{"id":3493,"date":"2020-09-15T05:33:11","date_gmt":"2020-09-15T05:33:11","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=3493"},"modified":"2020-09-15T05:33:22","modified_gmt":"2020-09-15T05:33:22","slug":"censo-galactico-revela-origem-das-galaxias-mais-extremas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2020\/09\/15\/censo-galactico-revela-origem-das-galaxias-mais-extremas\/","title":{"rendered":"Censo gal\u00e1ctico revela origem das gal\u00e1xias mais &#8220;extremas&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p>Os astr\u00f3nomos descobriram que a chave para entender as gal\u00e1xias com tamanhos &#8220;extremos&#8221;, pequenas ou grandes, pode estar nos seus arredores. Em dois estudos relacionados, uma equipa internacional descobriu que as gal\u00e1xias que s\u00e3o &#8220;ultracompactas&#8221; ou &#8220;ultradifusas&#8221; em rela\u00e7\u00e3o a gal\u00e1xias normais de brilho compar\u00e1vel parecem residir em ambientes densos, ou seja, regi\u00f5es que cont\u00eam um grande n\u00famero de gal\u00e1xias. Isto levou a equipa a especular que estes objetos &#8220;extremos&#8221; poderiam ter come\u00e7ado a parecer-se com gal\u00e1xias normais, mas que depois evolu\u00edram para ter tamanhos invulgares por meio de intera\u00e7\u00f5es com outras gal\u00e1xias.<\/p>\n\n\n\n<p>A equipa identificou gal\u00e1xias ultracompactas e ultradifusas como parte de um censo sem precedentes de gal\u00e1xias que residem no enxame de Virgem. A investiga\u00e7\u00e3o usou dados do NGVS (Next Generation Virgo Cluster Survey) obtido pelo CFHT (Canada-France-Hawaii Telescope) usando a MegaCam, uma c\u00e2mara \u00f3tica de campo largo. A uma dist\u00e2ncia de 50 milh\u00f5es de anos-luz, Virgem \u00e9 o enxame gal\u00e1ctico mais pr\u00f3ximo da Via L\u00e1ctea e cont\u00e9m v\u00e1rios milhares de gal\u00e1xias, a maioria das quais reveladas, pela primeira vez, nos dados do NGVS.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"468\" height=\"468\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/3vTwtcg.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3494\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/3vTwtcg.png 468w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/3vTwtcg-150x150.png 150w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/3vTwtcg-300x300.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 468px) 100vw, 468px\" \/><figcaption>Uma imagem de campo largo da regi\u00e3o central do enxame de Virgem, medindo 4,4 milh\u00f5es de anos-luz de cada lado, pelo SDSS (Sloan Digitized Sky Survey). Est\u00e3o legendadas algumas das gal\u00e1xias mais brilhantes do enxame, inlcuindo Messier 87, ou M87, que est\u00e1 perto do centro do enxame. As inser\u00e7\u00f5es mostram imagens profundas de duas gal\u00e1xias estruturalmente extremas, obtidas com a MegaCam acoplada ao CFHT como parte do levantamento NGVS. Uma an\u00e3 ultracompacta est\u00e1 na &#8220;mira&#8221; da inser\u00e7\u00e3o mais abaixo, com uma gal\u00e1xia ultradifusa na inser\u00e7\u00e3o de cima. Estas gal\u00e1xias s\u00e3o quase 1000 vezes mais t\u00e9nues do que as gal\u00e1xias brilhantes vis\u00edveis na imagem. Embora as gal\u00e1xias compactas e as gal\u00e1xias difusas contenham mais ou menos o mesmo n\u00famero de estrelas, e o seu brilho total seja id\u00eantico, diferem em termos de \u00e1rea por mais de 20.000. As barras de escala de cada inser\u00e7\u00e3o representam uma dist\u00e2ncia de 10.000 anos-luz.\nCr\u00e9dito: SDSS, CFHT e equipa NGVS<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Os astr\u00f3nomos descobriram gal\u00e1xias an\u00e3s ultracompactas (GAUs) h\u00e1 um quarto de s\u00e9culo e essas s\u00e3o as gal\u00e1xias mais densas conhecidas no Universo. Teorias concorrentes descrevem as gal\u00e1xias an\u00e3s ultracompactas como grandes enxames de estrelas ou como remanescentes de gal\u00e1xias maiores que foram despojadas dos seus inv\u00f3lucros estelares.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Encontr\u00e1mos centenas de GAUs no vizinho enxame gal\u00e1ctico de Virgem, e pelo menos algumas delas parecem ter come\u00e7ado as suas vidas como gal\u00e1xias maiores,&#8221; disse o Dr. Chengze Liu da Universidade Jiao Tong de Xangai, autor principal do primeiro estudo.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar das GAUs serem semelhantes em apar\u00eancia a grandes enxames de estrelas, v\u00e1rias GAUs neste estudo foram encontradas com inv\u00f3lucros estelares t\u00e9nues em torno do n\u00facleo compacto central. Estes inv\u00f3lucros podem ser os \u00faltimos vest\u00edgios de uma gal\u00e1xia que foi gradualmente removida pelas for\u00e7as gravitacionais de mar\u00e9s de gal\u00e1xias vizinhas. Al\u00e9m disso, descobriu-se que as GAUs habitam preferencialmente as regi\u00f5es do enxame de Virgem com as maiores densidades de gal\u00e1xias. Juntas, estas evid\u00eancias apontam para uma transforma\u00e7\u00e3o induzida pelo meio ambiente como sendo respons\u00e1vel pela produ\u00e7\u00e3o de algumas GAUs.<\/p>\n\n\n\n<p>As gal\u00e1xias ultradifusas (GUs) s\u00e3o um mist\u00e9rio na outra extremidade do espectro de tamanho. S\u00e3o muito maiores e mais difusas do que gal\u00e1xias t\u00edpicas com brilho id\u00eantico. Algumas teorias sugerem que as gal\u00e1xias ultradifusas s\u00e3o gal\u00e1xias massivas cujo g\u00e1s &#8211; combust\u00edvel para a sua forma\u00e7\u00e3o estelar &#8211; foi removido antes que muitas estrelas pudessem formar-se. Outras sugerem que j\u00e1 foram gal\u00e1xias normais que se tornaram mais difusas por meio de fus\u00f5es e intera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Descobrimos que as GUs no enxame de Virgem est\u00e3o mais concentradas em dire\u00e7\u00e3o ao n\u00facleo denso do enxame, indicando que um ambiente denso pode ser importante para a sua forma\u00e7\u00e3o,&#8221; disse o Dr. Sungsoon Lim da Universidade de Tampa, autor principal do segundo estudo. &#8220;A diversidade nas suas propriedades indica que, embora nenhum processo singular tenha dado origem a todos os objetos dentro da classe de GUs, pelo menos algumas destas GUs t\u00eam apar\u00eancias que sugerem que a sua natureza difusa se deve a intera\u00e7\u00f5es de mar\u00e9s ou \u00e0 fus\u00e3o de gal\u00e1xias de baixa massa.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Outro mist\u00e9rio \u00e9 que algumas GUs continham popula\u00e7\u00f5es significativas de enxames globulares. &#8220;Os intensos eventos de forma\u00e7\u00e3o estelar necess\u00e1rios para produzir enxames globulares geralmente tornam uma gal\u00e1xia menos difusa, em vez de mais difusa, de modo que compreender como vemos enxames globulares em GUs \u00e9 um desafio interessante,&#8221; disse o professor Eric Peng do Instituto Kavli para Astronomia e Astrof\u00edsica da Universidade de Pequim, coautor de ambos os estudos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Para encontrar gal\u00e1xias que s\u00e3o realmente invulgares, primeiro precisamos de entender as propriedades das chamadas gal\u00e1xias normais,&#8221; disse o Dr. Patrick C\u00f4t\u00e9 do HAARC (Herzberg Astronomy and Astrophysics Research Center) do NRC (National Research Council), Canad\u00e1, autor dos dois estudos. &#8220;O NGVS fornece a vis\u00e3o mais profunda e completa de toda a popula\u00e7\u00e3o de gal\u00e1xias do enxame de Virgem, permitindo-nos encontrar as gal\u00e1xias mais compactas e difusas, avan\u00e7ando a nossa compreens\u00e3o de como se encaixam no quadro geral da forma\u00e7\u00e3o gal\u00e1ctica.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Os resultados destas investiga\u00e7\u00f5es foram apresentados em dois artigos publicados recentemente na revista The Astrophysical Journal.<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.cfht.hawaii.edu\/en\/news\/ExtremeGalaxies\/\" target=\"_blank\">\/\/ CFHT (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-4357\/aba433\/meta\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico #1 (The Astrophysical Journal)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2007.10565\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico #1 (arXiv.org)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-4365\/abad91\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico #2 (The Astrophysical Journal)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2007.15275\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico #2 (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p><strong>Enxame de Virgem:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.messier.seds.org\/more\/virgo.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SEDS<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Virgo_Cluster\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Enxames gal\u00e1cticos:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Galaxy_groups_and_clusters\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Gal\u00e1xias an\u00e3s ultracompactas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Dwarf_galaxy#Ultra-compact_dwarfs\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Gal\u00e1xias ultradifusas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Ultra_diffuse_galaxy\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Observat\u00f3rio do Canad\u00e1-Fran\u00e7a-Hawaii (CFHT):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.cfht.hawaii.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Canada%E2%80%93France%E2%80%93Hawaii_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os astr\u00f3nomos descobriram que a chave para entender as gal\u00e1xias com tamanhos &#8220;extremos&#8221;, pequenas ou grandes, pode estar nos seus arredores. 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