{"id":3810,"date":"2021-01-12T06:40:58","date_gmt":"2021-01-12T06:40:58","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=3810"},"modified":"2021-01-12T06:40:59","modified_gmt":"2021-01-12T06:40:59","slug":"j1818-0-1607-chandra-estuda-magnetar-extraordinario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2021\/01\/12\/j1818-0-1607-chandra-estuda-magnetar-extraordinario\/","title":{"rendered":"J1818.0-1607: Chandra estuda magnetar extraordin\u00e1rio"},"content":{"rendered":"\n<p>Em 2020, os astr\u00f3nomos acrescentaram um novo membro a uma fam\u00edlia exclusiva de objetos ex\u00f3ticos com a descoberta de um magnetar. Novas observa\u00e7\u00f5es do Observat\u00f3rio de raios-X Chandra da NASA ajudam a apoiar a ideia de que \u00e9 tamb\u00e9m um pulsar, o que significa que emite pulsos regulares de luz.<\/p>\n\n\n\n<p>Os magnetares s\u00e3o um tipo de estrela de neutr\u00f5es, um objeto incrivelmente denso composto principalmente de neutr\u00f5es compactados, que se forma a partir do colapso do n\u00facleo de uma estrela massiva durante uma supernova.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/chandra.harvard.edu\/photo\/2021\/j1818\/j1818_inset.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"525\" height=\"525\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/8oMe2MB.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3811\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/8oMe2MB.jpg 525w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/8oMe2MB-300x300.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/8oMe2MB-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 525px) 100vw, 525px\" \/><\/a><figcaption>Amplia\u00e7\u00e3o de J1818.0-1607.<br>Cr\u00e9dito: raios-X &#8211; NASA\/CXC\/Univ. da Virg\u00ednia Ocidental\/H. Blumer; infravermelho (Spitzer e Wise) &#8211; NASA\/JPL-CalTech\/Spitzer<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>O que diferencia os magnetares de outras estrelas de neutr\u00f5es \u00e9 que tamb\u00e9m t\u00eam os campos magn\u00e9ticos mais poderosos conhecidos do Universo. Para fins de contexto, a for\u00e7a do campo magn\u00e9tico do nosso planeta tem um valor de aproximadamente 1 G (gauss), enquanto um im\u00e3 num frigor\u00edfico mede cerca de 100 G. Os magnetares, por outro lado, t\u00eam campos magn\u00e9ticos de cerca de mil bili\u00f5es G. Se um magnetar estivesse localizado a um-sexto do caminho at\u00e9 \u00e0 Lua (cerca de 64.000 quil\u00f3metros), apagaria os dados de todos os cart\u00f5es de cr\u00e9dito na Terra.<\/p>\n\n\n\n<p>No dia 12 de mar\u00e7o de 2020, os astr\u00f3nomos detetaram um novo magnetar com o Telesc\u00f3pio Neil Gehrels Swift da NASA. Este \u00e9 apenas o 31.\u00ba magnetar conhecido, entre cerca de 3000 estrelas de neutr\u00f5es j\u00e1 catalogadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s observa\u00e7\u00f5es de acompanhamento, os investigadores determinaram que este objeto, denominado J1818.0-1607, era especial por outros motivos. Em primeiro lugar, pode ser o magnetar mais jovem conhecido, com uma idade estimada em cerca de 500 anos. Isto baseia-se no ritmo a que a rota\u00e7\u00e3o diminui e na suposi\u00e7\u00e3o de que nasceu a girar muito mais depressa. Em segundo lugar, tamb\u00e9m gira a uma velocidade muito mais elevada do que qualquer outro magnetar descoberto anteriormente, completando uma rota\u00e7\u00e3o a cada 1,4 segundos.<\/p>\n\n\n\n<p>As observa\u00e7\u00f5es de J1818.0-1607 pelo Chandra obtidas menos de um m\u00eas ap\u00f3s a descoberta com o Swift deram aos astr\u00f3nomos a primeira vis\u00e3o de alta resolu\u00e7\u00e3o deste objeto em raios-X. Os dados do Chandra revelaram uma fonte pontual onde o magnetar estava localizado, que \u00e9 cercada por emiss\u00e3o difusa de raios-X, provavelmente provocada por raios-X refletidos na poeira localizada na sua vizinhan\u00e7a (parte desta emiss\u00e3o difusa de raios-X tamb\u00e9m pode ser de ventos que sopram da estrela de neutr\u00f5es).<\/p>\n\n\n\n<p>Harsha Blumer da Universidade da Virg\u00ednia Ocidental e Samar Safi-Harb da Universidade de Manitoba no Canad\u00e1 publicaram recentemente os resultados das observa\u00e7\u00f5es de J1818.0-1607 com o Chandra na revista cient\u00edfica The Astrophysical Journal Letters.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/chandra.harvard.edu\/photo\/2021\/j1818\/j1818_lg.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/aKhAqe2.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>Imagem de campo largo com o magnetar J1818.0-1607 no centro (objeto roxo para onde a seta aponta).<br>Cr\u00e9dito: raios-X &#8211; NASA\/CXC\/Univ. da Virg\u00ednia Ocidental\/H. Blumer; infravermelho (Spitzer e Wise) &#8211; NASA\/JPL-CalTech\/Spitzer<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A imagem composta cont\u00e9m um amplo campo de vis\u00e3o no infravermelho de duas miss\u00f5es da NASA, o Telesc\u00f3pio Espacial Spitzer e o WISE (Wide-Field Infrared Survey Explorer), obtido antes da descoberta do magnetar. Os raios-X do Chandra mostram o magnetar a roxo. O magnetar est\u00e1 localizado perto do plano da Via L\u00e1ctea a uma dist\u00e2ncia de aproximadamente 21.000 anos-luz da Terra.<\/p>\n\n\n\n<p>Outros astr\u00f3nomos tamb\u00e9m observaram J1818.0-1607 com radiotelesc\u00f3pios, como o VLA (Karl Jansky Very Large Array) da NSF, e determinaram que emite ondas de r\u00e1dio. Isto implica que tamb\u00e9m tem propriedades semelhantes \u00e0s de um t\u00edpico &#8220;pulsar movido a rota\u00e7\u00e3o&#8221;, um tipo de estrela de neutr\u00f5es que emite feixes de radia\u00e7\u00e3o que s\u00e3o detetados como pulsos repetidos de emiss\u00e3o \u00e0 medida que gira e desacelera. Apenas cinco magnetares, incluindo este, foram registados a agir tamb\u00e9m como pulsares, constituindo menos de 0,2% da popula\u00e7\u00e3o conhecida de estrelas de neutr\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>As observa\u00e7\u00f5es do Chandra tamb\u00e9m podem fornecer suporte a esta ideia geral. Safi-Harb e Blumer estudaram a efic\u00e1cia a que J1818.0-1607 converte energia, a partir do seu ritmo decrescente de rota\u00e7\u00e3o, em raios-X. Eles conclu\u00edram que esta efici\u00eancia \u00e9 mais baixa do que a encontrada normalmente para magnetares, e provavelmente dentro da gama encontrada para outros pulsares movidos a rota\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Seria expect\u00e1vel que a explos\u00e3o que produziu um magnetar desta idade tivesse deixado para tr\u00e1s um campo de destro\u00e7os detet\u00e1vel. Para pesquisar este remanescente de supernova, Safi-Harb e Blumer analisaram os raios-X do Chandra, os dados infravermelhos do Spitzer e os dados de r\u00e1dio do VLA. Com base nos dados do Spitzer e do VLA, encontraram poss\u00edveis evid\u00eancias de um remanescente, mas a uma dist\u00e2ncia relativamente grande do magnetar. A fim de cobrir essa dist\u00e2ncia, o magnetar precisaria de ter viajado a velocidades muito superiores \u00e0s das estrelas de neutr\u00f5es mais r\u00e1pidas conhecidas, mesmo supondo que seja muito mais antigo do que o esperado, o que permitiria mais tempo de viagem.<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/chandra\/images\/chandra-studies-extraordinary-magnetar.html\" target=\"_blank\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/chandra.harvard.edu\/photo\/2021\/j1818\/\" target=\"_blank\">\/\/ Chandra\/Harvard (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2011.00324\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p><strong>Magnetar:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Magnetar\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/astronomyonline.org\/Stars\/Pulsars.asp\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">AstronomyOnline.org<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Estrelas de neutr\u00f5es:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Neutron_star\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.astro.umd.edu\/~miller\/nstar.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universidade de Maryland<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pulsares:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Pulsar\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.atnf.csiro.au\/research\/pulsar\/psrcat\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Cat\u00e1logo ATNF de Pulsares<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Observat\u00f3rio de raios-X Chandra:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/centers\/marshall\/news\/chandra\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/chandra.harvard.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universidade de Harvard<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Chandra_X-ray_Observatory\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Telesc\u00f3pio Swift:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/swift.gsfc.nasa.gov\/docs\/swift\/swiftsc.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Swift_Gamma-Ray_Burst_Mission\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Spitzer:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/www.spitzer.caltech.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/spitzer\/main\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/ssc.spitzer.caltech.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Centro Espacial Spitzer<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Spitzer_Space_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>WISE:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Wide-field_Infrared_Survey_Explorer\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/neo.jpl.nasa.gov\/stats\/wise\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NEOWISE (NASA)<\/a><br><a href=\"http:\/\/wise.ssl.berkeley.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">U. Berkeley<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>VLA:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.vla.nrao.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"https:\/\/public.nrao.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NRAO<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Very_Large_Array\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2020, os astr\u00f3nomos acrescentaram um novo membro a uma fam\u00edlia exclusiva de objetos ex\u00f3ticos com a descoberta de um magnetar. Novas observa\u00e7\u00f5es do Observat\u00f3rio de raios-X Chandra da NASA ajudam a apoiar a ideia de que \u00e9 tamb\u00e9m um pulsar, o que significa que emite pulsos regulares de luz. 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