e9nio. O hidrog\u00e9nio leve escapa preferencialmente para o espa\u00e7o, deixando o oxig\u00e9nio para tr\u00e1s. Outros processos podem remover o oxig\u00e9nio da atmosfera. O mon\u00f3xido de carbono e o hidrog\u00e9nio, oriundos da liberta\u00e7\u00e3o de gases em rochas derretidas, por exemplo, v\u00e3o reagir com o oxig\u00e9nio, e a eros\u00e3o das rochas tamb\u00e9m absorve o oxig\u00e9nio. Estes s\u00e3o apenas alguns dos processos que os investigadores incorporaram no seu modelo de evolu\u00e7\u00e3o geoqu\u00edmica de um planeta rochoso.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Se executarmos o modelo para a Terra, com o que pensamos ter sido o invent\u00e1rio inicial de vol\u00e1teis, obtemos confiavelmente o mesmo resultado todas as vezes &#8211; sem vida n\u00e3o obtemos oxig\u00e9nio na atmosfera,&#8221; disse Krissansen-Totton. &#8220;Mas tamb\u00e9m encontr\u00e1mos v\u00e1rios cen\u00e1rios onde podemos obter oxig\u00e9nio sem vida.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Por exemplo, um planeta que \u00e9 como a Terra, mas que come\u00e7a com mais \u00e1gua, acabar\u00e1 com oceanos muito profundos, colocando uma press\u00e3o imensa sobre a crosta. Isto efetivamente desliga a atividade geol\u00f3gica, incluindo todos os processos como o derretimento ou intemperismo de rochas que removeriam o oxig\u00e9nio da atmosfera.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso oposto, onde o planeta come\u00e7a com uma quantidade relativamente pequena de \u00e1gua, a superf\u00edcie de magma do planeta inicialmente derretido pode congelar rapidamente enquanto a \u00e1gua permanece na atmosfera. Esta &#8220;atmosfera de vapor&#8221; coloca \u00e1gua suficiente na alta atmosfera para permitir a acumula\u00e7\u00e3o de oxig\u00e9nio conforme a \u00e1gua se quebra e o hidrog\u00e9nio escapa.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A sequ\u00eancia t\u00edpica \u00e9 que a superf\u00edcie do magma se solidifica simultaneamente com a condensa\u00e7\u00e3o da \u00e1gua em oceanos \u00e0 superf\u00edcie,&#8221; explica Krissansen-Totton. &#8220;Na Terra, assim que a \u00e1gua se condensou \u00e0 superf\u00edcie, os ritmos de escape baixaram. Mas se retermos uma atmosfera de vapor depois da superf\u00edcie derretida solidificar, h\u00e1 uma janela de aproximadamente um milh\u00e3o de anos onde o oxig\u00e9nio pode acumular-se porque existem grandes concentra\u00e7\u00f5es de \u00e1gua na atmosfera superior e nenhuma superf\u00edcie derretida para consumir o oxig\u00e9nio produzido pelo escape do hidrog\u00e9nio.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Um terceiro cen\u00e1rio que pode levar ao oxig\u00e9nio na atmosfera envolve um planeta que \u00e9 parecido com a Terra, mas come\u00e7a com uma propor\u00e7\u00e3o maior de di\u00f3xido de carbono em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00e1gua. Isto leva a um efeito de estufa, tornando-o demasiado quente para a \u00e1gua condensar da atmosfera para a superf\u00edcie do planeta.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Neste cen\u00e1rio semelhante ao de V\u00e9nus, todos os vol\u00e1teis come\u00e7am na atmosfera e poucos s\u00e3o deixados para tr\u00e1s no manto para serem libertados e acumular oxig\u00e9nio,&#8221; disse Krissansen-Totton.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele salientou que estudos anteriores concentraram-se nos processos atmosf\u00e9ricos, ao passo que o modelo usado neste estudo explora a evolu\u00e7\u00e3o geoqu\u00edmica e t\u00e9rmica do manto e da crosta do planeta, bem como as intera\u00e7\u00f5es entre a crosta e a atmosfera.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00e3o \u00e9 computacionalmente intensivo, mas h\u00e1 muitas partes m\u00f3veis e processos interligados,&#8221; disse.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de Krissansen-Totton e Fortney, os coautores incluem Francis Nimmo, professor de ci\u00eancias da Terra e planet\u00e1rias da UCSC, e Nicholas Wogan da Universidade de Washington, Seattle. Esta investiga\u00e7\u00e3o foi financiada pela NASA.<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/news.ucsc.edu\/2021\/04\/exoplanet-atmospheres.html\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade da Calif\u00f3rnia em Santa Cruz (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/agupubs.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/full\/10.1029\/2020AV000294\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (AGU Advances)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2104.06463\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/astrobiology.com\/2021\/04\/oxygen-false-positives-on-habitable-zone-planets-around-sun-like-stars.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Astrobiology web<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.sciencedaily.com\/releases\/2021\/04\/210413124352.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ScienceDaily<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2021-04-oxygen-false-positives-life-planets.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Exoplanetas:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Extrasolar_planet\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de planetas (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_potential_habitable_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de exoplanetas potencialmente habit\u00e1veis (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_extrasolar_planet_extremes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de extremos (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.openexoplanetcatalogue.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Open Exoplanet Catalogue<\/a><br><a href=\"https:\/\/exoplanets.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.exoplanet.eu\/index.php\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Enciclop\u00e9dia dos Planetas Extrasolares<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na busca por vida noutros planetas, a presen\u00e7a de oxig\u00e9nio na atmosfera de um planeta \u00e9 um potencial sinal de atividade biol\u00f3gica que pode ser detetado por futuros telesc\u00f3pios. 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