{"id":3511,"date":"2020-09-22T05:17:35","date_gmt":"2020-09-22T05:17:35","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=3511"},"modified":"2020-09-22T05:17:46","modified_gmt":"2020-09-22T05:17:46","slug":"astronomos-capturam-ventos-estelares-em-detalhes-sem-precedentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2020\/09\/22\/astronomos-capturam-ventos-estelares-em-detalhes-sem-precedentes\/","title":{"rendered":"Astr\u00f3nomos capturam ventos estelares em detalhes sem precedentes"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Astr\u00f3nomos apresentaram uma explica\u00e7\u00e3o para as formas hipnotizantes das nebulosas planet\u00e1rias. A descoberta \u00e9 baseada num extraordin\u00e1rio conjunto de observa\u00e7\u00f5es de ventos estelares em torno de estrelas envelhecidas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao contr\u00e1rio do consenso comum, a equipa descobriu que os ventos estelares n\u00e3o s\u00e3o esf\u00e9ricos, mas t\u00eam um formato semelhante ao das nebulosas planet\u00e1rias. A equipa conclui que a intera\u00e7\u00e3o com uma estrela ou exoplaneta acompanhante molda tanto os ventos estelares quanto as nebulosas planet\u00e1rias. Os resultados foram publicados na revista Science.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.almaobservatory.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/13-_Gallery-of-stellar-winds-around-cool-ageing-stars-showing-a-variety-of-morphologies-including-disks-cones-and-spirals__-credit-L.-Decin-ESO-ALMA-scaled.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/13-_Gallery-of-stellar-winds-around-cool-ageing-stars-showing-a-variety-of-morphologies-including-disks-cones-and-spirals__-credit-L.-Decin-ESO-ALMA-scaled-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3512\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/13-_Gallery-of-stellar-winds-around-cool-ageing-stars-showing-a-variety-of-morphologies-including-disks-cones-and-spirals__-credit-L.-Decin-ESO-ALMA-scaled-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/13-_Gallery-of-stellar-winds-around-cool-ageing-stars-showing-a-variety-of-morphologies-including-disks-cones-and-spirals__-credit-L.-Decin-ESO-ALMA-scaled-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/13-_Gallery-of-stellar-winds-around-cool-ageing-stars-showing-a-variety-of-morphologies-including-disks-cones-and-spirals__-credit-L.-Decin-ESO-ALMA-scaled-768x432.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>Esta galeria de imagens de ventos estelares em torno de estrelas velhas e frias mostra uma variedade de morfologias, incluindo discos, cones e espirais. A cor azul representa o material que vem na nossa dire\u00e7\u00e3o; o vermelho \u00e9 material que se move para longe de n\u00f3s.<br>Cr\u00e9dito: L. Decin, ESO\/ALMA<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As estrelas moribundas incham e arrefecem para eventualmente se tornarem gigantes vermelhas. Produzem ventos estelares, fluxos de part\u00edculas que a estrela expele, o que faz com que percam massa. Tendo em conta que faltavam observa\u00e7\u00f5es detalhadas, os astr\u00f3nomos sempre assumiram que estes ventos eram esf\u00e9ricos, como as estrelas que rodeiam. \u00c0 medida que a estrela evolui mais, ela aquece novamente e a radia\u00e7\u00e3o estelar faz com que as camadas ejetadas de material estelar em expans\u00e3o brilhem, formando uma nebulosa planet\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante s\u00e9culos, os astr\u00f3nomos estiveram no &#8220;escuro&#8221; no que toca \u00e0 variedade extraordin\u00e1ria de formas coloridas das nebulosas planet\u00e1rias que foram observadas. Todas as nebulosas parecem ter uma certa simetria, mas quase nunca s\u00e3o redondas. &#8220;O Sol &#8211; que antes do fim se tornar\u00e1 uma gigante vermelha &#8211; \u00e9 redondo como uma bola de bilhar, por isso pergunt\u00e1mo-nos: como \u00e9 que uma estrela pode produzir todas estas formas diferentes?&#8221; diz a autora Leen Decin (Universidade Cat\u00f3lica de Leuven).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A sua equipa observou ventos estelares em torno de estrelas gigantes vermelhas frias com o observat\u00f3rio ALMA no Chile, o maior radiotelesc\u00f3pio do mundo. Pela primeira vez, reuniram uma cole\u00e7\u00e3o grande e detalhada de observa\u00e7\u00f5es, cada uma feita usando exatamente o mesmo m\u00e9todo. Isto foi crucial para poder comparar diretamente os dados e excluir vieses.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que os astr\u00f3nomos viram surpreendeu-os. &#8220;Not\u00e1mos que estes ventos s\u00e3o tudo menos sim\u00e9tricos ou redondos,&#8221; diz a professora Decin. &#8220;Alguns s\u00e3o bastante semelhantes em forma \u00e0s nebulosas planet\u00e1rias.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Companheiros<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os astr\u00f3nomos podiam at\u00e9 identificar diferentes categorias de formas. &#8220;Alguns ventos estelares eram em forma de disco, outros continham espirais e, num terceiro grupo, identific\u00e1mos cones.&#8221; Esta \u00e9 uma indica\u00e7\u00e3o clara de que as formas n\u00e3o foram criadas aleatoriamente. A equipa percebeu que outras estrelas de baixa massa, ou at\u00e9 mesmo planetas massivos nas proximidades da estrela moribunda, estavam a provocar os diferentes padr\u00f5es. Estes companheiros s\u00e3o demasiado pequenos e t\u00e9nues para detetar diretamente. &#8220;Assim como uma colher que usamos para misturar uma ch\u00e1vena de caf\u00e9 com um pouco de leite pode criar um padr\u00e3o em espiral, a companheira suga o material na sua dire\u00e7\u00e3o enquanto gira em torno da estrela e esculpe o vento estelar,&#8221; explica Decin.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa colocou esta teoria em modelos e de facto: a forma dos ventos estelares pode ser explicada pelas companheiras que os rodeiam, e o ritmo no qual a estrela evolu\u00edda fria est\u00e1 a perder a sua massa devido ao vento estelar \u00e9 um par\u00e2metro importante. Decin: &#8220;Todas as nossas observa\u00e7\u00f5es podem ser explicadas pelo facto de que as estrelas t\u00eam uma companheira&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">At\u00e9 agora, os c\u00e1lculos sobre a evolu\u00e7\u00e3o das estrelas baseavam-se na suposi\u00e7\u00e3o de que estrelas envelhecidas como o Sol t\u00eam ventos estelares esf\u00e9ricos. &#8220;As nossas descobertas mudam muito. Uma vez que a complexidade dos ventos estelares n\u00e3o foi contabilizada no passado, qualquer estimativa anterior do ritmo de perda de massa de estrelas velhas pode estar errada at\u00e9 um factor de 10.&#8221; A equipa est\u00e1 agora a fazer investiga\u00e7\u00f5es adicionais para ver como isto pode impactar os c\u00e1lculos de outras caracter\u00edsticas cruciais da evolu\u00e7\u00e3o estelar e gal\u00e1ctica.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.almaobservatory.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/8-R-Aql-230-au.png\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.almaobservatory.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/8-R-Aql-230-au.png\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption> O vento estelar de R Aquilae.<br>Cr\u00e9dito: L. Decin, ESO\/ALMA <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O futuro do Sol<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo tamb\u00e9m ajuda a imaginar o aspeto do Sol quando este morrer daqui a 7000 milh\u00f5es de anos. &#8220;J\u00fapiter ou mesmo Saturno &#8211; dado que t\u00eam uma massa t\u00e3o grande &#8211; v\u00e3o influenciar se o Sol passa os seus \u00faltimos mil\u00e9nios no cora\u00e7\u00e3o de uma espiral, de uma borboleta ou de qualquer outra forma fascinante que vemos nas nebulosas planet\u00e1rias de hoje,&#8221; real\u00e7a Decin. &#8220;Os nossos c\u00e1lculos indicam que se formar\u00e1 uma fraca espiral no vento estelar do velho e moribundo Sol.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Fic\u00e1mos muito entusiasmados quando explor\u00e1mos as primeiras imagens,&#8221; diz o coautor Miguel Montarg\u00e8s da mesma universidade. &#8220;Cada estrela, que antes era apenas um n\u00famero, tornou-se um indiv\u00edduo. Agora, para n\u00f3s, t\u00eam uma identidade pr\u00f3pria. Esta \u00e9 a magia de ter observa\u00e7\u00f5es de alta precis\u00e3o: as estrelas deixam de ser apenas pontos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo faz parte do projeto ATOMIUM, que visa aprender mais sobre a f\u00edsica e sobre a qu\u00edmica das estrelas velhas. &#8220;As estrelas frias e antigas s\u00e3o consideradas chatas, velhas e simples, mas agora prov\u00e1mos que n\u00e3o s\u00e3o: contam a hist\u00f3ria do que vem depois. Demor\u00e1mos algum tempo para perceber que os ventos estelares podem ter a forma de p\u00e9talas de rosa (ver, por exemplo, o vento estelar de R Aquilae) mas, como disse Antoine de Saint-Exup\u00e9ry disse no seu livro &#8216;O Principezinho &#8216;: &#8216;Foi o tempo que dedicaste \u00e0 tua rosa que a fez t\u00e3o importante&#8217;,&#8221; conclui Decin.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Astronomers capture stellar winds in unprecedented detail: interview Prof. Leen Decin (KU Leuven)\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Rxq5NThg_2w?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/nieuws.kuleuven.be\/en\/content\/2020\/astronomers-capture-stellar-winds-in-unprecedented-detail\" target=\"_blank\">\/\/ KU Leuven (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.almaobservatory.org\/en\/audiences\/astronomers-capture-stellar-winds-in-unprecedented-detail\/\" target=\"_blank\">\/\/ ESO (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/science.sciencemag.org\/content\/369\/6510\/1497\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Science)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.space.com\/star-companions-shape-stellar-winds-nebulas.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SPACE.com<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.sciencealert.com\/we-now-know-how-dying-stars-carve-out-mesmerising-mandalas-of-stardust\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">science alert<\/a><br><a href=\"http:\/\/spaceref.com\/astronomy\/stellar-winds-observed-in-unprecedented-detail.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">spaceref<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Evolu\u00e7\u00e3o de estrelas moribundas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Stellar_evolution#Mature_stars\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Vento estelar:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Stellar_wind\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Nebulosas planet\u00e1rias:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Planetary_nebula\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Projeto ATOMIUM:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/fys.kuleuven.be\/ster\/research-projects\/aerosol\/atomium\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">KU Leuven<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ALMA:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.almaobservatory.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.nrao.edu\/index.php\/about\/facilities\/alma\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (NRAO)<\/a><br><a href=\"http:\/\/alma.mtk.nao.ac.jp\/e\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (NAOJ)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/alma.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (ESO)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Atacama_Large_Millimeter_Array\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ESO:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/public\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/ESO\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Astr\u00f3nomos apresentaram uma explica\u00e7\u00e3o para as formas hipnotizantes das nebulosas planet\u00e1rias. 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