{"id":3866,"date":"2021-01-29T06:19:55","date_gmt":"2021-01-29T06:19:55","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=3866"},"modified":"2021-01-29T06:19:57","modified_gmt":"2021-01-29T06:19:57","slug":"medicoes-da-luz-intraenxame-sugerem-possivel-ligacao-com-a-materia-escura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2021\/01\/29\/medicoes-da-luz-intraenxame-sugerem-possivel-ligacao-com-a-materia-escura\/","title":{"rendered":"Medi\u00e7\u00f5es da luz intraenxame sugerem poss\u00edvel liga\u00e7\u00e3o com a mat\u00e9ria escura"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma combina\u00e7\u00e3o de dados observacionais e simula\u00e7\u00f5es sofisticadas de computador deu passos em frente num campo da astrof\u00edsica com poucos avan\u00e7os no \u00faltimo meio s\u00e9culo. O DES (Dark Energy Survey), com sede no Laborat\u00f3rio Nacional do Acelerador Fermi do Departamento de Energia dos EUA, publicou uma s\u00e9rie de novos resultados sobre o que \u00e9 chamado de ICL (&#8220;intracluster light&#8221;, luz intraenxame em portugu\u00eas), um tipo t\u00e9nue de luz encontrada dentro de enxames gal\u00e1cticos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A primeira vaga de novas medi\u00e7\u00f5es precisas da ICL apareceu num artigo publicado na revista The Astrophysical Journal em abril de 2019. Outro apareceu mais recentemente na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. Numa descoberta surpreendente deste \u00faltimo trabalho, os f\u00edsicos do DES descobriram novas evid\u00eancias de que a ICL pode fornecer uma nova maneira de medir uma subst\u00e2ncia misteriosa chamada mat\u00e9ria escura.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/i.imgur.com\/pb2tUSk.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"464\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/pb2tUSk-1024x464.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3867\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/pb2tUSk-1024x464.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/pb2tUSk-300x136.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/pb2tUSk-768x348.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/pb2tUSk-1536x697.jpg 1536w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/pb2tUSk.jpg 1958w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>\u00c0 esquerda temos uma imagem simulada na qual a luz intraenxame \u00e9 vis\u00edvel como uma neblina difusa entre picos discretos de brilho &#8211; as gal\u00e1xias. Em observa\u00e7\u00f5es, como as da direita, esta componente de luz intraenxame \u00e9 amplamente abafada pelo ru\u00eddo.<br>Cr\u00e9dito: esquerda &#8211; Jesse Golden-Marx; simula\u00e7\u00e3o por The IllustrisTNG; direita &#8211; DES e Yuanyuan Zhang<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A fonte da ICL parece ser estrelas errantes, aquelas que n\u00e3o est\u00e3o gravitacionalmente ligadas a nenhuma gal\u00e1xia. H\u00e1 muito que se suspeita que a ICL seja um componente significativo dos enxames de gal\u00e1xias, mas o seu brilho fraco torna-a dif\u00edcil de medir. Ningu\u00e9m sabe quanto existe ou at\u00e9 que ponto se espalhou pelos enxames gal\u00e1cticos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Observacionalmente, descobrimos que a luz intraenxame \u00e9 um marcador radial muito bom da mat\u00e9ria escura. Isto significa que a luz intraenxame \u00e9 relativamente brilhante, a mat\u00e9ria escura \u00e9 relativamente densa,&#8221; disse Yuanyuan Zhang, cientista do Fermilab que liderou ambos os estudos. &#8220;Apenas medir a pr\u00f3pria ICL \u00e9 excitante. A parte da mat\u00e9ria escura \u00e9 uma descoberta fortuita. N\u00e3o \u00e9 o que esper\u00e1vamos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora invis\u00edvel, a mat\u00e9ria escura \u00e9 respons\u00e1vel pela maior parte da mat\u00e9ria no Universo. Em que consiste a mat\u00e9ria escura \u00e9 um dos maiores mist\u00e9rios da cosmologia moderna. Os cientistas sabem apenas que difere muito da mat\u00e9ria normal que consiste dos prot\u00f5es, neutr\u00f5es e eletr\u00f5es que dominam a vida quotidiana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas a ICL, n\u00e3o a mat\u00e9ria escura, estava inicialmente na agenda da equipa de investiga\u00e7\u00e3o. A maioria dos astrof\u00edsicos mede a luz intraenxame no centro de um enxame de gal\u00e1xias, onde \u00e9 mais brilhante e abundante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;N\u00f3s fomos para muito longe dos centros dos enxames gal\u00e1cticos, onde a luz \u00e9 muito fraca,&#8221; disse Zhang. &#8220;E quanto mais nos afast\u00e1vamos do centro, mais dif\u00edcil se tornava a medi\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, os colaboradores do DES conseguiram obter a medi\u00e7\u00e3o da ICL mais radialmente estendida de todos os tempos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa usou lentes gravitacionais fracas para comparar a distribui\u00e7\u00e3o radial da ICL &#8211; como muda com a dist\u00e2ncia ao centro de um enxame &#8211; com a distribui\u00e7\u00e3o radial da massa de um enxame de gal\u00e1xias. A lente fraca \u00e9 um m\u00e9todo sens\u00edvel \u00e0 mat\u00e9ria escura para medir a massa de uma gal\u00e1xia ou enxame. Ocorre quando a gravidade de uma estrela ou enxame em primeiro plano desvia a luz de uma gal\u00e1xia mais distante, distorcendo a sua forma aparente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Descobriu-se observacionalmente que a ICL reflete a distribui\u00e7\u00e3o tanto da massa vis\u00edvel total de um enxame gal\u00e1ctico quanto, possivelmente, a distribui\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria escura invis\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;N\u00e3o esper\u00e1vamos encontrar uma liga\u00e7\u00e3o t\u00e3o \u00edntima entre estas distribui\u00e7\u00f5es radiais, mas encontr\u00e1mos,&#8221; disse Hillysson Sampaio-Santos, autor principal do novo artigo cient\u00edfico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Comparando observa\u00e7\u00f5es com simula\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para obter mais informa\u00e7\u00f5es, a equipa usou uma sofisticada simula\u00e7\u00e3o de computador para estudar a rela\u00e7\u00e3o entre a ICL e a mat\u00e9ria escura. Descobriram que os perfis radiais entre os dois fen\u00f3menos na simula\u00e7\u00e3o n\u00e3o estavam de acordo com os dados observacionais. Na simula\u00e7\u00e3o, &#8220;o perfil radial da ICL n\u00e3o era o melhor componente para rastrear a mat\u00e9ria escura,&#8221; disse Sampaio-Santos, do Observat\u00f3rio Nacional no Rio de Janeiro, Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Zhang observou que \u00e9 muito cedo para dizer exatamente o que causou o conflito entre observa\u00e7\u00e3o e simula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Se a simula\u00e7\u00e3o n\u00e3o tivesse dado certo, podia significar que a luz intraenxame simulada \u00e9 produzida num momento ligeiramente diferente do que nas observa\u00e7\u00f5es. As estrelas simuladas n\u00e3o tiveram tempo suficiente para vaguear e come\u00e7ar a tra\u00e7ar a mat\u00e9ria escura,&#8221; acrescentou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sampaio-Santos observou que mais estudos da ICL podem fornecer informa\u00e7\u00f5es sobre a din\u00e2mica que ocorre dentro dos enxames de gal\u00e1xias, incluindo intera\u00e7\u00f5es que libertam gravitacionalmente algumas das suas estrelas, permitindo-lhes vaguear.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Estou a planear estudar a luz intraenxame e os efeitos do relaxamento,&#8221; ou desta liberta\u00e7\u00e3o, disse. Por exemplo, alguns enxames fundiram-se. Estes enxames fundidos devem ter luz intraenxame com propriedades diferentes da ICL comparada com enxames &#8220;relaxados&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Melhorando os sinais em conjuntos de dados ruidosos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ICL que a equipa mediu \u00e9 cerca de cem a mil vezes mais t\u00e9nue do que a que os cientistas do DES normalmente tentam medir. Isto significa que a equipa teve que lidar com muito ru\u00eddo e contamina\u00e7\u00e3o no sinal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O aspeto t\u00e9cnico da proeza foi desafiador, disse Zhang, &#8220;mas como t\u00ednhamos muitos dados do DES, conseguimos cancelar muito ru\u00eddo para fazer este tipo de medi\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma m\u00e9dia estat\u00edstica.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os astrof\u00edsicos normalmente fazem medi\u00e7\u00f5es da ICL usando um punhado de enxames gal\u00e1cticos de cada vez.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Esta \u00e9 uma \u00f3tima maneira de obter informa\u00e7\u00f5es sobre os sistemas individuais,&#8221; disse Zhang.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para obter uma imagem maior e para reduzir o ru\u00eddo, a equipa do DES calculou estatisticamente uma m\u00e9dia de 300 enxames de gal\u00e1xias no primeiro estudo e mais de 500 enxames no segundo. Todos eles est\u00e3o a alguns milhares de milh\u00f5es de anos-luz da Terra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para filtrar o sinal do ru\u00eddo de cada enxame s\u00e3o necess\u00e1rios muitos dados, que \u00e9 exatamente o que o DES gerou. No in\u00edcio de 2019, o DES completou a sua miss\u00e3o de seis anos de observar centenas de milh\u00f5es de gal\u00e1xias distantes nos c\u00e9us do hemisf\u00e9rio sul e publicou este m\u00eas o seu segundo lan\u00e7amento de dados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As medi\u00e7\u00f5es da ICL sondam enxames que est\u00e3o at\u00e9 3,3 mil milh\u00f5es de anos-luz da Terra. Em estudos futuros, Zhang gostaria de estudar a evolu\u00e7\u00e3o do desvio para o vermelho da ICL &#8211; como muda com o tempo c\u00f3smico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O meu sonho \u00e9 chegar ao desvio para o vermelho &#8216;um&#8217; &#8211; 10 mil milh\u00f5es de anos-luz,&#8221; comentou Zhang. &#8220;Os estudos dizem que \u00e9 quando a ICL come\u00e7a a evoluir.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Indo t\u00e3o longe permitiria com que os cientistas vissem a constru\u00e7\u00e3o da ICL ao longo do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Mas isto \u00e9 incrivelmente dif\u00edcil porque est\u00e1 tr\u00eas vezes mais longe do que a dist\u00e2ncia das nossas \u00faltimas medi\u00e7\u00f5es, de modo que tudo a\u00ed ser\u00e1 extremamente t\u00e9nue,&#8221; concluiu.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Intracluster light\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/1PKp_CRFhdk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/news.fnal.gov\/2021\/01\/precision-measurements-of-intracluster-light-suggest-possible-link-to-dark-matter\/\" target=\"_blank\">\/\/ Fermilab (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/academic.oup.com\/mnras\/article-abstract\/501\/1\/1300\/6006897?redirectedFrom=fulltext\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2005.12275\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-4357\/ab0dfd\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico de abril de 2019 (The Astrophysical Journal)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/1812.04004\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico de abril de 2019 (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.eurekalert.org\/pub_releases\/2021-01\/dnal-pmo012721.php\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">EurekAlert!<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2021-01-precision-intracluster-link-dark.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Mat\u00e9ria escura:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Dark_matter\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Lentes gravitacionais:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gravitational_lensing\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Weak_gravitational_lensing\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lente gravitacional fraca (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Colabora\u00e7\u00e3o DES:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.darkenergysurvey.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/The_Dark_Energy_Survey\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma combina\u00e7\u00e3o de dados observacionais e simula\u00e7\u00f5es sofisticadas de computador deu passos em frente num campo da astrof\u00edsica com poucos avan\u00e7os no \u00faltimo meio s\u00e9culo. 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