{"id":3906,"date":"2021-02-12T06:27:39","date_gmt":"2021-02-12T06:27:39","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=3906"},"modified":"2021-02-12T06:27:50","modified_gmt":"2021-02-12T06:27:50","slug":"exomars-descobre-novo-gas-e-rastreia-perda-de-agua-em-marte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2021\/02\/12\/exomars-descobre-novo-gas-e-rastreia-perda-de-agua-em-marte\/","title":{"rendered":"ExoMars descobre novo g\u00e1s e rastreia perda de \u00e1gua em Marte"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O sal marinho incorporado na superf\u00edcie empoeirada de Marte e elevado \u00e0 atmosfera do planeta levou \u00e0 descoberta de cloreto de hidrog\u00e9nio &#8211; a primeira vez que a ExoMars TGO (Trace Gas Orbiter) da ESA-Roscosmos detetou um novo g\u00e1s. A aeronave est\u00e1 tamb\u00e9m a fornecer novas informa\u00e7\u00f5es sobre como Marte est\u00e1 a perder \u00e1gua.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma das principais buscas na explora\u00e7\u00e3o de Marte \u00e9 a procura de gases atmosf\u00e9ricos ligados \u00e0 atividade biol\u00f3gica ou geol\u00f3gica, bem como a compreens\u00e3o do invent\u00e1rio de \u00e1gua passado e presente do planeta, para determinar se Marte poderia ter sido habit\u00e1vel e se algum reservat\u00f3rio de \u00e1gua poderia ser acess\u00edvel para explora\u00e7\u00e3o humana futura. Dois novos resultados da equipa ExoMars, publicados na Science Advances, revelam uma classe qu\u00edmica inteiramente nova e fornecem mais informa\u00e7\u00f5es sobre as mudan\u00e7as sazonais e as intera\u00e7\u00f5es superf\u00edcie-atmosfera como for\u00e7as motrizes por tr\u00e1s das novas observa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/var\/esa\/storage\/images\/esa_multimedia\/images\/2021\/02\/exomars_observing_water_in_the_martian_atmosphere\/23139637-1-eng-GB\/ExoMars_observing_water_in_the_martian_atmosphere.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/ExoMars_observing_water_in_the_martian_atmosphere_pillars-1024x576.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3907\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/ExoMars_observing_water_in_the_martian_atmosphere_pillars-1024x576.png 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/ExoMars_observing_water_in_the_martian_atmosphere_pillars-300x169.png 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/ExoMars_observing_water_in_the_martian_atmosphere_pillars-768x432.png 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/ExoMars_observing_water_in_the_martian_atmosphere_pillars-1536x864.png 1536w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/ExoMars_observing_water_in_the_martian_atmosphere_pillars.png 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>A sonda ExoMars TGO (Trace Gas Orbiter) da ESA-Roscosmos estuda o vapor de \u00e1gua e os seus componentes enquanto estes sobem pela atmosfera e para o espa\u00e7o. Ao observar especificamente a propor\u00e7\u00e3o de hidrog\u00e9nio em rela\u00e7\u00e3o ao seu equivalente mais pesado deut\u00e9rio, podemos rastrear a evolu\u00e7\u00e3o da perda de \u00e1gua ao longo do tempo.<br>Cr\u00e9dito: ESA<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Uma nova qu\u00edmica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Descobrimos, pela primeira vez, o cloreto de hidrog\u00e9nio em Marte. Esta \u00e9 a primeira dete\u00e7\u00e3o de um g\u00e1s halog\u00e9nio na atmosfera de Marte e representa um novo ciclo qu\u00edmico a ser entendido,&#8221; disse Kevin Olsen, da Universidade de Oxford, no Reino Unido, um dos principais cientistas da descoberta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O g\u00e1s cloreto de hidrog\u00e9nio, ou HCl, compreende um \u00e1tomo de hidrog\u00e9nio e cloro. Os cientistas de Marte estavam sempre \u00e0 procura de gases \u00e0 base de cloro ou enxofre porque s\u00e3o poss\u00edveis indicadores de atividade vulc\u00e2nica. Mas a natureza das observa\u00e7\u00f5es do cloreto de hidrog\u00e9nio &#8211; o facto de ter sido detetado em locais muito distantes ao mesmo tempo, e a falta de outros gases que seriam esperados da atividade vulc\u00e2nica &#8211; aponta para uma fonte diferente. Ou seja, a descoberta sugere uma intera\u00e7\u00e3o superf\u00edcie-atmosfera inteiramente nova impulsionada pelas esta\u00e7\u00f5es de poeira em Marte que n\u00e3o haviam sido exploradas anteriormente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Num processo muito semelhante ao observado na Terra, sais na forma de cloreto de s\u00f3dio &#8211; remanescentes de oceanos evaporados e incrustados na superf\u00edcie empoeirada de Marte &#8211; s\u00e3o elevados \u00e0 atmosfera pelos ventos. A luz solar aquece a atmosfera fazendo com que a poeira, juntamente com o vapor de \u00e1gua libertado pelas calotes polares, suba. A poeira salgada reage com a \u00e1gua atmosf\u00e9rica para libertar cloro, que ent\u00e3o reage com mol\u00e9culas que cont\u00eam hidrog\u00e9nio para criar cloreto de hidrog\u00e9nio. Outras rea\u00e7\u00f5es podem fazer com que a poeira rica em cloro ou \u00e1cido clor\u00eddrico volte \u00e0 superf\u00edcie, talvez como percloratos, uma classe de sal feita de oxig\u00e9nio e cloro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;\u00c9 preciso vapor de \u00e1gua para libertar o cloro e dos subprodutos da \u00e1gua &#8211; o hidrog\u00e9nio &#8211; para formar o cloreto de hidrog\u00e9nio. A \u00e1gua \u00e9 cr\u00edtica nesta qu\u00edmica,&#8221; diz Kevin. &#8220;Tamb\u00e9m observ\u00e1mos uma correla\u00e7\u00e3o com a poeira: vemos mais cloreto de hidrog\u00e9nio quando a atividade da poeira aumenta, um processo ligado ao aquecimento sazonal do hemisf\u00e9rio sul.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/var\/esa\/storage\/images\/esa_multimedia\/images\/2021\/02\/how_hydrogen_chloride_may_be_created_on_mars\/23139505-1-eng-GB\/How_hydrogen_chloride_may_be_created_on_Mars.png\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.esa.int\/var\/esa\/storage\/images\/esa_multimedia\/images\/2021\/02\/how_hydrogen_chloride_may_be_created_on_mars\/23139505-1-eng-GB\/How_hydrogen_chloride_may_be_created_on_Mars_pillars.png\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>Este gr\u00e1fico descreve um poss\u00edvel novo ciclo qu\u00edmico em Marte ap\u00f3s a descoberta de cloreto de hidrog\u00e9nio na atmosfera pela ExoMars TGO (Trace Gas Orbiter) da ESA-Roscosmos. Sais na forma de cloredo de s\u00f3dio (NaCl) &#8211; remanescentes de oceanos evaporados e embebidos na superf\u00edcie poeirenta de Marte &#8211; est\u00e3o espalhados pela superf\u00edcie de Marte. Os ventos levantam esta poeira salgada para a atmosfera. A luz solar aquece a atmosfera empoeirada, fazendo com que o vapor de \u00e1gua libertado pelas calotes polares suba. A poeira salgada reage com a \u00e1gua atmosf\u00e9rica para libertar cloro (Cl), que por sua vez reage com mol\u00e9culas contendo hidrog\u00e9nio (H) para criar cloreto de hidrog\u00e9nio (HCl). Um processo semelhante ocorre na Terra: o sal marinho \u00e9 lan\u00e7ado para o ar e se se misturar com vapor de \u00e1gua, o cloro torna-se dispon\u00edvel para as rea\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas que formam HCl.<br>Outras rea\u00e7\u00f5es podem fazer com que a poeira rica em cloro ou cloreto de hidrog\u00e9nio regresse \u00e0 superf\u00edcie de Marte, talvez como percloratos, uma classe de sal composa por oxig\u00e9nio e cloro. Observa-se que o HCl aparece e desaparece rapidamente da atmosfera, por isso deve ser criado e destru\u00eddo rapidamente, com alguma fra\u00e7\u00e3o regressando \u00e0 superf\u00edcie.<br>As observa\u00e7\u00f5es da Exomars TGO sugerem que este pode ser um processo anual impulsionado pela mudan\u00e7a das esta\u00e7\u00f5es, especificamente o aquecimento da calote polar sul durante o ver\u00e3o, que liberta vapor de \u00e1gua para a atmosfera. O calor extra tamb\u00e9m gera ventos fortes \u00e0 medida que o ar se move das regi\u00f5es quentes para as frias. Por sua vez, os ventos levantam mais poeira, desencadeando tempestades de poeira regionais e globais.<br>O gr\u00e1fico est\u00e1 simplificado para mostrar amplamente uma maneira poss\u00edvel de produzir cloreto de hidrog\u00e9nio; provavelmente existem percursos adicionais para as rea\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas que tamb\u00e9m podem estar em jogo, talvez com outros tra\u00e7os que a ExoMars ainda n\u00e3o descobriu.<br>Cr\u00e9dito: ESA<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa detetou o g\u00e1s, pela primeira vez, durante a tempestade de poeira global em 2018, observando-o aparecer simultaneamente nos hemisf\u00e9rios norte e sul, e testemunhou o seu desaparecimento, surpreendentemente r\u00e1pido, novamente no final do per\u00edodo sazonal de poeira. J\u00e1 est\u00e3o a analisar os dados recolhidos durante a temporada de poeira subsequente e veem o HCl a subir novamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;\u00c9 incrivelmente gratificante ver os nossos instrumentos sens\u00edveis a detetar um g\u00e1s nunca antes visto na atmosfera de Marte,&#8221; disse Oleg Korablev, principal investigador do instrumento ACS (Atmospheric Chemistry Suite) que fez a descoberta. &#8220;A nossa an\u00e1lise liga a gera\u00e7\u00e3o e o decl\u00ednio do g\u00e1s cloreto de hidrog\u00e9nio \u00e0 superf\u00edcie de Marte.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ser\u00e3o necess\u00e1rios extensos testes de laborat\u00f3rio e novas simula\u00e7\u00f5es atmosf\u00e9ricas globais para entender melhor a intera\u00e7\u00e3o superf\u00edcie-atmosfera baseada em cloro, juntamente com observa\u00e7\u00f5es cont\u00ednuas em Marte para confirmar que a ascens\u00e3o e queda de HCl s\u00e3o impulsionadas pelo ver\u00e3o do hemisf\u00e9rio sul.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A descoberta do primeiro novo g\u00e1s vestigial na atmosfera de Marte \u00e9 um marco importante para a miss\u00e3o TGO,&#8221; disse H\u00e5kan Svedhem, cientista do projeto ExoMars TGO da ESA. &#8220;Esta \u00e9 a primeira nova classe de g\u00e1s descoberta desde a alegada observa\u00e7\u00e3o do metano pela Mars Express da ESA em 2004, o que motivou a busca por outras mol\u00e9culas org\u00e2nicas e culminou no desenvolvimento da miss\u00e3o Trace Gas Orbiter, para a qual a dete\u00e7\u00e3o de novos gases \u00e9 um objetivo principal.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O aumento do vapor de \u00e1gua cont\u00e9m pistas sobre a evolu\u00e7\u00e3o do clima<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m de novos gases, a TGO est\u00e1 a refinar a nossa compreens\u00e3o de como Marte perdeu a sua \u00e1gua &#8211; um processo que tamb\u00e9m est\u00e1 ligado a mudan\u00e7as sazonais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Acredita-se que a \u00e1gua l\u00edquida tenha flu\u00eddo pela superf\u00edcie de Marte, como evidenciado nos numerosos exemplos de antigos vales secos e canais de rios. Hoje, est\u00e1 principalmente presa nas calotes polares e enterrada no subsolo. Marte ainda hoje est\u00e1 a perder \u00e1gua, na forma de hidrog\u00e9nio e oxig\u00e9nio que escapa da atmosfera.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Compreender a intera\u00e7\u00e3o dos reservat\u00f3rios portadores de \u00e1gua em potencial e o seu comportamento sazonal e de longo prazo \u00e9 a chave para compreender a evolu\u00e7\u00e3o do clima de Marte. Isto pode ser feito atrav\u00e9s do estudo do vapor de \u00e1gua e da \u00e1gua &#8220;semipesada&#8221; (onde um \u00e1tomo de hidrog\u00e9nio \u00e9 substitu\u00eddo por um \u00e1tomo de deut\u00e9rio, uma forma de hidrog\u00e9nio com um neutr\u00e3o adicional).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A propor\u00e7\u00e3o de deut\u00e9rio para hidrog\u00e9nio, D\/H, \u00e9 o nosso cron\u00f3metro &#8211; uma m\u00e9trica poderosa que nos conta mais sobre a hist\u00f3ria da \u00e1gua em Marte e como a perda de \u00e1gua evoluiu ao longo do tempo. Gra\u00e7as \u00e0 ExoMars TGO, podemos agora entender e calibrar melhor este cron\u00f3metro e testar novos reservat\u00f3rios de \u00e1gua em Marte,&#8221; disse Geronimo Villanueva do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA e autor principal do novo resultado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Com a Trace Gas Orbiter, podemos observar o caminho dos isotop\u00f3logos da \u00e1gua \u00e0 medida que sobem para a atmosfera com um n\u00edvel de detalhe que antes n\u00e3o era poss\u00edvel. As medi\u00e7\u00f5es anteriores forneceram apenas a m\u00e9dia sobre a profundidade de toda a atmosfera. \u00c9 como se antes tiv\u00e9ssemos apenas uma visualiza\u00e7\u00e3o 2D, agora podemos explorar a atmosfera em 3D,&#8221; diz Ann Carine Vandaele, principal investigadora do instrumento NOMAD (Nadir and Occultation for MArs Discovery) que foi usado para esta investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/var\/esa\/storage\/images\/esa_multimedia\/images\/2021\/02\/exomars_observing_water_in_the_martian_atmosphere2\/23139593-1-eng-GB\/ExoMars_observing_water_in_the_martian_atmosphere.png\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.esa.int\/var\/esa\/storage\/images\/esa_multimedia\/images\/2021\/02\/exomars_observing_water_in_the_martian_atmosphere2\/23139593-1-eng-GB\/ExoMars_observing_water_in_the_martian_atmosphere_pillars.png\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>A sonda ExoMars TGO (Trace Gas Orbiter) da ESA-Roscosmos estuda o vapor de \u00e1gua e os seus componentes enquanto estes sobem pela atmosfera e para o espa\u00e7o. Ao observar especificamente a propor\u00e7\u00e3o de hidrog\u00e9nio em rela\u00e7\u00e3o ao seu equivalente mais pesado deut\u00e9rio, podemos rastrear a evolu\u00e7\u00e3o da perda de \u00e1gua ao longo do tempo.<br>Cr\u00e9dito: ESA<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As novas medi\u00e7\u00f5es revelam uma variabilidade dram\u00e1tica em D\/H com a altitude e a esta\u00e7\u00e3o \u00e0 medida que a \u00e1gua sobe do seu local original. &#8220;Curiosamente, os dados mostram que, uma vez que a \u00e1gua \u00e9 totalmente vaporizada, ela exibe principalmente um grande enriquecimento comum em \u00e1guas semipesadas e uma raz\u00e3o D\/H seis vezes maior do que a da Terra em todos os reservat\u00f3rios de Marte, confirmando que grandes quantidades de \u00e1gua foram perdidas ao longo do tempo,&#8221; diz Giuliano Liuzzi, da American University e do Goddard Space Flight Center da NASA e um dos principais cientistas da investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os dados da ExoMars recolhidos entre abril de 2018 e abril de 2019 tamb\u00e9m mostraram tr\u00eas casos que aceleraram a perda de \u00e1gua da atmosfera: a tempestade de poeira global de 2018, uma tempestade regional curta, mas intensa, em janeiro de 2019 e liberta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua da calote polar sul durante os meses de ver\u00e3o ligada \u00e0 mudan\u00e7a sazonal. Digno de nota \u00e9 uma nuvem de vapor de \u00e1gua crescente durante o ver\u00e3o do sul que potencialmente injetaria \u00e1gua na alta atmosfera numa base sazonal e anual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Futuras observa\u00e7\u00f5es coordenadas com outras aeronaves, incluindo a MAVEN da NASA, que se concentra na alta atmosfera, fornecer\u00e3o perce\u00e7\u00f5es complementares para a evolu\u00e7\u00e3o da \u00e1gua durante o ano marciano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A mudan\u00e7a das esta\u00e7\u00f5es em Marte, e em particular o ver\u00e3o relativamente quente no hemisf\u00e9rio sul, parece ser a for\u00e7a motriz por tr\u00e1s das nossas novas observa\u00e7\u00f5es, como a maior perda de \u00e1gua atmosf\u00e9rica e a atividade de poeira ligada \u00e0 dete\u00e7\u00e3o de cloreto de hidrog\u00e9nio, que vemos nos dois \u00faltimos estudos,&#8221; acrescenta H\u00e5kan. &#8220;As observa\u00e7\u00f5es da TGO est\u00e3o a permitir-nos explorar a atmosfera marciana como nunca antes.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/var\/esa\/storage\/images\/esa_multimedia\/images\/2018\/04\/how_exomars_studies_the_atmosphere\/17444218-1-eng-GB\/How_ExoMars_studies_the_atmosphere.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.esa.int\/var\/esa\/storage\/images\/esa_multimedia\/images\/2018\/04\/how_exomars_studies_the_atmosphere\/17444218-1-eng-GB\/How_ExoMars_studies_the_atmosphere_pillars.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>A ExoMars TGO (Trace Gas Orbiter) analisa a atmosfera de Marte com dois espectr\u00f3metros: o ACS (Atmospheric Chemistry Suite) e o NOMAD (Nadir and Occultation for MArs Discovery).<br>O gr\u00e1fico mostra uma representa\u00e7\u00e3o simples (n\u00e3o \u00e0 escala) dos tr\u00eas modos de observa\u00e7\u00e3o usados. No modo nadir (esquerda), a nave olha diretamente para a luz do Sol refletida da superf\u00edcie e da atmosfera de Marte. No modo limbo (centro), observa atrav\u00e9s do horizonte marciano para a emiss\u00e3o da atmosfera. No modo de oculta\u00e7\u00e3o solar (direita), os instrumentos apontam atrav\u00e9s da atmosfera em dire\u00e7\u00e3o ao Sol e observam como diferentes ingredientes atmosf\u00e9ricos absorvem a luz solar.<br>Dado que diferentes subst\u00e2ncias qu\u00edmicas t\u00eam impress\u00f5es digitais distintas, estas observa\u00e7\u00f5es fornecem um invent\u00e1rio detalhado da composi\u00e7\u00e3o da atmosfera. Estas observa\u00e7\u00f5es s\u00e3o cr\u00edticas para detetar gases atmosf\u00e9ricos que existem em pequenas quantidades, mas que desempenham um papel importante em determinar de Marte est\u00e1 ativo hoje &#8211; falando seja geologicamente seja biologicamente.<br>Note que a orienta\u00e7\u00e3o da nave n\u00e3o \u00e9 verdadeira: ela \u00e9 aqui mostrada com o painel de instrumentos voltado para o observador apenas para fins ilustrativos. O ACS \u00e9 representado pela forma quadrada amarela \u00e0 frente do orbitador; o NOMAD \u00e9 a caixa cinzenta tamb\u00e9m \u00e0 frente.&nbsp;<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.esa.int\/var\/esa\/storage\/images\/esa_multimedia\/images\/2015\/11\/trace_gas_orbiter_instruments\/15667400-1-eng-GB\/Trace_Gas_Orbiter_instruments.jpg\" target=\"_blank\">Aqui<\/a>&nbsp;est\u00e1 um diagrama legendado.<br>Cr\u00e9dito: ESA\/ATG medialab<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.esa.int\/Science_Exploration\/Human_and_Robotic_Exploration\/Exploration\/ExoMars\/ExoMars_discovers_new_gas_and_traces_water_loss_on_Mars\" target=\"_blank\">\/\/ ESA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/advances.sciencemag.org\/content\/7\/7\/eabe4386\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico #1 (Science Advances)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/advances.sciencemag.org\/content\/7\/7\/eabc8843\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico #2 (Science Advances)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/youtu.be\/w8jkTweQqyY\" target=\"_blank\">\/\/ Descobrindo novos gases em Marte (ESA via YouTube)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/youtu.be\/xqGnRWY_HZA\" target=\"_blank\">\/\/ Rastreando a hist\u00f3ria da \u00e1gua em Marte (ESA via YouTube)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2021-02-exomars-gas-loss-mars.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.sciencealert.com\/a-new-gas-has-been-detected-in-the-atmosphere-of-mars\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">science alert<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ExoMars TGO:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/exploration.esa.int\/mars\/46124-mission-overview\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/ExoMars_Trace_Gas_Orbiter\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Marte:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mars_%28planet%29\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Atmosphere_of_Mars\" target=\"_blank\">Atmosfera de Marte (Wikipedia)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O sal marinho incorporado na superf\u00edcie empoeirada de Marte e elevado \u00e0 atmosfera do planeta levou \u00e0 descoberta de cloreto de hidrog\u00e9nio &#8211; a primeira vez que a ExoMars TGO (Trace Gas Orbiter) da ESA-Roscosmos detetou um novo g\u00e1s. A aeronave est\u00e1 tamb\u00e9m a fornecer novas informa\u00e7\u00f5es sobre como Marte est\u00e1 a perder \u00e1gua. Uma &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3907,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,16],"tags":[411,4],"class_list":["post-3906","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-sistema-solar","category-sondas-missoes-espaciais","tag-exomars-tgo","tag-marte"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3906","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3906"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3906\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3909,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3906\/revisions\/3909"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3907"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3906"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3906"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3906"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}