{"id":3728,"date":"2020-12-04T06:54:47","date_gmt":"2020-12-04T06:54:47","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=3728"},"modified":"2020-12-04T06:54:57","modified_gmt":"2020-12-04T06:54:57","slug":"o-sistema-solar-segue-o-padrao-galactico-mas-e-uma-especie-rara","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2020\/12\/04\/o-sistema-solar-segue-o-padrao-galactico-mas-e-uma-especie-rara\/","title":{"rendered":"O Sistema Solar segue o padr\u00e3o Gal\u00e1ctico &#8211; mas \u00e9 uma &#8220;esp\u00e9cie rara&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"> Investigadores do Instituto Niels Bohr, da Universidade de Copenhaga, investigaram mais de 1000 sistemas planet\u00e1rios orbitando estrelas na nossa pr\u00f3pria Gal\u00e1xia, a Via L\u00e1ctea, e descobriram uma s\u00e9rie de liga\u00e7\u00f5es entre as \u00f3rbitas planet\u00e1rias, o n\u00famero de planetas, a ocorr\u00eancia e a dist\u00e2ncia \u00e0s suas estrelas. Parece que o nosso pr\u00f3prio Sistema Solar \u00e9, em alguns aspetos, muito raro e, noutros, muito comum. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/i.imgur.com\/dAZwl1K.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"559\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/dAZwl1K-1024x559.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3729\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/dAZwl1K-1024x559.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/dAZwl1K-300x164.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/dAZwl1K-768x419.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/dAZwl1K.jpg 1100w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>Ilustra\u00e7\u00e3o que mostra o poss\u00edvel aspeto do sistema TRAPPIST-1. Os sete planetas do sistema s\u00e3o todos do tamanho da Terra e terrestres, e podem potencialmente albergar \u00e1gua l\u00edquida, dependendo das suas composi\u00e7\u00f5es.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 raro ter 8 planetas, mas o estudo mostra que o Sistema Solar segue exatamente as mesmas regras b\u00e1sicas para a forma\u00e7\u00e3o de planetas em torno de uma estrela que todos os outros sistemas seguem. A quest\u00e3o sobre o que exatamente o torna t\u00e3o especial, para abrigar vida, \u00e9 ainda uma boa quest\u00e3o. O estudo foi publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>As \u00f3rbitas exc\u00eantricas dos planetas s\u00e3o a chave para determinar o n\u00famero de planetas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Existe uma correla\u00e7\u00e3o muito clara entre a excentricidade das \u00f3rbitas e o n\u00famero de planetas num dado sistema planet\u00e1rio. Quando os planetas se formam, come\u00e7am em \u00f3rbitas circulares numa nuvem de g\u00e1s e poeira. Mas ainda s\u00e3o relativamente pequenos em tamanho, at\u00e9 tamanhos compar\u00e1veis aos da Lua. Numa escala de tempo mais longa, interagem por meio da gravidade e adquirem \u00f3rbitas cada vez mais exc\u00eantricas ou el\u00edpticas. Isto significa que come\u00e7am a colidir porque as \u00f3rbitas el\u00edpticas cruzam-se &#8211; e assim os planetas aumentam de tamanho devido \u00e0s colis\u00f5es. Se o resultado final das colis\u00f5es \u00e9 que todas as pe\u00e7as se tornam apenas um ou alguns planetas, ent\u00e3o eles permanecem em \u00f3rbitas el\u00edpticas. Mas se acabam por formar muitos planetas, ent\u00e3o a atra\u00e7\u00e3o gravitacional entre eles f\u00e1-los perder energia &#8211; e assim formam cada vez mais \u00f3rbitas circulares.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os investigadores descobriram uma correla\u00e7\u00e3o muito clara entre o n\u00famero de planetas e qu\u00e3o circulares s\u00e3o as \u00f3rbitas. &#8220;Na verdade, isto n\u00e3o \u00e9 realmente uma surpresa&#8221;, explica o professor Uffe Gr\u00e5e J\u00f8rgensen. &#8220;Mas o nosso Sistema Solar \u00e9 \u00fanico no sentido de que n\u00e3o se conhece nenhum outro sistema com tantos planetas. Portanto, talvez se pudesse esperar que o nosso Sistema Solar n\u00e3o encaixasse na correla\u00e7\u00e3o. Mas encaixa! Na verdade, encaixa mesmo bem!&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os \u00fanicos sistemas planet\u00e1rios que n\u00e3o se enquadram nesta &#8220;regra&#8221; s\u00e3o os sistemas com apenas um planeta. Em alguns casos, a raz\u00e3o \u00e9 que nestes sistemas de um \u00fanico planeta, o planeta orbita a estrela muito perto, mas nos outros, a raz\u00e3o \u00e9 que os sistemas podem realmente conter mais planetas do que inicialmente assumido. &#8220;Nestes casos, pensamos que o desvio da regra pode ajudar-nos a revelar mais planetas que estavam ocultos at\u00e9 agora,&#8221; disse Nanna Bach-M\u00f8ller, autora principal do artigo cient\u00edfico. Se conseguirmos ver a extens\u00e3o da excentricidade da \u00f3rbita do planeta, saberemos quantos outros planetas devem existir no sistema &#8211; e vice-versa, se tivermos o n\u00famero de planetas, sabemos agora as suas \u00f3rbitas. &#8220;Esta seria uma ferramenta muito importante para detetar sistemas planet\u00e1rios como o nosso pr\u00f3prio Sistema Solar, porque muitos exoplanetas semelhantes aos planetas do nosso Sistema Solar seriam dif\u00edceis de detetar diretamente, caso n\u00e3o soub\u00e9ssemos onde procur\u00e1-los.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A Terra est\u00e1 entre os sortudos 1%<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o importa o m\u00e9todo usado na busca por exoplanetas, chega-se ao mesmo resultado. Portanto, h\u00e1 uma f\u00edsica b\u00e1sica universal em jogo. Os investigadores podem usar isto para dizer: quantos sistemas possuem a mesma excentricidade que o nosso Sistema Solar? &#8211; que podemos usar para avaliar quantos sistemas t\u00eam o mesmo n\u00famero de planetas que o nosso Sistema Solar. A resposta \u00e9 que apenas 1% de todos os sistemas t\u00eam o mesmo n\u00famero de planetas que o nosso Sistema Solar ou mais. A existirem aproximadamente 100 mil milh\u00f5es de estrelas na Via L\u00e1ctea, isto significa, no entanto, nada menos que mil milh\u00f5es de &#8220;Sistemas Solares&#8221;. Existem aproximadamente 10 mil milh\u00f5es de planetas parecidos com a Terra na zona habit\u00e1vel, isto \u00e9, a uma dist\u00e2ncia da sua estrela que permite a exist\u00eancia de \u00e1gua l\u00edquida \u00e0 superf\u00edcie. Mas h\u00e1 uma enorme diferen\u00e7a entre estar na zona habit\u00e1vel e ser habit\u00e1vel ou ter desenvolvido uma civiliza\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, enfatiza Uffe Gr\u00e5e J\u00f8rgensen. &#8220;Algo \u00e9 a causa do facto de n\u00e3o haver uma grande quantidade de OVNIs por a\u00ed. Quando a conquista dos planetas num sistema planet\u00e1rio come\u00e7a, tem r\u00e1pidos desenvolvimentos. Podemos ver isto na nossa pr\u00f3pria civiliza\u00e7\u00e3o. J\u00e1 estivemos na Lua e em Marte j\u00e1 temos v\u00e1rios rob\u00f4s. Mas n\u00e3o existem muitos OVNIs dos milhares de milh\u00f5es de exoplanetas parecidos com a Terra na zona habit\u00e1vel das estrelas, de modo que a vida e as civiliza\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas em particular provavelmente ainda s\u00e3o bastante escassas.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A Terra n\u00e3o \u00e9 particularmente especial &#8211; o n\u00famero de planetas no sistema \u00e9 o que importa<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que \u00e9 necess\u00e1rio para abrigar vida, al\u00e9m de um planeta do tamanho da Terra na zona habit\u00e1vel? O que torna a nossa Terra e o nosso Sistema Solar t\u00e3o especial? Em termos de planeta, a Terra n\u00e3o \u00e9 especial &#8211; existem imensos planetas semelhantes \u00e0 Terra por a\u00ed. Mas talvez possa ser o n\u00famero de planetas e a sua natureza. Existem muitos gigantes gasosos no nosso Sistema Solar, metade do n\u00famero total. Ser\u00e1 que a exist\u00eancias de grandes planetas gasosos \u00e9 a causa da nossa exist\u00eancia aqui na Terra? Parte desse debate envolve a quest\u00e3o de saber se os grandes planetas gasosos, Saturno e J\u00fapiter, &#8220;direcionaram&#8221; os cometas para a Terra carregando \u00e1gua quando esta tinha 500 milh\u00f5es de anos, permitindo aqui a forma\u00e7\u00e3o de vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta \u00e9 a primeira vez que um estudo mostra a raridade de um sistema planet\u00e1rio abrigar 8 planetas, mas ao mesmo tempo mostra que o nosso Sistema Solar n\u00e3o \u00e9 inteiramente \u00fanico. O nosso Sistema Solar segue as mesmas regras f\u00edsicas para a forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria como qualquer outro sistema planet\u00e1rio, apenas estamos no final invulgar da escala. E ainda nos resta a quest\u00e3o de porqu\u00ea, exatamente, estarmos c\u00e1 para sermos capazes de pensar sobre isto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nbi.ku.dk\/english\/news\/news20\/the-solar-system-follows-the-galactic-standard--but-it-is-a-rare-breed\/\" target=\"_blank\">\/\/ Instituto Niels Bohr da Universidade de Copenhaga (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/academic.oup.com\/mnras\/article-abstract\/500\/1\/1313\/5944142\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2010.10371\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Sistema Solar:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Solar_System\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Exoplanetas:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Extrasolar_planet\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de planetas (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_potential_habitable_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de exoplanetas potencialmente habit\u00e1veis (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_extrasolar_planet_extremes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de extremos (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.openexoplanetcatalogue.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Open Exoplanet Catalogue<\/a><br><a href=\"http:\/\/planetquest.jpl.nasa.gov\/index.cfm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PlanetQuest<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.exoplanet.eu\/index.php\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Enciclop\u00e9dia dos Planetas Extrasolares<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Investigadores do Instituto Niels Bohr, da Universidade de Copenhaga, investigaram mais de 1000 sistemas planet\u00e1rios orbitando estrelas na nossa pr\u00f3pria Gal\u00e1xia, a Via L\u00e1ctea, e descobriram uma s\u00e9rie de liga\u00e7\u00f5es entre as \u00f3rbitas planet\u00e1rias, o n\u00famero de planetas, a ocorr\u00eancia e a dist\u00e2ncia \u00e0s suas estrelas. 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