{"id":3643,"date":"2020-11-06T06:21:22","date_gmt":"2020-11-06T06:21:22","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=3643"},"modified":"2020-11-06T06:21:34","modified_gmt":"2020-11-06T06:21:34","slug":"previsao-meteorologica-para-planeta-de-lava-ventos-supersonicos-e-chuva-de-rochas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2020\/11\/06\/previsao-meteorologica-para-planeta-de-lava-ventos-supersonicos-e-chuva-de-rochas\/","title":{"rendered":"Previs\u00e3o meteorol\u00f3gica para planeta de lava: ventos supers\u00f3nicos e chuva de rochas"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre os planetas mais extremos descobertos para l\u00e1 do nosso Sistema Solar, est\u00e3o os planetas de lava: mundos escaldantes que orbitam t\u00e3o perto da sua estrela hospedeira que algumas regi\u00f5es s\u00e3o provavelmente oceanos de lava derretida. De acordo com cientistas da Universidade McGill, da Universidade de York e do IISER (Indian Institute of Science Education and Research), a atmosfera e o ciclo clim\u00e1tico de pelo menos um destes exoplanetas s\u00e3o ainda mais estranhos, com evapora\u00e7\u00e3o e precipita\u00e7\u00e3o de rochas, ventos supers\u00f3nicos que atingem mais de 5000 km\/h e um oceano de magma com 100 km de profundidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Num estudo publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, os cientistas usam simula\u00e7\u00f5es de computador para prever as condi\u00e7\u00f5es em K2-141b, um exoplaneta do tamanho da Terra com uma superf\u00edcie, oceano e atmosfera compostos dos mesmos ingredientes: rochas. A meteorologia extrema, prevista na sua an\u00e1lise, pode mudar permanentemente a superf\u00edcie e atmosfera de K2-141b ao longo do tempo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.mcgill.ca\/newsroom\/files\/newsroom\/channels\/image\/lava-planet-4x3-ppt.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/lava-planet-4x3-ppt-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3644\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/lava-planet-4x3-ppt-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/lava-planet-4x3-ppt-300x225.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/lava-planet-4x3-ppt-768x576.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/lava-planet-4x3-ppt.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>Impress\u00e3o de artista do planeta de lava K2-141b. No centro da grande regi\u00e3o iluminada est\u00e1 um oceano de rocha derretida sobreposta por uma atmosfera de vapor de rocha. Os ventos supers\u00f3nicos sopram para o lado mais frio e noturno, condensando-se em precipita\u00e7\u00e3o de rochas e neve, que lentamente se deslocam para a regi\u00e3o mais quente do oceano de magma.<br>Cr\u00e9dito: Julie Roussy, Universidade McGill e Getty Images<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O estudo \u00e9 o primeiro a fazer previs\u00f5es sobre as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas em K2-141b que podem ser detetadas a centenas de anos-luz de dist\u00e2ncia com telesc\u00f3pios de pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o, como o Telesc\u00f3pio Espacial James Webb,&#8221; diz o autor principal Giang Nguyen, estudante de doutoramento na Universidade de York que trabalhou, neste estudo, sob a supervis\u00e3o do professor Nicolas Cowan da Universidade McGill.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Dois-ter\u00e7os do exoplaneta enfrentam um dia sem fim<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao analisar o padr\u00e3o de ilumina\u00e7\u00e3o do exoplaneta, a equipa descobriu que em cerca de dois-ter\u00e7os de K2-141b \u00e9 dia perp\u00e9tuo &#8211; em vez do ciclo dia-noite a que estamos habituados na Terra. K2-141b pertence a um subconjunto de planetas rochosos que orbitam muito perto da sua estrela. Esta proximidade mant\u00e9m o exoplaneta gravitacionalmente bloqueado, o que significa que o mesmo lado est\u00e1 sempre voltado para a estrela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O lado noturno sofre temperaturas frias abaixo dos -200\u00ba C. O lado diurno do exoplaneta, com uns estimados 3000\u00ba C, \u00e9 quente o suficiente n\u00e3o apenas para derreter rochas, mas tamb\u00e9m para as vaporizar, criando em algumas \u00e1reas uma atmosfera fina. &#8220;Os nossos achados provavelmente indicam que a atmosfera se estende um pouco al\u00e9m da costa do oceano de magma, facilitando a localiza\u00e7\u00e3o com telesc\u00f3pios espaciais,&#8221; diz o professor Nicolas Cowan, do Departamento de Ci\u00eancias da Terra e Planet\u00e1rias da Universidade McGill.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Tal como o ciclo da \u00e1gua da Terra, mas com rochas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Notavelmente, a atmosfera de vapor de rocha criada pelo calor extremo sofre precipita\u00e7\u00e3o. Assim como o ciclo da \u00e1gua na Terra, onde a \u00e1gua evapora, sobe para a atmosfera, condensa-se e cai de volta como chuva, o mesmo ocorre com o s\u00f3dio, mon\u00f3xido de sil\u00edcio e di\u00f3xido de sil\u00edcio em K2-141b. Na Terra, a chuva regressa aos oceanos, onde evapora mais uma vez e o ciclo da \u00e1gua se repete. Em K2-141b, o vapor mineral formado pela rocha evaporada \u00e9 varrida para o frio lado noturno pelos ventos supers\u00f3nicos e as rochas &#8220;chovem&#8221; de volta para o oceano de magma. As correntes resultantes deslocam-se de volta para o lado diurno infernal do exoplaneta, onde a rocha \u00e9 evaporada mais uma vez.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda assim, o ciclo de K2-141b n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o est\u00e1vel quanto o da Terra, dizem os cientistas. O fluxo de retorno do oceano de magma para o lado diurno \u00e9 lento e, como resultado, preveem que a composi\u00e7\u00e3o mineral mudar\u00e1 com o tempo &#8211; eventualmente modificando a pr\u00f3pria superf\u00edcie e atmosfera de K2-141b.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Todos os planetas rochosos &#8211; incluindo a Terra-, come\u00e7aram como mundos de lava, mas rapidamente arrefeceram e solidificaram. Os planetas de lava d\u00e3o-nos um raro vislumbre deste est\u00e1gio da evolu\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria&#8221;, disse o professor Cowan.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os cientistas dizem que o pr\u00f3ximo passo ser\u00e1 testar se estas previs\u00f5es est\u00e3o corretas. A equipa tem agora dados do Telesc\u00f3pio Espacial Spitzer que dever\u00e3o dar-lhes um primeiro vislumbre das temperaturas diurnas e noturnas do exoplaneta. Com o lan\u00e7amento do Telesc\u00f3pio Espacial James Webb, previsto para 2021, ser\u00e3o capazes de verificar se a atmosfera se comporta como previsto.<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.mcgill.ca\/newsroom\/channels\/news\/supersonic-winds-rocky-rains-forecasted-lava-planet-325719\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade McGill (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/academic.oup.com\/mnras\/article\/499\/4\/4605\/5948140?searchresult=1\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2010.14101\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>K2-141b:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/exoplanets.nasa.gov\/exoplanet-catalog\/6154\/k2-141-b\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/exoplanet.eu\/catalog\/k2-141_b\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Exoplanet.eu<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.exoplanetkyoto.org\/exohtml\/K2-141_b.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Exokyoto<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/K2-141b\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Exoplanetas:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Extrasolar_planet\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de planetas (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_potential_habitable_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de exoplanetas potencialmente habit\u00e1veis (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_extrasolar_planet_extremes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de extremos (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.openexoplanetcatalogue.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Open Exoplanet Catalogue<\/a><br><a href=\"http:\/\/planetquest.jpl.nasa.gov\/index.cfm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PlanetQuest<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.exoplanet.eu\/index.php\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Enciclop\u00e9dia dos Planetas Extrasolares<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>JWST (Telesc\u00f3pio Espacial James Webb):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.jwst.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.stsci.edu\/jwst\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"https:\/\/webbtelescope.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI (website para o p\u00fablico)<\/a><br><a href=\"http:\/\/sci.esa.int\/science-e\/www\/area\/index.cfm?fareaid=29\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/JWST\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/webbtelescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Facebook<\/a><br><a href=\"https:\/\/twitter.com\/NASAWebb\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Twitter<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/nasawebb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instagram<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre os planetas mais extremos descobertos para l\u00e1 do nosso Sistema Solar, est\u00e3o os planetas de lava: mundos escaldantes que orbitam t\u00e3o perto da sua estrela hospedeira que algumas regi\u00f5es s\u00e3o provavelmente oceanos de lava derretida. 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