{"id":3579,"date":"2020-10-13T05:28:26","date_gmt":"2020-10-13T05:28:26","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=3579"},"modified":"2020-10-13T05:28:37","modified_gmt":"2020-10-13T05:28:37","slug":"morte-por-esparguetificacao-telescopios-do-eso-observam-os-ultimos-momentos-de-uma-estrela-a-ser-devorada-por-um-buraco-negro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2020\/10\/13\/morte-por-esparguetificacao-telescopios-do-eso-observam-os-ultimos-momentos-de-uma-estrela-a-ser-devorada-por-um-buraco-negro\/","title":{"rendered":"Morte por esparguetifica\u00e7\u00e3o: Telesc\u00f3pios do ESO observam os \u00faltimos momentos de uma estrela a ser devorada por um buraco negro"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/cdn.eso.org\/images\/large\/eso2018a.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"424\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/8tmsky0.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3580\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/8tmsky0.jpg 700w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/8tmsky0-300x182.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/a><figcaption>Esta ilustra\u00e7\u00e3o mostra uma estrela (em primeiro plano) a sofrer um fen\u00f3meno chamado esparguetifica\u00e7\u00e3o, \u00e0 medida que \u00e9 sugada por um buraco negro supermassivo (ao fundo) durante um &#8220;evento de perturba\u00e7\u00e3o de mar\u00e9s&#8221;. Num novo estudo, levado a cabo com o aux\u00edlio do VLT (Very Large Telescope) e do NTT (New Technology Telescope), ambos do ESO, uma equipa de astr\u00f3nomos descobriu que, quando devora uma estrela, um buraco negro pode lan\u00e7ar uma enorme quantidade de material para o exterior.<br>Cr\u00e9dito: ESO\/M. Kornmesser<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com o aux\u00edlio de telesc\u00f3pios do ESO e de outras organiza\u00e7\u00f5es de todo o mundo, os astr\u00f3nomos observaram uma explos\u00e3o luminosa rara de uma estrela a ser desfeita por um buraco negro supermassivo. Este fen\u00f3meno, conhecido por evento de perturba\u00e7\u00e3o de mar\u00e9s, trata-se do mais pr\u00f3ximo de n\u00f3s registado at\u00e9 \u00e0 data, situado a apenas pouco mais de 215 milh\u00f5es de anos-luz de dist\u00e2ncia da Terra, e foi estudado com um detalhe sem precedentes. Este trabalho de investiga\u00e7\u00e3o foi publicado ontem na revista da especialidade Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A ideia de que um buraco negro &#8216;suga&#8217; uma estrela pr\u00f3xima parece sa\u00edda da fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Mas \u00e9 exatamente o que acontece num evento de perturba\u00e7\u00e3o de mar\u00e9s,&#8221; diz Matt Nicholl, professor e investigador da Sociedade Real Astron\u00f3mica brit\u00e2nica na Universidade de Birmingham, Reino Unido, e autor principal deste novo estudo. Estes eventos de perturba\u00e7\u00e3o de mar\u00e9s, onde a estrela \u00e9 sujeita ao algo chamado &#8220;esparguetifica\u00e7\u00e3o&#8221; quando est\u00e1 a ser sugada pelo buraco negro, s\u00e3o raros e nem sempre f\u00e1ceis de estudar. A equipa de investigadores utilizou o VLT (Very Large Telescope) e o NTT (New Technology Telescope), ambos do ESO, para observar um clar\u00e3o de luz registado o ano passado perto de um buraco negro supermassivo, de modo a investigar com detalhe o que acontece quando uma estrela \u00e9 devorada por um tal monstro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na teoria, os astr\u00f3nomos sabem o que deve acontecer. &#8220;Quando uma estrela infeliz se aproxima demasiado de um buraco negro supermassivo situado no centro de uma gal\u00e1xia, a extrema atra\u00e7\u00e3o gravitacional exercida pelo buraco negro desfaz a estrela em finas correntes de mat\u00e9ria,&#8221; explica Thomas Wevers, autor do estudo e bolseiro do ESO em Santiago do Chile, que estava a trabalhar no Instituto de Astronomia da Universidade de Cambridge, Reino Unido, quando levou a cabo este trabalho. Quando alguns destes fios finos de material estelar caem no buraco negro durante o processo de esparguetifica\u00e7\u00e3o, liberta-se um clar\u00e3o brilhante de energia que pode ser detetado pelos astr\u00f3nomos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar de brilhante e forte, at\u00e9 agora os astr\u00f3nomos tinham tido dificuldade em investigar este clar\u00e3o de luz, devido ao facto deste se encontrar frequentemente obscurecido por uma &#8220;cortina&#8221; de poeira e restos de material. Mas agora os astr\u00f3nomos conseguiram finalmente obter pistas sobre a origem desta cortina.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Descobrimos que, quando devora uma estrela, um buraco negro pode lan\u00e7ar uma quantidade de material para o exterior, obstruindo-nos assim a vis\u00e3o,&#8221; explica Samantha Oates, tamb\u00e9m da Universidade de Birmingham. Isto ocorre porque a energia libertada, quando o buraco negro &#8220;come&#8221; o material estelar, faz com que os restos da estrela sejam lan\u00e7ados para o exterior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta descoberta foi poss\u00edvel porque o evento de perturba\u00e7\u00e3o de mar\u00e9s que a equipa estudou, AT2019qiz, foi descoberto pouco tempo depois da estrela ter sido desfeita. &#8220;Como apanh\u00e1mos o evento cedo, pudemos ver a cortina de poeira e restos a ser criada \u00e0 medida que o buraco negro lan\u00e7ava para o exterior uma poderosa corrente de mat\u00e9ria com velocidades de at\u00e9 cerca de 10000 km\/s,&#8221; diz Kate Alexander, bolseira Einstein da NASA na Universidade Northwestern, EUA. &#8220;Este &#8216;espreitar por detr\u00e1s da cortina&#8217; bastante \u00fanico proporcionou-nos a primeira oportunidade de localizar a origem do material ocultante e seguir em tempo real como \u00e9 que engolfa o buraco negro.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa observou AT2019qiz, situado numa gal\u00e1xia em espiral na constela\u00e7\u00e3o de Er\u00eddano, durante um per\u00edodo de 6 meses, vendo o clar\u00e3o luminoso aumentar de intensidade e depois desvanecer. &#8220;V\u00e1rios rastreios do c\u00e9u registaram a energia emitida por este novo evento de perturba\u00e7\u00e3o de mar\u00e9s muito cedo ap\u00f3s a estrela se ter desfeito,&#8221; diz Wevers. &#8220;Come\u00e7\u00e1mos imediatamente a apontar um conjunto de telesc\u00f3pios, tanto terrestres como espaciais, nessa dire\u00e7\u00e3o para vermos como \u00e9 que a luz estava a ser produzida.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foram feitas observa\u00e7\u00f5es m\u00faltiplas do evento durante os meses seguintes em infraestruturas que incluiram o X-shooter e o EFOSC2, instrumentos potentes montados no VLT e no NTT, situados no Chile. Observa\u00e7\u00f5es imediatas e extensas no ultravioleta, \u00f3tico, raios-X e ondas r\u00e1dio revelaram, pela primeira vez, uma liga\u00e7\u00e3o direta entre o material que \u00e9 arrancado \u00e0 estrela e o clar\u00e3o brilhante que \u00e9 emitido quando esta \u00e9 devorada pelo buraco negro. &#8220;As observa\u00e7\u00f5es mostraram que a estrela tinha aproximadamente a mesma massa do nosso Sol e que perdeu cerca de metade dessa massa para o buraco negro gigante, o qual apresenta mais de um milh\u00e3o de vezes a massa da estrela,&#8221; diz Nicholl, que \u00e9 tamb\u00e9m investigador visitante na Universidade de Edinburgh, no Reino Unido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este trabalho ajuda-nos a compreender melhor os buracos negros supermassivos e como \u00e9 que a mat\u00e9ria se comporta em ambientes de gravidade extrema. A equipa diz que AT2019qiz pode at\u00e9 ser uma &#8220;pedra da Rosetta&#8221; para interpretar observa\u00e7\u00f5es futuras de eventos de perturba\u00e7\u00e3o de mar\u00e9s. O ELT (Extremely Large Telescope) do ESO, previsto para come\u00e7ar a observar em meados desta d\u00e9cada, permitir\u00e1 a dete\u00e7\u00e3o destes eventos cada vez mais t\u00e9nues e r\u00e1pidos, ajudando assim a desvendar mais mist\u00e9rios da f\u00edsica dos buracos negros.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"ESOcast 231 Light: Death by Spaghettification\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/UjPOtdbjsEs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/news\/eso2018\/\" target=\"_blank\">\/\/ ESO (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/academic.oup.com\/mnras\/article\/499\/1\/482\/5920142\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2006.02454\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Buraco negro supermassivo:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Supermassive_black_hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Tidal_disruption_event\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Evento de perturba\u00e7\u00e3o de mar\u00e9s (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>VLT:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/projects\/vlt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Very_Large_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>NTT:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/sci\/facilities\/lasilla\/telescopes\/ntt\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESO<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/New_Technology_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ESO:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/public\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/ESO\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta ilustra\u00e7\u00e3o mostra uma estrela (em primeiro plano) a sofrer um fen\u00f3meno chamado esparguetifica\u00e7\u00e3o, \u00e0 medida que \u00e9 sugada por um buraco negro supermassivo (ao fundo) durante um &#8220;evento de perturba\u00e7\u00e3o de mar\u00e9s&#8221;. 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