{"id":3517,"date":"2020-09-22T05:21:56","date_gmt":"2020-09-22T05:21:56","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=3517"},"modified":"2020-09-22T05:22:05","modified_gmt":"2020-09-22T05:22:05","slug":"vlba-faz-primeira-medicao-direta-da-distancia-ate-um-magnetar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2020\/09\/22\/vlba-faz-primeira-medicao-direta-da-distancia-ate-um-magnetar\/","title":{"rendered":"VLBA faz primeira medi\u00e7\u00e3o direta da dist\u00e2ncia at\u00e9 um magnetar"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Usando o VLBA (Very Long Baseline Array) da NSF (National Science Foundation), astr\u00f3nomos fizeram a primeira medi\u00e7\u00e3o geom\u00e9trica direta da dist\u00e2ncia at\u00e9 um magnetar dentro da nossa Gal\u00e1xia, a Via L\u00e1ctea &#8211; uma medi\u00e7\u00e3o que pode ajudar a determinar se os magnetares s\u00e3o as fontes das h\u00e1 muito misteriosas FRBs (Fast Radio Bursts, em portugu\u00eas &#8220;rajadas r\u00e1pidas de r\u00e1dio&#8221;).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os magnetares s\u00e3o uma variedade de estrelas de neutr\u00f5es &#8211; os remanescentes superdensos de estrelas massivas que explodiram como supernovas &#8211; com campos magn\u00e9ticos extremamente fortes. Um campo magn\u00e9tico t\u00edpico de um magnetar \u00e9 um bili\u00e3o de vezes mais forte do que o campo magn\u00e9tico da Terra, tornando os magnetares os objetos mais magn\u00e9ticos do Universo. Podem emitir fortes rajadas de raios-X e raios-gama, e recentemente tornaram-se candidatos principais para as fontes de FRBs.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/public.nrao.edu\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/nrao20df07_Magnetar.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/bExfA5K-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3518\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/bExfA5K-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/bExfA5K-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/bExfA5K-768x432.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>Impress\u00e3o de artista de um magnetar &#8211; uma estrela de neutr\u00f5es superdensa com um campo magn\u00e9tico extremamente forte. Nesta imagem, o magnetar est\u00e1 a emitir um surto de radia\u00e7\u00e3o.<br>Cr\u00e9dito: Sophia Dagnello, NRAO\/AUI\/NSF<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um magnetar chamado XTE J1810-197, descoberto em 2003, foi o primeiro de apenas seis destes objetos encontrados a emitir pulsos de r\u00e1dio. F\u00ea-lo de 2003 a 2008, depois cessou por uma d\u00e9cada. Em dezembro de 2018, retomou a emiss\u00e3o de brilhantes pulsos de r\u00e1dio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma equipa de astr\u00f3nomos usou o VLBA para observar regularmente XTE J1810-197 de janeiro a novembro de 2019, e novamente durante mar\u00e7o e abril de 2020. Ao visualizarem o magnetar de lados opostos da \u00f3rbita da Terra em torno do Sol, foram capazes de detetar uma ligeira mudan\u00e7a na sua posi\u00e7\u00e3o aparente em rela\u00e7\u00e3o a objetos de fundo muito mais distantes. Este efeito, chamado de paralaxe, permite que os astr\u00f3nomos usem a geometria para calcular diretamente a dist\u00e2ncia ao objeto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Esta \u00e9 a primeira medi\u00e7\u00e3o de paralaxe para um magnetar, e mostra que est\u00e1 entre os magnetares mais pr\u00f3ximos conhecidos &#8211; cerca de 8100 anos-luz &#8211; tornando-o um alvo principal para estudos futuros,&#8221; disse Hao Ding, estudante da Universidade Swinburne de Tecnologia na Austr\u00e1lia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No dia 28 de abril, um magnetar diferente, chamado SGR 1935+2154, emitiu um breve surto de r\u00e1dio que foi o mais forte j\u00e1 registado na Via L\u00e1ctea. Embora n\u00e3o seja t\u00e3o forte quanto as FRBs vindas de outras gal\u00e1xias, esta explos\u00e3o sugeriu aos astr\u00f3nomos que os magnetares podiam gerar FRBs.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As rajadas r\u00e1pidas de r\u00e1dio foram descobertas pela primeira vez em 2007. S\u00e3o muito energ\u00e9ticas e duram no m\u00e1ximo alguns milissegundos. A maioria veio de fora da Via L\u00e1ctea. A sua origem permanece desconhecida, mas as suas caracter\u00edsticas indicam que o ambiente extremo de um magnetar pode ger\u00e1-las.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/public.nrao.edu\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Magnetar_Parallax-Illustration.png\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/xkNyjdZ.png\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption> Observando um objeto de lados opostos da \u00f3rbita da Terra em torno do Sol, como ilustrado nesta impress\u00e3o de artista, os astr\u00f3nomos foram capazes de detetar a ligeira oscila\u00e7\u00e3o na posi\u00e7\u00e3o aparente do objeto em rela\u00e7\u00e3o a objetos de fundo muito mais distantes. Este efeito, chamado paralaxe, permite que os cientistas ent\u00e3o usem geometria para calcular diretamente a dist\u00e2ncia ao objeto &#8211; neste caso um magnetar dentro da nossa pr\u00f3pria Via L\u00e1ctea. A ilustra\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 \u00e0 escala.<br>Cr\u00e9dito: Sophia Dagnello, NRAO\/AUI\/NSF <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Ter uma dist\u00e2ncia precisa at\u00e9 este magnetar significa que podemos calcular com precis\u00e3o a for\u00e7a dos seus pulsos de r\u00e1dio. Se emitir algo semelhante a uma FRB, saberemos qu\u00e3o forte \u00e9 esse pulso,&#8221; disse Adam Deller, tamb\u00e9m da Universidade Swinburne. &#8220;As FRBs variam na sua for\u00e7a, de modo que gostar\u00edamos de saber se um pulso magnetar chega perto ou se sobrep\u00f5e \u00e0 for\u00e7a das FRBs conhecidas&#8221;, acrescentou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A chave para responder a esta quest\u00e3o ser\u00e1 obter mais medi\u00e7\u00f5es de dist\u00e2ncias para outros magnetares, para que possamos expandir a nossa amostra e obter mais dados. O VLBA \u00e9 a ferramenta ideal para fazer isto,&#8221; disse Walter Brisken, do NRAO (National Radio Astronomy Observatory).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, &#8220;sabemos que os pulsares, como o da famosa Nebulosa do Caranguejo, emitem &#8216;pulsos gigantes&#8217;, muito mais fortes do que os normais. A determina\u00e7\u00e3o das dist\u00e2ncias destes magnetares vai ajudar-nos a entender este fen\u00f3meno, e a aprender se talvez as FRBs sejam o exemplo mais extremo de pulsos gigantes,&#8221; disse Ding.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O objetivo final \u00e9 determinar o mecanismo exato que produz as rajadas r\u00e1pidas de r\u00e1dio, disseram os cientistas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ding, Deller, Brisken e colegas relataram os seus resultados na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/public.nrao.edu\/news\/distance-measurement-magnetar\/\" target=\"_blank\">\/\/ NRAO (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1093\/mnras\/staa2531\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2008.06438\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>XTE J1810-197:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/simbad.u-strasbg.fr\/simbad\/sim-id?Ident=XTE+J1810-197\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Simbad<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>FRB (&#8220;Fast Radio Burst&#8221;):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Fast_radio_burst\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.astronomy.swin.edu.au\/pulsar\/frbcat\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Cat\u00e1logo de FRBs (Universidade Swinburne)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Magnetar:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Magnetar\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/astronomyonline.org\/Stars\/Pulsars.asp\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">AstronomyOnline.org<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>VLBA:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/science.nrao.edu\/facilities\/vlba\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NRAO<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Very_Long_Baseline_Array\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Usando o VLBA (Very Long Baseline Array) da NSF (National Science Foundation), astr\u00f3nomos fizeram a primeira medi\u00e7\u00e3o geom\u00e9trica direta da dist\u00e2ncia at\u00e9 um magnetar dentro da nossa Gal\u00e1xia, a Via L\u00e1ctea &#8211; uma medi\u00e7\u00e3o que pode ajudar a determinar se os magnetares s\u00e3o as fontes das h\u00e1 muito misteriosas FRBs (Fast Radio Bursts, em portugu\u00eas &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3518,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50,1],"tags":[573,282,390,923],"class_list":["post-3517","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-estrelas","category-telescopios-profissionais","tag-frb","tag-magnetares","tag-vlba","tag-xte-j1810-197"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3517","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3517"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3517\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3519,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3517\/revisions\/3519"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3518"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3517"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3517"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3517"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}