{"id":3662,"date":"2020-11-13T06:44:17","date_gmt":"2020-11-13T06:44:17","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=3662"},"modified":"2020-11-13T06:44:30","modified_gmt":"2020-11-13T06:44:30","slug":"os-aneis-das-arvores-podem-conter-pistas-do-impacto-de-supernovas-distantes-na-terra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2020\/11\/13\/os-aneis-das-arvores-podem-conter-pistas-do-impacto-de-supernovas-distantes-na-terra\/","title":{"rendered":"Os an\u00e9is das \u00e1rvores podem conter pistas do impacto de supernovas distantes na Terra"},"content":{"rendered":"\n<p>De acordo com uma nova investiga\u00e7\u00e3o do geocientista Robert Brakenridge da Universidade do Colorado, em Boulder, EUA, explos\u00f5es massivas de energia, a milhares de anos-luz da Terra, podem ter deixado vest\u00edgios na biologia e geologia do nosso planeta.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo, publicado este m\u00eas na revista International Journal of Astrobiology, investiga os impactos das supernovas, alguns dos eventos mais violentos do Universo conhecido. Em apenas alguns meses, uma \u00fanica destas erup\u00e7\u00f5es pode libertar tanta energia quanto o Sol durante toda a sua vida. S\u00e3o tamb\u00e9m brilhantes &#8211; muito brilhantes.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Vemos muitas supernovas noutras gal\u00e1xias,&#8221; disse Brakenridge, investigador associado s\u00e9nior do INSTAAR (Institute of Arctic and Alpine Research) na Universidade do Colorado, em Boulder. &#8220;Atrav\u00e9s de um telesc\u00f3pio, uma gal\u00e1xia \u00e9 uma pequena mancha difusa. Ent\u00e3o, de repente, aparece uma estrela e pode ser t\u00e3o brilhante quanto o resto da gal\u00e1xia.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/i.imgur.com\/ga0frOO.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"410\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/ga0frOO-1024x410.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3663\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/ga0frOO-1024x410.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/ga0frOO-300x120.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/ga0frOO-768x307.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/ga0frOO.jpg 1500w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>O remanescente de uma supernova na Grande Nuvem de Magalh\u00e3es, uma gal\u00e1xia an\u00e3 situada perto da Via L\u00e1ctea.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/ESA\/HEIC e Equipa do Legado Hubble<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Uma supernova muito pr\u00f3xima pode ser capaz de varrer a civiliza\u00e7\u00e3o humana da face da Terra. Mas mesmo de longe, estas explos\u00f5es podem ainda provocar danos, disse Brakenridge, banhando o nosso planeta em radia\u00e7\u00e3o perigosa e danificando a camada protetora de ozono.<\/p>\n\n\n\n<p>Para estudar estes poss\u00edveis impactos, Brakenridge estudou registos de an\u00e9is de \u00e1rvores em busca das impress\u00f5es digitais destas distantes explos\u00f5es c\u00f3smicas. Os seus achados sugerem que as supernovas relativamente pr\u00f3ximas podem, teoricamente, ter provocado pelo menos quatro perturba\u00e7\u00f5es no clima da Terra ao longo dos \u00faltimos 40.000 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os resultados est\u00e3o longe de ser conclusivos, mas fornecem dicas tentadoras de que, quando se trata da estabilidade da vida na Terra, o que acontece no espa\u00e7o nem sempre fica no espa\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Estes s\u00e3o eventos extremos, e os seus potenciais efeitos parecem corresponder aos registos dos an\u00e9is de \u00e1rvores,&#8221; disse Brakenridge.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Picos de radiocarbono<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A sua investiga\u00e7\u00e3o gira em torno do caso de um \u00e1tomo curioso. Brakenridge explicou que o carbono-14, tamb\u00e9m conhecido como radiocarbono, \u00e9 um is\u00f3topo do carbono que ocorre apenas em pequenas quantidades na Terra. Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 daqui. O radiocarbono \u00e9 formado quando os raios c\u00f3smicos do espa\u00e7o bombardeiam a atmosfera do nosso planeta num ritmo quase constante.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Geralmente h\u00e1 uma quantidade constante ano ap\u00f3s ano,&#8221; disse Brakenridge. &#8220;As \u00e1rvores captam di\u00f3xido de carbono e parte desse carbono ser\u00e1 radiocarbono.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, \u00e0s vezes a quantidade de radiocarbono que as \u00e1rvores recolhem n\u00e3o \u00e9 constante. Os cientistas descobriram um punhado de casos em que a concentra\u00e7\u00e3o deste is\u00f3topo nos an\u00e9is das \u00e1rvores aumentou &#8211; subitamente e sem raz\u00e3o terrestre aparente. Muitos cientistas levantaram a hip\u00f3tese de que estes picos de v\u00e1rios anos podem ser provocados por explos\u00f5es solares ou enormes liberta\u00e7\u00f5es de energia da superf\u00edcie do Sol.<\/p>\n\n\n\n<p>Brakenridge e v\u00e1rios outros cientistas focaram-se em eventos muito mais distantes.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Estamos a ver eventos terrestres que imploram por uma explica\u00e7\u00e3o,&#8221; disse Brakenridge. &#8220;Na verdade, existem apenas duas possibilidades: uma proemin\u00eancia solar ou uma supernova. Acho que a hip\u00f3tese de supernova foi descartada muito depressa.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.colorado.edu\/today\/sites\/default\/files\/styles\/large\/public\/article-image\/supernova_0.jpg?itok=XxMF4GJS\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/edESfwK.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption> Uma bolha de g\u00e1s que se expande a aproximadamente 17,7 milh\u00f5es de quil\u00f3metros por hora criada pela onda de choque de uma supernova.<br>Cr\u00e9dito: NASA <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Cuidado com Betelgeuse<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ele observou que os cientistas registaram supernovas noutras gal\u00e1xias que podem ter produzido uma quantidade estupenda de radia\u00e7\u00e3o gama &#8211; o mesmo tipo de radia\u00e7\u00e3o que pode desencadear a forma\u00e7\u00e3o de \u00e1tomos de radiocarbono na Terra. Embora estes is\u00f3topos n\u00e3o sejam propriamente perigosos, um pico nos seus n\u00edveis pode indicar que a energia de uma supernova distante viajou centenas ou milhares de anos-luz at\u00e9 ao nosso planeta.<\/p>\n\n\n\n<p>Para testar esta hip\u00f3tese, Brakenridge voltou-se para o passado. Ele reuniu uma lista de supernovas que ocorreram relativamente perto da Terra ao longo dos \u00faltimos 40.000 anos. Os cientistas podem estudar estes eventos observando as nebulosas que deixam para tr\u00e1s. Ele ent\u00e3o comparou as idades estimadas destes fogos-de-artif\u00edcio gal\u00e1cticos com o registo de an\u00e9is de \u00e1rvores no solo.<\/p>\n\n\n\n<p>Descobriu que das oito supernovas mais pr\u00f3ximas estudadas, todas pareciam estar associadas a picos inexplic\u00e1veis no registo de radiocarbono na Terra. Ele considera quatro delas candidatos especialmente promissores. Veja-se o caso de uma ex-estrela na constela\u00e7\u00e3o de Vela. Este corpo celeste, que no passado esteve a cerca de 815 anos-luz da Terra, tornou-se uma supernova h\u00e1 cerca de 13.000 anos. N\u00e3o muito depois, os n\u00edveis de radiocarbono aumentaram quase 3% na Terra &#8211; um aumento impressionante.<\/p>\n\n\n\n<p>Estas evid\u00eancias est\u00e3o longe de serem irrefut\u00e1veis. Os cientistas ainda t\u00eam problemas em datar as supernovas do passado, tornando incerto o momento da explos\u00e3o de Vela e com um erro de at\u00e9 1500 anos. Tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e1 claro quais foram os impactos de tal perturba\u00e7\u00e3o nas plantas e animais da Terra nessa \u00e9poca. Mas Brakenridge pensa que a quest\u00e3o merece mais investiga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O que me faz continuar \u00e9 quando olho para o registo terrestre e digo, &#8216;Meu Deus, os efeitos previstos e modelados parecem estar l\u00e1.'&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Ele espera que a humanidade n\u00e3o precise de ver esses efeitos por si mesma t\u00e3o cedo. Alguns astr\u00f3nomos pensam que avistaram sinais de que Betelgeuse, uma estrela gigante vermelha na constela\u00e7\u00e3o de Orionte, pode estar \u00e0 beira de entrar em colapso e de se transformar em supernova. E s\u00f3 est\u00e1 a 642,5 anos-luz da Terra, muito mais perto do que a supernova de Vela.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;H\u00e1 que ter esperan\u00e7as em que isso n\u00e3o esteja prestes a acontecer, porque Betelgeuse est\u00e1 muito perto,&#8221; disse.<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.colorado.edu\/today\/2020\/11\/11\/tree-rings-may-hold-clues-impacts-distant-supernovas-earth\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade do Colorado, Boulder (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.cambridge.org\/core\/journals\/international-journal-of-astrobiology\/article\/solar-system-exposure-to-supernova-radiation\/93A83A960E20D33182A720A08D13F40C\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (International Journal of Astrobiology)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.sciencedaily.com\/releases\/2020\/11\/201111144400.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ScienceDaily<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2020-11-tree-clues-impacts-distant-supernovas.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Supernova:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Supernova\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a>&nbsp;<br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/History_of_supernova_observation\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hist\u00f3ria da observa\u00e7\u00e3o de supernovas (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Remanescente de supernova de Vela:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Vela_Supernova_Remnant\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Dendrocronologia:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Dendrochronology\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Data\u00e7\u00e3o por radiocarbono:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Radiocarbon_dating\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Carbon-14\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Radiocarbono (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Betelgeuse:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Betelgeuse\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De acordo com uma nova investiga\u00e7\u00e3o do geocientista Robert Brakenridge da Universidade do Colorado, em Boulder, EUA, explos\u00f5es massivas de energia, a milhares de anos-luz da Terra, podem ter deixado vest\u00edgios na biologia e geologia do nosso planeta. 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