{"id":3900,"date":"2021-02-12T06:21:13","date_gmt":"2021-02-12T06:21:13","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=3900"},"modified":"2021-02-12T06:21:14","modified_gmt":"2021-02-12T06:21:14","slug":"remanescente-de-explosao-rara-descoberto-no-centro-da-via-lactea","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2021\/02\/12\/remanescente-de-explosao-rara-descoberto-no-centro-da-via-lactea\/","title":{"rendered":"Remanescente de explos\u00e3o rara descoberto no centro da Via L\u00e1ctea"},"content":{"rendered":"\n<p>Os astr\u00f3nomos podem ter encontrado o primeiro exemplo, na nossa Via L\u00e1ctea, de um tipo invulgar de explos\u00e3o estelar. Esta descoberta, feita com o Observat\u00f3rio de raios-X Chandra da NASA, contribui para a compreens\u00e3o de como algumas estrelas se fragmentam e &#8220;semeiam&#8221; o Universo com elementos essenciais para a vida na Terra.<\/p>\n\n\n\n<p>Este objeto intrigante, localizado perto do centro da Via L\u00e1ctea, \u00e9 um remanescente de supernova chamado Sagit\u00e1rio A Este, ou Sgr A Este para abreviar. Com base nos dados do Chandra, os astr\u00f3nomos classificaram anteriormente o objeto como o remanescente de uma estrela massiva que explodiu como supernova, um dos muitos tipos de estrelas &#8220;explodidas&#8221; que os cientistas catalogaram.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/chandra.si.edu\/photo\/2021\/sgrae\/sgrae_labels.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"985\" height=\"796\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/gPj4Zlc.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3901\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/gPj4Zlc.jpg 985w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/gPj4Zlc-300x242.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/gPj4Zlc-768x621.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 985px) 100vw, 985px\" \/><\/a><figcaption>Composi\u00e7\u00e3o de dados em raios-X obtidos pelo Chandra e no r\u00e1dio pelo VLA (Very Large Array) que cont\u00e9m a primeira evid\u00eancia de um tipo raro de supernova na Via L\u00e1ctea. Ao analisar mais de 35 dias de observa\u00e7\u00f5es do Chandra, os investigadores descobriram um padr\u00e3o invulgar de elementos como ferro e n\u00edquel nos detritos estelares. A explica\u00e7\u00e3o mais prov\u00e1vel \u00e9 que \u00e9 um remanescente de supernova, de nome Sgr A Este, que foi criado por uma supernova do Tipo Iax. Esta \u00e9 uma classe especial de supernovas do Tipo Ia que s\u00e3o usadas para medir dist\u00e2ncias no espa\u00e7o e para estudar a expans\u00e3o do Universo.<br>Cr\u00e9dito: raios-X &#8211; NASA\/CXC\/Universidade de Nanjing\/P. Zhou et al.; r\u00e1dio &#8211; NSF\/NRAO\/VLA<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Usando observa\u00e7\u00f5es mais longas do Chandra, uma equipa de astr\u00f3nomos concluiu agora que o objeto \u00e9 o remanescente de um tipo diferente de supernova. \u00c9 a explos\u00e3o de uma an\u00e3 branca, uma &#8220;brasa&#8221; estelar encolhida de uma estrela sem combust\u00edvel como o nosso Sol. Quando uma an\u00e3 branca puxa demasiado material de uma estrela companheira ou se funde com outra an\u00e3 branca, a an\u00e3 branca \u00e9 destru\u00edda, acompanhada por um impressionante flash de luz.<\/p>\n\n\n\n<p>Os astr\u00f3nomos usam estas &#8220;supernovas do Tipo Ia&#8221; porque a maioria delas distribui quase a mesma quantidade de luz todas as vezes, n\u00e3o importa onde estejam localizadas. Isto permite que os cientistas as utilizem para medir com precis\u00e3o as dist\u00e2ncias no espa\u00e7o e para estudar a expans\u00e3o do Universo.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados do Chandra revelaram que Sgr A Este, no entanto, n\u00e3o veio de uma comum supernova do Tipo Ia. Em vez disso, parece que pertence a um grupo especial de supernovas que produzem diferentes quantidades relativas elementos do que as do Tipo I tradicional, e explos\u00f5es menos poderosas. Este subconjunto \u00e9 conhecido como &#8220;Tipo Iax,&#8221; um membro potencialmente importante da fam\u00edlia das supernovas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Embora tenhamos j\u00e1 encontrado supernovas do Tipo Iax noutras gal\u00e1xias, n\u00e3o t\u00ednhamos identificado at\u00e9 agora evid\u00eancias de uma na Via L\u00e1ctea,&#8221; disse Ping Zhou da Universidade de Nanjing, na China, que liderou o novo estudo enquanto na Universidade de Amesterd\u00e3o. &#8220;Esta descoberta \u00e9 importante para entender as in\u00fameras maneiras pelas quais as an\u00e3s brancas explodem.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>As explos\u00f5es das an\u00e3s brancas s\u00e3o uma das fontes mais importantes no Universo de elementos como o ferro, n\u00edquel e cromo. O \u00fanico lugar onde os cientistas sabem que estes elementos podem ser formados \u00e9 dentro da fornalha nuclear de estrelas ou quando explodem.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Este resultado mostra-nos a diversidade de tipos e causas das explos\u00f5es das an\u00e3s brancas, e as diferentes maneiras como elas produzem estes elementos essenciais&#8221;, disse o coautor Shing-Chi Leung do Caltech em Pasadena, no estado norte-americano da Calif\u00f3rnia. &#8220;Se estivermos certos sobre a identidade deste remanescente de supernova, seria o exemplo conhecido mais pr\u00f3ximo da Terra.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Os astr\u00f3nomos ainda est\u00e3o a debater a causa das explos\u00f5es das supernovas do Tipo Iax, mas a teoria principal \u00e9 que envolvem rea\u00e7\u00f5es termonucleares que viajam muito mais lentamente atrav\u00e9s da estrela do que nas supernovas do Tipo Ia. Esta caminhada relativamente lenta da explos\u00e3o leva a explos\u00f5es mais fracas e, portanto, a diferentes quantidades de elementos produzidos na explos\u00e3o. Tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel que parte da an\u00e3 branca tenha ficado para tr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p>Sgr A Este est\u00e1 localizada muito perto de Sagit\u00e1rio A*, o buraco negro supermassivo no centro da nossa Via L\u00e1ctea, e provavelmente cruza-se com o disco de material que rodeia o buraco negro. A equipa foi capaz de usar observa\u00e7\u00f5es do Chandra, tendo como alvo o buraco negro supermassivo e a regi\u00e3o em seu redor, durante um total de 35 dias, para estudar Sgr A Este e encontrar o padr\u00e3o invulgar de elementos nos dados de raios-X. Os resultados do Chandra concordam com os modelos de computador que preveem uma an\u00e3 branca que sofreu rea\u00e7\u00f5es nucleares lentas, tornando-a uma forte candidata a remanescente de supernova do Tipo Iax.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Este remanescente de supernova est\u00e1 no plano de fundo de muitas imagens do Chandra do buraco negro supermassivo da nossa Gal\u00e1xia obtidas ao longo dos \u00faltimos 20 anos,&#8221; disse Zhiyuan Li, tamb\u00e9m da Universidade de Nanjing. &#8220;Podemos finalmente ter determinado o que este objeto \u00e9 e como surgiu.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Noutras gal\u00e1xias, os cientistas observam que as supernovas do Tipo Iax ocorrem a uma propor\u00e7\u00e3o que corresponde a aproximadamente um-ter\u00e7o das supernovas do Tipo Ia. Na Via L\u00e1ctea, existiram tr\u00eas remanescentes de supernova do Tipo Ia confirmadas e dois candidatos com menos de 2000 anos, correspondendo a uma idade em que os remanescentes ainda s\u00e3o relativamente brilhantes antes de desaparecerem mais tarde. Se Sgr A Este tiver menos de 2000 anos e resultar de uma supernova do Tipo Iax, este estudo sugere que a nossa Gal\u00e1xia est\u00e1 em alinhamento no que respeita ao n\u00famero relativo de supernovas do Tipo Iax vistas noutras gal\u00e1xias.<\/p>\n\n\n\n<p>Juntamente com a sugest\u00e3o de que Sgr A Este \u00e9 o remanescente do colapso de uma estrela massiva, estudos anteriores tamb\u00e9m apontaram que uma supernova normal do Tipo Ia n\u00e3o foi descartada. O \u00faltimo estudo realizado com estes dados profundos do Chandra vai contra as interpreta\u00e7\u00f5es da estrela massiva e contra o Tipo Ia normal.<\/p>\n\n\n\n<p>Estes resultados foram publicados na edi\u00e7\u00e3o de dia 10 de fevereiro de 2021 da revista The Astrophysical Journal, e uma pr\u00e9-impress\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel online. Os outros autores do artigo s\u00e3o Ken&#8217;ichi Nomoto da Universidade de T\u00f3quio, no Jap\u00e3o, Jacco Vink da Universidade de Amesterd\u00e3o, Pa\u00edses Baixos e Yang Chen, tamb\u00e9m da Universidade de Nanjing.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Quick Look: Sagittarius A East\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/mORP-suWo0k?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/chandra.si.edu\/press\/21_releases\/press_020821.html\" target=\"_blank\">\/\/ Chandra\/Harvard (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/chandra\/images\/rare-blast-s-remains-discovered-in-milky-way-center.html\" target=\"_blank\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2006.15049\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.universetoday.com\/150045\/a-new-supernova-remnant-found-from-an-exploding-white-dwarf-star\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universe Today<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2021-02-rare-blast-milky-center.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sgr A Este:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Sagittarius_A#Sagittarius_A_East\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Supernovas do Tipo Ia:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Type_Ia_supernova\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Type_Ia_supernova#Type_Iax\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Supernovas do Tipo Iax (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sagit\u00e1rio A*:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Sagittarius_A*\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Observat\u00f3rio de raios-X Chandra:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/centers\/marshall\/news\/chandra\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/chandra.harvard.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universidade de Harvard<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Chandra_X-ray_Observatory\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os astr\u00f3nomos podem ter encontrado o primeiro exemplo, na nossa Via L\u00e1ctea, de um tipo invulgar de explos\u00e3o estelar. 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