{"id":3979,"date":"2021-03-12T06:37:48","date_gmt":"2021-03-12T06:37:48","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=3979"},"modified":"2021-03-12T06:37:58","modified_gmt":"2021-03-12T06:37:58","slug":"detritos-de-explosao-estelar-encontrados-em-local-invulgar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2021\/03\/12\/detritos-de-explosao-estelar-encontrados-em-local-invulgar\/","title":{"rendered":"Detritos de explos\u00e3o estelar encontrados em local invulgar"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No primeiro levantamento de todo o c\u00e9u pelo telesc\u00f3pio de raios-X eROSITA a bordo do SRG (Spectrum + R\u00f6ntgen + Gamma), astr\u00f3nomos do Instituto Max Planck para F\u00edsica Extraterrestre identificaram um remanescente de supernova at\u00e9 ent\u00e3o desconhecido, denominado &#8220;Hoinga&#8221;. O achado foi confirmado por dados de r\u00e1dio de arquivo e assinala a primeira descoberta de uma parceria conjunta australiana-eROSITA estabelecida para explorar a nossa Gal\u00e1xia usando v\u00e1rios comprimentos de onda, desde ondas de r\u00e1dio de baixa frequ\u00eancia at\u00e9 raios-X energ\u00e9ticos. O remanescente de supernova Hoinga \u00e9 muito grande e est\u00e1 localizado longe do plano gal\u00e1ctico &#8211; uma primeira descoberta surpreendente &#8211; o que implica que os pr\u00f3ximos anos podem trazer muito mais descobertas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/www.mpg.de\/16518883\/original-1614766118.jpg?t=eyJ3aWR0aCI6MTIwMCwib2JqX2lkIjoxNjUxODg4M30%3D--e59710b114256e484389153ab1a9e9be8eb866db\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1022\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/original-1024x1022.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3980\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/original-1024x1022.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/original-300x300.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/original-150x150.jpg 150w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/original-768x767.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/original.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>Composi\u00e7\u00e3o de dados r\u00e1dio e de raios-X do remanescente de supernova Hoinga. Os raios-X descobertos pelo eROSITA s\u00e3o emitidos pelos detritos quentes da progenitora explodida, ao passo que as antenas de er\u00e1dio detetam emiss\u00e3o de sincotr\u00e3o dos eletr\u00f5es relativistas, que s\u00e3o desacelerados na camada exterior do remanescente.<br>Cr\u00e9dito: eROSITA\/MPE (raios-X), CHIPASS\/SPASS\/N. Hurley-Walker, ICRAR-Curtin (r\u00e1dio)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As estrelas massivas terminam as suas vidas em explos\u00f5es de supernova gigantescas quando os processos de fus\u00e3o no seu interior n\u00e3o produzem mais energia suficiente para conter o seu colapso gravitacional. Mas mesmo com centenas de milhares de milh\u00f5es de estrelas numa gal\u00e1xia, estes eventos s\u00e3o muito raros. Na nossa Via L\u00e1ctea, os astr\u00f3nomos estimam a ocorr\u00eancia de uma supernova, em m\u00e9dia, a cada 30 a 50 anos. Embora a pr\u00f3pria supernova s\u00f3 seja observ\u00e1vel numa escala de tempo de meses, os seus remanescentes podem ser detetados durante cerca de 100.000 anos. Estes remanescentes s\u00e3o compostos por material ejetado a altas velocidades pela explos\u00e3o da estrela que formam ondas de choque quando atingem o meio interestelar circundante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conhecemos atualmente cerca de 300 remanescentes de supernovas &#8211; muito menos dos que os 1200 estimados na nossa Gal\u00e1xia. Portanto, ou os astrof\u00edsicos entenderam mal o ritmo de ocorr\u00eancia de supernovas ou uma grande maioria n\u00e3o foi observada at\u00e9 agora. Uma equipa internacional de astr\u00f3nomos est\u00e1 agora a usar os levantamentos de todo o c\u00e9u do telesc\u00f3pio de raios-X eROSITA para procurar vest\u00edgios de supernovas at\u00e9 ent\u00e3o desconhecidas. Com temperaturas de milh\u00f5es de graus, os detritos de tais supernovas emitem radia\u00e7\u00e3o altamente energ\u00e9tica, ou seja, devem aparecer nos dados de levantamentos de raios-X de alta qualidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Fic\u00e1mos muito surpresos ao descobrir quase imediatamente o primeiro remanescente de supernova,&#8221; disse Werner Becker do Instituto Max Planck para F\u00edsica Extraterrestre. Em honra ao nome romano da cidade natal do autor principal, &#8220;Hoinga&#8221; \u00e9 o maior remanescente de supernova j\u00e1 descoberto em raios-X. Com um di\u00e2metro de aproximadamente 4,4 graus, cobre uma \u00e1rea cerca de 9 vezes maior do que o tamanho da Lua Cheia. &#8220;Al\u00e9m disso, fica muito longe do plano gal\u00e1ctico, o que \u00e9 muito invulgar,&#8221; acrescenta. A maioria das investiga\u00e7\u00f5es anteriores por remanescentes de supernova concentraram-se no disco da nossa Gal\u00e1xia, onde a forma\u00e7\u00e3o estelar \u00e9 mais alta e os remanescentes estelares, portanto, devem ser mais numerosos, mas parece que muitos remanescentes de supernova foram negligenciados devido a esta estrat\u00e9gia de pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/www.mpg.de\/16517914\/original-1614707673.jpg?t=eyJ3aWR0aCI6MTIwMCwib2JqX2lkIjoxNjUxNzkxNH0%3D--04fcf09f5ae111f4f292568e1e5c42924fc980f0\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.mpg.de\/16517914\/original-1614707673.jpg?t=eyJ3aWR0aCI6MTIwMCwib2JqX2lkIjoxNjUxNzkxNH0%3D--04fcf09f5ae111f4f292568e1e5c42924fc980f0\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>Parte do primeiro levantamento de todo o c\u00e9u pelo eROSITA do SRG. O remanescente de supernova Hoinga est\u00e1 assinalado pela seta. A grande fonte de brilho no quadrante inferior da imagem \u00e9 o remanescente de supernova &#8220;Vela&#8221; com Puppis-A. As cores da imagem s\u00e3o correlacionadas com as energias dos fot\u00f5es de raios-X detetados. O vermelho representa a faixa de energia 0,3-0,6 keV, o verde 0,6-1,0 keV e o azul a faixa 1,0-2,3 keV.<br>Cr\u00e9dito: SRG\/eROSITA<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois dos astr\u00f3nomos terem descoberto o objeto nos dados de todo o c\u00e9u do eROSITA, voltaram-se para outros recursos para confirmar a sua natureza. Hoinga \u00e9 &#8211; embora pouco &#8211; vis\u00edvel tamb\u00e9m em dados obtidos pelo telesc\u00f3pio de raios-X ROSAT de h\u00e1 30 anos atr\u00e1s, mas ningu\u00e9m o tinha visto antes devido ao seu fraco brilho e \u00e0 sua localiza\u00e7\u00e3o a altas latitudes gal\u00e1cticas. No entanto, a confirma\u00e7\u00e3o real veio de dados de r\u00e1dio, a banda espectral onde 90% de todos os remanescentes de supernova conhecidos foram encontrados at\u00e9 agora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Analis\u00e1mos dados de r\u00e1dio de arquivo e l\u00e1 estava, \u00e0 espera de ser descoberto,&#8221; maravilha-se Natasha Walker-Hurley, do nodo ICRAR (International Centre for Radio Astronomy Research) da Universidade Curtin, na Austr\u00e1lia. &#8220;A emiss\u00e3o de r\u00e1dio em levantamentos com 10 anos confirmou claramente que Hoinga \u00e9 um remanescente de supernova, de modo que podem haver mais destes l\u00e1 fora, \u00e0 espera de olhos atentos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O telesc\u00f3pio de raios-X eROSITA vai realizar um total de oito levantamentos de todo o c\u00e9u e \u00e9 cerca de 25 vezes mais sens\u00edvel do que o seu antecessor ROSAT. Ambos os observat\u00f3rios espaciais foram projetados, constru\u00eddos e s\u00e3o operados pelo Instituto Max Planck para F\u00edsica Extraterrestre. Os astr\u00f3nomos esperam descobrir novos remanescentes de supernova nos seus dados de raios-X nos pr\u00f3ximos anos, mas ficaram surpresos ao identificar um t\u00e3o cedo no programa. Combinado com o facto de que o sinal j\u00e1 estava presente em dados com d\u00e9cadas, isto significa que muitos outros remanescentes de supernova podem ter sido negligenciados no passado devido ao baixo brilho, \u00e0 sua posi\u00e7\u00e3o invulgar ou por causa de outras emiss\u00f5es pr\u00f3ximas de fontes mais brilhantes. Juntamente com as pr\u00f3ximas pesquisas no r\u00e1dio, o levantamento de raios-X do eROSITA mostra-se bastante promissor no que toca a encontrar muitos dos remanescentes de supernova em falta, ajudando a resolver este mist\u00e9rio astrof\u00edsico de longa data.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.mpg.de\/16527751\/0302-ext0-giant-cloud-found-at-unusual-location-151510-x\" target=\"_blank\">\/\/ Instituto Max Planck (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.icrar.org\/hoinga\/\" target=\"_blank\">\/\/ ICRAR (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/news.curtin.edu.au\/media-releases\/curtin-researcher-helps-find-largest-supernova-remnant-by-looking-in-right-place\/\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade Curtin (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.aanda.org\/component\/article?access=doi&amp;doi=10.1051\/0004-6361\/202040156\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Astronomy &amp; Astrophysics)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2102.13449\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Supernovas:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Supernova\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a>&nbsp;<br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Supernova_remnant\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Remanescente de supernova (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/History_of_supernova_observation\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hist\u00f3ria da observa\u00e7\u00e3o de supernovas (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>eROSITA:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.mpe.mpg.de\/eROSITA\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instituto Max Planck para F\u00edsica Extraterrestre<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/EROSITA\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Observat\u00f3rio SRG:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Spektr-RG\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No primeiro levantamento de todo o c\u00e9u pelo telesc\u00f3pio de raios-X eROSITA a bordo do SRG (Spectrum + R\u00f6ntgen + Gamma), astr\u00f3nomos do Instituto Max Planck para F\u00edsica Extraterrestre identificaram um remanescente de supernova at\u00e9 ent\u00e3o desconhecido, denominado &#8220;Hoinga&#8221;. 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