{"id":3966,"date":"2021-03-05T06:21:56","date_gmt":"2021-03-05T06:21:56","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=3966"},"modified":"2021-03-05T06:22:06","modified_gmt":"2021-03-05T06:22:06","slug":"estrelas-velhas-podem-servir-como-nova-regua-cosmica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2021\/03\/05\/estrelas-velhas-podem-servir-como-nova-regua-cosmica\/","title":{"rendered":"Estrelas velhas podem servir como nova &#8220;r\u00e9gua&#8221; c\u00f3smica"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar de um s\u00e9culo de medi\u00e7\u00f5es, os astr\u00f3nomos n\u00e3o conseguem concordar no valor da expans\u00e3o do Universo. Uma t\u00e9cnica que se baseia na medi\u00e7\u00e3o de dist\u00e2ncias a um tipo espec\u00edfico de estrela velha noutras gal\u00e1xias &#8211; chamado m\u00e9todo JAGB (J-region Asymptotic Giant Branch, em portugu\u00eas &#8220;ramo assint\u00f3tico das gigantes na regi\u00e3o-J&#8221;) &#8211; pode ajudar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A astrof\u00edsica e estudante da Universidade de Chicago, Abigail Lee, \u00e9 a autora principal de um novo artigo cient\u00edfico que analisou observa\u00e7\u00f5es da luz de uma gal\u00e1xia pr\u00f3xima para validar o m\u00e9todo JAGB para medir dist\u00e2ncias c\u00f3smicas. Esta nova t\u00e9cnica permitir\u00e1 futuras medi\u00e7\u00f5es independentes de dist\u00e2ncia que podem ajudar a responder a uma das maiores quest\u00f5es pendentes da cosmologia: qu\u00e3o depressa est\u00e1 o Universo a expandir-se?<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/i.postimg.cc\/Kv0PLqhT\/a-new-cosmological-yardstick-rleporismp-1380.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/a-new-cosmological-yardstick-rleporismp-1380-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3967\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/a-new-cosmological-yardstick-rleporismp-1380-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/a-new-cosmological-yardstick-rleporismp-1380-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/a-new-cosmological-yardstick-rleporismp-1380-768x432.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/a-new-cosmological-yardstick-rleporismp-1380.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>R Leporis, a estrela brilhante e alaranjada, vis\u00edvel no centro, \u00e9 um exemplo de um tipo de estrelas localizada na regi\u00e3o-J do ramo assint\u00f3tico das gigantes. A cor impressionante vem das grandes quantidades de carbono na atmosfera.<br>Cr\u00e9dito: Martin Pugh<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Uma das quest\u00f5es mais interessantes da cosmologia hoje \u00e9 se h\u00e1 uma nova f\u00edsica em falta no nosso entendimento atual de como o Universo est\u00e1 a evoluir. Uma discrep\u00e2ncia atual na medi\u00e7\u00e3o da constante de Hubble pode estar a sinalizar uma nova propriedade f\u00edsica do Universo ou, mais mundanamente, incertezas n\u00e3o reconhecidas de medi\u00e7\u00e3o,&#8221; disse Wendy L. Freedman, professora de astronomia e astrof\u00edsica na mesma universidade e autora s\u00e9nior do artigo. &#8220;Existem poucos m\u00e9todos para medir dist\u00e2ncias que podem fornecer a precis\u00e3o necess\u00e1ria. Lee est\u00e1 a desenvolver este novo m\u00e9todo JAGB, que atualmente se mostra promissor no que toca a resolver esta discrep\u00e2ncia.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Uma chave para a hist\u00f3ria do Universo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1920, Edwin Hubble notou pela primeira vez a rela\u00e7\u00e3o entre a dist\u00e2ncia de uma gal\u00e1xia e qu\u00e3o depressa se estava a afastar de n\u00f3s. Este valor, agora conhecido como constante de Hubble, \u00e9 um par\u00e2metro chave dos modelos cosmol\u00f3gicos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hubble primeiro mediu esta constante comparando medi\u00e7\u00f5es de dist\u00e2ncias gal\u00e1cticas e velocidades derivadas de um tipo espec\u00edfico de estrela que pulsa regularmente. As medi\u00e7\u00f5es, usando m\u00e9todos diretos como o de Hubble, melhoraram muito ao longo das d\u00e9cadas, mas n\u00e3o concordam com os m\u00e9todos que extrapolam a partir da radia\u00e7\u00e3o c\u00f3smica de fundo em micro-ondas &#8211; radia\u00e7\u00e3o remanescente do Universo muito primitivo. Esta discord\u00e2ncia \u00e9 chamada de tens\u00e3o de Hubble e \u00e9 uma das quest\u00f5es mais proeminentes da cosmologia moderna.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um m\u00e9todo de medi\u00e7\u00e3o independente pode ajudar a preencher a lacuna entre os m\u00e9todos e levar a um valor mais decisivo da constante de Hubble medida diretamente das dist\u00e2ncias, disseram as autoras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 aqui que entra o m\u00e9todo JAGB. As estrelas na regi\u00e3o-J do ramo assint\u00f3tico das gigantes s\u00e3o um tipo espec\u00edfico de gigantes velhas que cont\u00eam uma quantidade substancial de carbono nas suas atmosferas e que \u00e9 trazido para a superf\u00edcie por correntes de convec\u00e7\u00e3o, dando-lhes uma cor e brilho muito distintos que permite que sejam identificadas num determinado conjunto de estrelas numa gal\u00e1xia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Observ\u00e1mos empiricamente que estas estrelas t\u00eam um brilho intr\u00ednseco conhecido de gal\u00e1xia para gal\u00e1xia,&#8221; disse Lee.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isto torna-as grandes candidatas ao que os astr\u00f3nomos chamam de velas padr\u00e3o. Sabendo que o brilho aparente de uma estrela depende tanto da dist\u00e2ncia ao observador como do seu brilho intr\u00ednseco, se soubermos este brilho intr\u00ednseco de uma estrela, os astr\u00f3nomos conseguem inferir a sua dist\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Dado que este m\u00e9todo \u00e9 relativamente novo, o objetivo deste projeto era ver se podia competir com outros indicadores de dist\u00e2ncia em termos de precis\u00e3o e exatid\u00e3o,&#8221; real\u00e7a Lee.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa selecionou uma gal\u00e1xia na periferia do grupo gal\u00e1ctico mais pr\u00f3ximo, chamada WLM (Wolf\u2013Lundmark\u2013Melotte), e usou dados obtidos de observa\u00e7\u00f5es com os Telesc\u00f3pios Magellan no Observat\u00f3rio Las Campanas no Chile. Usando um \u00fanico objeto como alvo e aplicando quatro m\u00e9todos diferentes e independentes de medi\u00e7\u00e3o, a equipa p\u00f4de comparar a exatid\u00e3o e a precis\u00e3o do m\u00e9todo JAGB com os m\u00e9todos estabelecidos anteriormente.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/i.postimg.cc\/MKzkXTzT\/Magellan-Telescopes-at-LCO-2014-04-19.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.postimg.cc\/MKzkXTzT\/Magellan-Telescopes-at-LCO-2014-04-19.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>Os Telesc\u00f3pios Magellan no Observat\u00f3rio Las Campanas, Chile, obtendo dados do c\u00e9u noturno.<br>Cr\u00e9dito: Jan Skowron<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois de analisarem dados de quatro maneiras diferentes, as investigadoras determinaram que o m\u00e9todo JAGB n\u00e3o \u00e9 apenas uma verifica\u00e7\u00e3o independente de outros m\u00e9todos de medi\u00e7\u00e3o de dist\u00e2ncias, mas que requer menos tempo de observa\u00e7\u00e3o &#8211; uma &#8220;mercadoria&#8221; escassa entre a comunidade de astr\u00f3nomos que competem por tempo de observa\u00e7\u00e3o num n\u00famero limitado de telesc\u00f3pios poderosos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tendo em conta que as estrelas JAGB s\u00e3o mais brilhantes do que as estrelas usadas noutras medi\u00e7\u00f5es de dist\u00e2ncia, tamb\u00e9m podem ser observadas mais longe, o que permitir\u00e1 calibra\u00e7\u00f5es mais distantes do que \u00e9 poss\u00edvel com os outros m\u00e9todos. Al\u00e9m disso, as estrelas JAGB podem ser encontradas em todos os tipos de gal\u00e1xias, ao contr\u00e1rio das estrelas pulsantes usadas por Edwin Hubble, que se encontram apenas no subconjunto mais limitado de gal\u00e1xias espirais e sofrem frequentemente de aglomera\u00e7\u00e3o e interfer\u00eancia significativa da poeira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Idealmente, vamos obter tempo de observa\u00e7\u00e3o com o Telesc\u00f3pio Espacial James Webb e com o Telesc\u00f3pio Espacial Hubble para usar este m\u00e9todo e medir dist\u00e2ncias a gal\u00e1xias que hospedam supernovas do Tipo Ia,&#8221; disse Lee. As supernovas do Tipo Ia s\u00e3o usadas para medir gal\u00e1xias mais distantes, mas precisam de ser calibradas por medi\u00e7\u00f5es de dist\u00e2ncias inferiores usando t\u00e9cnicas como o m\u00e9todo JAGB. &#8220;Assim que fizermos isto, podemos n\u00e3o apenas medir a constante de Hubble, mas tamb\u00e9m comparar estes v\u00e1rios m\u00e9todos de dist\u00e2ncia para ver se h\u00e1 problemas com algum deles.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se este novo valor independente para a constante de Hubble concordar com outros m\u00e9todos de medi\u00e7\u00e3o direta ou com medi\u00e7\u00f5es do Universo inicial, ir\u00e1 lan\u00e7ar luz sobre esta quest\u00e3o que h\u00e1 muito intriga os astr\u00f3nomos e cosm\u00f3logos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;N\u00e3o temos uma compreens\u00e3o firme do valor da constante de Hubble, de modo que este trabalho \u00e9 realmente importante para ajudar a resolver, de momento, aquilo que \u00e9 um dos maiores problemas da cosmologia,&#8221; conclui Lee.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/news.uchicago.edu\/story\/aging-stars-provide-new-cosmological-yardstick\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Chicago (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-4357\/abd253\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2012.04536\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Ramo assint\u00f3tico das gigantes:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Asymptotic_giant_branch\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Hertzsprung%E2%80%93Russell_diagram\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Diagrama Hertzsprung-Russell (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Universo:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Accelerating_expansion_of_the_universe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A expans\u00e3o acelerada do Universo (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Universe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universo (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Age_of_the_universe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Idade do Universo (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Large-scale_structure_of_the_universe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Big_Bang\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Big Bang (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Timeline_of_the_Big_Bang\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Cronologia do Big Bang (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Lambda-CDM_model\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Modelo Lambda-CDM (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Cosmic_distance_ladder#Galactic_distance_indicators\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Indicadores de dist\u00e2ncias c\u00f3smicas (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Cosmic_distance_ladder\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">&#8220;Escada&#8221; de dist\u00e2ncias c\u00f3smicas (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Gal\u00e1xia Wolf-Lundmark-Melotte:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/news\/eso1610\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESO<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Wolf%E2%80%93Lundmark%E2%80%93Melotte\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar de um s\u00e9culo de medi\u00e7\u00f5es, os astr\u00f3nomos n\u00e3o conseguem concordar no valor da expans\u00e3o do Universo. 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