{"id":3700,"date":"2020-11-27T06:19:48","date_gmt":"2020-11-27T06:19:48","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=3700"},"modified":"2020-11-27T06:19:57","modified_gmt":"2020-11-27T06:19:57","slug":"um-disco-de-formacao-planetaria-ainda-alimentado-pela-nuvem-mae","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2020\/11\/27\/um-disco-de-formacao-planetaria-ainda-alimentado-pela-nuvem-mae\/","title":{"rendered":"Um disco de forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria ainda alimentado pela nuvem-m\u00e3e"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os sistemas estelares como o nosso formam-se dentro de nuvens interestelares de g\u00e1s e poeira que colapsam produzindo estrelas jovens rodeadas por discos protoplanet\u00e1rios. Os planetas formam-se dentro destes discos protoplanet\u00e1rios, deixando divis\u00f5es claras, que foram recentemente observadas em sistemas evolu\u00eddos, no momento em que a nuvem-m\u00e3e foi dissipada. O ALMA revelou agora um disco protoplanet\u00e1rio evolu\u00eddo com uma grande divis\u00e3o ainda sendo alimentado pela nuvem circundante por meio de grandes filamentos de acre\u00e7\u00e3o. Isto mostra que a acre\u00e7\u00e3o de material no disco protoplanet\u00e1rio continua por mais tempo do que se pensava anteriormente, afetando a evolu\u00e7\u00e3o do futuro sistema planet\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/original-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3701\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/original-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/original-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/original-768x432.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/original.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Esta imagem a cores falsas mostra os filamentos de acre\u00e7\u00e3o em torno da protoestrela [BHB2007] 1. As grandes estruturas s\u00e3o fluxos de g\u00e1s molecular (CO) que alimentam o disco que rodeia a protoestrela. A inser\u00e7\u00e3o mostra a emiss\u00e3o de poeira do disco, visto de lado. Os &#8220;buracos&#8221; no mapa de poeira representam uma enorme divis\u00e3o anular vista (de lado) na estrutura do disco.<br>Cr\u00e9dito: Instituto Max Planck para F\u00edsica Extraterrestre<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma equipa de astr\u00f3nomos liderados pelo Dr. Felipe Alves do Centro para Estudos Astroqu\u00edmicos do Instituto Max Planck para F\u00edsica Extraterrestre usou o ALMA (Atacama Large Millimeter\/submillimeter Array) para estudar o processo de acre\u00e7\u00e3o no objeto estelar [BHB2007] 1, um sistema localizado na ponta da Nuvem Molecular do Cachimbo. Os dados do ALMA revelam um disco de poeira e g\u00e1s em torno da protoestrela e grandes filamentos de g\u00e1s em torno deste disco. Os cientistas interpretam estes filamentos como &#8220;serpentinas&#8221; de acre\u00e7\u00e3o que alimentam o disco com material extra\u00eddo da nuvem ambiente. O disco reprocessa o material acretado, entregando-o \u00e0 protoestrela. A estrutura observada \u00e9 muito invulgar para objetos estelares neste est\u00e1gio de evolu\u00e7\u00e3o &#8211; com uma idade estimada em 1.000.000 anos &#8211; quando os discos circunstelares j\u00e1 est\u00e3o formados e amadurecidos para a forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria. &#8220;Fic\u00e1mos surpreendidos ao observar filamentos de acre\u00e7\u00e3o t\u00e3o proeminentes a cair no disco,&#8221; disse Alves. &#8220;A atividade dos filamentos de acre\u00e7\u00e3o demonstra que o disco ainda est\u00e1 a crescer enquanto simultaneamente nutre a protoestrela.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa tamb\u00e9m relata a presen\u00e7a de uma enorme lacuna dentro do disco. A divis\u00e3o tem uma largura de 70 unidades astron\u00f3micas e abrange uma zona compacta de g\u00e1s molecular quente. Al\u00e9m disso, dados suplementares em frequ\u00eancias r\u00e1dio pelo VLA (Very Large Array) apontam para a exist\u00eancia de emiss\u00e3o n\u00e3o-t\u00e9rmica no mesmo local onde foi detetado o g\u00e1s quente. Estas duas linhas de evid\u00eancia indicam que um objeto subestelar &#8211; um jovem planeta gigante ou uma an\u00e3 castanha &#8211; est\u00e1 presente na divis\u00e3o. \u00c0 medida que este companheiro acreta material do disco, aquece o g\u00e1s e possivelmente fornece energia a fortes ventos ionizados e\/ou jatos. A equipa estima que um objeto com uma massa entre 4 e 70 massas de J\u00fapiter seja necess\u00e1rio para produzir a lacuna observada no disco.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.mpe.mpg.de\/7529258\/original-1606125986.jpeg?t=eyJ3aWR0aCI6MTIwMCwib2JqX2lkIjo3NTI5MjU4fQ==--6b5557e6dc84c48f989654577eaa4360cebee617\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/d5w25rB.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption> Duas observa\u00e7\u00f5es diferentes do disco protoplanet\u00e1rio mostram assinaturas da forma\u00e7\u00e3o de um companheiro da protoestrela. A escala cinza representa a emiss\u00e3o t\u00e9rmica da poeira do disco, tal como a inser\u00e7\u00e3o da imagem anterior. Os contornos vermelho e azul mostram os n\u00edveis do brilho molecular do CO do lado norte\/sul da divis\u00e3o de poeira observada com o ALMA. Esta localiza\u00e7\u00e3o coincide com uma zona de emiss\u00e3o n\u00e3o-t\u00e9rmica que tra\u00e7a g\u00e1s ionizado (contornos verdes) observados com o VLA, observada em adi\u00e7\u00e3o \u00e0 protoestrela (centro da imagem). A equipa prop\u00f5e que tanto o g\u00e1s ionizado quando o g\u00e1s molecular quente sejam devidos \u00e0 presen\u00e7a de um protoplaneta ou an\u00e3 castanha na lacuna. A configura\u00e7\u00e3o de tal sistema pode ser vista \u00e0 direita.<br>Cr\u00e9dito: Instituto Max Planck para F\u00edsica Extraterrestre; ilustra\u00e7\u00e3o &#8211; Gabriel A. P. Franco <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Apresentamos um novo caso de forma\u00e7\u00e3o estelar e planet\u00e1ria a ocorrer em conjunto,&#8221; afirma Paola Caselli, diretora do Instituto Max Planck para F\u00edsica Extraterrestre e l\u00edder do Centro para Estudos Astroqu\u00edmicos. &#8220;As nossas observa\u00e7\u00f5es indicam fortemente que os discos protoplanet\u00e1rios continuam a acumular material tamb\u00e9m ap\u00f3s o in\u00edcio da forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria. Isto \u00e9 importante porque o material fresco que cai no disco afetar\u00e1 tanto a composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica do futuro sistema planet\u00e1rio quanto a evolu\u00e7\u00e3o din\u00e2mica de todo o disco.&#8221; Estas observa\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m imp\u00f5em novas restri\u00e7\u00f5es temporais para a forma\u00e7\u00e3o dos planetas e da evolu\u00e7\u00e3o do disco, esclarecendo como sistemas estelares como o nosso s\u00e3o esculpidos a partir da nuvem original.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.mpe.mpg.de\/7529173\/news20201123\" target=\"_blank\">\/\/ Instituto Max Planck para F\u00edsica Extraterrestre (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/dx.doi.org\/10.3847\/2041-8213\/abc550\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal Letters)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2010.15135\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discos protoplanet\u00e1rios:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Protoplanetary_disk\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ALMA:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.almaobservatory.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.nrao.edu\/index.php\/about\/facilities\/alma\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (NRAO)<\/a><br><a href=\"http:\/\/alma.mtk.nao.ac.jp\/e\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (NAOJ)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/alma.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (ESO)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Atacama_Large_Millimeter_Array\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os sistemas estelares como o nosso formam-se dentro de nuvens interestelares de g\u00e1s e poeira que colapsam produzindo estrelas jovens rodeadas por discos protoplanet\u00e1rios. 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