{"id":3693,"date":"2020-11-24T06:28:17","date_gmt":"2020-11-24T06:28:17","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=3693"},"modified":"2020-11-24T06:28:19","modified_gmt":"2020-11-24T06:28:19","slug":"astronomos-descobrem-nova-galaxia-fossil-enterrada-nas-profundezas-da-via-lactea","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2020\/11\/24\/astronomos-descobrem-nova-galaxia-fossil-enterrada-nas-profundezas-da-via-lactea\/","title":{"rendered":"Astr\u00f3nomos descobrem nova &#8220;gal\u00e1xia f\u00f3ssil&#8221; enterrada nas profundezas da Via L\u00e1ctea"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cientistas que trabalham com dados do APOGEE (Apache Point Observatory Galactic Evolution Experiment) do SDSS (Sloan Digital Sky Survey) descobriram uma &#8220;gal\u00e1xia f\u00f3ssil&#8221; escondida nas profundezas da nossa Via L\u00e1ctea.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este resultado, publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, pode abalar a nossa compreens\u00e3o de como a Via L\u00e1ctea cresceu para a Gal\u00e1xia que vemos hoje.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A gal\u00e1xia f\u00f3ssil proposta pode ter colidido com a Via L\u00e1ctea h\u00e1 dez mil milh\u00f5es de anos, quando a nossa Gal\u00e1xia ainda estava na sua inf\u00e2ncia. Os astr\u00f3nomos chamaram-na H\u00e9racles, em homenagem ao antigo her\u00f3i grego que recebeu o dom da imortalidade quando a Via L\u00e1ctea foi criada.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"400\" height=\"400\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/PR_FINAL_FACEON_nocredit_sm.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3694\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/PR_FINAL_FACEON_nocredit_sm.png 400w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/PR_FINAL_FACEON_nocredit_sm-150x150.png 150w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/PR_FINAL_FACEON_nocredit_sm-300x300.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><figcaption>Impress\u00e3o de artista do poss\u00edvel aspeto da Via L\u00e1ctea quando vista de cima. Os an\u00e9is coloridos mostram a extens\u00e3o da gal\u00e1xia f\u00f3ssil conhecida como H\u00e9racles. O ponto amarelo mostra a posi\u00e7\u00e3o do Sol.<br>Cr\u00e9dito: Danny Horta-Darrington (Universidade John Moores de Liverpool), NASA\/JPL-Caltech e SDSS<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os remanescentes de H\u00e9racles representam cerca de um-ter\u00e7o do halo esf\u00e9rico da Via L\u00e1ctea. Mas se as estrelas e o g\u00e1s de H\u00e9racles constituem uma percentagem t\u00e3o grande do Halo Gal\u00e1ctico, porque \u00e9 que n\u00e3o os vimos antes? A resposta est\u00e1 na sua localiza\u00e7\u00e3o no interior da Via L\u00e1ctea.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Para encontrar uma gal\u00e1xia f\u00f3ssil como esta, tivemos que observar a composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica detalhada e os movimentos de dezenas de milhares de estrelas,&#8221; diz Ricardo Schiavon da Universidade John Moores em Liverpool, no Reino Unido, um membro importante da equipa de investiga\u00e7\u00e3o. &#8220;Isto \u00e9 especialmente dif\u00edcil de fazer para estrelas no centro da Via L\u00e1ctea, porque est\u00e3o escondidas da vista por nuvens de poeira interestelar. O APOGEE permite-nos atravessar essa poeira e ver o cora\u00e7\u00e3o da Via L\u00e1ctea mais profundamente do que nunca.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O APOGEE faz isso obtendo espectros de estrelas no infravermelho pr\u00f3ximo, em vez de no vis\u00edvel, que fica obscurecido pela poeira. Ao longo da sua vida observacional de dez anos, o APOGEE mediu espectros para mais de meio milh\u00e3o de estrelas de toda a Via L\u00e1ctea, incluindo o seu n\u00facleo anteriormente obscurecido pela poeira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudante Danny Horta da mesma universidade, autor principal do artigo cient\u00edfico que anuncia o resultado, explica que &#8220;examinar um n\u00famero t\u00e3o grande de estrelas \u00e9 necess\u00e1rio para encontrar estrelas invulgares no cora\u00e7\u00e3o densamente povoado da Via L\u00e1ctea, que \u00e9 como encontrar agulhas num palheiro.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para separar estrelas pertencentes a H\u00e9racles daquelas da Via L\u00e1ctea original, a equipa usou composi\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas e velocidades das estrelas medidas pelo instrumento APOGEE.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Das dezenas de milhares de estrelas que observ\u00e1mos, algumas centenas tinham composi\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas e velocidades surpreendentemente diferentes,&#8221; disse Horta. &#8220;Estas estrelas s\u00e3o t\u00e3o diferentes que s\u00f3 podiam ter vindo de outra gal\u00e1xia. Ao estud\u00e1-las em detalhe, pudemos tra\u00e7ar a localiza\u00e7\u00e3o precisa e a hist\u00f3ria desta gal\u00e1xia f\u00f3ssil.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.sdss.org\/press-releases\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/PR_FINAL_edgeon_nocredit.png\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.sdss.org\/press-releases\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/PR_FINAL_edgeon_nocredit_sm.png\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption> Imagem de todo o c\u00e9u das estrelas da Via L\u00e1ctea, a partir da perspetiva da Terra. Os an\u00e9is coloridos mostram a extens\u00e3o da gal\u00e1xia f\u00f3ssil conhecida como H\u00e9racles. Os pequenos objetos em baixo e \u00e0 direita s\u00e3o as Grandes Nuvens de Magalh\u00e3es, duas gal\u00e1xias sat\u00e9lite da Via L\u00e1ctea.<br>Cr\u00e9dito: Danny Horta-Darrington (Universidade John Moores de Liverpool), ESA\/Gaia e SDSS <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tendo em conta que as gal\u00e1xias s\u00e3o constru\u00eddas por meio de fus\u00f5es com gal\u00e1xias mais pequenas ao longo do tempo, os remanescentes de gal\u00e1xias mais antigas s\u00e3o vistos frequentemente no halo exterior da Via L\u00e1ctea, uma nuvem enorme mas muito esparsa de estrelas que envolvem a gal\u00e1xia principal. Mas, uma vez que a nossa Gal\u00e1xia foi constru\u00edda de dentro para fora, as primeiras fus\u00f5es requerem olhar para as partes mais centrais do halo da Via L\u00e1ctea, que est\u00e3o profundamente enterradas dentro do disco e no bojo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As estrelas originalmente pertencentes a H\u00e9racles representam aproximadamente um-ter\u00e7o da massa de todo o halo da Via L\u00e1ctea hoje &#8211; o que significa que esta rec\u00e9m-descoberta antiga colis\u00e3o deve ter sido um evento importante na hist\u00f3ria da nossa Gal\u00e1xia. Isto sugere que a nossa Gal\u00e1xia pode ser invulgar, dado que a maioria das gal\u00e1xias espirais massivas semelhantes tiveram vidas iniciais muito mais calmas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Como o nosso lar c\u00f3smico, a Via L\u00e1ctea j\u00e1 nos \u00e9 especial, mas esta antiga gal\u00e1xia nela enterrada torna-a ainda mais especial,&#8221; disse Schiavon.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Karen Masters, porta-voz do SDSS-IV, comenta: &#8220;O APOGEE \u00e9 um dos principais levantamentos da quarta fase do SDSS, e este resultado \u00e9 um exemplo da ci\u00eancia incr\u00edvel que qualquer um pode fazer, agora que quase complet\u00e1mos a nossa miss\u00e3o de dez anos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E esta nova era de descobertas n\u00e3o vai terminar com a conclus\u00e3o das observa\u00e7\u00f5es do APOGEE. A quinta fase do SDSS j\u00e1 come\u00e7ou a recolher dados, e o seu MWM (Milky Way Mapper) vai basear-se no sucesso do APOGEE para medir espectros de dez vezes mais estrelas em todas as partes da Via L\u00e1ctea, usando luz infravermelha pr\u00f3xima, luz vis\u00edvel, e \u00e0s vezes ambas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Simulation of the formation of the Milky Way\" width=\"618\" height=\"464\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/IFfNQ6V01j8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.sdss.org\/press-releases\/astronomers-find-new-fossil-galaxy\/\" target=\"_blank\">\/\/ SDSS (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/academic.oup.com\/mnras\/article\/500\/1\/1385\/5991050\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2007.10374\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2020-11-astronomers-fossil-galaxy-deep-milky.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><br><a href=\"https:\/\/cosmosmagazine.com\/space\/astronomy\/fossil-galaxy-found-deep-in-the-milky-way\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">COSMOS<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.forbes.com\/sites\/jamiecartereurope\/2020\/11\/20\/weve-found-an-ancient-fossil-galaxy-in-the-milky-way-say-scientists\/?sh=3ec4556b12f0\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Forbes<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.bbc.co.uk\/newsround\/55027470\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">BBC<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Via L\u00e1ctea:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Milky_Way\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/messier.seds.org\/more\/mw.html\" target=\"_blank\">SEDS<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>SDSS:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.sdss.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Sloan_Digital_Sky_Survey\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>APOGEE:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.sdss3.org\/surveys\/apogee.php\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SDSS<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cientistas que trabalham com dados do APOGEE (Apache Point Observatory Galactic Evolution Experiment) do SDSS (Sloan Digital Sky Survey) descobriram uma &#8220;gal\u00e1xia f\u00f3ssil&#8221; escondida nas profundezas da nossa Via L\u00e1ctea. 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