{"id":3780,"date":"2020-12-25T06:35:15","date_gmt":"2020-12-25T06:35:15","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=3780"},"modified":"2020-12-25T06:35:16","modified_gmt":"2020-12-25T06:35:16","slug":"tempestade-escura-em-neptuno-inverte-direcao-possivelmente-libertando-um-fragmento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2020\/12\/25\/tempestade-escura-em-neptuno-inverte-direcao-possivelmente-libertando-um-fragmento\/","title":{"rendered":"Tempestade escura em Neptuno inverte dire\u00e7\u00e3o, possivelmente libertando um fragmento"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Recorrendo ao Telesc\u00f3pio Espacial Hubble da NASA, os astr\u00f3nomos observaram um misterioso v\u00f3rtice em Neptuno a afastar-se abruptamente de uma prov\u00e1vel morte no gigante planeta azul.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A tempestade, maior do que o Oceano Atl\u00e2ntico, nasceu no hemisf\u00e9rio norte do planeta e foi descoberta pelo Hubble em 2018. As observa\u00e7\u00f5es, um ano depois, mostraram que come\u00e7ou a mover-se para sul em dire\u00e7\u00e3o ao equador, onde estas tempestades devem desaparecer de vista. Para surpresa dos observadores, o Hubble detetou o v\u00f3rtice a mudar de dire\u00e7\u00e3o em agosto de 2020, voltando para norte. Embora o Hubble tenha rastreado manchas escuras semelhantes ao longo dos \u00faltimos 30 anos, este comportamento atmosf\u00e9rico imprevis\u00edvel \u00e9 novo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/i.imgur.com\/WAcwj5M.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/WAcwj5M-1024x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3781\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/WAcwj5M-1024x1024.png 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/WAcwj5M-300x300.png 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/WAcwj5M-150x150.png 150w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/WAcwj5M-768x768.png 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/WAcwj5M.png 1041w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>Este instant\u00e2neo do planeta din\u00e2mico e azul-verde, Neptuno, pelo Telesc\u00f3pio Espacial Hubble, revela uma monstruosa mancha escura (em cima, no centro) e o aparecimento de uma mancha escura mais pequena ao lado (em cima, \u00e0 direita). O v\u00f3rtice gigante, maior do que o Oceano Atl\u00e2ntico, estava a viajar para sul at\u00e9 \u00e0 certa destrui\u00e7\u00e3o pelas for\u00e7as atmosf\u00e9ricas no equador quando repentinamente fez meia-volta e come\u00e7ou a voltar para o norte.<br>Cr\u00e9dito: NASA, ESA, STScI, M.H. Wong (Universidade da Calif\u00f3rnia, Berkeley) e L.A. Sromovsky e P.M. Fry (Universidade do Wisconsin-Madison)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De modo igualmente enigm\u00e1tico, a tempestade n\u00e3o estava sozinha. O Hubble avistou outra mancha escura mais pequena em janeiro deste ano, que apareceu temporariamente perto da sua prima maior. Pode ser um peda\u00e7o do v\u00f3rtice gigante que se partiu, se afastou e desapareceu nas observa\u00e7\u00f5es subsequentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Estamos entusiasmados com estas observa\u00e7\u00f5es porque este fragmento escuro mais pequeno faz potencialmente parte do processo de interrup\u00e7\u00e3o da mancha escura,&#8221; disse Michael H. Wong da Universidade da Calif\u00f3rnia em Berkeley. &#8220;Este \u00e9 um processo que nunca tinha sido observado antes. Vimos algumas outras manchas escuras a desvanecer e depois desaparecer, mas nunca vimos nada a perturbar, embora tenha sido previsto em simula\u00e7\u00f5es de computador.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A grande tempestade, que tem 7400 km de di\u00e2metro, \u00e9 a quarta mancha escura que o Hubble observou em Neptuno desde 1993. Duas outras tempestades escuras foram descobertas pela sonda Voyager 2 em 1989 quando passou pelo planeta gigante, mas desapareceram antes que o Hubble as pudesse observar. Desde ent\u00e3o, somente o Hubble tem tido a nitidez e sensibilidade no vis\u00edvel para rastrear estas caracter\u00edsticas elusivas, que apareceram sequencialmente e depois desapareceram ao longo de aproximadamente dois anos cada. O Hubble descobriu esta \u00faltima tempestade em setembro de 2018.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Tempo &#8220;marado&#8221;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os v\u00f3rtices escuros de Neptuno s\u00e3o sistemas de alta press\u00e3o que podem ser formados a latitudes m\u00e9dias e podem ent\u00e3o migrar para o equador. Come\u00e7am est\u00e1veis devido \u00e0s for\u00e7as de Coriolis, que fazem com que as tempestades no norte girem no sentido dos ponteiros do rel\u00f3gio, devido \u00e0 rota\u00e7\u00e3o do planeta (estas tempestades s\u00e3o diferentes dos furac\u00f5es na Terra, que giram no sentido contr\u00e1rio ao dos ponteiros do rel\u00f3gio porque s\u00e3o sistemas de baixa press\u00e3o). No entanto, conforme uma tempestade se desloca para o equador, o efeito Coriolis enfraquece e a tempestade desintegra-se. Nas simula\u00e7\u00f5es de computador realizadas por equipas diferentes, estas tempestades seguem um percurso mais ou menos direto para o equador, at\u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 nenhum efeito Coriolis para as manter coesas. Ao contr\u00e1rio das simula\u00e7\u00f5es, a \u00faltima tempestade gigante n\u00e3o migrou para a &#8220;zona de matan\u00e7a&#8221; equatorial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Foi muito emocionante ver esta tempestade agir como sempre e, de repente, simplesmente parar e voltar para tr\u00e1s,&#8221; disse Wong. &#8220;Isto foi surpreendente.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Mancha Escura Jr.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As observa\u00e7\u00f5es do Hubble tamb\u00e9m revelaram que a intrigante revers\u00e3o do percurso do v\u00f3rtice escuro ocorreu ao mesmo tempo que uma nova mancha, informalmente denominada &#8220;mancha escura jr.&#8221;, apareceu. A mancha nova era ligeiramente mais pequena que a sua prima, medindo cerca de 6300 km de di\u00e2metro. Estava perto do lado da mancha escura principal que fica de frente para o equador &#8211; o local onde algumas simula\u00e7\u00f5es mostraram a ocorr\u00eancia de uma perturba\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, o momento do aparecimento da mancha mais pequena foi invulgar. &#8220;Quando vi o pequeno ponto pela primeira vez, pensei que a maior estava a ser interrompida,&#8221; disse Wong. &#8220;N\u00e3o pensei que outro v\u00f3rtice estivesse a formar-se porque o mais pequeno est\u00e1 mais perto do equador. Portanto, est\u00e1 dentro desta regi\u00e3o inst\u00e1vel. Mas n\u00e3o conseguimos provar que os dois v\u00f3rtices est\u00e3o relacionados. Continua a ser um completo mist\u00e9rio.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Foi tamb\u00e9m em janeiro que o v\u00f3rtice escuro parou o seu movimento e come\u00e7ou a deslocar-se novamente para norte,&#8221; acrescentou Wong. &#8220;Talvez ao livrar-se daquele fragmento, isso tenha sido o suficiente para impedi-lo de se mover em dire\u00e7\u00e3o ao equador.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os investigadores continuam a analisar mais dados para determinar se os vest\u00edgios da mancha escura jr. persistiram durante o resto de 2020.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/i.imgur.com\/em0xKh6.png\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/em0xKh6.png\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>A mancha escura mais pequena nesta imagem obtida pelo Hubble pode ter sido um peda\u00e7o da tempestade gigante que se libertou quando o v\u00f3rtice se aproximava do equador. O Hubble descobriu a tempestade gigante em setembro de 2018 no hemisf\u00e9rio norte de Neptuno. Tem cerca de 7400 km de di\u00e2metro. O di\u00e2metro da mancha mais pequena est\u00e1 estimado em 6300 km.<br>Cr\u00e9dito: NASA, ESA, STScI, M.H. Wong (Universidade da Calif\u00f3rnia, Berkeley) e L.A. Sromovsky e P.M. Fry (Universidade do Wisconsin-Madison)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Tempestades escuras ainda mais intrigantes<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O modo como estas tempestades se formam ainda \u00e9 um mist\u00e9rio, mas este \u00faltimo v\u00f3rtice gigante escuro \u00e9 o mais bem estudado at\u00e9 agora. A apar\u00eancia escura da tempestade pode ser devida a uma camada elevada de nuvens escuras e pode estar a dizer aos astr\u00f3nomos mais sobre a estrutura vertical da tempestade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outra caracter\u00edstica invulgar da mancha escura \u00e9 a aus\u00eancia de brilhantes nuvens companheiras em seu redor, que estavam presentes nas imagens do Hubble obtidas quanto o v\u00f3rtice foi descoberto em 2018. Aparentemente, as nuvens desapareceram quando o v\u00f3rtice interrompeu a sua viagem para sul. As nuvens brilhantes formam-se quando o fluxo de ar \u00e9 perturbado e desviado para cima do v\u00f3rtice, fazendo com que os gases provavelmente congelem em cristais de metano gelado. A aus\u00eancia de nuvens pode estar a revelar informa\u00e7\u00f5es sobre como as manchas evoluem, dizem os cientistas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>&#8220;Olho meteorol\u00f3gico&#8221; nos planetas exteriores<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Hubble tirou muitas imagens das manchas escuras como parte do programa OPAL (Outer Planet Atmospheres Legacy), um projeto a longo prazo do Hubble liderado por Amy Simon do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland, que anualmente captura mapas globais dos planetas exteriores do nosso Sistema Solar quando est\u00e3o mais pr\u00f3ximos da Terra na suas \u00f3rbitas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os principais objetivos do OPAL s\u00e3o: estudar mudan\u00e7as sazonais a longo prazo, bem como capturar eventos comparativamente transit\u00f3rios, como o aparecimento de manchas escuras em Neptuno ou potencialmente em \u00darano. Estas tempestades escuras podem ser t\u00e3o fugazes que, no passado, algumas podem ter aparecido e desaparecido durante intervalos de v\u00e1rios anos nas observa\u00e7\u00f5es de Neptuno pelo Hubble. O programa OPAL garante que os astr\u00f3nomos n\u00e3o perdem outra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;N\u00e3o saber\u00edamos nada sobre estas \u00faltimas manchas escuras se n\u00e3o fosse pelo Hubble,&#8221; disse Simon. &#8220;Agora podemos acompanhar a grande tempestade durante anos e observar o seu ciclo de vida completo. Se n\u00e3o tiv\u00e9ssemos o Hubble, pod\u00edamos pensar que a Grande Mancha Escura vista pela Voyager em 1989 ainda l\u00e1 estava, assim como a Grande Mancha Vermelha de J\u00fapiter. E n\u00e3o saber\u00edamos das quatro outras manchas que o Hubble descobriu.&#8221; Wong apresentou os achados da equipa no passado dia 15 de dezembro na reuni\u00e3o de outono da Uni\u00e3o Geof\u00edsica Americana.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"The Outer Planets: Hubble\u2019s Continuing Legacy\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Oq56EJq6cSE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/hubblesite.org\/contents\/news-releases\/2020\/news-2020-59.html\" target=\"_blank\">\/\/ Hubblesite (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/feature\/goddard\/2020\/dark-storm-on-neptune-reverses-direction-possibly-shedding-a-fragment\" target=\"_blank\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2020-12-dark-storm-neptune-reverses-possibly.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.sciencealert.com\/a-storm-on-neptune-changed-direction-and-scientists-are-agog\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">science alert<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2020\/12\/22\/science\/neptune-dark-spot.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">The New York Times<\/a><br><a href=\"https:\/\/edition.cnn.com\/2020\/12\/17\/world\/neptune-storm-reversal-scn-trnd\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">CNN<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Neptuno:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Neptune_(planet)\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Great_Dark_Spot\" target=\"_blank\">Grande Mancha Escura (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Hubble:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/hubble\/main\/#.VJ02FAj0\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hubble, NASA<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/esaSC\/SEM106WO4HD_index_0_m.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.stsci.edu\/resources\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"http:\/\/spacetelescope.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SpaceTelescope.org<\/a><br><a href=\"http:\/\/archive.stsci.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Base de dados do Arquivo Mikulski para Telesc\u00f3pios Espaciais<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recorrendo ao Telesc\u00f3pio Espacial Hubble da NASA, os astr\u00f3nomos observaram um misterioso v\u00f3rtice em Neptuno a afastar-se abruptamente de uma prov\u00e1vel morte no gigante planeta azul. 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