{"id":3923,"date":"2021-02-19T06:20:54","date_gmt":"2021-02-19T06:20:54","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=3923"},"modified":"2021-02-19T06:21:04","modified_gmt":"2021-02-19T06:21:04","slug":"dois-exoplanetas-retrogrados-num-sistema-estelar-multiplo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2021\/02\/19\/dois-exoplanetas-retrogrados-num-sistema-estelar-multiplo\/","title":{"rendered":"Dois exoplanetas &#8220;retr\u00f3grados&#8221; num sistema estelar m\u00faltiplo"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Num artigo publicado recentemente no conceituado peri\u00f3dico Proceedings of the National Academy of Sciences, um grupo de investigadores liderados por Maria Hjorth e Simon Albrecht do Centro de Astrof\u00edsica Estelar da Universidade de Aarhus publicou a descoberta de um sistema exoplanet\u00e1rio muito especial. Dois exoplanetas est\u00e3o a orbitar &#8220;ao contr\u00e1rio&#8221; em torno da sua estrela. Esta surpreendente arquitetura orbital foi provocada pelo disco protoplanet\u00e1rio &#8211; no qual os dois planetas se formaram &#8211; sendo inclinado pela segunda estrela neste sistema.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Maria Hjorth explica: &#8220;Encontr\u00e1mos um sistema planet\u00e1rio muito intrigante. Existem dois planetas que orbitam em torno da estrela quase na dire\u00e7\u00e3o oposta \u00e0 rota\u00e7\u00e3o da estrela em torno de si pr\u00f3pria. Isto \u00e9 diferente do nosso pr\u00f3prio Sistema Solar, onde todos os planetas giram na mesma dire\u00e7\u00e3o da rota\u00e7\u00e3o do Sol.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/i.postimg.cc\/zv8qp9Kw\/fig1e-20210215-science.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"724\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/fig1e-20210215-science-1024x724.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3924\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/fig1e-20210215-science-1024x724.png 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/fig1e-20210215-science-300x212.png 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/fig1e-20210215-science-768x543.png 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/fig1e-20210215-science.png 1132w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>Ilustra\u00e7\u00e3o do sistema exoplanet\u00e1rio K2-290. A estrela central (centro) tem dois planetas e uma estrela companheira (em cima \u00e0 direita). Os dois planetas orbitam a estrela central quase na dire\u00e7\u00e3o oposta \u00e0 da rota\u00e7\u00e3o da estrela. O planeta interior, com cerca de 75% do tamanho de Neptuno, orbita a estrela a cada nove dias. O maior planeta, do tamanho de J\u00fapiter, requer mais de 48 dias para completar uma \u00f3rbita, ainda mais veloz do que Merc\u00fario no nosso Sistema Solar com a sua \u00f3rbita de 88 dias.<br>Cr\u00e9dito: Christoffer Gr\u00f8nne\/Universidade de Aarhus<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Joshua Winn da Universidade de Princeton continua: &#8220;Este n\u00e3o \u00e9 o primeiro caso conhecido de um sistema planet\u00e1rio &#8216;retr\u00f3grado&#8217; &#8211; os primeiros foram avistados h\u00e1 mais de 10 anos. Mas este \u00e9 um caso raro em que pensamos saber o que provocou o desalinhamento dr\u00e1stico, e a explica\u00e7\u00e3o \u00e9 diferente do que os investigadores assumiram que poderia ter acontecido nos outros sistemas.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A coautora Rebekah Dawson da Universidade Estatal da Pensilv\u00e2nia, EUA, acrescenta: &#8220;Em qualquer sistema planet\u00e1rio, pensa-se que os planetas se formam num disco circular e girat\u00f3rio de material que orbita em torno da jovem estrela durante alguns milh\u00f5es de anos ap\u00f3s o nascimento da pr\u00f3pria estrela, o chamado disco protoplanet\u00e1rio. Normalmente, o disco e a estrela giram da mesma maneira. No entanto, se houver uma estrela vizinha (&#8216;vizinha&#8217; significa em astronomia at\u00e9 mais ou menos um ano-luz), a for\u00e7a gravitacional desta estrela companheira pode inclinar o disco.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">John Zannazzi da Universidade de Toronto, Canad\u00e1, continua: &#8220;A f\u00edsica subjacente est\u00e1 ligada ao comportamento que um pi\u00e3o exibe, quando a sua rota\u00e7\u00e3o diminui e o pr\u00f3prio eixo come\u00e7a a girar em forma de cone.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O cen\u00e1rio foi teorizado em 2012 e agora esta equipa de investiga\u00e7\u00e3o encontrou o primeiro sistema onde este processo ocorreu. Teruyuki Hirano do Instituto de Tecnologia de T\u00f3quio \u00e9 um dos cientistas e comenta: &#8220;Depois que descobrimos o sistema K2-290, percebemos que este sistema \u00e9 ideal para testar esta teoria, pois n\u00e3o \u00e9 orbitado apenas por dois planetas, mas tamb\u00e9m cont\u00e9m duas estrelas. Portanto, logicamente, a pr\u00f3xima etapa seria estudar o sistema em mais detalhe e, de facto, ganh\u00e1mos a lotaria.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Emil Knudstrup, estudante de doutoramento da Universidade de Aarhus, acrescenta: &#8220;A ideia de que os planetas viajam em \u00f3rbitas totalmente desalinhadas fascinou-me ao longo do meu percurso universit\u00e1rio. Uma coisa \u00e9 prever a exist\u00eancia destas \u00f3rbitas incr\u00edveis, t\u00e3o diferentes do que vemos no nosso Sistema Solar. Outra \u00e9 participar na sua descoberta! Tamb\u00e9m fascinante \u00e9 a ideia de que uma estrutura t\u00e3o enorme quanto um disco protoplanet\u00e1rio \u00e9 governada por uma f\u00edsica semelhante \u00e0 de um pi\u00e3o.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/phys.au.dk\/fileadmin\/www.sac.au.dk\/Backwards_planets_protodisk_C_Groenne.png\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.postimg.cc\/13q5mcmq\/csm-Backwards-planets-protodisk-C-Groenne-89ea68c692.png\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>Um disco protoplanet\u00e1rio que foi inclinado quase 180\u00ba antes da forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria.<br>Cr\u00e9dito: Christoffer Gr\u00f8nne<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma implica\u00e7\u00e3o da descoberta \u00e9 que n\u00e3o podemos mais assumir que as condi\u00e7\u00f5es iniciais da forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria exigem alinhamentos entre a rota\u00e7\u00e3o estelar e as \u00f3rbitas planet\u00e1rias. \u00c9 importante ressaltar que enquanto outras teorias que visam explicar os desalinhamentos em sistemas exoplanet\u00e1rios tendem a funcionar melhor em grandes planetas como J\u00fapiter em \u00f3rbitas de per\u00edodo curto, o mecanismo de inclina\u00e7\u00e3o do disco aplica-se a planetas de qualquer tamanho. Poder\u00e1 haver outro mundo parecido com a Terra, por exemplo, que viaja pelos polos norte e sul da sua estrela natal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Acho os nossos resultados encorajadores, pois significa que encontr\u00e1mos outro aspeto da arquitetura de sistemas onde estes mostram uma variedade fascinante de configura\u00e7\u00f5es,&#8221; conclui Simon Albrecht do Centro de Astrof\u00edsica Estelar da Universidade de Aarhus. &#8220;Como ser\u00e1 que a astronomia se teria desenvolvido c\u00e1 na Terra se a situa\u00e7\u00e3o aqui fosse semelhante \u00e0 de K2-290 &#8211; ent\u00e3o Galileu teria visto as manchas solares a moverem-se na dire\u00e7\u00e3o oposta \u00e0 \u00f3rbita da Terra em torno do Sol. Qual teria sido a sua explica\u00e7\u00e3o para tal coisa?&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/phys.au.dk\/sac\/sac-seminars\/article\/artikel\/two-backwards-planets-in-a-dynamic-stellar-system\/\" target=\"_blank\">\/\/ Centro de Astrof\u00edsica Estelar da Universidade de Aarhus (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/subarutelescope.org\/en\/results\/2021\/02\/15\/2933.html\" target=\"_blank\">\/\/ Telesc\u00f3pio Subaru (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.tng.iac.es\/news\/2021\/02\/15\/tristars\/\" target=\"_blank\">\/\/ Funda\u00e7\u00e3o Galileo Galilei &#8211; INAF (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.pnas.org\/content\/118\/8\/e2017418118.full\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Proceedings of the National Academy of Sciences)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2102.07677\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.eurekalert.org\/pub_releases\/2021-02\/potn-psw021021.php\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">EurekAlert!<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.newscientist.com\/article\/2267834-we-have-spotted-two-planets-orbiting-a-backwards-spinning-star\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">New Scientist<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2021-02-backward-spinning-star-coplanar-orbiting-planets.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>K2-290:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.exoplanetkyoto.org\/exohtml\/K2-290.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Exokyoto<\/a><br><a href=\"http:\/\/openexoplanetcatalogue.com\/planet\/K2-290%20b\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Open Exoplanet Catalogue<\/a><br><a href=\"https:\/\/exoplanets.nasa.gov\/exoplanet-catalog\/6463\/k2-290-b\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">K2-290 b (NASA)<\/a><br><a href=\"http:\/\/exoplanet.eu\/catalog\/k2-290_b\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">K2-290 b (Exoplanet.eu)<\/a><br><a href=\"https:\/\/exoplanets.nasa.gov\/exoplanet-catalog\/6464\/k2-290-c\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">K2-290 c (NASA)<\/a><br><a href=\"http:\/\/exoplanet.eu\/catalog\/k2-290_c\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">K2-290 c (Exoplanet.eu)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Movimento retr\u00f3grado:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Retrograde_and_prograde_motion\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Exoplanetas:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Extrasolar_planet\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de planetas (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_potential_habitable_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de exoplanetas potencialmente habit\u00e1veis (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_extrasolar_planet_extremes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de extremos (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.openexoplanetcatalogue.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Open Exoplanet Catalogue<\/a><br><a href=\"http:\/\/planetquest.jpl.nasa.gov\/index.cfm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PlanetQuest<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.exoplanet.eu\/index.php\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Enciclop\u00e9dia dos Planetas Extrasolares<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Kepler:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/kepler\/main\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA (p\u00e1gina oficial)<\/a><br><a href=\"http:\/\/keplerscience.arc.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">K2 (NASA)<\/a><br><a href=\"http:\/\/archive.stsci.edu\/kepler\/\">Arquivo de dados do Kepler<\/a><br><a href=\"https:\/\/archive.stsci.edu\/k2\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Arquivo de dados da miss\u00e3o K2<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Kepler_space_telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Telesc\u00f3pio Subaru:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.naoj.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NAOJ<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Subaru_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>TNG (Telescopio Nazionale Galileo):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.tng.iac.es\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">INAF<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Galileo_National_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>VLT:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/projects\/vlt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/paranal-observatory\/vlt\/vlt-instr\/visir\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">VISIR (ESO)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Very_Large_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Num artigo publicado recentemente no conceituado peri\u00f3dico Proceedings of the National Academy of Sciences, um grupo de investigadores liderados por Maria Hjorth e Simon Albrecht do Centro de Astrof\u00edsica Estelar da Universidade de Aarhus publicou a descoberta de um sistema exoplanet\u00e1rio muito especial. 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