{"id":3881,"date":"2021-02-05T06:24:02","date_gmt":"2021-02-05T06:24:02","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=3881"},"modified":"2021-02-05T06:24:17","modified_gmt":"2021-02-05T06:24:17","slug":"sera-que-a-superficie-de-fobos-pode-revelar-segredos-sobre-o-passado-de-marte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2021\/02\/05\/sera-que-a-superficie-de-fobos-pode-revelar-segredos-sobre-o-passado-de-marte\/","title":{"rendered":"Ser\u00e1 que a superf\u00edcie de Fobos pode revelar segredos sobre o passado de Marte?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma nova investiga\u00e7\u00e3o mostra que a lua marciana Fobos orbita numa corrente de \u00e1tomos e mol\u00e9culas carregadas que fluem da atmosfera do Planeta Vermelho. Muitas destas part\u00edculas carregadas, ou i\u00f5es, de oxig\u00e9nio, carbono, azoto e \u00e1rgon, escapam de Marte h\u00e1 milhares de milh\u00f5es de anos, enquanto o planeta se desfaz da sua atmosfera. De acordo com um artigo cient\u00edfico publicado dia 1 de fevereiro na revista Nature Geoscience, alguns i\u00f5es, preveem os cientistas, est\u00e3o a colidir com a superf\u00edcie de Fobos e podem ser preservados na sua camada superior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isto significa que, se o solo de Fobos fosse analisado em laborat\u00f3rios na Terra, poderia revelar informa\u00e7\u00f5es importantes sobre a evolu\u00e7\u00e3o da atmosfera marciana, dizem os cientistas. Marte j\u00e1 teve uma atmosfera espessa o suficiente para suportar \u00e1gua l\u00edquida \u00e0 sua superf\u00edcie; hoje, \u00e9 menos de 1% t\u00e3o densa quanto a da Terra.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/mars.nasa.gov\/system\/downloadable_items\/38427_Phobos-Mars-Moon-HIRISE-MRO-PIA10368.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1001\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/QStK8BT-1024x1001.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3882\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/QStK8BT-1024x1001.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/QStK8BT-300x293.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/QStK8BT-768x751.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/QStK8BT-1536x1502.jpg 1536w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/QStK8BT-2048x2003.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>Imagem de Fobos obtida no dia 23 de mar\u00e7o de 2008, pelo instrumento HiRISE (High Resolution Imaging Science Experiment) a bordo da sonda MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) da NASA.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech\/Universidade do Arizona<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;N\u00f3s sab\u00edamos que Marte perdeu a sua atmosfera para o espa\u00e7o, e agora sabemos que parte dela acabou em Fobos,&#8221; disse Quentin N\u00e9non, investigador do SSL (Space Sciences Laboratory) na Universidade da Calif\u00f3rnia, Berkeley, autor principal do estudo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fobos \u00e9 uma das duas luas de Marte (a outra chama-se Deimos). Orbita intimamente perto do Planeta Vermelho, cerca de 60 vezes mais perto do que a Lua orbita a Terra, como medido aproximadamente de superf\u00edcie a superf\u00edcie. Deformada, marcada por crateras e 100 vezes mais pequena em di\u00e2metro do que a Lua da Terra, Fobos \u00e9 fonte de grande controv\u00e9rsia entre os cientistas. O mist\u00e9rio \u00e9 saber a origem de Fobos e Deimos. S\u00e3o asteroides capturados pela gravidade marciana ou sat\u00e9lites naturais de Marte que foram formados pela mesma nuvem que produziu o planeta? \u00c9 tamb\u00e9m poss\u00edvel que tenham sido formados a partir dos destro\u00e7os expelidos por Marte quando colidiu com algo, semelhante \u00e0 nossa Lua que se formou depois da Terra ter colidido com um objeto rochoso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A fim de ajudar a resolver o debate, a JAXA (Japan Aerospace Exploration Agency) est\u00e1 a preparar-se para enviar a sonda MMX (Martian Moons Exploration) para Fobos em 2024 a fim de recolher as primeiras amostras da sua superf\u00edcie e envi\u00e1-las para a Terra. Mas essas amostras, observou N\u00e9non, poder\u00e3o revelar muito mais do que a origem de Fobos caso a MMX pousasse no lado vis\u00edvel da lua, o lado que est\u00e1 sempre voltado para Marte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fobos tem bloqueio de mar\u00e9s com Marte, tal como a Lua mostra sempre a mesma face \u00e0 Terra. Como resultado, as rochas no lado vis\u00edvel de Fobos h\u00e1 mil\u00e9nios que s\u00e3o banhadas por \u00e1tomos e mol\u00e9culas marcianas. A investiga\u00e7\u00e3o de N\u00e9non mostra que a camada superior da superf\u00edcie do lado vis\u00edvel de Fobos foi submetida a 20-100 vezes mais i\u00f5es marcianos &#8220;rebeldes&#8221; do que o seu lado oculto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Com uma amostra do lado vis\u00edvel,&#8221; disse N\u00e9non, &#8220;pod\u00edamos ver um arquivo da atmosfera passada de Marte nas camadas mais rasas de gr\u00e3os, enquanto mais profundamente pod\u00edamos ver a composi\u00e7\u00e3o primitiva de Fobos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa de N\u00e9non analisou dados da MAVEN (Mars Atmosphere and Volatile EvolutioN) da NASA para chegar a esta conclus\u00e3o. A MAVEN recolhe dados a partir de \u00f3rbita marciana h\u00e1 mais de seis anos para ajudar os cientistas a descobrir como Marte perdeu a sua atmosfera e para fornecer outras informa\u00e7\u00f5es cient\u00edficas sobre a evolu\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica do planeta. Dado que a espa\u00e7onave cruzou a \u00f3rbita de Fobos cerca de cinco vezes por cada dia terrestre enquanto orbitava Marte durante a sua miss\u00e3o principal, N\u00e9non e colegas descobriram que podiam usar as medi\u00e7\u00f5es da MAVEN para aprender mais sobre Fobos, especialmente tendo em conta que \u00e9 o alvo da pr\u00f3xima miss\u00e3o MMX.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eles contaram com o instrumento STATIC (Suprathermal and Thermal Ion Composition) da MAVEN para medir os i\u00f5es marcianos na \u00f3rbita de Fobos. O STATIC mede a energia cin\u00e9tica e a velocidade das part\u00edculas. Isto permite que os cientistas calculem a sua massa. Com base nas diferentes massas dos i\u00f5es medidos, o STATIC determinou quais as part\u00edculas que vieram de Marte em vez do Sol. O Sol tamb\u00e9m emite i\u00f5es destruidores de atmosferas, embora predominantemente com massa muito mais baixa. Os cientistas ent\u00e3o estimaram quantos i\u00f5es podiam chegar \u00e0 superf\u00edcie de Fobos e qu\u00e3o profundamente seriam implantados (n\u00e3o mais do que v\u00e1rias centenas de nan\u00f3metros, cerca de 250 vezes menos espesso do que um cabelo humano).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O que Quentin fez foi pegar nas investiga\u00e7\u00f5es que fizemos na Lua e em outras luas do Sistema Solar e aplicou pela primeira vez os mesmos m\u00e9todos a Fobos,&#8221; disse Andrew Poppe, cientista associado do SSL e coautor do artigo sobre Fobos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De facto, o estudo das luas para aprender mais sobre os seus planetas \u00e9 uma pr\u00e1tica comum. A Lua da Terra, por exemplo, sem atmosfera, sem vento ou \u00e1gua para &#8220;apagar&#8221; pistas antigas da sua superf\u00edcie, \u00e9 considerada pelos cientistas como o arquivo mais bem preservado que temos do in\u00edcio do Sistema Solar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O que vimos nas amostras das Apollo \u00e9 que a Lua tem registado pacientemente \u00e1tomos individuais vindos do Sol e da Terra,&#8221; disse Poppe. &#8220;\u00c9 um registo hist\u00f3rico muito importante.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os cientistas esperam que mais amostras da superf\u00edcie da Lua nos informem sobre a antiga atmosfera ou sobre o campo magn\u00e9tico primitivo da Terra. Poppe, cujos colegas de Berkeley projetaram e constru\u00edram o instrumento STATIC, disse que se perguntava se a superf\u00edcie de Fobos seria capaz de revelar informa\u00e7\u00f5es sobre o in\u00edcio de Marte, quando o planeta parece ter sido quente e h\u00famido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De modo que quando se viu, h\u00e1 v\u00e1rios anos, sem servi\u00e7o de internet no laborat\u00f3rio, &#8220;fui for\u00e7ado a conversar com os meus colegas durante uma pausa para caf\u00e9 porque n\u00e3o t\u00ednhamos nada melhor para fazer,&#8221; disse Poppe. Ele perguntou-lhes se Fobos podia ser submetido a i\u00f5es marcianos como a Lua da Terra \u00e9 frequentemente sujeita a part\u00edculas oriundas da Terra. &#8220;Voc\u00eas t\u00eam alguma evid\u00eancia disto?&#8221;, perguntou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nunca ningu\u00e9m havia investigado isto, e assim sendo Poppe fez alguns modelos de computador que indicavam que estava no caminho certo. Quando N\u00e9non se juntou em 2019 ao SSL, ofereceu-se para examinar os dados da MAVEN a fim de descobrir se o modelo de Poppe estava certo. E afinal estava. &#8220;Esperamos que esta descoberta tenha um impacto nas atividades cient\u00edficas da miss\u00e3o MMX,&#8221; disse N\u00e9non.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"MAVEN: Science Orbit\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/uooE79awXRk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/feature\/goddard\/2021\/could-the-surface-of-phobos-reveal-secrets-of-the-martian-past\" target=\"_blank\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41561-020-00682-0\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature Geoscience)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Marte:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mars_%28planet%29\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Atmosphere_of_Mars\" target=\"_blank\">Atmosfera de Marte (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Fobos:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Phobos_%28moon%29\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Deimos:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Deimos_(moon)\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>MAVEN:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/maven\/main\/#.UnJoWfm-2G4\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/mars.jpl.nasa.gov\/maven\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA &#8211; 2<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/MAVEN\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>MMX (Martian Moons eXploration):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/mmx.isas.jaxa.jp\/en\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">JAXA<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Martian_Moons_Exploration\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma nova investiga\u00e7\u00e3o mostra que a lua marciana Fobos orbita numa corrente de \u00e1tomos e mol\u00e9culas carregadas que fluem da atmosfera do Planeta Vermelho. 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