{"id":3804,"date":"2021-01-08T06:29:24","date_gmt":"2021-01-08T06:29:24","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=3804"},"modified":"2021-01-08T06:29:26","modified_gmt":"2021-01-08T06:29:26","slug":"nova-imagem-da-luz-mais-antiga-do-universo-fornece-twist-ao-debate-da-idade-do-universo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2021\/01\/08\/nova-imagem-da-luz-mais-antiga-do-universo-fornece-twist-ao-debate-da-idade-do-universo\/","title":{"rendered":"Nova imagem da luz mais antiga do Universo fornece &#8220;twist&#8221; ao debate da idade do Universo"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A partir do alto de uma montanha no deserto do Atacama, no Chile, os astr\u00f3nomos do ACT (Atacama Cosmology Telescope) da NSF (National Science Foundation) observaram novamente a luz mais antiga do Universo. As suas mais recentes observa\u00e7\u00f5es, juntamente com um pouco de geometria c\u00f3smica, sugerem que o Universo tem 13,77 mil milh\u00f5es de anos, +\/- 40 milh\u00f5es de anos.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"450\" height=\"517\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/qTQouWN.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3805\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/qTQouWN.jpg 450w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/qTQouWN-261x300.jpg 261w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><figcaption>Parte de uma nova imagem da luz mais antiga do Universo, obtida pelo ACT (Atacama Cosmology Telescope). Esta sec\u00e7\u00e3o cobre uma sec\u00e7\u00e3o do c\u00e9u com 50 vezes o di\u00e2metro da Lua, representando uma regi\u00e3o do espa\u00e7o com 20 mil milh\u00f5es de anos-luz de largura. A luz, emitida apenas 380.000 anos ap\u00f3s o Big Bang, varia em polariza\u00e7\u00e3o (representada aqui pelas cores mais avermelhadas ou azuladas). Os astrof\u00edsicos usaram o espa\u00e7amento entre estas varia\u00e7\u00f5es para calcular uma nova estimativa da idade do Universo.<br>Cr\u00e9dito: Colabora\u00e7\u00e3o ACT<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A nova estimativa coincide com a fornecida pelo modelo padr\u00e3o do Universo e com as medi\u00e7\u00f5es da mesma radia\u00e7\u00e3o obtidas pelo sat\u00e9lite Planck. Isto acrescenta um novo &#8220;twist&#8221; a um debate em andamento na comunidade astrof\u00edsica, diz Simone Aiola, autor principal de um dos novos artigos cient\u00edficos sobre as descobertas publicados na revista Journal of Cosmology and Astroparticle Physics dia de 30 de dezembro de 2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2019, uma equipa de investiga\u00e7\u00e3o calculou, medindo os movimentos de gal\u00e1xias, que o Universo \u00e9 centenas de milh\u00f5es de anos mais jovem do que a equipa do Planck havia previsto. Essa discrep\u00e2ncia sugeriu que um novo modelo para o Universo podia ser necess\u00e1rio e gerou preocupa\u00e7\u00f5es de que um dos conjuntos de medi\u00e7\u00f5es podia estar incorreto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Agora cheg\u00e1mos a uma resposta em que o Planck e o ACT concordam,&#8221; diz Aiola, investigador no Centro para Astrof\u00edsica Computacional do Instituto Flatiron. &#8220;Atesta ao facto de que estas medi\u00e7\u00f5es dif\u00edceis s\u00e3o confi\u00e1veis.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A idade do Universo tamb\u00e9m revela qu\u00e3o r\u00e1pido o cosmos est\u00e1 a expandir-se, um n\u00famero quantificado pela constante de Hubble. As medi\u00e7\u00f5es do ACT sugerem uma constante de Hubble de 67,6 quil\u00f3metros por segundo por megaparsec. Ou seja, um objeto a 1 megaparsec (cerca de 3,26 milh\u00f5es de anos-luz) da Terra est\u00e1 a afastar-se de n\u00f3s a 67,6 km\/s devido \u00e0 expans\u00e3o do Universo. Este resultado concorda quase exatamente com a estimativa anterior de 67,4 km\/s\/Mpc da equipa do sat\u00e9lite Planck, mas \u00e9 inferior aos 74 km\/s\/Mpc inferidos a partir das medi\u00e7\u00f5es de gal\u00e1xias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Eu n\u00e3o tinha uma prefer\u00eancia particular por nenhum valor espec\u00edfico &#8211; iria ser interessante de uma forma ou de outra,&#8221; diz Steve Choi, investigador na Universidade de Cornell. &#8220;Determin\u00e1mos um ritmo de expans\u00e3o que est\u00e1 de acordo com a estimativa da equipa do sat\u00e9lite Planck. Isto d\u00e1-nos mais confian\u00e7a nas medi\u00e7\u00f5es da luz mais antiga do Universo.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas a discrep\u00e2ncia entre as medi\u00e7\u00f5es sugere que ou h\u00e1 algo em falta no nosso modelo cosmol\u00f3gico ou h\u00e1 algo errado com as medi\u00e7\u00f5es, diz Michael Niemack, coautor dos artigos. Embora v\u00e1rias medi\u00e7\u00f5es do Universo local nos deem uma constante de Hubble consistentemente mais alta, esta \u00e9 a primeira vez que duas medi\u00e7\u00f5es independentes da radia\u00e7\u00e3o c\u00f3smica de fundo em micro-ondas alcan\u00e7am uma constante de Hubble consistentemente mais baixa (a radia\u00e7\u00e3o c\u00f3smica de fundo marca um momento 380.000 anos ap\u00f3s o nascimento do Universo quando prot\u00f5es e eletr\u00f5es se juntaram para formar os primeiros \u00e1tomos. Antes disso, o cosmos era opaco \u00e0 luz).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A tens\u00e3o crescente entre estas medi\u00e7\u00f5es distantes vs. locais da constante de Hubble sugere que podemos estar \u00e0 beira de uma nova descoberta na cosmologia que poder\u00e1 mudar a nossa compreens\u00e3o de como o Universo funciona. Tamb\u00e9m destaca a import\u00e2ncia de melhorar as nossas medi\u00e7\u00f5es da radia\u00e7\u00e3o c\u00f3smica de fundo em micro-ondas com o ACT bem como com o futuro Observat\u00f3rio Simons e com o projeto CCAT-prime que estamos agora a construir,&#8221; diz Niemack, professor associado de f\u00edsica e astronomia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tal como o sat\u00e9lite Planck, o ACT analisa a radia\u00e7\u00e3o c\u00f3smica de fundo, o brilho remanescente do Big Bang.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se os cientistas puderem estimar a dist\u00e2ncia que esta radia\u00e7\u00e3o viajou at\u00e9 chegar \u00e0 Terra, podem calcular a idade do Universo. No entanto, falar \u00e9 f\u00e1cil. Determinar dist\u00e2ncias c\u00f3smicas \u00e9 dif\u00edcil. De modo que os cientistas medem o \u00e2ngulo no c\u00e9u entre dois objetos distantes, com a Terra e os dois objetos formando um tri\u00e2ngulo c\u00f3smico. Se os cientistas tamb\u00e9m conhecerem a separa\u00e7\u00e3o f\u00edsica entre esses objetos, podem usar a geometria do ensino secund\u00e1rio para estimar a dist\u00e2ncia dos objetos \u00e0 Terra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Varia\u00e7\u00f5es subtis no brilho da radia\u00e7\u00e3o c\u00f3smica de fundo em micro-ondas fornecem pontos de ancoragem para formar os outros dois v\u00e9rtices do tri\u00e2ngulo. Essas varia\u00e7\u00f5es na temperatura e polariza\u00e7\u00e3o resultaram de flutua\u00e7\u00f5es qu\u00e2nticas no Universo inicial, que foram amplificadas pela expans\u00e3o do Universo em regi\u00f5es de densidade vari\u00e1vel (as manchas mais densas iriam formar enxames gal\u00e1cticos). Os cientistas t\u00eam uma compreens\u00e3o forte o suficiente dos primeiros anos do Universo para saber que estas varia\u00e7\u00f5es na radia\u00e7\u00e3o c\u00f3smica de fundo deveriam ser tipicamente espa\u00e7adas a cada mil milh\u00f5es de anos em termos de temperatura e metade para polariza\u00e7\u00e3o (para efeitos de escala, a nossa Via L\u00e1ctea tem cerca de 200.000 anos-luz em di\u00e2metro).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ACT mediu as flutua\u00e7\u00f5es na radia\u00e7\u00e3o c\u00f3smica de fundo em micro-ondas numa resolu\u00e7\u00e3o sem precedentes, observando mais detalhadamente a polariza\u00e7\u00e3o da luz. &#8220;O sat\u00e9lite Planck mediu a mesma radia\u00e7\u00e3o, mas ao medir a sua polariza\u00e7\u00e3o com maior fidelidade, a nova imagem do ACT revela mais dos padr\u00f5es mais antigos alguma vez vistos,&#8221; diz Suzanne Staggs, investigadora principal do ACT na Universidade de Princeton.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c0 medida que o ACT continua a fazer observa\u00e7\u00f5es, os astr\u00f3nomos ter\u00e3o uma imagem ainda mais clara da radia\u00e7\u00e3o c\u00f3smica de fundo e uma ideia mais exata de h\u00e1 quanto tempo o cosmos teve in\u00edcio. A equipa do ACT tamb\u00e9m examinar\u00e1 essas observa\u00e7\u00f5es em busca de sinais de f\u00edsica que n\u00e3o se enquadra no modelo cosmol\u00f3gico padr\u00e3o. Uma f\u00edsica t\u00e3o estranha poderia resolver a discord\u00e2ncia entre as previs\u00f5es da idade e ritmo de expans\u00e3o do Universo decorrentes das medi\u00e7\u00f5es da radia\u00e7\u00e3o c\u00f3smica de fundo em micro-ondas e dos movimentos das gal\u00e1xias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/as.cornell.edu\/news\/new-view-natures-oldest-light-adds-twist-debate-over-universes-age\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Cornell (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.1088\/1475-7516\/2020\/12\/045\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico #1 (Journal of Cosmology and Astroparticle Physics)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2007.07289\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico #1 (arXiv.org)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.1088\/1475-7516\/2020\/12\/046\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico #2 (Journal of Cosmology and Astroparticle Physics)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2007.07290\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico #2 (arXiv.org)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.1088\/1475-7516\/2020\/12\/047\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico #3 (Journal of Cosmology and Astroparticle Physics)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2007.07288\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico #3 (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Universo:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Accelerating_expansion_of_the_universe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A expans\u00e3o acelerada do Universo (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Universe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universo (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Age_of_the_universe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Idade do Universo (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Large-scale_structure_of_the_universe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Big_Bang\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Big Bang (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Timeline_of_the_Big_Bang\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Cronologia do Big Bang (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Lambda-CDM_model\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Modelo Lambda-CDM (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ACT (Atacama Cosmology Telescope):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/act.princeton.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal (Universidade de Princeton)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Atacama_Cosmology_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Observat\u00f3rio Planck:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/sci.esa.int\/science-e\/www\/area\/index.cfm?fareaid=17\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA (ci\u00eancia e tecnologia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/planck\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA (centro cient\u00edfico)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/SPECIALS\/Operations\/SEM45HZTIVE_0.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA (p\u00e1gina de opera\u00e7\u00f5es)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/planck\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/pla.esac.esa.int\/pla\/#home\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Arquivo do Legado Planck (ESA)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Planck_(telescope)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A partir do alto de uma montanha no deserto do Atacama, no Chile, os astr\u00f3nomos do ACT (Atacama Cosmology Telescope) da NSF (National Science Foundation) observaram novamente a luz mais antiga do Universo. 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