{"id":3741,"date":"2020-12-11T06:25:04","date_gmt":"2020-12-11T06:25:04","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=3741"},"modified":"2020-12-11T06:25:15","modified_gmt":"2020-12-11T06:25:15","slug":"cientistas-obtem-informacoes-sobre-a-atmosfera-superaquecida-do-sol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2020\/12\/11\/cientistas-obtem-informacoes-sobre-a-atmosfera-superaquecida-do-sol\/","title":{"rendered":"Cientistas obt\u00eam informa\u00e7\u00f5es sobre a atmosfera superaquecida do Sol"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um fen\u00f3meno detetado pela primeira vez no vento solar pode ajudar a resolver um antigo mist\u00e9rio sobre o Sol: por que raz\u00e3o a atmosfera solar \u00e9 milh\u00f5es de graus mais quente do que a superf\u00edcie.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Imagens do IRIS (Interface Region Imaging Spectrograph) e do instrumento AIA (Atmospheric Imaging Assembly) da SDO (Solar Dynamic Orbiter) mostram evid\u00eancias de que &#8220;loops&#8221; magn\u00e9ticos baixos s\u00e3o aquecidos a milh\u00f5es de Kelvin.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Investigadores da Universidade rice, da Universidade do Colorado em Boulder e do Centro de Voo Espacial Marshall da NASA afirmam que os i\u00f5es mais pesados, como o sil\u00edcio, s\u00e3o aquecidos preferencialmente tanto pelo vento solar quanto na regi\u00e3o de transi\u00e7\u00e3o entre a cromosfera e a coroa solar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A\u00ed, &#8220;loops&#8221; de plasma magnetizado formam um arco cont\u00ednuo, n\u00e3o muito diferente dos seus primos na coroa mais acima. S\u00e3o muito mais pequenos e dif\u00edceis de analisar, mas h\u00e1 muito que se pensa que abriguem o mecanismo conduzido magneticamente que liberta surtos energ\u00e9ticos na forma de nanoproemin\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/i.imgur.com\/5fngdfG.png\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"540\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/5fngdfG.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3742\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/5fngdfG.png 600w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/5fngdfG-300x270.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><figcaption>Imagem do Sol.<br>Cr\u00e9dito: NASA<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O f\u00edsico solar de Rice, Stephen Bradshaw, e colegas estavam entre os que suspeitavam disso, mas ningu\u00e9m tinha evid\u00eancias suficientes antes do IRIS.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O espectr\u00f3metro orbital foi constru\u00eddo especificamente para observar a regi\u00e3o de transi\u00e7\u00e3o. No estudo financiado pela NASA, publicado na Nature Astronomy, os investigadores descrevem &#8220;brilhos&#8221; nos &#8220;loops&#8221; de reconex\u00e3o que cont\u00eam fortes assinaturas espectrais do oxig\u00e9nio e, especialmente, dos mais pesados i\u00f5es de sil\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa de Bradshaw, o seu ex-aluno e autor principal Shah Mohammad Bahauddin, agora investigador do LASP (Laboratory for Atmospheric and Space Physics) da Universidade do Colorado, juntamente com a astrof\u00edsica Amy Winebarger da NASA, estudaram imagens do IRIS capazes de resolver detalhes destes &#8220;loops&#8221; de transi\u00e7\u00e3o de regi\u00e3o e detetaram zonas de plasma superquente. As imagens permitem a an\u00e1lise dos movimentos e das temperaturas dos i\u00f5es dentro dos &#8220;loops&#8221; por meio da luz que emitem, lidos como linhas espectrais que servem como &#8220;impress\u00f5es digitais&#8221; qu\u00edmicas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;\u00c9 nas linhas de emiss\u00e3o que toda a f\u00edsica \u00e9 impressa,&#8221; disse Bradshaw, professor associado de f\u00edsica e de astronomia. &#8220;A ideia era aprender como estas estruturas min\u00fasculas s\u00e3o aquecidas e esperar dizer algo sobre como a pr\u00f3pria coroa \u00e9 aquecida. Este pode ser um mecanismo omnipresente que opera em toda a atmosfera solar.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As imagens revelaram espectros de zonas quentes onde as linhas foram alargadas por efeitos t\u00e9rmicos e pelo efeito Doppler, indicando n\u00e3o apenas os elementos envolvidos nas nanoproemin\u00eancias, mas tamb\u00e9m as suas temperaturas e velocidades.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nas regi\u00f5es quentes, encontraram jatos de reconex\u00e3o contendo i\u00f5es de sil\u00edcio movidos na dire\u00e7\u00e3o (desvio para o azul) do observador (IRIS) e para longe (desvio para o vermelho), a velocidades de at\u00e9 100 km\/s. N\u00e3o foi detetado nenhum desvio Doppler para i\u00f5es de oxig\u00e9nio mais leves.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os cientistas estudaram dois componentes do mecanismo: como a energia sai do campo magn\u00e9tico e depois como realmente aquece o plasma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A regi\u00e3o de transi\u00e7\u00e3o tem apenas cerca de 5800 K, mas a convec\u00e7\u00e3o \u00e0 superf\u00edcie do Sol afeta os &#8220;loops&#8221;, torcendo e tran\u00e7ando os finos fios magn\u00e9ticos que os comp\u00f5em e acrescentando energia aos campos magn\u00e9ticos que, em \u00faltima an\u00e1lise, aquecem o plasma, disse Bradshaw. &#8220;As observa\u00e7\u00f5es do IRIS mostraram esse processo a ocorrer e estamos razoavelmente certos de que pelo menos uma resposta \u00e0 primeira parte \u00e9 por meio de reconex\u00e3o magn\u00e9tica, da qual os jatos s\u00e3o uma assinatura chave,&#8221; disse.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/i.imgur.com\/dzVDIzW.png\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/dzVDIzW.png\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption> Imagens do Sol obtidas pelo IRIS mostram novos detalhes de como &#8220;loops&#8221; baixos de plasma s\u00e3o energizados e podem tamb\u00e9m revelar como a escaldante coroa \u00e9 criada.<br>Cr\u00e9dito: Universidade Rice\/NASA <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse processo, os campos magn\u00e9ticos dos filamentos de plasma quebram-se e ligam-se novamente em locais entran\u00e7ados em estados menos energ\u00e9ticos, libertando energia magn\u00e9tica armazenada. Onde isto ocorre, o plasma torna-se superaquecido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas como o plasma \u00e9 aquecido pela energia magn\u00e9tica libertada tem permanecido um quebra-cabe\u00e7as at\u00e9 agora. &#8220;Olh\u00e1mos para as regi\u00f5es nestas pequenas estruturas em &#8216;loop&#8217; onde a reconex\u00e3o estava a ocorrer e medimos as linhas de emiss\u00e3o dos i\u00f5es, principalmente sil\u00edcio e oxig\u00e9nio,&#8221; disse. &#8220;Descobrimos que as linhas espectrais dos i\u00f5es de sil\u00edcio eram muito mais largas do que as do oxig\u00e9nio.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isto indicou aquecimento preferencial dos i\u00f5es de sil\u00edcio. &#8220;Precis\u00e1vamos de explicar isto,&#8221; disse Bradshaw. &#8220;N\u00f3s observ\u00e1mos, pens\u00e1mos e descobrimos que existe um processo cin\u00e9tico chamado de aquecimento de i\u00f5es de ciclotr\u00e3o que favorece o aquecimento de i\u00f5es pesados em rela\u00e7\u00e3o aos mais leves.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ele disse que as ondas de i\u00f5es de ciclotr\u00e3o s\u00e3o geradas nos locais de reconex\u00e3o. As ondas carregadas pelos i\u00f5es mais pesados s\u00e3o mais suscet\u00edveis a uma instabilidade que faz com que as ondas se &#8220;quebrem&#8221; e gerem turbul\u00eancia, que espalha e energiza os i\u00f5es. Isto amplia as suas linhas espectrais al\u00e9m do que seria de esperar apenas da temperatura local do plasma. No caso dos i\u00f5es mais leves, pode haver energia suficiente para os aquecer. &#8220;Caso contr\u00e1rio, n\u00e3o excedem a velocidade cr\u00edtica necess\u00e1ria para desencadear a instabilidade, que \u00e9 superior para os i\u00f5es mais leves,&#8221; explicou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;No vento solar, os i\u00f5es mais pesados s\u00e3o significativamente mais quentes do que os i\u00f5es mais leves,&#8221; acrescentou Bradshaw. &#8220;Isto foi medido definitivamente. O nosso estudo mostra pela primeira vez que esta \u00e9 tamb\u00e9m uma propriedade da regi\u00e3o de transi\u00e7\u00e3o e, portanto, pode persistir em toda a atmosfera devido ao mecanismo que identific\u00e1mos, incluindo o aquecimento da coroa solar, principalmente porque o vento solar \u00e9 uma manifesta\u00e7\u00e3o da coroa a expandir-se para o espa\u00e7o interplanet\u00e1rio.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pr\u00f3xima quest\u00e3o, disse Bahauddin, \u00e9 se esses fen\u00f3menos est\u00e3o a acontecer na mesma propor\u00e7\u00e3o em todo o Sol. &#8220;A resposta \u00e9 provavelmente n\u00e3o,&#8221; disse. &#8220;De modo que a quest\u00e3o seguinte \u00e9: quanto \u00e9 que contribuem para o problema do aquecimento coronal? Podem fornecer energia suficiente para a alta atmosfera para que possa manter uma coroa com milh\u00f5es de graus?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O que mostr\u00e1mos para a regi\u00e3o de transi\u00e7\u00e3o foi uma solu\u00e7\u00e3o para uma pe\u00e7a importante do quebra-cabe\u00e7as, mas o quadro geral requer que mais pe\u00e7as caiam no lugar certo,&#8221; disse Bahauddin. &#8220;Penso que o IRIS ser\u00e1 capaz de nos dizer mais sobre as pe\u00e7as cromosf\u00e9ricas no futuro pr\u00f3ximo. E isto vai ajudar-nos a construir uma teoria unificada e global da atmosfera do Sol.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Scientists get the low down on sun\u2019s super hot atmosphere\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/DRIPelfQgx4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/news.rice.edu\/2020\/12\/07\/scientists-get-the-lowdown-on-suns-super-hot-atmosphere-2\/\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade Rice (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/lasp.colorado.edu\/home\/2020\/12\/07\/lasp-researcher-reveals-new-clues-on-what-makes-the-suns-atmosphere-so-hot\/\" target=\"_blank\">\/\/ LASP da Universidade do Colorado (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41550-020-01263-2\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature Astronomy)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.eurekalert.org\/pub_releases\/2020-12\/ru-sgt120720.php\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">EurekAlert!<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2020-12-scientists-lowdown-sun-super-hot-atmosphere.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Sol:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Sun\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Stellar_corona\" target=\"_blank\">Coroa solar (Wikipedia)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Nanoflares\" target=\"_blank\">Nanoproemin\u00eancias (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Aquecimento de i\u00f5es de ciclotr\u00e3o:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Ion_cyclotron_resonance\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>IRIS:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/iris\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Interface_Region_Imaging_Spectrograph\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>SDO:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/sdo\/main\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Solar_Dynamics_Observatory\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um fen\u00f3meno detetado pela primeira vez no vento solar pode ajudar a resolver um antigo mist\u00e9rio sobre o Sol: por que raz\u00e3o a atmosfera solar \u00e9 milh\u00f5es de graus mais quente do que a superf\u00edcie. 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