{"id":3772,"date":"2020-12-22T06:34:09","date_gmt":"2020-12-22T06:34:09","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=3772"},"modified":"2020-12-22T06:34:19","modified_gmt":"2020-12-22T06:34:19","slug":"tres-coisas-que-aprendemos-com-o-insight-da-nasa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2020\/12\/22\/tres-coisas-que-aprendemos-com-o-insight-da-nasa\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas coisas que aprendemos com o InSight da NASA"},"content":{"rendered":"\n<p>O m\u00f3dulo InSight da NASA pousou em Marte no dia 26 de novembro de 2018 para estudar o interior profundo do planeta. Um pouco mais de um sol (ano marciano) depois, o &#8220;lander&#8221; estacion\u00e1rio detetou mais de 480 sismos e recolheu os dados meteorol\u00f3gicos mais abrangentes de qualquer miss\u00e3o enviada para a superf\u00edcie de Marte. A sonda InSight, que tem lutado para cavar no subsolo a fim de medir a temperatura do planeta, tamb\u00e9m fez progressos.<\/p>\n\n\n\n<p>As superf\u00edcies de Marte e da Terra j\u00e1 foram muito semelhantes. Ambas eram quentes, h\u00famidas e envoltas em atmosferas densas. Mas, h\u00e1 3 ou 4 mil milh\u00f5es de anos, estes dois mundos seguiram caminhos diferentes. A miss\u00e3o do InSight (Interior Exploration using Seismic Investigations, Geodesy and Heat Transport) consiste em ajudar os cientistas a comparar a Terra com o seu irm\u00e3o enferrujado. O estudo da composi\u00e7\u00e3o interior de Marte, de como esse material est\u00e1 dividido em camadas e da rapidez com que o calor escapa pode ajudar os cientistas a melhor entender como os materiais iniciais de um planeta o tornam mais ou menos propenso a sustentar vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora ainda esteja por vir mais ci\u00eancia do InSight, aqui ficam tr\u00eas descobertas sobre o nosso vizinho vermelho no c\u00e9u.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/i.imgur.com\/gnNFool.gif\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"985\" height=\"554\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/gnNFool.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-2455\"\/><\/a><figcaption>Nuvens flutuam por cima do sism\u00f3metro coberto por uma c\u00fapula, sism\u00f3metro este conhecido como SEIS, pertencente ao m\u00f3dulo InSight da NASA.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Fracos &#8220;murm\u00farios&#8221; s\u00e3o a norma<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O sism\u00f3metro do InSight, fornecido pela ag\u00eancia espacial francesa CNES (Centre National d&#8217;\u00c9tudes Spatiales), \u00e9 sens\u00edvel o suficiente para detetar pequenos ru\u00eddos vindos de grandes dist\u00e2ncias. Mas s\u00f3 em abril de 2019 \u00e9 que os sism\u00f3logos do Servi\u00e7o Marsquake, em coordena\u00e7\u00e3o com o ETH Zurique, detetaram o seu primeiro sismo marciano. Desde ent\u00e3o, Marte mais do que compensou o tempo perdido, tremendo frequentemente, embora suavemente, sem sismos maiores que magnitude 3,7.<\/p>\n\n\n\n<p>A aus\u00eancia de sismos com magnitude superior a 4 representa um mist\u00e9rio, tendo em conta a frequ\u00eancia com que o Planeta Vermelho treme devido a sismos mais pequenos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 um pouco surpreendente n\u00e3o termos visto um evento maior,&#8221; disse o sism\u00f3logo Mark Panning do JPL da NASA no sul da Calif\u00f3rnia, que lidera a miss\u00e3o InSight. &#8220;Isto pode estar a dizer-nos algo sobre Marte, ou pode estar a dizer-nos algo sobre a nossa sorte.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Pondo de outra forma: talvez Marte seja mais est\u00e1tico do que o previsto &#8211; ou talvez o InSight tenha pousado durante um per\u00edodo especialmente calmo.<\/p>\n\n\n\n<p>Os sism\u00f3logos ter\u00e3o que esperar pacientemente por estes sismos maiores a fim de estudar as camadas por baixo da crosta. &#8220;\u00c0s vezes recebemos grandes flashes de informa\u00e7\u00f5es surpreendentes, mas na maioria das vezes s\u00e3o meras &#8216;migalhas&#8217;,&#8221; disse Bruce Banerdt do JPL, investigador principal do InSight. &#8220;\u00c9 mais como tentar seguir uma trilha de pistas complicadas do que termos as respostas apresentadas num presente bem enfeitado.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O vento pode esconder sismos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Assim que o InSight come\u00e7ou a detetar sismos, estes tornaram-se t\u00e3o regulares que, a determinado ponto, aconteciam todos os dias. Ent\u00e3o, no final de junho deste ano, as dete\u00e7\u00f5es essencialmente pararam. Desde ent\u00e3o foram apenas detetados cinco sismos, todos eles desde setembro.<\/p>\n\n\n\n<p>Os cientistas pensam que o vento de Marte \u00e9 respons\u00e1vel por estes per\u00edodos sismicamente vazios: o planeta entrou na sua esta\u00e7\u00e3o mais ventosa do ano marciano por volta de junho. A miss\u00e3o sabia que os ventos podem afetar o sism\u00f3metro sens\u00edvel do InSight, que est\u00e1 equipado com uma c\u00fapula contra o vento e com um escudo de calor. Mas o vento ainda sacode o pr\u00f3prio solo e cria um ru\u00eddo literal que esconde os sismos. Isto pode tamb\u00e9m ter contribu\u00eddo para o que parece ser o longo sil\u00eancio s\u00edsmico antes da primeira dete\u00e7\u00e3o do InSight, j\u00e1 que o m\u00f3dulo pousou enquanto uma tempestade regional de poeira estava a assentar.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Antes do pouso, tivemos que adivinhar como o vento afetaria as vibra\u00e7\u00f5es da superf\u00edcie,&#8221; disse Banerdt. &#8220;Como estamos a trabalhar com eventos que s\u00e3o bem menores do que os eventos a que prestar\u00edamos aten\u00e7\u00e3o na Terra, descobrimos que temos que prestar muito mais aten\u00e7\u00e3o ao vento.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/0jedcxP.jpg\" alt=\"\"\/><figcaption>Esta ilustra\u00e7\u00e3o mostra o m\u00f3dulo InSight da NASA com os seus instrumentos colocados na superf\u00edcie marciana.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><strong>N\u00e3o existem ondas de superf\u00edcie<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Todos os sismos t\u00eam dois conjuntos de ondas, ondas que viajam pelo interior do planeta: ondas prim\u00e1rias (ondas P) e ondas secund\u00e1rias (ondas S). Elas tamb\u00e9m se propagam ao longo do topo da crosta como parte de uma terceira categoria, chamadas ondas de superf\u00edcie.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Terra, os sism\u00f3logos usam as ondas de superf\u00edcie para aprender mais sobre a estrutura interna do planeta. Antes de chegar a Marte, os sism\u00f3logos do InSight esperavam que estas ondas fornecessem vislumbres de at\u00e9 400 km do interior, at\u00e9 uma camada subcrustal chamada manto. Mas Marte continua a fornecer mist\u00e9rios: apesar das centenas de sismos, nenhum incluiu ondas de superf\u00edcie.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00e3o \u00e9 totalmente invulgar ter sismos sem ondas de superf\u00edcie, mas foi uma surpresa,&#8221; disse Panning. &#8220;Por exemplo, n\u00e3o conseguimos ver ondas de superf\u00edcie na Lua. Mas isso \u00e9 porque a Lua tem muito mais dispers\u00e3o do que Marte.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>A crosta lunar seca \u00e9 mais fraturada do que a Terra e Marte, fazendo com que as ondas s\u00edsmicas saltem num padr\u00e3o mais difuso que pode durar mais de uma hora. A aus\u00eancia de ondas de superf\u00edcie em Marte pode estar ligada a extensas fraturas nos primeiros 10 km abaixo do InSight. Tamb\u00e9m pode significar que os sismos detetados pelo InSight v\u00eam das profundezas do planeta, j\u00e1 que estes n\u00e3o produziriam ondas de superf\u00edcie fortes.<\/p>\n\n\n\n<p>Claro, desvendar estes mist\u00e9rios \u00e9 a ess\u00eancia da ci\u00eancia, e h\u00e1 mais para vir com o InSight.<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.jpl.nasa.gov\/news\/news.php?feature=7802\" target=\"_blank\">\/\/ JPL\/NASA (comunicado de imprensa)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p><strong>InSight:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/insight.jpl.nasa.gov\/home.cfm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/insight\/main\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA &#8211; 2<\/a><br><a href=\"https:\/\/twitter.com\/nasainsight\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Twitter<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/InSight\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Marte:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mars_%28planet%29\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ondas s\u00edsmicas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Seismic_wave\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O m\u00f3dulo InSight da NASA pousou em Marte no dia 26 de novembro de 2018 para estudar o interior profundo do planeta. 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