{"id":3731,"date":"2020-12-08T06:42:51","date_gmt":"2020-12-08T06:42:51","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=3731"},"modified":"2020-12-08T06:43:02","modified_gmt":"2020-12-08T06:43:02","slug":"investigadores-descobrem-pistas-importantes-sobre-a-historia-do-sistema-solar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2020\/12\/08\/investigadores-descobrem-pistas-importantes-sobre-a-historia-do-sistema-solar\/","title":{"rendered":"Investigadores descobrem pistas importantes sobre a hist\u00f3ria do Sistema Solar"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Num novo artigo publicado na revista Nature Communications Earth and Environment, investigadores da Universidade de Rochester foram capazes de usar o magnetismo para determinar, pela primeira vez, quando os asteroides condritos carbon\u00e1ceos &#8211; asteroides que s\u00e3o ricos em \u00e1gua e em amino\u00e1cidos &#8211; chegaram pela primeira vez ao Sistema Solar interior. A investiga\u00e7\u00e3o fornece dados que ajudam a informar os cientistas sobre as origens do Sistema Solar e porque \u00e9 que alguns planetas, como a Terra, se tornaram habit\u00e1veis e foram capazes de sustentar condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis \u00e0 vida, enquanto outros planetas, como Marte, n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A investiga\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m fornece aos cientistas dados que podem ser aplicados \u00e0 descoberta de novos exoplanetas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;H\u00e1 um interesse especial em definir esta hist\u00f3ria &#8211; em refer\u00eancia ao grande n\u00famero de descobertas de exoplanetas &#8211; para deduzir se os eventos podem ter sido semelhantes ou diferentes noutros sistemas planet\u00e1rios,&#8221; diz John Tarduno, professor do Departamento de Ci\u00eancias da Terra e Ambientais e reitor de pesquisa para as Artes, Ci\u00eancias e Engenharia da Universidade de Rochester. &#8220;Este \u00e9 outro componente da busca por outros planetas habit\u00e1veis.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.rochester.edu\/newscenter\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/solar-wind.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"640\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/solar-wind.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3732\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/solar-wind.jpg 800w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/solar-wind-300x240.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/solar-wind-768x614.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><figcaption>Ilustra\u00e7\u00e3o do vento solar a fluir pelos asteroides no in\u00edcio do Sistema Solar. O campo magn\u00e9tico do vento solar (linhas brancas com setas) magnetiza o asteroide (seta vermelha). Investigadores da Universidade de Rochester usaram o magnetismo para determinar, pela primeira vez, quando os asteroides condritos carbon\u00e1ceos chegaram ao Sistema Solar interior.<br>Cr\u00e9dito: Universidade de Rochester\/Michael Osadciw<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Resolvendo um paradoxo usando um meteorito no M\u00e9xico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Alguns meteoritos s\u00e3o fragmentos de detritos de objetos do espa\u00e7o sideral, como asteroides. Depois de se separarem dos seus &#8220;corpos parentes&#8221;, estes peda\u00e7os s\u00e3o capazes de sobreviver \u00e0 passagem pela atmosfera e eventualmente atingir a superf\u00edcie de um planeta ou lua.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo da magnetiza\u00e7\u00e3o dos meteoritos pode dar aos cientistas uma melhor ideia de quando os objetos se formaram e onde estavam localizados no in\u00edcio da hist\u00f3ria do Sistema Solar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Percebemos h\u00e1 v\u00e1rios anos que pod\u00edamos usar o magnetismo de meteoritos derivados de asteroides para determinar a que dist\u00e2ncia estes meteoritos estavam do Sol quando os seus minerais magn\u00e9ticos se formaram,&#8221; diz Tarduno.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A fim de aprender mais sobre a origem dos meteoritos e dos seus corpos parentais, Tarduno e colaboradores estudaram dados magn\u00e9ticos recolhidos do meteorito Allende, que caiu na Terra e pousou no M\u00e9xico em 1969. O meteorito Allende \u00e9 o maior meteorito condrito carbon\u00e1ceo encontrado na Terra e cont\u00e9m minerais &#8211; inclus\u00f5es de c\u00e1lcio-alum\u00ednio &#8211; que s\u00e3o considerados os primeiros s\u00f3lidos formados no Sistema Solar. \u00c9 um dos meteoritos mais estudados e foi considerado durante d\u00e9cadas o exemplo cl\u00e1ssico de um meteorito oriundo de um parente asteroidal primitivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para determinar quando os objetos se formaram e onde estavam localizados, os investigadores primeiro tiveram que abordar um paradoxo sobre meteoritos que estava a confundir a comunidade cient\u00edfica: como \u00e9 que os meteoritos ganharam magnetiza\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Recentemente, surgiu uma pol\u00e9mica quando alguns cientistas propuseram que os meteoritos condritos carbon\u00e1ceos como Allende haviam sido magnetizados por um d\u00ednamo central, como o do n\u00facleo da Terra. Sabemos que a Terra \u00e9 um corpo diferenciado porque tem crosta, manto e n\u00facleo separados por composi\u00e7\u00e3o e densidade. No in\u00edcio da sua hist\u00f3ria, os corpos planet\u00e1rios podem ganhar calor suficiente para que haja derretimento generalizado e o material denso &#8211; ferro &#8211; afunda-se para o centro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Novas experi\u00eancias pelo estudante de Rochester, Tim O&#8217;Brien, o autor principal do artigo cient\u00edfico, descobriram que os sinais magn\u00e9ticos interpretados por investigadores anteriores n\u00e3o eram realmente de um n\u00facleo. Em vez disso, descobriu O&#8217;Brien, o magnetismo \u00e9 uma propriedade dos minerais magn\u00e9ticos invulgares de Allende.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Determinando o papel de J\u00fapiter na migra\u00e7\u00e3o dos asteroides<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tendo resolvido este paradoxo, O&#8217;Brien conseguiu identificar meteoritos com outros minerais que podiam registar fielmente as magnetiza\u00e7\u00f5es do jovem Sistema Solar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O grupo de magnetismo de Tarduno ent\u00e3o combinou este trabalho com o trabalho te\u00f3rico de Eric Blackman, um professor de f\u00edsica e astronomia, e simula\u00e7\u00f5es de computador lideradas pelo estudante Atma Anand e por Jonathan Carroll-Nellenback, cientista computacional do Laborat\u00f3rio de Energ\u00e9tica a Laser de Rochester. Estas simula\u00e7\u00f5es mostraram que os ventos solares envolviam os primeiros corpos do Sistema Solar e foi este vento solar que magnetizou os corpos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Usando estas simula\u00e7\u00f5es e dados, os investigadores determinaram que os asteroides parentais a partir dos quais os meteoritos condritos carbon\u00e1ceos se desprenderam chegaram \u00e0 cintura de asteroides vindos do Sistema Solar exterior h\u00e1 cerca de 4562 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, nos primeiros cinco milh\u00f5es de anos da hist\u00f3ria do Sistema Solar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tarduno diz que as an\u00e1lises e a modelagem fornecem mais suporte \u00e0 teoria da grande invers\u00e3o do movimento de J\u00fapiter. No passado, os cientistas pensaram que os planetas e outros corpos planet\u00e1rios se formaram a partir de g\u00e1s e poeira a uma dist\u00e2ncia ordenada do Sol, mas hoje os cientistas percebem que as for\u00e7as gravitacionais associadas aos planetas gigantes &#8211; como J\u00fapiter e Saturno &#8211; podem conduzir a forma\u00e7\u00e3o e a migra\u00e7\u00e3o de corpos planet\u00e1rios e asteroides. A teoria da grande invers\u00e3o sugere que os asteroides foram separados pelas for\u00e7as gravitacionais do planeta gigante J\u00fapiter, cuja migra\u00e7\u00e3o subsequente misturou os dois grupos de asteroides.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ele acrescenta: &#8220;Este movimento inicial dos asteroides condritos carbon\u00e1ceos prepara o terreno para uma maior dispers\u00e3o de corpos ricos em \u00e1gua &#8211; potencialmente para a Terra &#8211; posteriormente no desenvolvimento do Sistema Solar, e pode ser um padr\u00e3o comum aos sistemas exoplanet\u00e1rios.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.rochester.edu\/newscenter\/rochester-researchers-uncover-key-clues-about-the-solar-systems-history-463472\/\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Rochester (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s43247-020-00055-w\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature Communications Earth &amp; Environment)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.sciencedaily.com\/releases\/2020\/12\/201204131322.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ScienceDaily<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2020-12-uncover-key-clues-solar-history.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Forma\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o do Sistema Solar:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Future_solar_system\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Meteoritos:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Meteorite\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Allende_meteorite\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Meteorito Allende (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Inclus\u00f5es ricas em c\u00e1lcio e alum\u00ednio:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Calcium%E2%80%93aluminium-rich_inclusion\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Hip\u00f3tese da grande invers\u00e3o do movimento de J\u00fapiter:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Grand_tack_hypothesis\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Num novo artigo publicado na revista Nature Communications Earth and Environment, investigadores da Universidade de Rochester foram capazes de usar o magnetismo para determinar, pela primeira vez, quando os asteroides condritos carbon\u00e1ceos &#8211; asteroides que s\u00e3o ricos em \u00e1gua e em amino\u00e1cidos &#8211; chegaram pela primeira vez ao Sistema Solar interior. A investiga\u00e7\u00e3o fornece dados &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3732,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[205,413],"class_list":["post-3731","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-sistema-solar","tag-meteorito","tag-sistema-solar"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3731","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3731"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3731\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3733,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3731\/revisions\/3733"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3732"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3731"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3731"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3731"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}