{"id":3550,"date":"2020-10-02T05:48:43","date_gmt":"2020-10-02T05:48:43","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=3550"},"modified":"2020-10-02T05:48:54","modified_gmt":"2020-10-02T05:48:54","slug":"vlt-descobre-galaxias-presas-na-teia-de-um-buraco-negro-supermassivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2020\/10\/02\/vlt-descobre-galaxias-presas-na-teia-de-um-buraco-negro-supermassivo\/","title":{"rendered":"VLT descobre gal\u00e1xias presas na &#8220;teia&#8221; de um buraco negro supermassivo"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/cdn.eso.org\/images\/large\/eso2016a.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"420\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/SduizPd.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3551\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/SduizPd.jpg 700w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/SduizPd-300x180.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/a><figcaption>Com o aux\u00edlio do VLT do ESO, os astr\u00f3nomos descobriram seis gal\u00e1xias perto de um buraco negro supermassivo, sendo esta a primeira vez que um tal grupo \u00e9 observado no primeiro milhar de milh\u00e3o de anos de idade do Universo. Esta imagem art\u00edstica mostra o buraco negro central e as gal\u00e1xias presas na sua &#8220;teia&#8221; de g\u00e1s. O buraco negro, que juntamente com o disco que o circunda \u00e9 conhecido por quasar SDSS J103027.09+052455.0, brilha intensamente \u00e0 medida que &#8220;engole&#8221; a mat\u00e9ria que o rodeia.<br>Cr\u00e9dito: ESO\/L. Cal\u00e7ada<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com o aux\u00edlio do VLT (Very Large Telescope) do ESO, os astr\u00f3nomos descobriram seis gal\u00e1xias perto de um buraco negro supermassivo quando o Universo tinha menos de mil milh\u00f5es de anos de idade. Esta \u00e9 a primeira vez que um tal grupo \u00e9 observado t\u00e3o cedo depois do Big Bang, o que nos ajuda a compreender melhor como \u00e9 que os buracos negros supermassivos, um dos quais existe no centro da nossa Via L\u00e1ctea, se formaram e se tornaram t\u00e3o grandes t\u00e3o depressa. Estas observa\u00e7\u00f5es apoiam a teoria de que os buracos negros podem crescer rapidamente no seio de enormes estruturas em forma de teias, alimentando-se das enormes quantidades de g\u00e1s a\u00ed existentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Realiz\u00e1mos este trabalho com o objetivo de compreendermos melhor uns dos objetos astron\u00f3micos mais desafiantes: os buracos negros supermassivos do Universo primordial. Estes buracos negros s\u00e3o sistemas bastante extremos e at\u00e9 \u00e0 data n\u00e3o dispomos de nenhuma explica\u00e7\u00e3o convincente para a sua exist\u00eancia,&#8221; disse Marco Mignoli, astr\u00f3nomo no Instituto Nacional de Astrof\u00edsica (INAF) italiano em Bolonha, It\u00e1lia, e autor principal de um novo trabalho de investiga\u00e7\u00e3o publicado ontem na revista da especialidade Astronomy &amp; Astrophysics Letters.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As novas observa\u00e7\u00f5es obtidas com o VLT do ESO revelaram v\u00e1rias gal\u00e1xias em torno de um buraco negro supermassivo, todas elas situadas na &#8220;teia de aranha&#8221; c\u00f3smica de g\u00e1s que se estende no espa\u00e7o ao longo de uma dimens\u00e3o de cerca de 300 vezes o tamanho da Via L\u00e1ctea. &#8220;Os filamentos da teia c\u00f3smica s\u00e3o como os fios de uma teia de aranha,&#8221; explica Mignoli. &#8220;As gal\u00e1xias permanecem e crescem nos s\u00edtios onde os filamentos se cruzam e correntes de g\u00e1s \u2014 dispon\u00edveis para alimentar tanto as gal\u00e1xias como o buraco negro central supermassivo \u2014 correm ao longo dos filamentos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A radia\u00e7\u00e3o emitida por esta enorme estrutura em teia, com o seu buraco negro de um milhar de milh\u00e3o de massas solares, viajou at\u00e9 n\u00f3s desde a altura em que o Universo tinha apenas 0,9 mil milh\u00f5es de anos. &#8220;O nosso trabalho colocou uma pe\u00e7a importante no puzzle ainda muito incompleto que \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o e o crescimento destes objetos, t\u00e3o extremos mas relativamente abundantes, t\u00e3o rapidamente depois do Big Bang,&#8221; disse o coautor do trabalho Roberto Gilli, tamb\u00e9m astr\u00f3nomo no INAF em Bolonha, referindo-se aos buracos negros supermassivos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os primeiros buracos negros, que se pensa terem sido formados no seguimento do colapso das primeiras estrelas, devem ter crescido muito depressa para atingirem massas de um milhar de milh\u00e3o de massas solares apenas nos primeiros 0,9 mil milh\u00f5es de anos da vida do Universo. Os astr\u00f3nomos t\u00eam-se debatido para explicar como \u00e9 que quantidades suficientemente grandes de &#8220;combust\u00edvel de buraco negro&#8221; podem ter estado dispon\u00edveis para permitir que estes objetos tenham crescido at\u00e9 tamanhos t\u00e3o grandes em t\u00e3o pouco tempo. Esta estrutura agora descoberta oferece uma explica\u00e7\u00e3o prov\u00e1vel: a &#8220;teia de aranha&#8221; e as gal\u00e1xias no seu interior cont\u00eam g\u00e1s suficiente, que funciona como o alimento que o buraco negro central precisa para se tornar muito rapidamente num gigante supermassivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas como \u00e9 que estas enormes estruturas em forma de teia se formam inicialmente? Os astr\u00f3nomos acreditam que os halos gigantes da misteriosa mat\u00e9ria escura sejam a chave. Pensa-se que estas enormes regi\u00f5es de mat\u00e9ria invis\u00edvel atraiam enormes quantidades de g\u00e1s no Universo primitivo; juntos, o g\u00e1s e a mat\u00e9ria escura invis\u00edvel formam estas estruturas do tipo de teias, onde gal\u00e1xias e buracos negros se podem desenvolver.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A nossa descoberta apoia a ideia de que os buracos negros mais distantes e massivos se formam e crescem no seio destes halos massivos de mat\u00e9ria escura em estruturas de larga escala e que a aus\u00eancia de dete\u00e7\u00f5es anteriores de tais estruturas se deveu muito provavelmente a limita\u00e7\u00f5es observacionais,&#8221; disse Colin Norman da Universidade Johns Hopkins em Baltimore, EUA, tamb\u00e9m coautor do estudo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As gal\u00e1xias agora detetadas s\u00e3o das mais t\u00e9nues que os telesc\u00f3pios atuais conseguem observar. Esta descoberta necessitou de observa\u00e7\u00f5es durante v\u00e1rias horas com os maiores telesc\u00f3pios \u00f3ticos dispon\u00edveis, incluindo o VLT do ESO. Com o aux\u00edlio dos instrumentos MUSE e FORS2 montados no VLT no Observat\u00f3rio do Paranal do ESO, no deserto chileno do Atacama, a equipa confirmou a liga\u00e7\u00e3o entre quatro das seis gal\u00e1xias e o buraco negro. &#8220;Acreditamos ter visto apenas a ponta do icebergue e pensamos que as poucas gal\u00e1xias que descobrimos at\u00e9 agora em torno deste buraco negro supermassivo sejam apenas as mais brilhantes,&#8221; comentou a coautora Barbara Balmaverde, astr\u00f3noma do INAF em Torino, It\u00e1lia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estes resultados contribuem para compreendermos como \u00e9 que buracos negros supermassivos e grandes estruturas c\u00f3smicas se formam e evoluem. O ELT (Extremely Large Telescope) do ESO, atualmente em constru\u00e7\u00e3o no Chile, com os seus poderosos instrumentos ser\u00e1 capaz de continuar este trabalho de investiga\u00e7\u00e3o ao observar gal\u00e1xias ainda mais t\u00e9nues em torno de buracos negros supermassivos no Universo primordial.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Animation of the web of the supermassive black hole\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/sMRDN85QmvQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/news\/eso2016\/\" target=\"_blank\">\/\/ ESO (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.aanda.org\/articles\/aa\/abs\/2020\/10\/aa39045-20\/aa39045-20.html\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Astronomy &amp; Astrophysics)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2009.00024\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Universo:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Accelerating_expansion_of_the_universe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A expans\u00e3o acelerada do Universo (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Universe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universo (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Age_of_the_universe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Idade do Universo (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Large-scale_structure_of_the_universe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Big_Bang\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Big Bang (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Timeline_of_the_Big_Bang\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Cronologia do Big Bang (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Buraco negro supermassivo:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Supermassive_black_hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>VLT:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/projects\/vlt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Very_Large_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com o aux\u00edlio do VLT do ESO, os astr\u00f3nomos descobriram seis gal\u00e1xias perto de um buraco negro supermassivo, sendo esta a primeira vez que um tal grupo \u00e9 observado no primeiro milhar de milh\u00e3o de anos de idade do Universo. 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