{"id":3585,"date":"2020-10-16T05:30:28","date_gmt":"2020-10-16T05:30:28","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=3585"},"modified":"2020-10-16T05:30:39","modified_gmt":"2020-10-16T05:30:39","slug":"astronomos-encontram-raios-x-que-perduram-anos-apos-colisao-de-estrelas-de-neutroes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2020\/10\/16\/astronomos-encontram-raios-x-que-perduram-anos-apos-colisao-de-estrelas-de-neutroes\/","title":{"rendered":"Astr\u00f3nomos encontram raios-X que perduram anos ap\u00f3s colis\u00e3o de estrelas de neutr\u00f5es"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 se passaram tr\u00eas anos desde a dete\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica de ondas gravitacionais oriundas da fus\u00e3o de duas estrelas de neutr\u00f5es. E desde aquele dia que uma equipa internacional de investigadores, incluindo o astrof\u00edsico Bing Zhang da Universidade do Nevada, Las Vegas, EUA, tem vindo a monitorizar continuamente as emiss\u00f5es subsequentes de radia\u00e7\u00e3o a fim de fornecer a imagem mais completa de tal evento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A sua an\u00e1lise fornece explica\u00e7\u00f5es poss\u00edveis para os raios-X que continuaram a irradiar da colis\u00e3o muito depois do que os modelos previam que parasse. O estudo tamb\u00e9m revela que os modelos atuais de estrelas de neutr\u00f5es carecem de informa\u00e7\u00f5es importantes. O artigo, no qual Zhang foi um te\u00f3rico colaborador e coautor, foi publicado dia 12 de outubro na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/i.imgur.com\/vUJV99Y.gif\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"872\" height=\"376\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/vUJV99Y.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-3586\"\/><\/a><figcaption>Os investigadores continuaram a monitorizar cuidadosamente a radia\u00e7\u00e3o emanada do primeiro (e at\u00e9 agora \u00fanico) evento c\u00f3smico detetado tanto em ondas gravitacionais como no espectro eletromagn\u00e9tico. A colis\u00e3o das duas estrelas de neutr\u00f5es, detetada no dia 17 de agosto de 2017, est\u00e1 nesta imagem e situa-se na gal\u00e1xia NGC 4993. Uma nova an\u00e1lise fornece explica\u00e7\u00f5es poss\u00edveis para os raios-X que continuaram a irradiar da colis\u00e3o muito depois de outros tipos de radia\u00e7\u00e3o terem desvanecido, e tamb\u00e9m muito depois do que os modelos anteriores previram.<br>Cr\u00e9dito: E. Troja<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Estamos a entrar numa nova fase da nossa compreens\u00e3o das estrelas de neutr\u00f5es,&#8221; disse Eleonora Troja, cientista associada da Universidade de Maryland e autora principal do artigo. &#8220;N\u00e3o sabemos realmente o que esperar deste ponto em diante, porque todos os nossos modelos n\u00e3o previam nenhuns raios-X e fic\u00e1mos surpresos ao v\u00ea-los 1000 dias ap\u00f3s a dete\u00e7\u00e3o do evento de colis\u00e3o. Podem ser necess\u00e1rios anos para descobrir a resposta ao que est\u00e1 a acontecer, mas a nossa investiga\u00e7\u00e3o abre a porta a muitas possibilidades.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A fus\u00e3o de estrelas de neutr\u00f5es que a equipa estudou &#8211; GW170817 &#8211; foi identificada pela primeira vez gra\u00e7as a ondas gravitacionais detetadas no dia 17 de agosto de 2017. Em poucas horas, telesc\u00f3pios de todo o mundo come\u00e7aram a observar no espectro eletromagn\u00e9tico, incluindo raios-gama e luz emitida pela explos\u00e3o. Foi a primeira e \u00fanica vez que os astr\u00f3nomos foram capazes de observar a radia\u00e7\u00e3o associada \u00e0s ondas gravitacionais, embora j\u00e1 soubessem h\u00e1 muito que essa radia\u00e7\u00e3o existe. Todas as outras ondas gravitacionais observadas at\u00e9 \u00e0 data tiveram origem em eventos que est\u00e3o demasiado distantes ou que n\u00e3o emitem radia\u00e7\u00e3o eletromagn\u00e9tica brilhante o suficiente para ser detetada da Terra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundos ap\u00f3s a dete\u00e7\u00e3o de GW170817, os cientistas registaram o jato inicial de energia, conhecido como GRB (&#8220;gamma-ray burst&#8221;, explos\u00e3o de raios-gama em portugu\u00eas), depois uma quilonova mais lenta, uma nuvem de g\u00e1s que explodiu depois do jato inicial. A luz da quilonova durou cerca de tr\u00eas semanas e depois desvaneceu. Entretanto, nove dias depois da dete\u00e7\u00e3o da primeira onda gravitacional, os telesc\u00f3pios observaram algo que nunca tinham observado antes: raios-X.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os modelos cient\u00edficos baseados na astrof\u00edsica conhecida previram que, \u00e0 medida que o jato inicial de uma colis\u00e3o de estrelas de neutr\u00f5es se move atrav\u00e9s do espa\u00e7o interestelar, este cria a sua pr\u00f3pria onda de choque, que emite raios-X, ondas de r\u00e1dio e luz. Isto \u00e9 conhecido como brilho residual. Observou-se que esta p\u00f3s-luminesc\u00eancia aumentou no in\u00edcio, atingiu o seu pico cerca de 160 dias ap\u00f3s a dete\u00e7\u00e3o das ondas gravitacionais e depois diminuiu rapidamente. Depois de tr\u00eas anos, as ondas r\u00e1dio e a luz desapareceram, mas os raios-X permanecem. Foram observados pela \u00faltima vez pelo Observat\u00f3rio de raios-X Chandra dois anos e meio depois da dete\u00e7\u00e3o inicial de GW170817<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O artigo cient\u00edfico sugere algumas explica\u00e7\u00f5es poss\u00edveis para as emiss\u00f5es de raios-X de longa dura\u00e7\u00e3o. Uma possibilidade \u00e9 que estes raios-X representam uma caracter\u00edstica completamente nova do p\u00f3s-brilho de uma colis\u00e3o, e que a din\u00e2mica de uma explos\u00e3o de raios-gama \u00e9 talvez, de alguma forma, diferente do esperado. Outra possibilidade \u00e9 que a quilonova e a nuvem de g\u00e1s em expans\u00e3o, por tr\u00e1s do jato inicial de radia\u00e7\u00e3o, possam ter criado a sua pr\u00f3pria onda de choque que demorou mais para chegar \u00e0 Terra. Uma terceira possibilidade \u00e9 que algo pode ter sido deixado para tr\u00e1s ap\u00f3s a colis\u00e3o, talvez o remanescente de uma massiva estrela de neutr\u00f5es que emite raios-X.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Esta terceira possibilidade \u00e9 intrigante, porque colocar\u00e1 uma restri\u00e7\u00e3o importante na equa\u00e7\u00e3o pouco conhecida do estado da mat\u00e9ria nuclear,&#8221; disse Zhang. &#8220;O monitoramento a longo prazo da radia\u00e7\u00e3o eletromagn\u00e9tica, desta e de outras futuras fus\u00f5es de estrelas de neutr\u00f5es bin\u00e1rias, ajudar\u00e1 a resolver este problema fundamental da f\u00edsica.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00e3o necess\u00e1rias muitas mais an\u00e1lises antes que os investigadores possam confirmar exatamente de onde vieram os raios-X remanescentes. Algumas respostas podem j\u00e1 chegar em dezembro, quando o telesc\u00f3pio Chandra observar novamente a fonte de GW170817.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Este pode ser o \u00faltimo suspiro de uma fonte hist\u00f3rica ou o in\u00edcio de uma nova hist\u00f3ria, na qual o sinal se ilumina novamente no futuro e poder\u00e1 permanecer vis\u00edvel durante d\u00e9cadas ou mesmo s\u00e9culos,&#8221; disse Troja. &#8220;Aconte\u00e7a o que acontecer, este evento est\u00e1 a mudar o que sabemos sobre as fus\u00f5es das estrelas de neutr\u00f5es e a reescrever os nossos modelos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.unlv.edu\/news\/release\/astronomers-find-x-rays-lingering-years-after-neutron-star-collision\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade do Nevada, Las Vegas (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/cmns.umd.edu\/news-events\/features\/4688\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade do Maryland (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/doi.org\/10.1093\/mnras\/staa2626\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2006.01150\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.eurekalert.org\/pub_releases\/2020-10\/uom-uaf100920.php\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">EurekAlert!<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.sciencealert.com\/that-epic-neutron-star-collision-was-still-glowing-two-and-a-half-years-later\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">science alert<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2020-10-astronomers-x-rays-lingering-years-landmark.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.sciencedaily.com\/releases\/2020\/10\/201012103132.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ScienceDaily<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>GW170817:<br><\/strong><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.ligo.org\/detections\/GW170817.php\" target=\"_blank\">LIGO<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/GW170817\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Estrelas de neutr\u00f5es:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Neutron_star\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.astro.umd.edu\/~miller\/nstar.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universidade de Maryland<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Ondas gravitacionais:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/gracedb.ligo.org\/latest\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">GraceDB (Gravitational Wave Candidate Event Database)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gravitational_wave\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gravitational_wave_detection\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Astronomia de ondas gravitacionais &#8211; Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.universetoday.com\/127255\/gravitational-waves-101\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Ondas gravitacionais: como distorcem o espa\u00e7o &#8211; Universe Today<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.universetoday.com\/127286\/gravitational-wave-detectors-how-they-work\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Detetores: como funcionam &#8211; Universe Today<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.universetoday.com\/127329\/gravitational-wave-sources\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">As fontes de ondas gravitacionais &#8211; Universe Today<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=4GbWfNHtHRg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">O que \u00e9 uma onda gravitacional (YouTube)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Quilonova:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Kilonova\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Observat\u00f3rio de raios-X Chandra:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/centers\/marshall\/news\/chandra\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/chandra.harvard.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universidade de Harvard<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Chandra_X-ray_Observatory\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J\u00e1 se passaram tr\u00eas anos desde a dete\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica de ondas gravitacionais oriundas da fus\u00e3o de duas estrelas de neutr\u00f5es. 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