{"id":4060,"date":"2021-04-13T05:29:29","date_gmt":"2021-04-13T05:29:29","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=4060"},"modified":"2021-04-13T05:29:31","modified_gmt":"2021-04-13T05:29:31","slug":"mars-odyssey-da-nasa-celebra-20-anos-a-mapear-o-planeta-vermelho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2021\/04\/13\/mars-odyssey-da-nasa-celebra-20-anos-a-mapear-o-planeta-vermelho\/","title":{"rendered":"Mars Odyssey da NASA celebra 20 anos a mapear o Planeta Vermelho"},"content":{"rendered":"\n<p>A sonda Mars Odyssey de 2001 da NASA foi lan\u00e7ada h\u00e1 20 anos atr\u00e1s no dia 7 de abril, tornando-a a nave espacial mais antiga ainda em funcionamento no Planeta Vermelho. O orbitador, que tem o nome do cl\u00e1ssico romance de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica de Arthur C. Clarke &#8220;2001: Odisseia no Espa\u00e7o&#8221; (Clarke aben\u00e7oou a sua utiliza\u00e7\u00e3o antes do lan\u00e7amento), foi enviado com o objetivo de mapear a composi\u00e7\u00e3o da superf\u00edcie marciana, fornecendo uma janela para o passado para que os cientistas pudessem juntar as pe\u00e7as de como o planeta evoluiu.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas fez muito mais do que isso, descobrindo \u00e1gua gelada, servindo como um elo de comunica\u00e7\u00e3o crucial para outras espa\u00e7onaves e ajudando a pavimentar o caminho n\u00e3o apenas para pousos mais seguros, mas tamb\u00e9m para futuros astronautas.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui fica uma lista parcial dos muitos feitos da Odyssey.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"985\" height=\"646\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/pia20331-01padig191.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4061\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/pia20331-01padig191.jpg 985w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/pia20331-01padig191-300x197.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/pia20331-01padig191-768x504.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 985px) 100vw, 985px\" \/><figcaption>\u00c0s 11:02 (hora local) do dia 7 de abril de 2001, multid\u00f5es observaram o lan\u00e7amento da Mars Odyssey no topo de um foguet\u00e3o Boeing Delta II a partir da Esta\u00e7\u00e3o da For\u00e7a A\u00e9rea de Cabo Canaveral, Fl\u00f3rida, EUA.<br>Cr\u00e9dito: NASA<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Mapeando o gelo marciano<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As duas d\u00e9cadas de dados da Mars Odyssey foram inestim\u00e1veis para os investigadores que trabalham para determinar onde a \u00e1gua gelada est\u00e1 presa no planeta. Compreender o ciclo de \u00e1gua em Marte &#8211; um planeta que j\u00e1 foi muito mais h\u00famido, como a Terra &#8211; fornece uma vis\u00e3o sobre como mudou ao longo do tempo: como \u00e9 que a \u00e1gua se move pelo planeta hoje? A inclina\u00e7\u00e3o do planeta afeta a estabilidade do gelo? As descobertas da Mars Odyssey ajudaram a responder a estas quest\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Antes da Odyssey, n\u00e3o sab\u00edamos onde esta \u00e1gua era armazenada no planeta,&#8221; disse o cientista do projeto Jeffrey Plaut do JPL da NASA no sul da Calif\u00f3rnia, EUA, que lidera a miss\u00e3o da Mars Odyssey. &#8220;N\u00f3s detet\u00e1mos a \u00e1gua pela primeira vez em \u00f3rbita e depois confirm\u00e1mos que estava l\u00e1 usando o &#8216;lander&#8217; Phoenix.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Esta \u00e1gua gelada tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1ria para ajudar os astronautas a sobreviver em Marte e para fornecer combust\u00edvel para as suas naves espaciais (de facto, os astronautas eram o foco de um instrumento a bordo da Mars Odyssey que media quanta radia\u00e7\u00e3o espacial teriam que enfrentar antes deste deixar de funcionar em 2003). O orbitador encontra a \u00e1gua gelada usando o seu espectr\u00f3metro de raios-gama, que provou ser um ca\u00e7ador eficaz de hidrog\u00e9nio pr\u00f3ximo da superf\u00edcie &#8211; um substituto da \u00e1gua gelada. Este instrumento mede a quantidade de elementos diferentes na superf\u00edcie marciana e tamb\u00e9m serve como um nodo na rede interplanet\u00e1ria de dete\u00e7\u00e3o de GRBs (&#8220;gamma-ray burts&#8221;, explos\u00f5es de raios-gama) da NASA, que identifica os locais de origem dos GRBs para observa\u00e7\u00f5es astron\u00f3micas de acompanhamento.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/sites\/default\/files\/images\/504716main_pia13662-full_full.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.postimg.cc\/XvVKTMTy\/504716main-pia13662-full-full.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>Imagens obtidas entre 2002 e 2004 pela c\u00e2mara THEMIS da Mars Odyssey deste mar esculpido pelo vento de dunas escuras que cobre uma \u00e1rea t\u00e3o grande quanto o estado norte-americano do Texas na calote polar norte de Marte. Nesta imagem a cores melhoradas, as \u00e1reas mais frias t\u00eam tons mais azulados, enquanto as caracter\u00edsticas mais quentes t\u00eam tons amarelados e alaranjados.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech\/ASU<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><strong>A composi\u00e7\u00e3o de Marte<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Examine qualquer um dos estudos de mapeamento da superf\u00edcie marciana e provavelmente inclui dados da Mars Odyssey. Durante muitos anos, os mapas globais mais completos de Marte foram feitos usando a c\u00e2mara infravermelha da Odyssey, de nome THEMIS (Thermal Emission Imaging System). A c\u00e2mara mede a temperatura da superf\u00edcie dia e noite, permitindo aos cientistas determinar que materiais f\u00edsicos, como rocha, areia ou poeira, existem. Os seus dados revelam a presen\u00e7a desses materiais com base em como aquecem ou arrefecem ao longo de um dia marciano.<\/p>\n\n\n\n<p>O resultado de duas d\u00e9cadas de todo este mapeamento? Os cientistas n\u00e3o apenas usaram os dados para mapear redes de vales e crateras, tamb\u00e9m conseguiram localizar arenito, rochas ricas em ferro, sais e mais &#8211; descobertas que ajudam a fornecer uma vis\u00e3o mais profunda da hist\u00f3ria de Marte. &#8220;N\u00e3o h\u00e1 como negar que o mapa global THEMIS preencheu lacunas no nosso conhecimento,&#8221; disse Laura Kerber do JPL, cientista assistente do projeto Odyssey.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/sites\/default\/files\/images\/504693main_pia13660-full_full.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.postimg.cc\/RhVZBdvd\/504693main-pia13660-full-full.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>Esta imagem obtida pela c\u00e2mara THEMIS da Mars Odyssey mostra uma cratera dupla. Se um meteorito se parte em dois pouco antes de atingir a superf\u00edcie, a t\u00edpica forma de uma cratera de impacto em forma de &#8220;tigela&#8221; ganha um g\u00e9mea. As duas regi\u00f5es circulares intersetam-se, criando uma parede direita que separa as duas crateras, enquanto &#8220;asas&#8221; de detritos expelidos s\u00e3o disparadas para os lados. A imagem cobre uma \u00e1rea com 13 km de comprimento.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech\/ASU<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Aterragens mais seguras<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A c\u00e2mara THEMIS transmitiu mais de 1 milh\u00e3o de imagens desde que come\u00e7ou a orbitar Marte. As imagens e mapas produzidos destacam a presen\u00e7a de perigos, como caracter\u00edsticas topogr\u00e1ficas e rochas, mas tamb\u00e9m ajudam a garantir a seguran\u00e7a dos futuros astronautas, mostrando a localiza\u00e7\u00e3o de recursos como \u00e1gua gelada. Isto ajuda a comunidade cient\u00edfica de Marte e a NASA e decidir para onde enviar &#8220;landers&#8221; e &#8220;rovers&#8221; &#8211; incluindo o rover Perseverance, que pousou no dia 18 de fevereiro de 2021.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Chamadas rotineiras para casa<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Desde o in\u00edcio, a Mars Odyssey serviu como uma central de chamadas de longa dist\u00e2ncia para rovers e landers da NASA, retransmitindo os seus dados para a Terra como parte da MRN (Mars Relay Network). A ideia de um rel\u00e9 em Marte remonta \u00e0 d\u00e9cada de 1970, quando os dois m\u00f3dulos de aterragem Viking enviaram dados cient\u00edficos e imagens para a Terra atrav\u00e9s de um orbitador. Um orbitador pode transportar r\u00e1dios ou antenas capazes de enviar mais dados do que um m\u00f3dulo \u00e0 superf\u00edcie. Mas a Odyssey tornou o processo rotineiro quando come\u00e7ou a transmitir dados de e para os rovers Spirit e Opportunity da NASA.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Quando os rovers g\u00e9meos pousaram, o sucesso da retransmiss\u00e3o de dados usando a frequ\u00eancia UHF mudou o jogo completamente,&#8221; disse Chris Potts do JPL, gerente da miss\u00e3o Mars Odyssey.<\/p>\n\n\n\n<p>Todos os dias, os rovers podiam ir a um lugar diferente e enviar imagens novas para a Terra. Por meio de um rel\u00e9 como a Odyssey, os cientistas obtiveram mais dados, mais cedo, enquanto o p\u00fablico obtinha mais imagens de Marte com que se entusiasmar. A Mars Odyssey j\u00e1 apoiou mais de 18.000 sess\u00f5es de retransmiss\u00e3o. Atualmente, partilha a tarefa de comunica\u00e7\u00f5es com a MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) e com a MAVEN, juntamente com a TGO (Trace Gas Orbiter) da ESA.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/pia23893.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.postimg.cc\/W3cV2nwr\/pia23893.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>Seis imagens da lua marciana Fobos capturadas pela THEMIS em mar\u00e7o de 2020. A c\u00e2mara mede temperaturas \u00e0 superf\u00edcie dia e noite. O estudo da termof\u00edsica de cada lua ajuda os cientistas a determinar as propriedades dos materiais \u00e0 superf\u00edcie, como fez para a superf\u00edcie marciana.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech\/ASU\/NAU<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Luas &#8220;coloridas&#8221;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Mars Odyssey fez um trabalho t\u00e3o completo de estudar a superf\u00edcie marciana que os cientistas come\u00e7aram a apontar a sua c\u00e2mara THEMIS para obter vistas \u00fanicas das luas de Marte, Fobos e Deimos. Tal como acontece com a superf\u00edcie marciana, o estudo da termof\u00edsica de cada lua ajuda os cientistas a determinar as propriedades dos materiais \u00e0 superf\u00edcie. Estas informa\u00e7\u00f5es podem fornecer vislumbres do seu passado: n\u00e3o est\u00e1 claro se as luas s\u00e3o asteroides capturados ou peda\u00e7os de Marte, expelidos da superf\u00edcie por um impacto antigo.<\/p>\n\n\n\n<p>As miss\u00f5es futuras, como a MMX (Martian Moons eXploration) da JAXA (ag\u00eancia espacial japonesa), v\u00e3o tentar pousar nestas luas. Num futuro distante, as miss\u00f5es poder\u00e3o at\u00e9 criar a\u00ed bases para os astronautas. E se o fizerem, v\u00e3o contar com os dados de um orbitador que come\u00e7ou a sua odisseia no in\u00edcio do mil\u00e9nio.<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/feature\/jpl\/nasa-s-odyssey-orbiter-marks-20-historic-years-of-mapping-mars\" target=\"_blank\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/news.asu.edu\/20210407-asu-team-celebrates-20-years-mapping-mars-nasa%E2%80%99s-odyssey-orbiter\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade Estatal do Arizona (comunicado de imprensa)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p><strong>Mars Odyssey:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/mars.jpl.nasa.gov\/odyssey\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/2001_Mars_Odyssey\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Marte:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mars_%28planet%29\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A sonda Mars Odyssey de 2001 da NASA foi lan\u00e7ada h\u00e1 20 anos atr\u00e1s no dia 7 de abril, tornando-a a nave espacial mais antiga ainda em funcionamento no Planeta Vermelho. O orbitador, que tem o nome do cl\u00e1ssico romance de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica de Arthur C. 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