{"id":3884,"date":"2021-02-05T06:26:13","date_gmt":"2021-02-05T06:26:13","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=3884"},"modified":"2021-02-05T06:26:15","modified_gmt":"2021-02-05T06:26:15","slug":"astronomos-avistam-atividade-bizarra-nunca-antes-vista-de-um-dos-imanes-mais-fortes-do-universo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2021\/02\/05\/astronomos-avistam-atividade-bizarra-nunca-antes-vista-de-um-dos-imanes-mais-fortes-do-universo\/","title":{"rendered":"Astr\u00f3nomos avistam atividade bizarra, nunca antes vista de um dos \u00edmanes mais fortes do Universo"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Astr\u00f3nomos do OzGrav (Centro ARC de Excel\u00eancia para Descoberta de Ondas Gravitacionais) e da CSIRO (Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation) observaram um comportamento bizarro e nunca antes visto de um magnetar &#8220;barulhento no r\u00e1dio&#8221; &#8211; um tipo raro de estrela de neutr\u00f5es e um dos \u00edmanes mais fortes do Universo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As suas novas descobertas, publicadas na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, sugerem que os magnetares t\u00eam campos magn\u00e9ticos mais complexos do que se pensava &#8211; o que pode desafiar as teorias de como nascem e evoluem ao longo do tempo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/i.imgur.com\/M0rAnpu.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"724\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/M0rAnpu-1024x724.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3885\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/M0rAnpu-1024x724.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/M0rAnpu-300x212.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/M0rAnpu-768x543.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/M0rAnpu.jpg 1100w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>Impress\u00e3o de artista do magnetar ativo Swift J1818.0-1607.<br>Cr\u00e9dito: Carl Knox, OzGrav<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os magnetares s\u00e3o um tipo raro de estrelas de neutr\u00f5es girat\u00f3ria com alguns dos campos magn\u00e9ticos mais poderosos do Universo. Os astr\u00f3nomos s\u00f3 detetaram trinta destes objetos dentro e ao redor da Via L\u00e1ctea &#8211; a maioria deles descobertos por telesc\u00f3pios de raios-X ap\u00f3s uma explos\u00e3o altamente energ\u00e9tica.<br><br>No entanto, um punhado destes magnetares tamb\u00e9m emitiu pulsos de r\u00e1dio semelhantes aos pulsares &#8211; os primos menos magn\u00e9ticos dos magnetares que produzem feixes de ondas de r\u00e1dio a partir dos seus polos magn\u00e9ticos. Rastrear como os pulsos destes magnetares &#8220;barulhentos no r\u00e1dio&#8221; mudam ao longo do tempo fornece uma janela \u00fanica para a sua evolu\u00e7\u00e3o e geometria.<br><br>Em mar\u00e7o de 2020, um novo magnetar chamado Swift J1818.0-1607 (J1818 para abreviar) foi descoberto depois de ter emitido uma brilhante explos\u00e3o de raios-X. Observa\u00e7\u00f5es r\u00e1pidas de acompanhamento detetaram pulsos de r\u00e1dio origin\u00e1rios do magnetar. Curiosamente, a apar\u00eancia dos pulsos de r\u00e1dio de J1818 era bem diferente daqueles vistos noutros magnetares &#8220;barulhentos no r\u00e1dio&#8221;.<br><br>A maioria dos pulsos de r\u00e1dio dos magnetares mant\u00e9m um brilho consistente numa ampla faixa de frequ\u00eancias de observa\u00e7\u00e3o. No entanto, os pulsos de J1818 eram muito mais brilhantes em frequ\u00eancias baixas do que em frequ\u00eancias altas &#8211; semelhante ao que \u00e9 visto nos pulsares, outro tipo comum de estrela de neutr\u00f5es emissora de r\u00e1dio.<br><br>A fim de entender melhor como J1818 iria evoluir ao longo do tempo, uma equipa liderada por cientistas do OzGrav (Centro ARC de Excel\u00eancia para Descoberta de Ondas Gravitacionais) observou-o oito vezes com o radiotelesc\u00f3pio Parkes da CSIRO (tamb\u00e9m conhecido como Murriyang) entre maio e outubro de 2020.<br><br>Durante este tempo, descobriram que o magnetar passou por uma breve crise de identidade: em maio, ainda estava a emitir os pulsos invulgares de pulsar que haviam sido detetados anteriormente; no entanto, em junho come\u00e7ou a piscar entre um estado brilhante e um estado fraco. Este comportamento oscilante atingiu um pico em julho, quando o viram a alternar entre pulsos de r\u00e1dio semelhantes aos dos pulsares e pulsos de r\u00e1dio semelhantes aos dos magnetares.<br><br>&#8220;Este comportamento bizarro nunca tinha sido visto antes em qualquer outro magnetar &#8216;barulhento no r\u00e1dio&#8217;,&#8221; explica Marcus Lower, autor principal do artigo cient\u00edfico e estudante de doutoramento da Universidade Swinburne\/CSIRO. &#8220;Parece ter sido um fen\u00f3meno de curta dura\u00e7\u00e3o j\u00e1 que, na nossa observa\u00e7\u00e3o seguinte, estabeleceu-se permanentemente neste novo estado semelhante a um magnetar.&#8221;<br><br>Os cientistas tamb\u00e9m procuraram altera\u00e7\u00f5es na forma do pulso e no brilho em diferentes frequ\u00eancias de r\u00e1dio e compararam as suas observa\u00e7\u00f5es com um modelo te\u00f3rico com 50 anos. Este modelo prev\u00ea a geometria esperada de um pulsar, com base na dire\u00e7\u00e3o de tor\u00e7\u00e3o da sua luz polarizada. &#8220;A partir das nossas observa\u00e7\u00f5es, descobrimos que o eixo magn\u00e9tico de J1818 n\u00e3o est\u00e1 alinhado com o seu eixo de rota\u00e7\u00e3o,&#8221; diz Lower.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Em vez disso, o polo magn\u00e9tico emissor de r\u00e1dio parece estar no seu hemisf\u00e9rio sul, localizado logo abaixo do equador. A maioria dos outros magnetares t\u00eam campos magn\u00e9ticos que est\u00e3o alinhados com os seus eixos de rota\u00e7\u00e3o ou s\u00e3o um pouco amb\u00edguos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Esta \u00e9 a primeira vez que vimos definitivamente um magnetar com um polo magn\u00e9tico desalinhado.&#8221; Notavelmente, esta geometria magn\u00e9tica parece ser est\u00e1vel na maioria das observa\u00e7\u00f5es. Isto sugere que quaisquer mudan\u00e7as no perfil do pulso s\u00e3o simplesmente devido \u00e0s varia\u00e7\u00f5es na altura a que os pulsos de r\u00e1dio s\u00e3o emitidos acima da superf\u00edcie da estrela de neutr\u00f5es. No entanto, a observa\u00e7\u00e3o de 1 de agosto de 2020 destaca-se como uma curiosa exce\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O nosso melhor modelo geom\u00e9trico para esta data sugere que o feixe de r\u00e1dio mudou brevemente para um polo magn\u00e9tico completamente diferente localizado no hemisf\u00e9rio norte do magnetar,&#8221; explica Lower. Uma falta distinta de quaisquer mudan\u00e7as na forma do perfil de pulso do magnetar indica que as mesmas linhas de capo magn\u00e9tico que acionam os pulsos de r\u00e1dio &#8220;normais&#8221; tamb\u00e9m devem ser respons\u00e1veis pelos pulsos vistos do outro polo magn\u00e9tico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo sugere que isto s\u00e3o evid\u00eancias de que os pulsos de r\u00e1dio de J1818 t\u00eam origem em &#8220;loops&#8221; de linhas de campo magn\u00e9tico que ligam dois polos pr\u00f3ximos, como aqueles vistos a ligarem os dois polos de um \u00edmane em &#8220;ferradura&#8221; ou em manchas solares no Sol. Isto \u00e9 diferente da maioria das estrelas de neutr\u00f5es comuns, que devem ter polos norte e sul em lados opostos da estrela, que s\u00e3o ligados por um campo magn\u00e9tico em forma de donut.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta configura\u00e7\u00e3o peculiar do campo magn\u00e9tico tamb\u00e9m \u00e9 apoiada por um estudo independente dos pulsos de raios-X de J1818 que foram detetados pelo telesc\u00f3pio NICER a bordo da Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional. Os raios-X parecem vir de uma \u00fanica regi\u00e3o distorcida de linhas de campo magn\u00e9tico que emergem da superf\u00edcie do magnetar ou de duas regi\u00f5es mais pequenas, mas bem espa\u00e7adas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estas descobertas t\u00eam implica\u00e7\u00f5es potenciais para as simula\u00e7\u00f5es de computador de como os magnetares nascem e evoluem durante longos per\u00edodos de tempo, j\u00e1 que as geometrias de campo magn\u00e9tico mais complexas mudar\u00e3o a rapidez com que os seus campos magn\u00e9ticos se devem deteriorar com o tempo. Al\u00e9m disso, as teorias que sugerem que as FRBs (Fast Radio Bursts) podem ter origem nos magnetares ter\u00e3o que levar em conta os pulsos de r\u00e1dio potencialmente origin\u00e1rios de v\u00e1rios locais ativos dentro dos seus campos magn\u00e9ticos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Captar uma invers\u00e3o dos polos magn\u00e9ticos em a\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m pode proporcionar a primeira oportunidade de mapear o campo magn\u00e9tico de um pulsar.<br><br>&#8220;O telesc\u00f3pio Parkes vai continuar a observar atentamente o magnetar durante o pr\u00f3ximo ano,&#8221; diz o cientista e coautor do estudo Simon Johnson, da CSIRO.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.ozgrav.org\/news\/astronomers-spot-bizarre-never-before-seen-activity-from-one-of-the-strongest-magnets-in-the-universe#\" target=\"_blank\">\/\/ OzGrav (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/academic.oup.com\/mnras\/article\/502\/1\/127\/6034003\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2011.12463\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Magnetar:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Magnetar\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/astronomyonline.org\/Stars\/Pulsars.asp\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">AstronomyOnline.org<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Estrelas de neutr\u00f5es:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Neutron_star\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.astro.umd.edu\/~miller\/nstar.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universidade de Maryland<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Pulsares:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Pulsar\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.atnf.csiro.au\/research\/pulsar\/psrcat\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Cat\u00e1logo ATNF de Pulsares<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Radiotelesc\u00f3pio Parkes:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.parkes.atnf.csiro.au\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">CSIRO<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Parkes_Observatory\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Astr\u00f3nomos do OzGrav (Centro ARC de Excel\u00eancia para Descoberta de Ondas Gravitacionais) e da CSIRO (Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation) observaram um comportamento bizarro e nunca antes visto de um magnetar &#8220;barulhento no r\u00e1dio&#8221; &#8211; um tipo raro de estrela de neutr\u00f5es e um dos \u00edmanes mais fortes do Universo. 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