{"id":3562,"date":"2020-10-06T05:46:50","date_gmt":"2020-10-06T05:46:50","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=3562"},"modified":"2020-10-06T05:46:59","modified_gmt":"2020-10-06T05:46:59","slug":"retrato-de-um-exoplaneta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2020\/10\/06\/retrato-de-um-exoplaneta\/","title":{"rendered":"Retrato de um exoplaneta"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"698\" height=\"230\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/original.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3563\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/original.jpg 698w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/original-300x99.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 698px) 100vw, 698px\" \/><figcaption>Estas imagens esquem\u00e1ticas mostram a geometria do sistema Beta Pictoris: a imagem \u00e0 esquerda mostra a estrela e os dois planetas embebidos no disco poeirento na orienta\u00e7\u00e3o do ponto de vista do Sistema Solar. Foi constru\u00edda usando informa\u00e7\u00f5es de observa\u00e7\u00f5es reais. O painel do meio cont\u00e9m uma impress\u00e3o de artista do sistema e do disco. A imagem \u00e0 direita mostra as dimens\u00f5es do sistema quando visto de cima e observa\u00e7\u00f5es anteriores de Beta Pictoris b (diamantes laranjas e c\u00edrculos vermelhos) e as novas observa\u00e7\u00f5es diretas de Beta Pictoris c (c\u00edrculos verdes). A \u00f3rbita exata do planeta c \u00e9 ainda um pouco incerta (\u00e1rea esbranqui\u00e7ada).<br>Cr\u00e9dito: Axel Quetz\/Departamento Gr\u00e1fico do Instituto Max Planck para Astrof\u00edsica<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Combinando a luz dos quatro grandes telesc\u00f3pios do VLT, os astr\u00f3nomos da colabora\u00e7\u00e3o GRAVITY conseguiram observar diretamente o brilho da luz proveniente de um exoplaneta perto da sua estrela-m\u00e3e. O planeta, de nome Beta Pictoris c, \u00e9 o segundo planeta encontrado a orbitar a estrela hospedeira. Foi detetado originalmente atrav\u00e9s do m\u00e9todo de velocidade radial, que mede a oscila\u00e7\u00e3o da estrela devido \u00e0 atra\u00e7\u00e3o do planeta em \u00f3rbita. Beta Pictoris c est\u00e1 t\u00e3o perto da sua estrela hospedeira que at\u00e9 mesmo os melhores telesc\u00f3pios n\u00e3o foram capazes de obter imagens diretas do planeta, at\u00e9 agora.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Esta \u00e9 a primeira confirma\u00e7\u00e3o direta de um planeta detetado atrav\u00e9s do m\u00e9todo de velocidade radial,&#8221; diz Sylvestre Lacour, l\u00edder do programa de observa\u00e7\u00e3o ExoGRAVITY. As medi\u00e7\u00f5es de velocidade radial t\u00eam sido usadas h\u00e1 muitas d\u00e9cadas pelos astr\u00f3nomos, e permitiram a dete\u00e7\u00e3o de centenas de exoplanetas. Mas nunca antes os astr\u00f3nomos foram capazes de obter uma observa\u00e7\u00e3o direta de um desses planetas. Isto s\u00f3 foi poss\u00edvel porque o instrumento GRAVITY, situado num laborat\u00f3rio sob os quatro telesc\u00f3pios que utiliza, \u00e9 um instrumento muito preciso. Observa a luz da estrela-m\u00e3e com todos os quatro telesc\u00f3pios do VLT ao mesmo tempo e combina-os num telesc\u00f3pio virtual com os detalhes necess\u00e1rios para revelar Beta Pictoris c.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 incr\u00edvel o n\u00edvel de detalhe e sensibilidade que podemos alcan\u00e7ar com o GRAVITY,&#8221; maravilha-se Frank Eisenhauer, o cientista l\u00edder do projeto GRAVITY no Instituto Max Planck para F\u00edsica Extraterrestre. &#8220;Estamos apenas a come\u00e7ar a explorar impressionantes novos mundos, desde o buraco negro supermassivo no centro da nossa Gal\u00e1xia a planetas para l\u00e1 do nosso Sistema Solar.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>A dete\u00e7\u00e3o direta com o GRAVITY, no entanto, s\u00f3 foi poss\u00edvel devido aos novos dados de velocidade radial que estabelecem com precis\u00e3o o movimento orbital de Beta Pictoris c, apresentados num segundo artigo tamb\u00e9m publicado a semana passada. Isto permitiu \u00e0 equipa localizar e prever com precis\u00e3o a posi\u00e7\u00e3o esperada do planeta para que o GRAVITY pudesse encontr\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>Beta Pictoris c \u00e9, portanto, o primeiro planeta que foi detetado e confirmado com ambos os m\u00e9todos, medi\u00e7\u00f5es de velocidade radial e imagem direta. Al\u00e9m da confirma\u00e7\u00e3o independente do exoplaneta, os astr\u00f3nomos podem agora combinar o conhecimento destas duas t\u00e9cnicas anteriormente separadas. &#8220;Isto significa que podemos agora obter tanto o brilho como a massa deste exoplaneta,&#8221; explica Mathis Nowak, o autor principal do artigo de descoberta do GRAVITY. &#8220;Como regra geral, quanto maior a massa do planeta, mais brilhante \u00e9.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, neste caso os dados sobre os dois planetas s\u00e3o um tanto ou quanto intrigantes: a luz que vem de Beta Pictoris c \u00e9 seis vezes mais fraca do que a do seu irm\u00e3o maior, Beta Pictoris b. Beta Pictoris c tem 8 vezes a massa de J\u00fapiter. Assim sendo, qual \u00e9 a massa de Beta Pictoris b? Os dados de velocidade radial v\u00e3o acabar por responder a esta pergunta, mas levar\u00e1 muito tempo para obter dados suficientes: uma \u00f3rbita completa para o planeta b, em torno da sua estrela, leva 28 anos terrestres!<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00f3s us\u00e1mos o GRAVITY antes para obter espectros de outros exoplanetas fotografados diretamente, os quais j\u00e1 continham dicas do seu processo de forma\u00e7\u00e3o,&#8221; acrescenta Paul Molliere que, como p\u00f3s-doutorado no Instituto Max Planck para Astronomia, est\u00e1 a modelar espectros de exoplanetas. &#8220;Esta medi\u00e7\u00e3o do brilho de Beta Pictoris c, combinada com a sua massa, \u00e9 uma etapa particularmente importante para restringir os nossos modelos de forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria.&#8221; Dados adicionais tamb\u00e9m podem ser fornecidos pelo GRAVITY+, o instrumento de pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o, que j\u00e1 est\u00e1 em desenvolvimento.<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.mpg.de\/15473085\/portrait-of-an-exoplanet\" target=\"_blank\">\/\/ Instituto Max Planck (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.aanda.org\/articles\/aa\/abs\/2020\/10\/aa39039-20\/aa39039-20.html\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico #1 (Astronomy &amp; Astrophysics)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.aanda.org\/articles\/aa\/abs\/2020\/10\/aa38823-20\/aa38823-20.html\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico #2 (Astronomy &amp; Astrophysics)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.universetoday.com\/148148\/those-are-exoplanets-youre-looking-at-actual-exoplanets-63-light-years-away\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universe Today<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.sciencealert.com\/this-is-the-first-direct-image-of-an-exoplanet-detected-via-a-wobbly-star\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">science alert<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2020-10-astronomers-reveal-image-beta-pictoris.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><br><a href=\"https:\/\/earthsky.org\/?p=345382\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">EarthSky<\/a><br><a href=\"http:\/\/spaceref.com\/extrasolar-planets\/first-direct-observation-of-exoplanet-beta-pictoris-c.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SpaceRef<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Beta Pictoris c:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/exoplanets.nasa.gov\/exoplanet-catalog\/7461\/beta-pictoris-c\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/exoplanet.eu\/catalog\/beta_pic_c\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Exoplanet.eu<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Beta_Pictoris_c\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Beta Pictoris b:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/exoplanets.nasa.gov\/exoplanet-catalog\/7040\/beta-pictoris-b\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/exoplanet.eu\/catalog\/beta_pic_b\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Exoplanet.eu<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Beta_Pictoris_b\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Beta Pictoris:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/www.solstation.com\/stars2\/beta-pic.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Solstation<\/a><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Beta_Pictoris\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Velocidade radial:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Doppler_spectroscopy\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>VLT:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/projects\/vlt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Very_Large_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>ESO:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/public\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/ESO\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estas imagens esquem\u00e1ticas mostram a geometria do sistema Beta Pictoris: a imagem \u00e0 esquerda mostra a estrela e os dois planetas embebidos no disco poeirento na orienta\u00e7\u00e3o do ponto de vista do Sistema Solar. 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