{"id":3893,"date":"2021-02-09T06:20:05","date_gmt":"2021-02-09T06:20:05","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=3893"},"modified":"2021-02-09T06:20:16","modified_gmt":"2021-02-09T06:20:16","slug":"deformacao-na-via-lactea-ligada-a-colisao-galactica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2021\/02\/09\/deformacao-na-via-lactea-ligada-a-colisao-galactica\/","title":{"rendered":"Deforma\u00e7\u00e3o na Via L\u00e1ctea ligada a colis\u00e3o gal\u00e1ctica"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando a maior parte de n\u00f3s imagina a forma da Via L\u00e1ctea, a Gal\u00e1xia que cont\u00e9m o nosso pr\u00f3prio Sol e centenas de milhares de milh\u00f5es de estrelas, pensamos numa massa central rodeada por um disco achatado de estrelas em espiral. No entanto, os astr\u00f3nomos sabem que, em vez de ser sim\u00e9trica, a estrutura do disco \u00e9 deformada, mais como a borda de um chap\u00e9u de feltro, e que as bordas empenadas est\u00e3o constantemente a mover-se em torno da orla externa da Gal\u00e1xia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Se j\u00e1 viu o p\u00fablico a fazer uma onda num est\u00e1dio, \u00e9 muito semelhante a esse conceito,&#8221; disse Xinlun Cheng, estudante de astronomia da Faculdade de Artes e Ci\u00eancias da Universidade da Virg\u00ednia. &#8220;Cada membro da plateia levanta-se e depois senta-se no momento certo e na ordem certa para criar a onda que percorre o est\u00e1dio. Isso \u00e9 exatamente o que as estrelas da nossa Gal\u00e1xia est\u00e3o a fazer. S\u00f3 que neste caso, \u00e0 medida que a onda percorre o disco da Gal\u00e1xia, o disco tamb\u00e9m gira em torno do centro. Em termos de analogias desportivas, \u00e9 como se o pr\u00f3prio est\u00e1dio tamb\u00e9m estivesse a girar.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/i.imgur.com\/h9Yg8xe.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/h9Yg8xe-1024x682.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3894\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/h9Yg8xe-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/h9Yg8xe-300x200.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/h9Yg8xe-768x512.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/h9Yg8xe-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/h9Yg8xe-310x205.jpg 310w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/h9Yg8xe.jpg 2000w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>Uma representa\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica da Via L\u00e1ctea que mostra as suas orlas distorcidas.<br>Cr\u00e9dito: Xinlun Cheng<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que provocou esta distor\u00e7\u00e3o tem sido objeto de debate. Alguns investigadores sugerem que o fen\u00f3meno \u00e9 resultado da instabilidade da pr\u00f3pria Via L\u00e1ctea, enquanto outros afirmam que \u00e9 o remanescente de uma colis\u00e3o com outra gal\u00e1xia no passado distante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um artigo recente publicado na revista The Astrophysical Journal por Cheng, que estuda os movimentos das estrelas, e pelos seus colegas Borja Anguiano, investigador p\u00f3s-doutorado e Steven Majewski, professor do Departamento de Astronomia da mesma faculdade, pode finalmente terminar esse debate.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Usando dados do observat\u00f3rio espacial Gaia, um sat\u00e9lite lan\u00e7ado em 2013 pela ESA a fim de medir as posi\u00e7\u00f5es, dist\u00e2ncias e movimentos de milhares de milh\u00f5es de estrelas e informa\u00e7\u00f5es do APOGEE (Apache Point Observatory Galactic Evolution Experiment), um espectr\u00f3grafo infravermelho desenvolvido pela Universidade da Virg\u00ednia para examinar a composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica e os movimentos das estrelas, os astr\u00f3nomos t\u00eam agora as ferramentas para observar os movimentos das estrelas na Via L\u00e1ctea com um grau de precis\u00e3o sem precedentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Ao combinar as informa\u00e7\u00f5es do instrumento APOGEE com informa\u00e7\u00f5es do sat\u00e9lite Gaia, estamos a come\u00e7ar a entender como os diferentes componentes da Via L\u00e1ctea se movem,&#8221; disse Anguiano, que se interessa tanto pelos movimentos desses componentes quanto por quais os fen\u00f3menos que podem ter originalmente provocado esses movimentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Agora \u00e9 poss\u00edvel caracterizar esses movimentos com uma sensibilidade sem precedentes devido \u00e0 precis\u00e3o e robustez estat\u00edstica do enorme cat\u00e1logo de estrelas analisadas pelo sat\u00e9lite Gaia,&#8221; explicou Majewski. &#8220;Entretanto, a nossa pr\u00f3pria grande base de dados de qu\u00edmicas estelares gerada pelo APOGEE d\u00e1-nos a capacidade \u00fanica de inferir idades estelares. Isto permite-nos explorar como \u00e9 que estrelas de idades diferentes participam na distor\u00e7\u00e3o e permite-nos ver quando foi produzida. Sabendo isto d\u00e1-nos ent\u00e3o uma ideia de porque \u00e9 que foi produzida.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Usando esses dados, Cheng e colegas desenvolveram um modelo que caracteriza os par\u00e2metros da distor\u00e7\u00e3o Gal\u00e1ctica, onde come\u00e7a no disco externo, a velocidade com que a distor\u00e7\u00e3o est\u00e1 a mover-se e a forma da distor\u00e7\u00e3o. O modelo ajudou-os a determinar que a deforma\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o afeta o nosso pr\u00f3prio Sol, mas que est\u00e1 a passar pelo nosso Sistema Solar agora a velocidades que permitem com que fa\u00e7a uma rota\u00e7\u00e3o completa em torno da Gal\u00e1xia cada 450 milh\u00f5es de anos, n\u00e3o \u00e9 resultado da massa interna da pr\u00f3pria Via L\u00e1ctea. Ao inv\u00e9s, \u00e9 a rel\u00edquia de um pux\u00e3o gravitacional no disco da Via L\u00e1ctea devido \u00e0 passagem pr\u00f3xima de uma gal\u00e1xia sat\u00e9lite, possivelmente a Gal\u00e1xia An\u00e3 de Sagit\u00e1rio, h\u00e1 cerca de 3 mil milh\u00f5es de anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Ainda podemos ver o disco da nossa Gal\u00e1xia a &#8216;tremer&#8217; como resultado,&#8221; disse Anguiano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os dados que a equipa recolheu com as novas ferramentas dispon\u00edveis para os astr\u00f3nomos podem ser apenas o in\u00edcio de uma nova onda de descobertas sobre o nosso Universo e de como surgiu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Estamos a entrar numa nova era da astronomia, especialmente na astronomia Gal\u00e1ctica, em que medimos o movimento das estrelas com um tal n\u00edvel de precis\u00e3o que podemos mapear os seus percursos orbitais passados e come\u00e7ar a entender como podem ter sido afetados e como outras gal\u00e1xias que se aproximaram da nossa interagiram com estrelas conforme estas nasciam,&#8221; disse Anguiano. &#8220;Este n\u00edvel de precis\u00e3o abriu uma nova porta para a compreens\u00e3o do passado da nossa Gal\u00e1xia e de como foi organizada.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/news.virginia.edu\/content\/warp-milky-way-linked-galactic-collision\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade da Virg\u00ednia (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-4357\/abc3c2\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2010.10398\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Via L\u00e1ctea:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Milky_Way\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/messier.seds.org\/more\/mw.html\" target=\"_blank\">SEDS<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>An\u00e3 de Sagit\u00e1rio:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.solstation.com\/x-objects\/sag-deg.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SolStation.com<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Sagittarius_Dwarf_Spheroidal_Galaxy\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Gaia:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/sci.esa.int\/gaia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/Our_Activities\/Space_Science\/Gaia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA &#8211; 2<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/gaia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Gaia\/ESA<\/a><br><a href=\"http:\/\/gsaweb.ast.cam.ac.uk\/alerts\/home\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Programa Alertas de Ci\u00eancia Fotom\u00e9trica do Gaia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/gaia\/early-data-release-3\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">EDR3 do Gaia<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.spaceflight101.com\/gaia-spacecraft-overview.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SPACEFLIGHT101<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gaia_(spacecraft)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>APOGEE:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.sdss3.org\/surveys\/apogee.php\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SDSS<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando a maior parte de n\u00f3s imagina a forma da Via L\u00e1ctea, a Gal\u00e1xia que cont\u00e9m o nosso pr\u00f3prio Sol e centenas de milhares de milh\u00f5es de estrelas, pensamos numa massa central rodeada por um disco achatado de estrelas em espiral. 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