{"id":3574,"date":"2020-10-13T05:23:42","date_gmt":"2020-10-13T05:23:42","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=3574"},"modified":"2020-10-13T05:23:44","modified_gmt":"2020-10-13T05:23:44","slug":"metal-vaporizado-no-ar-de-um-exoplaneta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2020\/10\/13\/metal-vaporizado-no-ar-de-um-exoplaneta\/","title":{"rendered":"Metal vaporizado no &#8220;ar&#8221; de um exoplaneta"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"> Uma equipa internacional de investigadores, liderada pelo NCCR PlanetS (National Centre of Competence in Research PlanetS) da Universidade de Berna e pela Universidade de Genebra, estudou a atmosfera do exoplaneta ultraquente WASP-121b. Nele, encontraram v\u00e1rios metais gasosos. Os resultados s\u00e3o o pr\u00f3ximo passo na busca por mundos potencialmente habit\u00e1veis. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/3iom3142cnb81rlnt6w4mtlr-wpengine.netdna-ssl.com\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/WASP-121b_artist.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"702\" height=\"336\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/WASP-121b_artist-702x336.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3361\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/WASP-121b_artist-702x336.jpg 702w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/WASP-121b_artist-702x336-300x144.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 702px) 100vw, 702px\" \/><\/a><figcaption>Impress\u00e3o de artista do J\u00fapiter ultraquente WASP-121 b.<br>Cr\u00e9dito: NASA, ESA e G. Bacon (STScI)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">WASP-121b \u00e9 um exoplaneta localizado a 850 anos-luz da Terra, que orbita a sua estrela em menos de dois dias &#8211; um processo que a Terra leva 365 dias a concluir. WASP-121b est\u00e1 muito perto da sua estrela &#8211; cerca de 40 vezes mais perto do que a dist\u00e2ncia Terra-Sol. Esta proximidade \u00e9 tamb\u00e9m o principal motivo da sua temperatura extremamente alta, cerca de 2500 a 3000 graus Celsius. Isto torna-o um objeto de estudo ideal para aprender mais sobre mundos superquentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Investigadores liderados por Jens Hoeijmakers, autor principal do estudo e investigador p\u00f3s-doutorado no NCCR PlanetS da Universidade de Berna e da Universidade de Genebra, examinaram dados que foram recolhidos pelo espectr\u00f3grafo HARPS de alta resolu\u00e7\u00e3o. Foram capazes de mostrar que existem na atmosfera de WASP-121b um total de pelo menos sete metais gasosos. Os resultados foram publicados recentemente na revista Astronomy &amp; Astrophysics.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Inesperadamente, h\u00e1 muito a ocorrer na atmosfera do exoplaneta WASP-121b<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">WASP-121b tem sido estudado extensivamente desde a sua descoberta. &#8220;Os estudos anteriores mostraram que est\u00e3o a acontecer muitas coisas na sua atmosfera,&#8221; explica Jens Hoeijmakers. E isso apesar do facto dos astr\u00f3nomos terem presumido que os planetas ultraquentes t\u00eam atmosferas bastante simples porque poucos elementos qu\u00edmicos complexos se conseguem formar num calor t\u00e3o abrasador. Ent\u00e3o, como \u00e9 que WASP-121b atingiu esta complexidade t\u00e3o inesperada?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Estudos anteriores tentaram explicar estas observa\u00e7\u00f5es complexas com teorias que n\u00e3o me pareciam plaus\u00edveis,&#8221; diz Hoeijmakers. Os estudos suspeitaram que as mol\u00e9culas contendo o metal relativamente raro van\u00e1dio eram a principal causa da complexa atmosfera de WASP-121b. No entanto, segundo Hoeijmakers, isto s\u00f3 faria sentido se um metal mais comum, o tit\u00e2nio, estivesse ausente na atmosfera. Ent\u00e3o, Hoeijmakers e colegas come\u00e7aram \u00e0 procura de outra explica\u00e7\u00e3o. &#8220;Mas afinal tinham raz\u00e3o,&#8221; admite inequivocamente Hoeijmakers. &#8220;Para minha surpresa, na verdade encontr\u00e1mos fortes assinaturas de van\u00e1dio nas observa\u00e7\u00f5es&#8221;. Ao mesmo tempo, por\u00e9m, n\u00e3o havia tit\u00e2nio. Isto, por sua vez, confirmou a suposi\u00e7\u00e3o de Hoeijmakers.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Metais vaporizados<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas a equipa fez outras descobertas inesperadas. Al\u00e9m do van\u00e1dio, descobriram recentemente seis outros metais na atmosfera de WASP-121b: ferro, cr\u00f3mio, c\u00e1lcio, s\u00f3dio, magn\u00e9sio e n\u00edquel. &#8220;Todos metais evaporados como resultado das altas temperaturas prevalecentes em WASP-121b,&#8221; explica Hoeijmakers, &#8220;garantindo assim que o &#8216;ar&#8217; do exoplaneta consiste de metais evaporados, entre outras coisas.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Uma nova era na investiga\u00e7\u00e3o exoplanet\u00e1ria<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estes resultados t\u00e3o detalhados, por exemplo, permitem aos investigadores tirar conclus\u00f5es sobre os processos qu\u00edmicos que ocorrem em tais planetas. Esta \u00e9 uma capacidade crucial para um futuro n\u00e3o muito distante, quando forem desenvolvidos telesc\u00f3pios e espectr\u00f3grafos maiores e mais sens\u00edveis. Estes permitir\u00e3o aos astr\u00f3nomos estudar as propriedades de planetas rochosos, mais pequenos e frios, parecidos com a Terra. &#8220;Com as mesmas t\u00e9cnicas que usamos hoje, em vez de apenas detetarmos assinaturas de ferro ou van\u00e1dio gasosos, poderemos concentrar-nos nas bioassinaturas, sinais de vida como as assinaturas de \u00e1gua, oxig\u00e9nio e metano,&#8221; diz Hoeijmakers.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O extenso conhecimento sobre a atmosfera de WASP-121b n\u00e3o s\u00f3 confirma o car\u00e1ter ultraquente do exoplaneta, mas tamb\u00e9m sublinha o facto de que este campo de investiga\u00e7\u00e3o est\u00e1 a entrar numa nova era, como Hoeijmakers explica: &#8220;Ap\u00f3s anos a catalogar o que &#8216;existe l\u00e1 fora&#8217;, j\u00e1 n\u00e3o estamos apenas a fazer medi\u00e7\u00f5es,&#8221; explica o investigador, &#8220;mas estamos realmente a come\u00e7ar a entender o que os dados dos instrumentos nos mostram. Como os planetas se parecem e diferem uns dos outros. Da mesma forma, talvez, que Charles Darwin come\u00e7ou a desenvolver a teoria da evolu\u00e7\u00e3o depois de caracterizar in\u00fameras esp\u00e9cies de animais, estamos a come\u00e7ar a entender mais sobre como estes exoplanetas se formaram e como funcionam.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.unibe.ch\/news\/media_news\/media_relations_e\/media_releases\/2020\/media_releases_2020\/vaporised_metal_in_the_air_of_an_exoplanet\/index_eng.html\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Berna (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/doi.org\/10.1051\/0004-6361\/202038365\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Astronomy &amp; Astrophysics)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2006.11308\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>WASP-121b:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/exoplanets.nasa.gov\/exoplanet-catalog\/3281\/wasp-121-b\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/exoplanet.eu\/catalog\/wasp-121_b\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Exoplanet.eu<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.openexoplanetcatalogue.com\/planet\/WASP-121%20b\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Open Exoplanet Catalogue<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/WASP-121b\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Exoplanetas:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Extrasolar_planet\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de planetas (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_potential_habitable_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de exoplanetas potencialmente habit\u00e1veis (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_extrasolar_planet_extremes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de extremos (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.openexoplanetcatalogue.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Open Exoplanet Catalogue<\/a><br><a href=\"http:\/\/planetquest.jpl.nasa.gov\/index.cfm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PlanetQuest<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.exoplanet.eu\/index.php\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Enciclop\u00e9dia dos Planetas Extrasolares<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Observat\u00f3rio La Silla:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/sci\/facilities\/lasilla\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESO<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/La_Silla_Observatory\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.eso.org\/sci\/facilities\/lasilla\/instruments\/harps.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">HARPS (ESO)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/High_Accuracy_Radial_Velocity_Planet_Searcher\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">HARPS (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ESO:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/ESO\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma equipa internacional de investigadores, liderada pelo NCCR PlanetS (National Centre of Competence in Research PlanetS) da Universidade de Berna e pela Universidade de Genebra, estudou a atmosfera do exoplaneta ultraquente WASP-121b. 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