{"id":3863,"date":"2021-01-29T06:17:22","date_gmt":"2021-01-29T06:17:22","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=3863"},"modified":"2021-01-29T06:17:23","modified_gmt":"2021-01-29T06:17:23","slug":"explicacao-alternativa-para-a-formacao-do-sistema-solar-teve-duas-etapas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2021\/01\/29\/explicacao-alternativa-para-a-formacao-do-sistema-solar-teve-duas-etapas\/","title":{"rendered":"Explica\u00e7\u00e3o alternativa para a forma\u00e7\u00e3o do Sistema Solar: teve duas etapas"},"content":{"rendered":"\n<p>Planetas terrestres vs. gigantes de g\u00e1s e gelo: uma nova teoria que explica porque \u00e9 que o Sistema Solar interior \u00e9 t\u00e3o diferente das regi\u00f5es exteriores vai contra a sabedoria predominante. A teoria foi proposta por um grupo internacional de investigadores.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"535\" height=\"293\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/JliVzeu.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3864\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/JliVzeu.jpg 535w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/JliVzeu-300x164.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 535px) 100vw, 535px\" \/><figcaption>A forma\u00e7\u00e3o do Sistema Solar em duas popula\u00e7\u00f5es planet\u00e1rias distintas. Os protoplanetas terrestres internos acretaram mais cedo, os planetas do Sistema Solar exterior come\u00e7aram a acretar mais tarde.<br>Cr\u00e9dito: Mark A. Garlick\/markgarlick.com<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Merc\u00fario, V\u00e9nus, a Terra e Marte no Sistema Solar interior s\u00e3o planetas relativamente pequenos e secos, ao contr\u00e1rio de J\u00fapiter, Saturno, \u00darano e Neptuno nas regi\u00f5es exteriores, planetas que cont\u00eam quantidades muito maiores de elementos vol\u00e1teis. &#8220;Nos \u00faltimos anos, tamb\u00e9m descobrimos outra grande diferen\u00e7a entre as duas partes do Sistema Solar,&#8221; diz Maria Sch\u00f6nb\u00e4chler, professora no Instituto de Geoqu\u00edmica e Petrologia da Universidade de Zurique, continuando: &#8220;Os meteoritos t\u00eam uma &#8216;impress\u00e3o digital&#8217; diferente dependendo se tiveram origem no Sistema Solar interior ou exterior.&#8221; A sua origem determina o conte\u00fado isot\u00f3pico dos meteoritos. Os is\u00f3topos s\u00e3o \u00e1tomos distintos de um determinado elemento, que partilham o mesmo n\u00famero de prot\u00f5es nos seus n\u00facleos, mas variam no n\u00famero de neutr\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A explica\u00e7\u00e3o atual para as diferen\u00e7as na composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica dos planetas e meteoritos \u00e9 a seguinte: h\u00e1 4,5 mil milh\u00f5es de anos, \u00e0 medida que o Sistema Solar se formava a partir de um disco de g\u00e1s e poeira, o planeta J\u00fapiter foi o primeiro a desenvolver-se. Este dividiu o disco numa regi\u00e3o interna e noutra externa e bloqueou a troca de materiais entre as duas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Como um grupo de investigadores, colaborando numa s\u00e9rie de disciplinas, desenvolvemos um novo modelo de forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria. Fornece uma explica\u00e7\u00e3o alternativa para as diferen\u00e7as nos is\u00f3topos, e J\u00fapiter n\u00e3o desempenha um papel,&#8221; explica Sch\u00f6nb\u00e4chler. A ideia da nova teoria surgiu por meio da colabora\u00e7\u00e3o entre cientistas do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique e da Universidade de Zurique no NCCR (National Centre of Competence in Research) PlanetS, da qual Sch\u00f6nb\u00e4chler faz parte. Agora, a equipa internacional publicou o seu trabalho na revista Science.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Duas ondas de forma\u00e7\u00e3o em diferentes pontos no tempo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Us\u00e1mos simula\u00e7\u00f5es de computador para calcular o que podia ter acontecido no in\u00edcio do Sistema Solar,&#8221; diz Tim Lichtenberg da Universidade de Oxford, autor principal do estudo e ex-membro do NCCR PlanetS, que fez o seu doutoramento no Instituto Federal de Tecnologia de Zurique.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com estas simula\u00e7\u00f5es, o Sistema Solar interior e o Sistema Solar exterior foram formados em duas ondas separadas e em dois momentos diferentes. Muito cedo, quando o disco original de poeira e g\u00e1s, bem como o Sol, ainda estavam a formar-se, surgiram os primeiros blocos de constru\u00e7\u00e3o dos planetas interiores &#8211; os especialistas referem-se a estas pe\u00e7as, que medem cerca de 100 km, como planetesimais. Aqui a chamada linha da neve desempenha um papel fundamental, que se formou a uma certa dist\u00e2ncia do Sol ainda muito jovem. Dentro desta linha da neve, a \u00e1gua existia como vapor, enquanto a \u00e1gua para l\u00e1 transformava-se em cristais de gelo. Logo do lado de fora da linha da neve, parte do vapor de \u00e1gua condensou-se em gr\u00e3os de poeira, que se agregaram para formar os primeiros planetesimais.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Estes eram extremamente ricos em \u00e1gua,&#8221; explica Lichtenberg, acrescentando: &#8220;Isto \u00e9 uma grande surpresa, porque significa que a Terra deveria ter retido muito mais \u00e1gua e, portanto, hoje deveria parecer-se mais com um cometa.&#8221; Aqui, tamb\u00e9m, a nova teoria fornece uma explica\u00e7\u00e3o: o disco de poeira continha o is\u00f3topo radioativo alum\u00ednio-26, que os blocos de constru\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria herdaram. Tem uma meia-vida de 700.000 anos e liberta uma grande quantidade de energia \u00e0 medida que se decomp\u00f5e &#8211; o suficiente para aquecer planetesimais por dentro e derret\u00ea-los. Isto levou \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de n\u00facleos de ferro e \u00e0 evapora\u00e7\u00e3o da \u00e1gua e de outros elementos vol\u00e1teis.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Linha da neve moveu-se para fora<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;No nosso modelo, depois da forma\u00e7\u00e3o dos primeiros planetesimais no Sistema Solar interior, nada aconteceu durante cerca de meio milh\u00e3o de anos,&#8221; explica Lichtenberg. Surgiu ent\u00e3o uma segunda onda de forma\u00e7\u00e3o planetesimal, s\u00f3 que desta vez no Sistema Solar exterior. Com o aquecimento do disco de g\u00e1s e poeira, a linha da neve moveu-se para fora, e as part\u00edculas de poeira que se moviam em dire\u00e7\u00e3o ao Sol ficaram retidas na nova fronteira. Os investigadores descrevem-na como um &#8220;engarrafamento&#8221;, que deu origem a novos planetesimais. &#8220;A forma\u00e7\u00e3o dos planetas no Sistema Solar exterior come\u00e7ou mais tarde, mas tamb\u00e9m terminou mais depressa; os planetas interiores precisaram de muito mais tempo,&#8221; acrescentou Lichtenberg. Dado que o segundo processo come\u00e7ou mais tarde, uma grande parte do alum\u00ednio-26 radioativo j\u00e1 havia deca\u00eddo, o que significa que uma quantidade mais pequena de elementos vol\u00e1teis evaporou. Como resultado, a regi\u00e3o externa viu a forma\u00e7\u00e3o de gigantes de g\u00e1s e gelo como J\u00fapiter, Saturno ou \u00darano.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nova combina\u00e7\u00e3o de dados atuais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O nosso modelo tamb\u00e9m lan\u00e7a uma nova luz sobre o crescimento dos planetesimais originais no Sistema Solar interior, que continuaram at\u00e9 formar os planetas terrestres como a nossa Terra,&#8221; diz Sch\u00f6nb\u00e4chler. De acordo com o modelo, a fase inicial foi dominada por colis\u00f5es entre os planetesimais. Mais tarde, a gravidade destes corpos fez com que atra\u00edssem e acumulassem part\u00edculas de poeira num processo que os especialistas chamam de &#8220;acre\u00e7\u00e3o de seixos&#8221;. Seguiu-se outra fase de colis\u00f5es at\u00e9 ao fim do processo de forma\u00e7\u00e3o da Terra, quando colidiu com um \u00faltimo grande peda\u00e7o. Este impacto fez com que o jovem planeta ejetasse material que acabou por formar a Lua. As simula\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m ilustram como os planetas migraram para mais perto do Sol \u00e0 medida que se formavam, antes de se estabelecerem nas \u00f3rbitas que vemos hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;No nosso estudo, propomos um cen\u00e1rio geral que reproduz a composi\u00e7\u00e3o e a hist\u00f3ria da forma\u00e7\u00e3o do Sistema Solar,&#8221; diz Lichtenberg. E, de facto, os c\u00e1lculos de computador correspondem aos dados de an\u00e1lises de meteoritos e observa\u00e7\u00f5es astron\u00f3micas. &#8220;Esta combina\u00e7\u00e3o de dados atuais de meteoritos e modelos de desenvolvimento \u00e9 nova,&#8221; diz Sch\u00f6nb\u00e4chler, &#8220;e estou encantada com a forma como tudo se alinha.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www2.physics.ox.ac.uk\/news\/2021\/01\/21\/solar-system-formation-in-two-steps\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Oxford (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/ethz.ch\/en\/news-and-events\/eth-news\/news\/2021\/01\/how-our-planets-were-formed.html\" target=\"_blank\">\/\/ ETH Zurique (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.en.uni-muenchen.de\/news\/newsarchiv\/2021\/drazkowska_solarsystem.html\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Munique (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/science.sciencemag.org\/content\/371\/6527\/365\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Science)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2101.08571\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p><strong>Sistema Solar:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Solar_System\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Forma\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o do Sistema Solar:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Future_solar_system\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Meteoritos:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Meteorite\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Planetas terrestres vs. gigantes de g\u00e1s e gelo: uma nova teoria que explica porque \u00e9 que o Sistema Solar interior \u00e9 t\u00e3o diferente das regi\u00f5es exteriores vai contra a sabedoria predominante. 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