{"id":3813,"date":"2021-01-12T06:43:41","date_gmt":"2021-01-12T06:43:41","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=3813"},"modified":"2021-01-12T06:44:00","modified_gmt":"2021-01-12T06:44:00","slug":"3813","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2021\/01\/12\/3813\/","title":{"rendered":"Listrada ou com manchas? Encontrados ventos e correntes na an\u00e3 castanha mais pr\u00f3xima"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma equipa de investiga\u00e7\u00e3o liderada pela Universidade do Arizona encontrou bandas e listras na an\u00e3 castanha mais pr\u00f3xima da Terra, sugerindo processos que agitam a atmosfera da an\u00e3 castanha por dentro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As an\u00e3s castanhas s\u00e3o objetos celestes misteriosos que n\u00e3o s\u00e3o exatamente estrelas nem planetas. S\u00e3o aproximadamente do tamanho de J\u00fapiter, mas normalmente dezenas de vezes mais massivas. Ainda assim, s\u00e3o menos massivas do que as estrelas mais pequenas, de modo que os seus n\u00facleos n\u00e3o t\u00eam press\u00e3o suficiente para fundir \u00e1tomos como as estrelas. Ficam quentes quando se formam e gradualmente arrefecem, t\u00eam brilho fraco e diminuem lentamente [de brilho] ao longo das suas vidas, o que as torna dif\u00edceis de encontrar. Nenhum telesc\u00f3pio pode ver claramente a atmosfera destes objetos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/i.imgur.com\/4X4Owwh.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/4X4Owwh-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3814\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/4X4Owwh-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/4X4Owwh-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/4X4Owwh-768x432.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/4X4Owwh.jpg 1140w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>Usando medi\u00e7\u00f5es altamente precisas do brilho obtidas pelo telesc\u00f3pio espacial TESS da NASA, astr\u00f3nomos descobriram que a atmosfera da an\u00e3 castanha pr\u00f3xima, Luhman 16B, \u00e9 dominada por ventos globais velozes parecidos com as correntes da Terra. Esta circula\u00e7\u00e3o global determina como as nuvens s\u00e3o distribu\u00eddas na atmosfera da an\u00e3 castanha, dando-lhe um aspeto listrado.<br>Cr\u00e9dito: Daniel Apai<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;N\u00f3s pergunt\u00e1mo-nos se as an\u00e3s castanhas se parecem com J\u00fapiter, com as suas bandas regulares formadas por grandes jatos paralelos e longitudinais, ou se s\u00e3o dominadas por um padr\u00e3o em constante mudan\u00e7a de tempestades gigantescas conhecidas como v\u00f3rtices como aqueles encontrados nos polos de J\u00fapiter,&#8221; disse Daniel Apai, investigador na Universidade do Arizona, professor associado no Departamento de Astronomia, no Observat\u00f3rio Stewart e no Laborat\u00f3rio Lunar e Planet\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apai \u00e9 o autor principal de um novo estudo publicado a semana passada na revista The Astrophysical Journal que busca responder a esta pergunta usando uma nova t\u00e9cnica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ele e a sua equipa descobriram que as an\u00e3s castanhas se parecem muito com J\u00fapiter. Os padr\u00f5es na atmosfera revelam ventos velozes que correm paralelos ao equador das an\u00e3s castanhas. Estes ventos est\u00e3o a misturar as atmosferas, redistribuindo o calor que emerge do interior quente das an\u00e3s castanhas. Al\u00e9m disso, tal como J\u00fapiter, os v\u00f3rtices dominam as regi\u00f5es polares.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Alguns modelos atmosf\u00e9ricos previram este padr\u00e3o atmosf\u00e9rico, disse Apai, incluindo modelos do falecido Adam Showman, professor do Laborat\u00f3rio Lunar e Planet\u00e1rio da Universidade do Arizona e l\u00edder em modelos atmosf\u00e9ricos das an\u00e3s castanhas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Os padr\u00f5es de vento e a circula\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica em grande escala muitas vezes t\u00eam efeitos profundos nas atmosferas planet\u00e1rias, desde o clima da Terra at\u00e9 ao aspeto de J\u00fapiter, e agora sabemos que estes jatos atmosf\u00e9ricos de grande escala tamb\u00e9m moldam as atmosferas das an\u00e3s castanhas,&#8221; disse Apai, cujos coautores do artigo incluem Luigi Bedin e Domenico Nardiello do Observat\u00f3rio Astron\u00f3mico de Padua, este \u00faltimo que tamb\u00e9m est\u00e1 afiliado ao Laborat\u00f3rio de Astrof\u00edsica de Marselha, na Fran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Saber como os ventos sopram e redistribuem o calor numa das an\u00e3s castanhas mais bem estudadas e mais pr\u00f3ximas ajuda-nos a entender os climas, os extremos de temperatura e a evolu\u00e7\u00e3o das an\u00e3s castanhas em geral,&#8221; disse Apai.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O grupo de Apai na Universidade do Arizona \u00e9 l\u00edder mundial no mapeamento das atmosferas das an\u00e3s castanhas e planetas para l\u00e1 do nosso Sistema Solar usando telesc\u00f3pios espaciais e um novo m\u00e9todo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa usou o TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite), um telesc\u00f3pio espacial da NASA, para estudar as duas an\u00e3s castanhas mais pr\u00f3ximas da Terra. A apenas 6,5 anos-luz de dist\u00e2ncia, as an\u00e3s castanhas s\u00e3o chamadas Luhman 16 A e B. Embora ambas tenham aproximadamente o mesmo tamanho de J\u00fapiter, ambas s\u00e3o mais densas e, portanto, cont\u00eam mais massa. Luhman 16 A tem cerca de 34 vezes a massa de J\u00fapiter, e Luhman 16 B &#8211; que foi o objeto principal do estudo de Apai &#8211; tem cerca de 28 vezes a massa de J\u00fapiter e \u00e9 cerca de 800\u00ba C mais quente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O telesc\u00f3pio espacial TESS, embora constru\u00eddo para ca\u00e7ar exoplanetas, tamb\u00e9m forneceu este conjunto de dados incrivelmente rico e excitante sobre a an\u00e3 castanha mais pr\u00f3xima,&#8221; explicou Apai. &#8220;Com algoritmos avan\u00e7ados desenvolvidos por membros da nossa equipa, fomos capazes de obter medi\u00e7\u00f5es muito precisas das mudan\u00e7as de brilho conforme as duas an\u00e3s castanhas giravam. As an\u00e3s castanhas ficam mais brilhantes quando as regi\u00f5es atmosf\u00e9ricas mais brilhantes giram para o nosso ponto de vista e mais escuras quando giram para fora de vista.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dado que o telesc\u00f3pio espacial fornece medi\u00e7\u00f5es extremamente precisas e n\u00e3o \u00e9 interrompido pela luz do dia, a equipa recolheu mais rota\u00e7\u00f5es do que nunca, fornecendo a vis\u00e3o mais detalhada da circula\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica de uma an\u00e3 castanha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Nenhum telesc\u00f3pio \u00e9 grande o suficiente para fornecer imagens detalhadas de planetas ou de an\u00e3s castanhas,&#8221; disse Apai. &#8220;Mas, medindo como o brilho destes objetos girat\u00f3rios muda com o tempo, \u00e9 poss\u00edvel criar mapas grosseiros das suas atmosferas &#8211; uma t\u00e9cnica que, no futuro, tamb\u00e9m poder\u00e1 ser usada para mapear planetas semelhantes \u00e0 Terra noutros sistemas planet\u00e1rios que de outro modo seriam dif\u00edceis de observar.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os resultados dos investigadores mostram que h\u00e1 muita semelhan\u00e7a entre a circula\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica dos planetas do Sistema Solar e as an\u00e3s castanhas. Como resultado, as an\u00e3s castanhas podem servir como an\u00e1logos mais massivos de planetas gigantes existentes para l\u00e1 do nosso Sistema Solar em estudos futuros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O nosso estudo fornece um modelo, para estudos futuros de objetos semelhantes, sobre como explorar &#8211; e at\u00e9 mapear &#8211; as atmosferas das an\u00e3s castanhas e exoplanetas gigantes sem a necessidade de telesc\u00f3pios suficientemente poderosos para os resolver visualmente,&#8221; disse Apai.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa de Apai espera explorar ainda mais as nuvens, sistemas de tempestade e zonas de circula\u00e7\u00e3o presentes nas an\u00e3s castanhas e exoplanetas para aprofundar a nossa compreens\u00e3o das atmosferas para l\u00e1 do Sistema Solar.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Chasing Storms in Brown Dwarfs with NASA\u2019s TESS Exoplanet Hunter Telescope\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/-Td_efOMIBY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/news.arizona.edu\/story\/striped-or-spotted-winds-and-jet-streams-found-closest-brown-dwarf\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade do Arizona (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-4357\/abcb97\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Sistema Luhman 16:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Luhman_16\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/solstation.com\/stars\/wise1049.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Solstation.com<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>An\u00e3s castanhas:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Brown_dwarf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/vision\/universe\/starsgalaxies\/brown_dwarf_detectives.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.darkstar1.co.uk\/ds3.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Andy Lloyd&#8217;s Dark Star Theory<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/tess-transiting-exoplanet-survey-satellite\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/tess.gsfc.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA\/Goddard<\/a><br><a href=\"https:\/\/heasarc.gsfc.nasa.gov\/docs\/tess\/proposing-investigations.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Programa de Investigadores do TESS (HEASARC da NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/archive.stsci.edu\/tess\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">MAST (Arquivo Mikulski para Telesc\u00f3pios Espaciais)<\/a><br><a href=\"https:\/\/exoplanetarchive.ipac.caltech.edu\/cgi-bin\/TblView\/nph-tblView?app=ExoTbls&amp;config=planets&amp;constraint=pl_facility+like+%27%TESS%%27\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Exoplanetas descobertos pelo TESS (NASA Exoplanet Archive)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Transiting_Exoplanet_Survey_Satellite\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma equipa de investiga\u00e7\u00e3o liderada pela Universidade do Arizona encontrou bandas e listras na an\u00e3 castanha mais pr\u00f3xima da Terra, sugerindo processos que agitam a atmosfera da an\u00e3 castanha por dentro. 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