{"id":3722,"date":"2020-12-04T06:50:41","date_gmt":"2020-12-04T06:50:41","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=3722"},"modified":"2020-12-04T06:50:49","modified_gmt":"2020-12-04T06:50:49","slug":"gas-veloz-fluindo-para-longe-de-cintura-de-asteroides-de-jovem-estrela-pode-ser-provocado-pela-vaporizacao-de-cometas-gelados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2020\/12\/04\/gas-veloz-fluindo-para-longe-de-cintura-de-asteroides-de-jovem-estrela-pode-ser-provocado-pela-vaporizacao-de-cometas-gelados\/","title":{"rendered":"G\u00e1s veloz fluindo para longe de cintura de asteroides de jovem estrela pode ser provocado pela vaporiza\u00e7\u00e3o de cometas gelados"},"content":{"rendered":"\n<p>Os astr\u00f3nomos detetaram o g\u00e1s mon\u00f3xido de carbono em movimento r\u00e1pido fluindo de uma estrela jovem de baixa massa: um est\u00e1gio \u00fanico na evolu\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria que pode fornecer uma vis\u00e3o sobre como o nosso pr\u00f3prio Sistema Solar evoluiu e sugere que a maneira como os sistemas se desenvolvem pode ser mais complicada do que se pensava.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora n\u00e3o esteja claro como o g\u00e1s est\u00e1 a ser expelido t\u00e3o depressa, uma equipa de investigadores, liderada pela Universidade de Cambridge, pensa que pode ser produzido a partir de cometas gelados sendo vaporizados na cintura de asteroides da estrela. Os resultados foram aceites para publica\u00e7\u00e3o na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society e ser\u00e3o apresentados na confer\u00eancia virtual &#8220;Five Years After HL Tau&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/i.imgur.com\/TDENWNn.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"885\" height=\"432\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/TDENWNn.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3723\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/TDENWNn.jpg 885w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/TDENWNn-300x146.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/TDENWNn-768x375.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 885px) 100vw, 885px\" \/><\/a><figcaption>Impress\u00e3o de artista do sistema NO Lup.<br>Cr\u00e9dito: Instituto de Astronomia da Universidade de Cambridge<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A dete\u00e7\u00e3o foi feita com o ALMA (Atacama Large Millimetre\/submillimetre Array) no Chile, como parte de um levantamento de estrelas jovens de &#8216;classe III&#8217;, relatado num artigo cient\u00edfico anterior. Algumas destas estrelas de classe III est\u00e3o rodeadas por discos de detritos, que se pensa serem formados por colis\u00f5es cont\u00ednuas de cometas, asteroides e outros objetos s\u00f3lidos, conhecidos como planetesimais, nos confins de sistemas planet\u00e1rios recentemente formados. Os remanescentes de poeira e detritos destas colis\u00f5es absorvem a luz das suas estrelas centrais e reirradiam essa energia como um brilho fraco que pode ser estudado com o ALMA.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas regi\u00f5es internas dos sistemas planet\u00e1rios, espera-se que os processos de forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria resultem na perda de toda a poeira mais quente, e as estrelas da classe III s\u00e3o aquelas que ficam com &#8211; no m\u00e1ximo &#8211; poeira t\u00e9nue e fria. Estas t\u00e9nues cinturas de poeira fria s\u00e3o semelhantes aos discos de detritos vistos em torno de outras estrelas, id\u00eanticos \u00e0 Cintura de Kuiper do nosso pr\u00f3prio Sistema Solar, que \u00e9 conhecida por hospedar asteroides muito maiores e cometas.<\/p>\n\n\n\n<p>No levantamento, descobriu-se que a estrela em quest\u00e3o, NO Lup, que tem cerca de 70% da massa do nosso Sol, tem um disco empoeirado de baixa massa, mas \u00e9 a \u00fanica estrela da classe III onde foi detetado o g\u00e1s mon\u00f3xido de carbono, a primeira vez para este tipo de estrela jovem com o ALMA. Embora se saiba que muitas estrelas jovens ainda hospedam os discos formadores de planetas ricos em g\u00e1s a partir dos quais nascem, o de NO Lup \u00e9 mais evolu\u00eddo, e seria de esperar que tivesse perdido este g\u00e1s primordial ap\u00f3s a forma\u00e7\u00e3o dos seus planetas.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora a dete\u00e7\u00e3o do g\u00e1s mon\u00f3xido de carbono seja rara, o que tornou a observa\u00e7\u00e3o \u00fanica foi a escala e a velocidade do g\u00e1s, o que levou a um estudo de acompanhamento para explorar o seu movimento e origens.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;S\u00f3 a dete\u00e7\u00e3o do g\u00e1s mon\u00f3xido de carbono j\u00e1 foi empolgante, j\u00e1 que nenhuma outra jovem estrela deste tipo tinha sido previamente fotografada com o ALMA,&#8221; disse o autor principal Joshua Lovell, estudante de doutoramento do Instituto de Astronomia de Cambridge. &#8220;Mas quando olh\u00e1mos mais atentamente, encontr\u00e1mos algo ainda mais invulgar: dada a dist\u00e2ncia a que o g\u00e1s estava da estrela, movia-se muito mais depressa do que o esperado. Isto intrigou-nos durante algum tempo.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Grant Kennedy, da Universidade de Warwick, que liderou o trabalho de modelagem do estudo, apresentou uma solu\u00e7\u00e3o para o quebra-cabe\u00e7as. &#8220;Encontr\u00e1mos uma maneira simples de o explicar: ao modelar um anel de g\u00e1s, mas dando ao g\u00e1s um impulso extra para fora,&#8221; disse. &#8220;Outros modelos foram usados para explicar os discos jovens com mecanismos semelhantes, mas este disco \u00e9 mais como um disco de detritos onde n\u00e3o t\u00ednhamos testemunhado ventos antes. O nosso modelo mostrou que o g\u00e1s \u00e9 totalmente consistente com um cen\u00e1rio em que est\u00e1 sendo lan\u00e7ado para fora a cerca de 22 km\/s, muito mais r\u00e1pido do que qualquer velocidade orbital est\u00e1vel.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Uma an\u00e1lise posterior tamb\u00e9m mostrou que o g\u00e1s pode ser produzido durante as colis\u00f5es entre asteroides, ou durante per\u00edodos de sublima\u00e7\u00e3o &#8211; a transi\u00e7\u00e3o do estado s\u00f3lido para o estado gasoso &#8211; \u00e0 superf\u00edcie dos cometas da estrela, que devem ser ricos em mon\u00f3xido de carbono gelado.<\/p>\n\n\n\n<p>Foram recolhidas recentemente evid\u00eancias do mesmo processo no nosso pr\u00f3prio Sistema Solar com a miss\u00e3o New Horizons da NASA, quando observou o objeto Ultima Thule (ou Arrokoth) em 2019, da Cintura de Kuiper, e encontrou a evolu\u00e7\u00e3o de sublima\u00e7\u00e3o \u00e0 superf\u00edcie do corpo gelado, que teve lugar h\u00e1 cerca de 4,5 mil milh\u00f5es de anos. O mesmo evento que vaporizou cometas no nosso pr\u00f3prio Sistema Solar h\u00e1 milhares de milh\u00f5es de anos pode, portanto, ter sido capturado pela primeira vez a mais de 400 anos-luz de dist\u00e2ncia, num processo que pode ser comum em torno de estrelas formadoras de planetas, e que pode ter implica\u00e7\u00f5es na evolu\u00e7\u00e3o de todos os cometas, asteroides e planetas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Esta estrela fascinante est\u00e1 a lan\u00e7ar luz sobre os tipos de processos f\u00edsicos que moldam os sistemas planet\u00e1rios logo ap\u00f3s nascerem, logo depois de terem emergido de serem envoltos pelo seu disco protoplanet\u00e1rio,&#8221; disse o coautor Professor Mark Wyatt, tamb\u00e9m do Instituto de Astronomia de Cambridge. &#8220;Embora tenhamos visto g\u00e1s produzido por planetesimais em sistemas mais antigos, o ritmo de liberta\u00e7\u00e3o no qual o g\u00e1s est\u00e1 a ser produzido neste sistema e a sua natureza de fluxo s\u00e3o bastante not\u00e1veis, e apontam para uma fase de evolu\u00e7\u00e3o do sistema planet\u00e1rio que estamos aqui a testemunhar pela primeira vez.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Embora o puzzle ainda n\u00e3o esteja totalmente resolvido, e seja necess\u00e1ria uma modelagem mais detalhada para entender como o g\u00e1s est\u00e1 a ser expelido t\u00e3o rapidamente, o que \u00e9 certo \u00e9 que este sistema ser\u00e1 alvo de medi\u00e7\u00f5es de acompanhamento mais intensas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Esperamos que o ALMA esteja online novamente no pr\u00f3ximo ano e faremos quest\u00e3o de observar este sistema novamente em mais detalhes,&#8221; disse Lovell. &#8220;Tendo em conta o que aprendemos sobre este est\u00e1gio inicial da evolu\u00e7\u00e3o dos sistemas planet\u00e1rios com apenas uma curta observa\u00e7\u00e3o de 30 minutos, ainda h\u00e1 muito mais que este sistema nos pode dizer.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.cam.ac.uk\/research\/news\/fast-moving-gas-flowing-away-from-young-stars-asteroid-belt-may-be-caused-by-icy-comet-vaporisation\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Cambridge (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/warwick.ac.uk\/newsandevents\/pressreleases\/fast-moving_gas_flowing\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Warwick (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/academic.oup.com\/mnras\/advance-article\/doi\/10.1093\/mnras\/staa3335\/5942672\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2010.12657\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p><strong>Discos protoplanet\u00e1rios:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Protoplanetary_disk\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Classifica\u00e7\u00e3o estelar:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Stellar_classification\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>ALMA:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.almaobservatory.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.nrao.edu\/index.php\/about\/facilities\/alma\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (NRAO)<\/a><br><a href=\"http:\/\/alma.mtk.nao.ac.jp\/e\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (NAOJ)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/alma.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (ESO)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Atacama_Large_Millimeter_Array\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>ESO:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/public\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/ESO\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os astr\u00f3nomos detetaram o g\u00e1s mon\u00f3xido de carbono em movimento r\u00e1pido fluindo de uma estrela jovem de baixa massa: um est\u00e1gio \u00fanico na evolu\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria que pode fornecer uma vis\u00e3o sobre como o nosso pr\u00f3prio Sistema Solar evoluiu e sugere que a maneira como os sistemas se desenvolvem pode ser mais complicada do que se &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3723,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50,72,1],"tags":[305,306,166,977],"class_list":["post-3722","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-estrelas","category-exoplanetas","category-telescopios-profissionais","tag-alma","tag-disco-protoplanetario","tag-eso","tag-no-lup"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3722","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3722"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3722\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3724,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3722\/revisions\/3724"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3723"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3722"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3722"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3722"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}