{"id":4024,"date":"2021-03-30T05:13:01","date_gmt":"2021-03-30T05:13:01","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=4024"},"modified":"2021-03-30T05:13:25","modified_gmt":"2021-03-30T05:13:25","slug":"nova-luz-sobre-a-materia-barionica-perdida-e-sobre-a-gravidade-a-escalas-cosmicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2021\/03\/30\/nova-luz-sobre-a-materia-barionica-perdida-e-sobre-a-gravidade-a-escalas-cosmicas\/","title":{"rendered":"Nova luz sobre a mat\u00e9ria bari\u00f3nica perdida e sobre a gravidade a escalas c\u00f3smicas"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os cientistas estimam que a mat\u00e9ria escura e a energia escura, juntas, representam cerca de 95% do material gravitacional no Universo, enquanto os restantes 5% correspondem \u00e0 mat\u00e9ria bari\u00f3nica, que \u00e9 a mat\u00e9ria &#8220;normal&#8221; que comp\u00f5e estrelas, planetas e seres vivos. No entanto, durante d\u00e9cadas quase metade desta mat\u00e9ria tamb\u00e9m n\u00e3o conseguia ser encontrada. Agora, usando uma nova t\u00e9cnica, uma equipa do qual o IAC (Instituto de Astrof\u00edsica das Can\u00e1rias) participou, mostrou que esta mat\u00e9ria bari\u00f3nica &#8220;perdida&#8221; foi encontrada a preencher o espa\u00e7o entre as gal\u00e1xias como g\u00e1s quente de baixa densidade. A mesma t\u00e9cnica tamb\u00e9m fornece uma nova ferramenta que mostra que a atra\u00e7\u00e3o gravitacional das gal\u00e1xias \u00e9 compat\u00edvel com a Teoria da Relatividade Geral. Esta investiga\u00e7\u00e3o foi publicada a semana passada em tr\u00eas artigos na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/i.postimg.cc\/sX6ZMKPV\/MNRAS-PS-plot.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/MNRAS-PS-plot-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4025\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/MNRAS-PS-plot-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/MNRAS-PS-plot-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/MNRAS-PS-plot-768x432.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/MNRAS-PS-plot.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>A presen\u00e7a de g\u00e1s ionizado em torno das gal\u00e1xias deixa um sinal na radia\u00e7\u00e3o c\u00f3smica de fundo que pode ser detetado sabendo o padr\u00e3o das velocidades das gal\u00e1xias fornecido pelo mapa.<br>Cr\u00e9dito: Carlos Hern\u00e1ndez-Monteagudo (IAC)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao desenhar esta nova t\u00e9cnica, os cientistas analisaram as mudan\u00e7as no espectro eletromagn\u00e9tico, o seu desvio para o vermelho provocado pelo &#8220;avermelhamento&#8221; da luz das gal\u00e1xias a medida que se afastam de n\u00f3s. No Universo, as fontes que se afastam apresentam um espectro mais vermelho e as que se aproximam de n\u00f3s apresentam um espectro mais azul. Este efeito forneceu dados essenciais para o desenvolvimento da cosmologia moderna. H\u00e1 quase um s\u00e9culo, Edwin Hubble descobriu que os desvios para o vermelho das gal\u00e1xias s\u00e3o maiores quanto mais distantes est\u00e3o de n\u00f3s, e esta foi a evid\u00eancia inicial que acabou por levar ao modelo do Big Bang para o Universo. Desde ent\u00e3o, estes desvios para o vermelho t\u00eam sido usados para encontrar as dist\u00e2ncias \u00e0s gal\u00e1xias e para construir mapas tridimensionais da sua distribui\u00e7\u00e3o no Universo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No trabalho aqui relatado, foi desenvolvido um novo m\u00e9todo que estuda as caracter\u00edsticas dos desvios para o vermelho das gal\u00e1xias sem convert\u00ea-los em dist\u00e2ncias. No seu primeiro artigo cient\u00edfico, a equipa mostra que estes mapas s\u00e3o sens\u00edveis \u00e0 atra\u00e7\u00e3o gravitacional entre gal\u00e1xias a escalas cosmol\u00f3gicas. Num segundo artigo, a mesma equipa compara os mapas com observa\u00e7\u00f5es da radia\u00e7\u00e3o c\u00f3smica de fundo e estes permitem, pela primeira vez, um censo completo da mat\u00e9ria bari\u00f3nica durante 90% da vida do Universo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A maior parte desta mat\u00e9ria &#8216;comum&#8217; \u00e9-nos invis\u00edvel porque n\u00e3o \u00e9 suficientemente quente para emitir energia. No entanto, usando mapas dos desvios para o vermelho das gal\u00e1xias, descobrimos que toda esta mat\u00e9ria preenche o espa\u00e7o entre elas,&#8221; explica Jon\u00e1s Chaves-Montero, investigador do DIPC (Donostia International Physics Center) e autor principal deste artigo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Finalmente, conforme encontrado no terceiro artigo, os investigadores tamb\u00e9m usaram os mapas dos desvios para o vermelho das gal\u00e1xias para estudar a natureza da gravidade. &#8220;Em contraste com as abordagens anteriores, o nosso novo m\u00e9todo n\u00e3o \u00e9 baseado em nenhuma convers\u00e3o do desvio para o vermelho em dist\u00e2ncia, e mostra-se robusto contra ru\u00eddos e impurezas de dados. Gra\u00e7as a isso, permite-nos concluir com grande precis\u00e3o que as observa\u00e7\u00f5es s\u00e3o compat\u00edveis com a teoria da gravidade de Einstein&#8221;, real\u00e7a Carlos Hern\u00e1ndez-Monteagudo, investigador do IAC que \u00e9 o autor principal deste terceiro artigo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.iac.es\/en\/outreach\/news\/new-light-baryonic-matter-and-gravity-cosmic-scales\" target=\"_blank\">\/\/ Instituto de Astrof\u00edsica das Can\u00e1rias (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/1911.12056\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico #1 (arXiv.org)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/academic.oup.com\/mnras\/article\/503\/2\/1798\/6184230\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico #2 (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/1911.10690\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico #2 (arXiv.org)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2005.06568\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico #3 (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Universo:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Accelerating_expansion_of_the_universe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A expans\u00e3o acelerada do Universo (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Universe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universo (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Age_of_the_universe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Idade do Universo (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Large-scale_structure_of_the_universe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Big_Bang\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Big Bang (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Timeline_of_the_Big_Bang\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Cronologia do Big Bang (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Mat\u00e9ria bari\u00f3nica:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Baryon\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Mat\u00e9ria escura:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Dark_matter\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Energia escura:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Dark_Energy\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Desvio para o vermelho:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Redshift\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os cientistas estimam que a mat\u00e9ria escura e a energia escura, juntas, representam cerca de 95% do material gravitacional no Universo, enquanto os restantes 5% correspondem \u00e0 mat\u00e9ria bari\u00f3nica, que \u00e9 a mat\u00e9ria &#8220;normal&#8221; que comp\u00f5e estrelas, planetas e seres vivos. 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