{"id":3532,"date":"2020-09-29T05:38:22","date_gmt":"2020-09-29T05:38:22","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=3532"},"modified":"2020-09-29T05:38:32","modified_gmt":"2020-09-29T05:38:32","slug":"par-de-estrelas-bebes-massivas-envoltas-em-vapor-de-agua-salgada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2020\/09\/29\/par-de-estrelas-bebes-massivas-envoltas-em-vapor-de-agua-salgada\/","title":{"rendered":"Par de estrelas beb\u00e9s massivas envoltas em vapor de \u00e1gua salgada"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.almaobservatory.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/IRAS16547_ALMA_combined3.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"680\" height=\"377\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/header-tanaka-680x377.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3533\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/header-tanaka-680x377.jpg 680w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/header-tanaka-680x377-300x166.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" \/><\/a><figcaption>Composi\u00e7\u00e3o ALMA do bin\u00e1rio protoestelar massivo IRAS 16547-4247. Diferentes cores mostram diferentes distribui\u00e7\u00f5es de part\u00edculas de poeira (amarelo), cianeto de metila (CH3CN, vermelho), sal (NaCl, verde) e vapor de \u00e1gua quente (H2O, azul). A poeira e o cianeto de metila est\u00e3o distribu\u00eddos largamente em torno do bin\u00e1rio, ao passo que o sal e o vapor de \u00e1gua concentram-se no disco em torno de cada protoestrela. Os jatos de uma protoestrela, visto como v\u00e1rios pontos na imagem, \u00e9 visto a azul claro.<br>Cr\u00e9dito: ALMA (ESO\/NAOJ\/NRAO), Tanaka et al.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Usando o ALMA (Atacama Large Millimeter\/submillimeter Array), os astr\u00f3nomos avistaram um par de enormes estrelas beb\u00e9s crescendo numa sopa c\u00f3smica salgada. Cada estrela est\u00e1 envolta por um disco gasoso, que inclui mol\u00e9culas de cloreto de s\u00f3dio, normalmente conhecido como sal de cozinha, e vapor de \u00e1gua aquecido. Ao analisar as emiss\u00f5es de r\u00e1dio do sal e da \u00e1gua, a equipa descobriu que os discos est\u00e3o a girar em sentido contr\u00e1rio. Esta \u00e9 a segunda dete\u00e7\u00e3o de sal em torno de estrelas jovens massivas, assinalando que o sal \u00e9 um excelente marcador para explorar as redondezas imediatas de estrelas beb\u00e9s gigantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Existem estrelas de muitas massas diferentes no Universo. As mais pequenas t\u00eam apenas um-d\u00e9cimo da massa do Sol, enquanto as maiores t\u00eam dez vezes ou mais a massa do Sol. Independentemente da massa, todas as estrelas formam-se em nuvens c\u00f3smicas de g\u00e1s e poeira. Os astr\u00f3nomos t\u00eam estudado avidamente a origem das estrelas; no entanto, o processo de forma\u00e7\u00e3o estelar massiva permanece velado. Isto porque os locais de forma\u00e7\u00e3o de estrelas massivas est\u00e3o localizados mais longe da Terra, e nuvens enormes cercam estrelas beb\u00e9s massivas com estruturas complicadas. Estes dois factos impedem os astr\u00f3nomos de obter uma vis\u00e3o clara de grandes estrelas jovens e dos seus locais de forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma equipa de astr\u00f3nomos liderados por Kei Tanaka do NAOJ (National Astronomical Observatory of Japan) utilizou o poder do ALMA para investigar o ambiente onde estrelas massivas est\u00e3o a formar-se. Observaram o jovem bin\u00e1rio massivo IRAS 16547-4247. A equipa detetou emiss\u00f5es de r\u00e1dio de uma ampla variedade de mol\u00e9culas. Particularmente, cloreto de s\u00f3dio (NaCl) e \u00e1gua quente (H2O) est\u00e3o associados perto de cada estrela, isto \u00e9, o disco circunstelar. Por outro lado, outras mol\u00e9culas como cianeto de metila (CH3CN), que os astr\u00f3nomos observaram frequentemente em estudos anteriores de estrelas jovens massivas, foram detetadas mais longe, mas n\u00e3o tra\u00e7am estruturas nas proximidades das estrelas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.almaobservatory.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/IRAS16547_ALMA_combined_insets3.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.almaobservatory.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/IRAS16547_ALMA_combined_insets3-680x560.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption> Composi\u00e7\u00e3o ALMA do bin\u00e1rio protoestelar massivo IRAS 16547-4247. Diferentes cores mostram diferentes distribui\u00e7\u00f5es de part\u00edculas de poeira (amarelo), cianeto de metila (CH3CN, vermelho), sal (NaCl, verde) e vapor de \u00e1gua quente (H2O, azul). As inser\u00e7\u00f5es em baixo s\u00e3o amplia\u00e7\u00f5es de cada componente. A poeira e o cianeto de metila est\u00e3o distribu\u00eddos largamente em torno do bin\u00e1rio, ao passo que o sal e o vapor de \u00e1gua concentram-se no disco em torno de cada protoestrela. Na imagem maior, os jatos de uma protoestrela, visto como v\u00e1rios pontos na imagem, \u00e9 visto a azul claro.<br>Cr\u00e9dito: ALMA (ESO\/NAOJ\/NRAO), Tanaka et al. <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8220;O cloreto de s\u00f3dio \u00e9 conhecido como simples sal de cozinha, mas n\u00e3o \u00e9 uma mol\u00e9cula comum no Universo,&#8221; diz Tanaka. &#8220;Esta foi apenas a segunda dete\u00e7\u00e3o de cloreto de s\u00f3dio em torno de estrelas jovens massivas. O primeiro exemplo foi em torno de &#8216;Orion KL Source I&#8217;, mas essa \u00e9 uma fonte t\u00e3o peculiar que n\u00e3o t\u00ednhamos a certeza se o sal era adequado para ver discos de g\u00e1s em torno de estrelas massivas. Os nossos resultados confirmaram que o sal \u00e9 realmente um bom marcador. Como as estrelas beb\u00e9s ganham massa por meio de discos, \u00e9 importante estudar o movimento e as caracter\u00edsticas dos discos para entender como as estrelas beb\u00e9s crescem.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Uma investiga\u00e7\u00e3o mais aprofundada dos discos mostra uma pista interessante para a origem do par. &#8220;Encontr\u00e1mos um sinal tentador de que os discos est\u00e3o a girar em dire\u00e7\u00f5es opostas,&#8221; explica Yichen Zhang, investigador do RIKEN. Se as estrelas nascem como g\u00e9meas num grande disco gasoso comum, os discos giram naturalmente na mesma dire\u00e7\u00e3o. &#8220;A rota\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria dos discos pode indicar que estas duas estrelas n\u00e3o s\u00e3o g\u00e9meas reais, mas um par de estranhas que se formaram em nuvens separadas e emparelhadas posteriormente.&#8221; As estrelas massivas quase sempre t\u00eam algumas companheiras e, portanto, \u00e9 fundamental investigar a origem dos sistemas bin\u00e1rios massivos. A equipa espera que observa\u00e7\u00f5es e an\u00e1lises adicionais forne\u00e7am informa\u00e7\u00f5es mais confi\u00e1veis sobre os segredos do seu nascimento.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.almaobservatory.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/20200925_Tanaka_IRAS16547_illustration-scaled.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/5x0jSl9.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>Impress\u00e3o de artista do protobin\u00e1rio massivo IRAS 16547-4247. Um pequeno disco gasoso rodeia cada protoestrela, e est\u00e3o embebidos num disco maior. Ambas as protoestrelas ejetam fluxos de g\u00e1s, enquanto uma emana um jato colimado que colide com o g\u00e1s em redor e cria manchas brilhantes ao longo do fluxo.<br>Cr\u00e9dito: ALMA (ESO\/NAOJ\/NRAO) <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A presen\u00e7a de vapor de \u00e1gua aquecido e cloreto de s\u00f3dio, libertados pela destrui\u00e7\u00e3o de part\u00edculas de poeira, sugere uma natureza quente e din\u00e2mica dos discos em torno de estrelas beb\u00e9s massivas. Curiosamente, as investiga\u00e7\u00f5es de meteoritos indicam que o disco do Sistema protossolar tamb\u00e9m sofreu altas temperaturas nas quais part\u00edculas de poeira evaporaram. Os astr\u00f3nomos ser\u00e3o capazes de rastrear estas mol\u00e9culas libertadas de part\u00edculas de poeira usando o VLA (Very Large Array) de pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o, atualmente em planeamento. A equipa prev\u00ea que pode at\u00e9 obter pistas para entender a origem do nosso Sistema Solar estudando discos quentes com cloreto de s\u00f3dio e vapor de \u00e1gua quente.<\/p>\n\n\n\n<p>As estrelas beb\u00e9s IRAS 16547-4247 est\u00e3o localizadas a 9500 anos-luz de dist\u00e2ncia, na dire\u00e7\u00e3o da constela\u00e7\u00e3o de Escorpi\u00e3o. A massa total das estrelas est\u00e1 estimada em 25 vezes a massa do Sol, rodeadas por uma nuvem gigantesca com uma massa de 10.000 s\u00f3is.<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.almaobservatory.org\/en\/press-releases\/pair-of-massive-baby-stars-swaddled-in-salty-water-vapor\/\" target=\"_blank\">\/\/ ALMA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2006.06361\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.sciencedaily.com\/releases\/2020\/09\/200925113417.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ScienceDaily<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2020-09-pair-massive-baby-stars-swaddled.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>IRAS 16547-4247:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/simbad.u-strasbg.fr\/simbad\/sim-id?Ident=IRAS%2016547-4247\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Simbad<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discos protoplanet\u00e1rios:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Protoplanetary_disk\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Nebular_hypothesis\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cloreto de s\u00f3dio:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Sodium_chloride\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>ALMA:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.almaobservatory.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.nrao.edu\/index.php\/about\/facilities\/alma\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (NRAO)<\/a><br><a href=\"https:\/\/alma-telescope.jp\/en\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (NAOJ)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/alma.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (ESO)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Atacama_Large_Millimeter_Array\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>ESO:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/public\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/ESO\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>ngVLA (Next Generation Very Large Array):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/ngvla.nrao.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NRAO<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Composi\u00e7\u00e3o ALMA do bin\u00e1rio protoestelar massivo IRAS 16547-4247. 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